domingo, 20 de setembro de 2026
Publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Tecnologia & Inovação

terça-feira, 1 de julho de 2014

Parques Tecnológicos no desenvolvimento da produção brasileira

Unidades no País fortalecem o avanço tecnológico, econômico e social instalados em diferentes regiões

Os anos finais do século 20 e os de início deste século trouxeram inúmeros avanços tecnológicos e mudanças no cenário científico e tecnológico do Brasil. O ano 2000 foi marcado pela criação de uma categoria nova, a “sociedade do conhecimento”, que reconhece a importância da informação na sociedade contemporânea como componente essencial da evolução humana, econômica e social. Nessa época, no Brasil, 73% dos cientistas e pesquisadores trabalhavam para instituições de ensino superior, como docentes em regime de dedicação exclusiva ou tempo integral, enquanto apenas 23% trabalhavam para empresas. Essa disparidade de atração pela inteligência foi extremamente prejudicial para o desenvolvimento da produção brasileira.

Mas, neste mesmo período, pensando em melhorar a porcentagem de pesquisadores trabalhando para o setor produtivo, a proposta dos Parques Tecnológicos fortaleceu-se como alternativa para promoção do desenvolvimento tecnológico, econômico e social. Hoje temos cerca de 80 projetos, entre iniciativas em fase de operação, implantação ou planejamento.

Instalações – Parque tecnológico é um complexo produtivo industrial e de serviços de base científico-tecnológica planejado, de caráter formal, concentrado e cooperativo, que agrega empresas cuja produção baseia-se em pesquisa tecnológica desenvolvida nos centros de P&D vinculados ao parque. É um empreendimento promotor da cultura da inovação, da competitividade e do aumento da capacitação empresarial, fundamentado na transferência de conhecimento e tecnologia, com o objetivo de incrementar a produção de riqueza de uma região.

A disponibilidade de um local físico não é suficiente para o sucesso do empreendimento. A identificação de pessoal capacitado, a existência de investimentos públicos e privados, a produtividade científica e tecnológica, estabelecimento de parcerias estratégicas regionais e nacionais são alguns dos fatores que devem ser observados prioritariamente, considerando o alto potencial de geração de empregos.

Os parques tecnológicos beneficiam os empreendimentos lá abrigados – além da região e da economia como um todo – por gerarem um ambiente de cooperação entre empresas inovadoras e instituições de ciência e tecnologia. Eles oferecem serviços de alto valor agregado às empresas, facilitam o fluxo de conhecimento e tecnologia, possibilitam a geração de empregos qualificados e o aumento da cultura e da atividade empreendedora. Além disso, favorecem a formação de clusters de inovação e a competitividade da região onde estão localizados.

Segundo pesquisa realizada em 2013 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), dos 80 parques tecnológicos analisados, 84% encontram-se nas regiões Sul (34) e Sudeste (33), em diversas fases de desenvolvimento. O Nordeste tem quatro em operação e dois em implantação. Juntos, Centro-Oeste e Norte têm sete empreendimentos, mas nenhum em operação. O relatório enfatiza a necessidade de promover o surgimento de habitat de inovação em áreas menos desenvolvidas, para explorar suas vantagens competitivas e apoiar setores da economia com maior valor agregado. Diante disso, editais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI) direcionam 30% dos recursos para Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Ainda segundo o relatório,7% das 939 empresas instaladas nos parques que responderam ao questionário estão situadas na Região Sul (373); 32,3% ficam na Região Nordeste (303), e 24,5% no Sudeste (230). Juntas, as regiões Centro-Oeste e Norte abrigam 33 empresas (3,5% do total). Até junho de 2013, essas iniciativas geraram 32.237 empregos, distribuídos entre institutos de pesquisa (1.797), gestão das próprias estruturas (531) e iniciativa privada (29.909). Do total de empregos nas empresas, aproximadamente 13,5% envolvem mestres (2.950) e doutores (1.098).

Na ocasião do lançamento do estudo, Álvaro Prata, secretário da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico do MCTI, informou que os parques tecnológicos e as incubadoras de empresas demonstram eficiência na transferência de conhecimento de instituições de ciência e tecnologia para o setor empresarial.

“O estudo revela que falta unir o universo empresarial brasileiro e a participação de profissionais de tal nível educacional. Os resultados do estudo são importantes para o direcionamento das estratégias do Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas e aos Parques Tecnológicos (PNI) em futuras ações”, observou o secretário.

Instalações espalhadas pelo Brasil

• Região Sul : Polo Tecnológico de Florianópolis (SC)
A cidade de Florianópolis é o berço de um dos mais antigos parques tecnológicos e de uma das primeiras incubadoras do país, criada em 1986. Em 1993 foi implantado o Parque Tecnológico Alfa, no bairro João Paulo. Com 100 mil metros quadrados e com mais de 70 empresas de tecnologia instaladas, o Parque Tecnológico materializou a proposta de um ambiente voltado para a inovação. “Daí para frente não se parou mais de investir em tecnologia e inovação. Hoje, com uma população que gira em torno de 400 mil habitantes, Florianópolis possui cerca de 600 empresas de software, hardware e serviços de tecnologia, as quais geram aproximadamente cinco mil empregos diretos. Somos centros de excelência dessa área e continuamos correndo atrás de inovação”, frisou o ex-governador do estado e deputado federal, Esperidião Amim (PP/SC).

• Região Sudeste: Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP) – PqTec
Em 2002, o governo do estado de São Paulo criou o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec) e incluiu São José dos Campos como uma das cinco cidades selecionadas com este objetivo, aproveitando a concentração de conhecimentos na região dos setores aeroespacial e de defesa. Em março de 2006, a Prefeitura adquiriu as instalações de uma antiga fábrica de dispositivos eletrônicos ocupando terreno de 188.000m2 às margens da rodovia Presidente Dutra e que hoje constituem o Núcleo do Parque Tecnológico. Hoje, o local conta com um espaço de 1,2 milhão de m2, dividido entre cinco Centros de Desenvolvimento de Tecnologias (CDTs) nas áreas de energia, aeronáutica, saúde, águas e saneamento ambiental e tecnologia da informação e comunicação; um Centro Empresarial, que abriga 25 pequenas e médias empresas (PMEs) de base tecnológica.

• Região Nordeste: Parque Tecnológico de Recife (PE) – Porto Digital
O Porto Digital, construído em 2000, está situado no bairro de Santo Amaro e no sítio histórico do Bairro do Recife, acrescentando ao projeto o componente de revitalização urbana. Hoje, o local conta com 240 empresas, divididas em empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e Economia Criativa, que juntas geram uma faturamento anual de R$ 1 bilhão. Além da geração de emprego qualificado, por estar situado no bairro histórico da cidade, o Porto Digital contribui para a recuperação do espaço a partir das reformas realizadas nos edifícios tombados, proporcionando à população e à sociedade, poderem usufruir deste antigo novo bairro.

• Região Centro-Oeste: Parque Tecnológico da Universidade de Brasília – PCTec-UnB
As primeiras obras do parque tecnológico da UnB ficaram prontas este ano. As instalações contam com 400 metros quadrados e estão em fase de licitação das empresas. “A criação de um parque científico e tecnológico é uma tendência mundial, e a Universidade de Brasília possui um ambiente favorável para a comercialização de tecnologias, formação e absorção de profissionais”, enfatiza o diretor do Centro de Apoio ao Desenvolvimento tecnológico da UnB (CDT), professor Paulo Suarez.

Para ele, existem duas formas possíveis de as empresas atuarem dentro do Parque: a primeira seria por cessão de direito – área concebida ao empreendedor de uso oneroso, por tempo indeterminado; e a segunda por locação de infraestrutura de pesquisa compartilhada por prazo definido.

• Região Norte: Parque de Ciência e Tecnologia Guamá – PCT Guamá
Em operação há três anos em Belém (PA), o Parque é o pioneiro na Amazônia, contribuindo na construção de um novo modelo de desenvolvimento para o estado do Pará, pautado por uma economia verde de forte base tecnológica e inovadora. O Parque abriga 18 empreendimentos em ciclos distintos de desenvolvimento em áreas estratégicas como: biotecnologia, energia, tecnologia da informação e comunicação, tecnologia ambiental e tecnologia mineral. Foram investidos R$ 85 milhões em recursos dos governos federal e estadual para a implantação do local.

Para Antônio Abelém, diretor-presidente do Parque, hoje o espaço já apoia oito empresas de base tecnológica residentes na Incubadora de Empresas da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Camila Cotta, Jornal da Ciência nº 757, 25/04/2014