domingo, 20 de setembro de 2026
Publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Porque é tão difícil implementar práticas interdisciplinares no ensino de ciências

Apesar de ser uma prática efetiva na sala de aula, a dificuldade na coordenação dos docentes, falhas na formação e falta de políticas públicas efetivas impendem as práticas interdisciplinares nas escolas brasileiras. Leia em reportagem da nova edição da Ciência & Cultura

WhatsApp Image 2026-06-10 at 09.07.27Preparar estudantes para compreender e enfrentar os desafios do mundo contemporâneo exige mais do que o domínio de conteúdos isolados. Problemas reais raramente se enquadram nos limites de uma única disciplina e, por isso, a interdisciplinaridade tem ganhado destaque como uma importante estratégia educacional. Ao integrar diferentes áreas do conhecimento, essa abordagem favorece a construção de conexões entre saberes e contribui para uma aprendizagem mais significativa, contextualizada e próxima da realidade dos alunos. Além disso, estudos apontam que práticas interdisciplinares podem aumentar o engajamento dos estudantes, estimular a criatividade e fortalecer a capacidade de resolver problemas complexos. Isso é o que discute reportgem da nova edição da revista Ciência & Cultura, que tem como tema “Ensino de ciências para crianças e adolescentes por meio da ludicidade”.

Os benefícios dessa integração também aparecem no processo de aprendizagem. Segundo Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco, professora do Colegiado de Tecnologia de Alimentos do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), as atividades interdisciplinares ampliam as possibilidades de compreensão dos conteúdos. “O estudante é desafiado a mobilizar diferentes habilidades e formas de raciocínio para interpretar e criar. Isso promove uma compreensão mais rica e multifacetada dos fenômenos estudados”, afirma. A aproximação entre áreas como ciência, arte e cultura contribui para tornar o conhecimento mais acessível e significativo, permitindo que os estudantes percebam relações que muitas vezes passam despercebidas em abordagens fragmentadas.

Apesar das vantagens, implementar a interdisciplinaridade na prática não é uma tarefa simples. A integração entre diferentes disciplinas exige diálogo constante, planejamento coletivo e disposição para compreender metodologias, linguagens e ritmos de trabalho distintos. “Para o desenvolvimento do trabalho interdisciplinar, a base é o diálogo entre os profissionais. Para conseguirmos solucionar um determinado problema, cada profissional vai ter que sugerir dentro da sua área alguma possibilidade que vai ajudar na solução desse problema”, explica Gisele Soares Lemos Shaw, professora e líder do Núcleo de Pesquisa Educação em Ciências (NPEC) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Segundo ela, além dos desafios estruturais, a própria resistência de alguns profissionais pode dificultar a adoção da abordagem. “A meu ver, o grande problema da interdisciplinaridade está nas pessoas. As pessoas não querem ser flexíveis”, observa.

Quando a colaboração acontece, entretanto, os resultados podem ser transformadores. O professor de Física da rede estadual de Santa Catarina, Samuel Sérgio La Banca, vivenciou essa experiência em um projeto desenvolvido com docentes de diferentes áreas das Ciências da Natureza na Escola de Ensino Médio Professor Roberto Grant, em São Bento do Sul. “Toda quinta-feira todas as áreas tinham que trabalhar juntas. Nós, das ciências da natureza, ficávamos contando nos dedos as horas para poder estar juntos. A gente passava a semana inteira vendo o conteúdo, já buscávamos o que cada um tinha para contribuir com o outro”, relata. O trabalho conjunto foi tão intenso que as avaliações passaram a ser integradas. Mais recentemente, La Banca também participou de uma formação baseada em uma abordagem transdisciplinar que reuniu Física, Química, Artes e cultura regional a partir da preparação do barreado, prato típico do Sul do Brasil. “Hoje eu não tenho mais a mesma visão sobre o barreado, porque agora eu penso na arte, eu penso na cultura antiga, eu penso na tradição. Também penso na questão química. Então quer dizer que essa panela vai resistir mais se for produzida dessa forma? Se tiver tal elemento? Ali, a gente fez transdisciplinaridade”, conta. Experiências como essa mostram que, quando associadas à ludicidade, à criatividade e ao diálogo entre diferentes saberes, as abordagens inter e transdisciplinares podem contribuir para uma educação mais humana, crítica e conectada com a complexidade do mundo atual.

Leia a reportagem completa:

https://revistacienciaecultura.org.br/?p=10172

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