segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
O objetivo do documento é assegurar e proteger os altos padrões de comportamentos e práticas científicas
O lançamento de um código de ética para pesquisadores marcou o encerramento da 48ª edição do Fórum Econômico Mundial (WEF), em Davos, na Suíça, na última sexta-feira, 26 de janeiro.
Com mais de 400 sessões, o encontro, realizado na última semana, entre os dias 23 e 26, teve como tema “Criando um futuro compartilhado num mundo fraturado” e discutiu, entre seus mais de três mil participantes, os problemas da globalização, o futuro dos sistemas sociais, a distribuição equitativa, as rápidas mudanças tecnológicas introduzidas pela Quarta Revolução Industrial, entre outros temas.
As mudanças e suas implicações no cenário científico provocadas pela 4ª Revolução Industrial foram levantadas por um grupo selecionado de pesquisadores com menos de 40 anos de diversas áreas da ciência e de todas as regiões do mundo, a “Comunidade de Jovens Cientistas do WEF”. Reunidos em Davos, os jovens cientistas discutiram e identificaram as questões éticas transversais com as quais são confrontados, conforme conta o professor do Instituto de Física da USP-São Carlos, Rafael Guido, que representou o Brasil no grupo.
“O ritmo de mudança provocado pela Quarta Revolução Industrial, bem como as divisões entre a comunidade científica, estão alterando drasticamente o cenário da pesquisa. O Código de Ética universal é o resultado dessas extensas reflexões e consultas. Existem muitos exemplos, mas até o momento nenhum código de conduta ou ética que seja interdisciplinar e global em sua perspectiva alcançou a aceitação universal”, comenta Guido.
Segundo o pesquisador brasileiro, o “Code of Ethics for Researchers” (Código de Ética para Pesquisadores, na tradução para o português) é um conjunto de princípios éticos concebido para estimular uma mudança na cultura científica e garantir um ambiente positivo para as pesquisas que beneficiam a sociedade como um todo.
“O código de ética universal busca proteger os altos padrões de comportamentos e práticas científicas. Ele serve como uma ferramenta para estimular uma mudança positiva de cultura no mundo da pesquisa, não só orientando e moldando o comportamento dos indivíduos, mas também das instituições científicas que são essenciais para nuclear a mudança cultural”, esclarece.
São sete os princípios que norteiam esse Código de Ética Para Pesquisadores: engajamento com o Público; a busca pela verdade; minimização de danos a ciência, ao meio ambiente e a sociedade; engajamento com líderes e governantes; apoio à diversidade; capacitação de pesquisadores menos experientes, criando um ambiente de confiança e respeito; e responsabilidade moral e financeira.
“Cada participante do ambiente de pesquisa é convidado a endossar esses sete princípios, que exploram o que é necessário para ser um cientista ético hoje e como indivíduos, grupos e instituições podem contribuir para garantir um ambiente positivo para os maiores resultados de pesquisa que beneficiam a sociedade como um todo”, destaca o texto de introdução do Código. Para endossar o documento, basta acessar este link e preencher um breve formulário.
O Código de Ética Para Pesquisadores está disponível gratuitamente em inglês neste link.
Jornal da Ciência