quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Iniciativa da SBPC, Observatório das Eleições 2026 reúne adesões vindas de 21 unidades da Federação e 15 partidos políticos; candidatos do Acre, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Tocantins ainda não se pronunciaram
Cresce o número de candidatos que estão concorrendo nestas eleições de 2026 e que se comprometem abertamente com políticas públicas para todos os setores baseadas em evidências científicas. Até o momento, 162 candidatas e candidatos já assinaram o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional, proposto pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). As adesões ao Observatório das Eleições 2026 já alcançam 21 unidades da Federação, 15 partidos políticos e seis cargos em disputa, formando um retrato cada vez mais amplo da mobilização para levar as políticas científicas ao debate eleitoral.
São candidaturas à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados, às assembleias legislativas e à Câmara Legislativa do Distrito Federal. O Legislativo concentra a maior parte das adesões, mas também cresce a participação de quem disputa os Executivos estaduais: seis candidaturas aos governos já assinaram o Termo, o dobro do registrado no levantamento anterior.
O número de unidades da Federação representadas permanece em 21, mas o mapa vem se adensando. Desde a última atualização, de 15 de setembro, quando havia 158 signatários, 4 novas candidaturas aderiram ao compromisso, com crescimento das adesões em quatro UFs: Distrito Federal, Maranhão, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Mais do que acompanhar o número de assinaturas, esses dados começam a mostrar como a mobilização vem se distribuindo pelo País, entre diferentes cargos e partidos — e também onde ainda há espaço para avançar. Como a adesão é individual, voluntária e permanece aberta, os números não constituem uma amostra do conjunto de candidaturas das eleições de 2026, mas oferecem uma fotografia do alcance do Observatório neste momento da campanha.
Lançado em 17 de agosto, o Observatório leva às eleições as 117 propostas do caderno “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”, construídas coletivamente pela comunidade científica, e busca promover o diálogo entre o que a ciência propõe, as questões e demandas da sociedade e aquilo que as candidaturas se comprometem publicamente a fazer.
“O Observatório das Eleições é o passo que transforma o caderno em ação. As ‘Vozes da Ciência’ não podem se encerrar no papel: o Observatório leva as 117 propostas para o debate eleitoral e cria um espaço público no qual candidatas e candidatos podem assumir compromissos com a ciência, a democracia e a soberania, e a sociedade pode acompanhar e cobrar esses compromissos, eixo por eixo”, explica a presidente da SBPC, Francilene Garcia.
Legislativo concentra a maior parte das adesões
A distribuição por cargo mostra uma presença expressiva de candidaturas ao Poder Legislativo. Das 162 assinaturas, 85 são de candidatas e candidatos a deputado federal, pouco mais da metade do total. Outras 52 são de candidaturas a deputado estadual, dez ao Senado e oito a deputado distrital.
Somadas, são 155 candidaturas ao Legislativo, aproximadamente 96% dos signatários. Completam o levantamento seis candidaturas aos governos estaduais e uma à Presidência da República.
A forte presença do Legislativo é particularmente relevante para a agenda do Vozes da Ciência. Muitas das 117 propostas dependem diretamente de decisões do Congresso Nacional e das assembleias legislativas, especialmente em temas relacionados a orçamento, financiamento da pesquisa, marcos regulatórios e políticas públicas de longo prazo.
Entre elas estão a atuação contra medidas que reduzam ou contingenciem recursos destinados à Ciência e o apoio à criação de mecanismos que deem maior estabilidade ao financiamento de Ciência, Tecnologia e Inovação. O documento também propõe apoio ao Projeto de Lei nº 5.876/2016, que prevê a aplicação de recursos do Fundo Social do Pré-Sal em CT&I, além da ampliação do percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado à Pesquisa e Desenvolvimento para 2% até 2034.
Para as candidaturas à Presidência da República e aos governos estaduais, o Vozes da Ciência propõe, entre outras medidas, que CT&I esteja entre as prioridades protegidas de bloqueios orçamentários e que os governos apresentem, nos primeiros 180 dias de mandato, propostas de orçamento plurianual para o setor.
Adesões avançam nos estados
O mapa das adesões já alcança todas as regiões brasileiras, embora ainda apresente diferenças importantes entre os estados.
São Paulo reúne o maior número de signatários, com 30, seguido pelo Rio de Janeiro, com 26. Distrito Federal aparece com 14; Rio Grande do Sul e Maranhão, com 11 cada; Pernambuco, com nove; Minas Gerais, com oito; e Amazonas e Bahia, com sete cada.
Alagoas, Paraíba, Paraná e Santa Catarina registram cinco adesões cada; Ceará, quatro; Espírito Santo, Mato Grosso e Pará, três; Mato Grosso do Sul, duas; e Amapá, Goiás e Sergipe, uma cada. Soma-se a esse mapa uma candidatura de âmbito nacional, à Presidência da República.
A comparação com o levantamento anterior permite enxergar também onde a mobilização cresceu. O avanço mais expressivo ocorreu no Paraná, que passou de três para cinco signatários, empatando com demais três estados. As regiões com o maior número de candidaturas seguem com crescimento estável: São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Permanecem sem registros Acre, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Tocantins. Rio Grande do Norte e Rondônia contam com Secretarias Regionais ativas da SBPC, mas ainda não registram candidaturas signatárias.
A distribuição territorial é uma das frentes de mobilização do Observatório. As Secretarias Regionais da SBPC vêm sendo chamadas a aproximar a iniciativa das eleições nos estados, estimular o diálogo com as candidaturas locais e incorporar ao debate questões e prioridades dos diferentes territórios.
A proposta é fazer com que a discussão nacional dialogue também com as realidades locais: a capacidade científica instalada em cada região, suas universidades e instituições de pesquisa, os desafios ambientais e sociais, as políticas estaduais de CT&I e as questões que pesquisadores e sociedade consideram prioritárias para os próximos governos e legislaturas.
Quinze partidos já estão representados
A distribuição partidária acrescenta outra dimensão a esse mapa. Até o momento, estão representados 15 partidos políticos, abrangendo diferentes espectros do cenário político brasileiro.
A maior quantidade de adesões ainda se concentra em algumas legendas, mas o conjunto já reúne candidaturas de PT, PSOL, PCdoB, PSB, PDT, MDB, Rede, UP, PSD, Avante, Novo, Podemos, PSDB, PSTU e PV.
Esse recorte, porém, deve ser lido considerando a própria natureza do Observatório. A adesão ao Termo é individual e voluntária. A quantidade de signatários de determinada legenda, portanto, não constitui uma avaliação do posicionamento ou do grau de compromisso do partido com a Ciência.
Da mesma forma, a inclusão de uma candidatura na plataforma não representa apoio ou endosso eleitoral da SBPC. O Observatório registra um compromisso assumido publicamente pela própria candidatura, para que possa ser conhecido pela sociedade durante a campanha e acompanhado posteriormente.
A evolução da diversidade partidária, assim como a chegada a novos estados e a diferentes cargos, será uma das dimensões observadas nas próximas atualizações.
Cinco compromissos públicos
Ao assinar o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional, candidatas e candidatos assumem cinco compromissos.
O primeiro é tratar a Ciência como política de Estado, e não como despesa contingenciável, defendendo financiamento público, previsível e de longo prazo para a pesquisa. Também se comprometem a fundamentar decisões em evidências e ouvir a comunidade científica em temas técnicos.
O Termo inclui ainda a defesa da autonomia das universidades e institutos públicos e da liberdade de pesquisa; a proteção da democracia, de suas instituições e da Constituição de 1988; e o compromisso de se posicionar sobre as propostas do Vozes da Ciência relacionadas ao mandato que pretendem exercer.
“As adesões são tornadas públicas, por cargo e por estado, para que o compromisso com a Ciência não se limite à retórica, mas se converta em registro público e referência para o acompanhamento posterior”, afirma Francilene Garcia.
Das Vozes da Ciência às eleições
O Observatório é parte de um processo que começou antes da campanha eleitoral. Entre novembro de 2025 e maio de 2026, a SBPC promoveu o ciclo “Vozes da Ciência”, com 13 mesas de debate e mais de 60 pesquisadores e pesquisadoras de diferentes áreas e regiões do País.
As discussões deram origem ao caderno “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”, que reúne 117 propostas organizadas em sete eixos: 1) CT&I como Projeto de Nação; 2) Soberania Nacional: Digital, Tecnológica e Sanitária; 3) Sustentabilidade, Clima, Biodiversidade e Segurança Alimentar; 4) Democracia e Segurança Pública; 5) Equidade, Diversidade e Justiça Social; 6) Educação, Formação e Universidade; e 7) Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância.
A agenda parte da compreensão de que a ciência não está restrita às políticas de pesquisa. As propostas tratam de financiamento e formação científica, mas também de capacidade nacional para produzir medicamentos e tecnologias estratégicas, soberania digital, inteligência artificial, mudanças climáticas, biodiversidade, segurança alimentar, educação, saúde, democracia e redução das desigualdades.
Com o Observatório, esse processo entra em uma nova etapa. As propostas chegam ao debate eleitoral, as candidaturas são convidadas a se posicionar e seus compromissos passam a integrar um registro público.
O Observatório também é de quem vota
A iniciativa não se resume, portanto, à lista de candidaturas que assinaram o Termo.
Organizado a partir dos sete eixos do Vozes da Ciência, o portal reúne propostas e questões que podem subsidiar debates, entrevistas, encontros e conversas com quem disputa um mandato. A intenção é contribuir para que diferentes setores da sociedade conheçam as posições das candidaturas, formulem suas próprias perguntas e levem ao debate eleitoral temas que considerem importantes para o futuro do País.
Essa mobilização envolve também Secretarias Regionais da SBPC, Sociedades Científicas Afiliadas, pesquisadores, universidades e outras instituições, aproximando o debate das diferentes realidades brasileiras e incorporando questões e prioridades dos territórios.
A lógica é construir um processo contínuo: a ciência apresenta propostas; a sociedade participa, pergunta e traz suas demandas; as candidaturas respondem e assumem compromissos; e esses compromissos passam a integrar um registro público que poderá ser retomado depois das urnas.
“O Observatório é também um instrumento de mobilização da comunidade científica nos territórios. Ele oferece a pesquisadores e pesquisadoras, em cada cidade e região do País, uma ferramenta concreta para qualificar o debate público, dialogar com as candidaturas e aproximar a ciência das decisões que afetam a vida das pessoas”, destaca Garcia.
Um mapa em construção
Os 162 signatários representam uma fotografia de uma mobilização que continua em curso. As adesões permanecem abertas, e os próximos levantamentos permitirão acompanhar não apenas o crescimento do número absoluto, mas também como esse mapa muda ao longo da campanha: onde surgem novas adesões, quais cargos se aproximam da iniciativa e como evoluem sua distribuição territorial e diversidade partidária.
A SBPC também prevê produzir informações e análises sobre os programas das candidaturas ao Executivo, promover leituras estaduais com participação das Secretarias Regionais e acompanhar temas estratégicos para CT&I que dependem de decisões políticas.
A intenção é avançar da pergunta sobre quem assinou o Termo para outras igualmente importantes: que espaço a Ciência ocupa nos programas apresentados ao País e aos estados? Que respostas as candidaturas oferecem às questões levantadas pela comunidade científica e pela sociedade? E, depois das eleições, como os compromissos assumidos durante a campanha se traduzirão em decisões e políticas públicas?
O Observatório foi pensado justamente para permitir essa continuidade. O compromisso registrado agora poderá se tornar referência para acompanhar quem for eleito e manter o diálogo entre sociedade, comunidade científica e representantes políticos depois das urnas.
Candidata ou candidato: conheça as 117 propostas do Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos e assuma publicamente seu compromisso.
Eleitora ou eleitor: conheça as propostas, acompanhe quem já aderiu e leve essas questões ao debate eleitoral.
Conheça o Observatório das Eleições 2026, confira as adesões e partcipe!
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Jornal da Ciência