domingo, 20 de setembro de 2026
Publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Amazônia

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Para Lula, COP30 é o momento em que cientistas, políticos e organizações da sociedade civil se unem pelo planeta

Na abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, presidente do Brasil destacou que emergência climática aprofunda desigualdades sociais; COP30 tem programações especiais dedicadas a oceanos

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou na noite da última segunda-feira (10/11) da abertura da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, a COP30, que acontece até o final de novembro na cidade de Belém, no Pará.

Em sua fala, Lula destacou o esforço da COP30 de reunir diversos atores para a consolidação de políticas globais focadas no combate à emergência climática. “Pelas próximas duas semanas, Belém será a capital do mundo. Negociadores, governadores, prefeitos, parlamentares, cientistas e organizações da sociedade civil farão parte desse grande esforço coletivo em prol do planeta.”

O presidente da República ressaltou o lançamento do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, articulação internacional para a preservação das florestas – com ênfase à Amazônia – e que já arrecadou 5,5 bilhões de dólares em anúncios de investimento. Entretanto, também houve cobranças às delegações dos 194 países presentes.

Lula cobrou os países que se comprometam com a formulação e a implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas. Essas contribuições, também chamadas do inglês pela sigla NDCs, são compromissos que as nações signatárias do Acordo de Paris assumiram pela redução de emissões de gases do efeito estufa e, consequentemente, para o controle das mudanças climáticas.

O segundo ponto é que os países devem assegurar financiamento, transferência de tecnologia e capacitação aos países em desenvolvimento. E, por fim, cabe às nações darem a devida atenção aos efeitos da emergência do clima.

Para o presidente do Brasil, um dos desafios é também o combate à desinformação, que tem atuado nos ambientes digitais com discursos mentirosos que contestam a veracidade do cenário climático atual do planeta.

“Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam não só as evidências da Ciência, mas também os progressos do multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo. Atacam as instituições, a Ciência e as universidades. [A COP30] é momento de impor uma nova derrota aos negacionistas.”

“Estamos andando na direção certa, mas na velocidade errada”

O presidente Lula alertou também que falar de mudanças climáticas não é só tratar de políticas ambientais, mas sim lidar com aspectos estruturais e sociais do planeta. Lula ressaltou que, para isso, é necessária uma governança global mais robusta, capaz de assegurar que palavras se traduzam em ações.

“Precisamos de mapas do caminho para que a humanidade, de forma justa e planejada, supere a dependência dos combustíveis fósseis, pare e reverta o desmatamento e mobilize recursos para esses fins”, complementou.

O presidente também alertou que o aquecimento global pode empurrar milhões de pessoas para a fome e a pobreza, e que a própria mudança do clima gera impactos desproporcionais, principalmente em grupos mais vulneráveis, o que deve ser levado em conta na construção e implementação de políticas de adaptação.

“A emergência climática é uma crise de desigualdade. Ela expõe e exacerba o que já é inaceitável. Ela aprofunda a lógica perversa que define quem é digno de viver e quem deve morrer. Mudar pela escolha nos dá a chance de um futuro que não é ditado pela tragédia”, concluiu.

Confira o discurso de Lula na íntegra no site da Agência Gov

Oceanos ganham protagonismo na COP30

Entre os inúmeros debates a serem realizados durante a COP30, um tema estará presente em diferentes iniciativas: a preservação de oceanos. O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) trará uma programação intensa que destaca o papel do oceano como regulador do climático do planeta, sua contribuição para a transição energética e para o enfrentamento do aquecimento global.

A agenda inclui conferências, debates, lançamento de livro, assinatura de acordo, articulações institucionais, entre outras atividades. Confira a programação completa e seus respectivos espaços, espalhados por Belém.

11/11 (terça-feira)

  • Lançamento do livro “Mudanças climáticas no Brasil: estudo da arte e fronteira do conhecimento“

Organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que inclui o capítulo “Oceano e Zonas Costeiras”, coordenado pelo diretor-geral do INPO, Segen Estefen, e vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Moacyr Araujo

Horário: 19h30

Local: Museu das Amazônias – Av Mal Hermes, 14, Reduto, Belém

12/11 (quarta-feira)

  • Reunião do Alto Comissariado para Direitos Humanos da Organização da Nações Unidas (ONU)

O diretor-geral do INPO, Segen Estefen, participa da Reunião do Alto Comissariado para Direitos Humanos da ONU, para falar sobre “ponto de não retorno”, no pavilhão da ONU Brasil, na Zona Azul. Esse evento é promovido pelo OHCR, o relator Especial da ONU sobre Mudanças Climáticas e Direitos Humanos, Just Atonement e AwareNearth

Horário: 9h às 10h

Local: Pavilhão da ONU Brasil

  • INPO e Fiocruz assinam protocolo de intenções para desenvolvimento de pesquisas oceânicas (“Uma só saúde azul”) e integração da Fiocruz à rede do INPO

O diretor-geral do INPO, Segen Estefen, e o Presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Mário Moreira, assinam acordo que ampliará a cooperação científica entre as instituições e o estudo das relações entre o oceano, a saúde humana e o meio ambiente.

Horário: 17 horas

Local: Casa da Ciência do Brasil em Mudanças Climáticas, no Museu Emílio Goeldi: Av. Gov. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém

14/11 (sexta-feira)

Programação dedicada ao oceano, organizada pelo INPO:

Horário: a partir das 12h

Local: Casa da Ciência do Brasil em Mudanças Climáticas, no Museu Emílio Goeldi – Av. Gov. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém

Programação Completa:

  • Painel Transição Energética- Energias Renováveis a partir dos Oceanos –Palestrante e moderador, Segen Estefen, diretor-geral do INPO

Participantes: Yasuyuki Ikegami, da Universidade de Saga, Japão; Amisha Patel, da Global Offshore Wind Alliance

  • Mesa-redonda Economia Azul e Mudanças Climáticas – Moderação: Andrei Polejack, diretor de Pesquisa e Inovação do INPO

Participantes: Flávio Andrade, CEO da OceanPact; Claire Jolly, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE); Nabil Kadri, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Michelle Voyer, da Australian National Centre for Ocean Resources and Security (ANCORS).

  • Mesa-redonda O legado do Oceans20 no G20 Social e potenciais futuras contribuições no enfrentamento às mudanças do clima – Moderação: Janice Trotte-Duhá, diretora de Infraestrutura e Operações do INPO. Os pesquisadores da África do Sul abordarão as principais contribuições do grupo para o tema.

Participantes: Tammaryn Morris (SAEON); Kilaparti Hamakrishna (WHO) e Gabriel Otero (UNGC)

17/11 (segunda-feira)

  • Evento “Observação Oceânica em Ação: Construindo Resiliência Climática no Sul Global” – palestra de Janice Trotte-Duhá, diretora de Infraestrutura e Operações do INPO

Horário: 12h30 às 14h

Local: Pavilhão Virtual do Oceano. Acesse aqui

18/11 (terça-feira)

O INPO será destaque no Pavilhão Virtual do Oceano.

19/11 (quarta-feira)

  • Participação do diretor-geral do INPO, Segen Estefen, em evento “Pesca Sustentável e Resiliência Costeira face às alterações climáticas: contribuições dos países de língua portuguesa para os compromissos da Cop30”

Horário: 15h45 às 16h45

Local: Pavilhão de Portugal

  • Participação do diretor-geral do INPO, Segen Estefen, no evento “Como ser inteligente ao enfrentar os Desafios Oceânicos, Climáticos e sociais em um cenário em transformação”

Horário: das 16h45 às 18h15

Local: Zona Azul – Sala 8

Além da programação do INPO, nesta terça-feira, 11 de novembro, das 9h às 12h, o Pacto Global da ONU – Rede Brasil vai promover uma agenda com foco em Água, Oceano e Resíduos. As atividades serão realizadas em parceria com a Confederação Nacional de Transporte (CNT) e acontecerão na Greenzone da COP30.

Confira os destaques da programação

  • Lançamento do “Guia Empresarial de Combate ao Lixo no Mar”: fruto do Programa Blue Keepers, esta iniciativa, dedicada à prevenção da poluição marinha e à promoção de práticas empresariais sustentáveis na gestão de resíduos, apresentará um guia prático para o setor privado. O documento é resultado da cooperação com as empresas apoiadoras Aegea, Porto do Açu, Santos Brasil, OceanPact e Heineken. O lançamento contará com a participação de autoridades do Ministério do Meio Ambiente e representantes da sociedade civil organizada, reforçando o compromisso multissetorial com a saúde dos oceanos.
  • Apresentação do Protótipo “Moeda Circular” do Projeto ReInova: será detalhado o processo de construção do protótipo de itinerância na coleta de resíduos recicláveis do ReInova. Este projeto colaborativo impulsiona soluções de economia circular e inovação em embalagens, conectando empresas e sociedade para a proteção do oceano. Desenvolvido em parceria com Coca-Cola Femsa, Unilever e Alpargatas, e conduzido pela consultoria Questtonó, o “Moeda Circular” visa promover a circularidade e a proteção oceânica em áreas de grande escape de resíduos. Um videodocumentário exclusivo mostrará a criação e implementação do projeto, seguido de debates com representantes das empresas participantes.
  • Debate com as Novas Embaixadoras dos Movimentos +Água e Conexão Circular: em um fireside chat, as novas Embaixadoras dos Movimentos +Água e Conexão Circular debaterão a interdependência vital entre água e economia circular. Subirão ao palco representantes da Aegea, Coca-Cola Brasil e Ypê pelo Movimento +Água, e da Santos Brasil e C&A pelo Movimento Conexão Circular. A conversa será mediada por um nome de destaque a ser anunciado, prometendo insights valiosos sobre a gestão sustentável desses recursos.

Rafael Revadam – Jornal da Ciência