quarta-feira, 16 de setembro de 2026
O documento destaca que “a autonomia tecnológica e a valorização da ciência, tecnologia e engenharia nacional são indissociáveis da soberania do Estado e da garantia do futuro democrático e desenvolvido do Brasil”
A Assembleia Geral de Sócios da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), reunida em 30 de julho, durante a 78ª Reunião Anual, em Niterói (RJ), aprovou a “Moção contra o processo de desnacionalização no setor aeroespacial”.
No documento, a comunidade científica manifesta grave preocupação e solicita a intercessão da Presidência da República em relação aos severos impactos à soberania tecnológica do país decorrentes do recente processo de desnacionalização no setor aeroespacial.
O texto informa que o Grupo EDGE, conglomerado estatal de defesa sediado nos Emirados Árabes Unidos, anunciou formalmente a aquisição de 100% do controle acionário da empresa brasileira AKAER Engenharia S.A., sediada em São José dos Campos, SP. A AKAER acumula mais de 30 anos de atuação e mais de 10 milhões de horas de engenharia aeroespacial de altíssima complexidade.
“Ademais, o Grupo EDGE já detém 50% de participação na SIATT (especializada em armas inteligentes e mísseis) e o controle da Condor (tecnologias não letais). A transferência do controle total da AKAER para um fundo estatal estrangeiro representa uma expressiva perda de autonomia sobre a capacidade de inovação e inteligência de engenharia do Brasil”.
O documento destaca que “a autonomia tecnológica e a valorização da ciência, tecnologia e engenharia nacional são indissociáveis da soberania do Estado e da garantia do futuro democrático e desenvolvido do Brasil”
Veja o texto na íntegra:
MOÇÃO APROVADA NA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DOS SÓCIOS DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA (SBPC), REALIZADA EM 30 DE JULHO DE 2026, NA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF), EM NITERÓI-RJ, POR OCASIÃO DE SUA 78ª REUNIÃO ANUAL.
Título: Moção contra o processo de desnacionalização no setor aeroespacial.
Destinatário: Presidente da República, Excelentíssimo Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, Senador Davi Alcolumbre e Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Federal Hugo Motta.
Texto: “A comunidade científica reunida na 78ª Reunião Anual da SBPC na Universidade Federal Fluminense (UFF), manifesta grave preocupação e solicita a intercessão da Presidência da República em relação aos severos impactos à soberania tecnológica do país decorrentes do recente processo de desnacionalização no setor aeroespacial.
O Grupo EDGE, conglomerado estatal de defesa sediado nos Emirados Árabes Unidos, anunciou formalmente a aquisição de 100% do controle acionário da empresa brasileira AKAER Engenharia S.A., sediada em São José dos Campos, SP. A AKAER acumula mais de 30 anos de atuação e mais de 10 milhões de horas de engenharia aeroespacial de altíssima complexidade.
A empresa consolidou-se como um dos pilares mais sensíveis e estratégicos da nossa Base Industrial de Defesa (BID), tendo participação direta e crucial no desenvolvimento de programas de Estado fundamentais e que contam com pesados investimentos públicos, tais como o caça F-39 Gripen para a Força Aérea Brasileira (FAB), o cargueiro multimissão Embraer KC-390 e programa de modernização da viatura blindada de reconhecimento EE-9 Cascavel do Exército Brasileiro.
Ademais, o Grupo EDGE já detém 50% de participação na SIATT (especializada em armas inteligentes e mísseis) e o controle da Condor (tecnologias não letais). A transferência do controle total da AKAER para um fundo estatal estrangeiro representa uma expressiva perda de autonomia sobre a capacidade de inovação e inteligência de engenharia do Brasil.
Ressalte-se ainda que no complexo cenário geopolítico global contemporâneo, as grandes potências mundiais protegem ferozmente seus complexos industriais-militares e seus cérebros tecnológicos. A inteligência de engenharia de alta complexidade desenvolvida em solo brasileiro não pode ser alienada, sob o risco de rebaixar o país à condição de mero executor de tecnologias estrangeiras, inviabilizando nossa independência de defesa.
Diante do exposto, considerando as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa (END) e os ditames da Lei nº 12.598/2012 — que estabelece normas especiais para as Empresas Estratégicas de Defesa (EED) —, é solicitado que a Presidência da República, no uso de suas atribuições constitucionais e por meio dos ministérios e conselhos competentes, determine e certifique:
A autonomia tecnológica e a valorização da ciência, tecnologia e engenharia nacional são indissociáveis da soberania do Estado e da garantia do futuro democrático e desenvolvido do Brasil.
Niterói, 30 de julho de 2026.”
Jornal da Ciência