domingo, 20 de setembro de 2026
Publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Pesquisadora desenvolve método inovador para inibir casos de hipertensão

A previsão é de que a ferramenta seja colocada no mercado futuramente

Com o intuito de prevenir problemas de hipertensão, um dos principais problemas de saúde pública, especialistas brasileiros desenvolveram um método inédito para o diagnóstico e o prognóstico desse tipo de doença, que atinge cerca de 1 bilhão no mundo.

Trata-se de um biomarcador (marcador biológico), uma proteína da urina que identifica o risco para desenvolvimento da hipertensão, informa a autora da pesquisa que deu origem à invenção, Dulce Elena Casarini, professora do Departamento de Medicina, Disciplina de Nefrologia da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Os detalhes da ferramenta, fruto de pesquisa de vários anos da especialista, serão apresentados na Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a se realizar em São José dos Campos, nos dias 05 e 06 de junho. No evento, Dulce vai discorrer sobre o tema “Biotecnologia para a saúde”.

Conforme a especialista, a proteína, batizada de enzima conversora de angiotensina I N-domínio (ECA 90 kDa), acusa precocemente, pela urina, se a pessoa poderá ser hipertensa ou não. “E se analisado no contexto do diabetes, essa proteína pode diagnosticar precocemente se a pessoa está ou não caminhando para uma lesão renal”, esclarece Dulce. Após o diagnóstico no paciente diabético, Dulce acrescenta que o médico pode tratar precocemente o rim para evitar a progressão da doença renal no indivíduo.

Destacando a eficácia do método para prognosticar hipertensão, a especialista disse que, por enquanto, não há como mensurar a relação custo/benefício dessa inovação. “O custo/benefício saberemos no futuro, quando pudermos prevenir a hipertensão mais eficientemente.”

A expectativa é de que o biomarcador, criado para identificar casos de hipertensão pela urina, seja colocado no mercado futuramente. O método inovador será comercializado em kit (uma membrana que identifica a proteína na urina com propensão à hipertensão), processo que já está em andamento pela Proteobrás, empresa brasileira de pequeno porte, que patenteou o produto. Para que seja produzido em larga escala, porém, o projeto terá que passar pelo processo de licitação para atrair o interesse de indústrias de grande porte.

O projeto inovador foi desenvolvido em parceria com a Fapesp, Unifesp, e com os pesquisadores Frida Plavnik, Odair Marson e José Eduardo Krieger, atual pró-Reitor de pesquisa da USP, além de Dulce Elena.

Casos de hipertensão no mundo

Conforme estudos, a hipertensão atinge aproximadamente 1 bilhão de pessoas no mundo. Estima-se que a prevalência da hipertensão arterial em várias cidades brasileiras varia de 20% a 40% na população adulta, um número próximo da média mundial. Nos Estados Unidos, os estudos apontam que 29% da população adulta é hipertensa. Enquanto na Europa esse número chega a 44% da população.

A estimativa é de que em 2025 29,5% da população adulta no mundo terá hipertensão. Embora a causa da hipertensão seja desconhecida na maioria dos casos, a prevalência dessa doença tem a influência de vários fatores. Dentre os quais, estão a idade, sexo, etnia, consumo de sal e álcool, sedentarismo, estilo de vida, estresse, fumo e peso corpóreo.

Viviane Monteiro, Jornal da Ciência nº 759, 23/05/2014