domingo, 20 de setembro de 2026
Publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Amazônia

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Elementos para o desenvolvimento sustentável na Amazônia

Artigo da nova edição da Ciência & Cultura aponta caminhos para um modelo de desenvolvimento que una conservação, justiça social e economia de baixo carbono

WhatsApp Image 2025-12-01 at 09.08.59A Amazônia ocupa um papel decisivo na manutenção de um planeta habitável nas próximas décadas. Reunindo cerca de 20% das espécies conhecidas pela ciência, ela funciona como um gigantesco sistema natural de regulação climática: bilhões de árvores lançam diariamente enormes volumes de vapor d’água na atmosfera, alimentando ciclos de chuva essenciais para a agricultura em todo o continente. Além de sua contribuição hidrológica, a floresta armazena cerca de 100 bilhões de toneladas de carbono — o equivalente a uma década de emissões globais — reforçando sua importância como aliada no enfrentamento da crise climática. Isso é o que discute artigo da nova edição da Ciência & Cultura, que tem como tema “COP 30: ciência, política e ação”.

A destruição dessa massa florestal teria efeitos devastadores. Sem sua função de “ar-condicionado” natural, temperaturas médias subiriam significativamente, ao mesmo tempo em que o desmatamento liberaria grandes quantidades de gases de efeito estufa. A região, entretanto, não é apenas um bioma: é também o lar de povos indígenas e comunidades tradicionais que acumulam conhecimento milenar sobre manejo e conservação. Com base em estudos do Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), pesquisadores destacam que o desenvolvimento sustentável na região exige proteger a integridade socioambiental da floresta, garantindo bem-estar econômico e social para sua população, especialmente em um momento de emergência climática e de pressão pela exploração de petróleo. “O desenvolvimento da Amazônia tem sido historicamente marcado por conflitos sociais, ocupação desordenada e violenta, além de megaprojetos de infraestrutura que causaram grandes impactos socioambientais e climáticos”, destacam Paulo Moutinho e André Guimarães, pesquisadores sêniores do IPAM.

Ainda assim, há lições importantes na própria história recente da região. Entre 2005 e 2012, o Brasil conseguiu reduzir drasticamente o desmatamento, graças à combinação de ações de fiscalização, expansão de áreas protegidas e reconhecimento de territórios indígenas. Hoje, mais da metade da Amazônia brasileira está sob algum tipo de proteção, o que demonstra a capacidade do país de implementar políticas robustas. Iniciativas como a criação do sistema DETER, mecanismos de pagamento por serviços ambientais e acordos setoriais — como a moratória da soja — permitiram uma queda de quase 80% na derrubada da floresta, sem comprometer a produção de carne e grãos. Essa experiência mostrou que é possível desacoplar crescimento econômico e destruição ambiental, ao mesmo tempo em que reforçou a resiliência do povo amazônico, protagonista das soluções possíveis.

Diante da COP 30 e de um cenário global cada vez mais instável, o país possui condições para romper a relação histórica entre desenvolvimento, desigualdade e degradação. Estudos recentes apontam caminhos estratégicos: manter e expandir áreas protegidas; reduzir o desmatamento em propriedades privadas; intensificar de forma sustentável a produção em grandes e médias fazendas; e fortalecer a agricultura familiar com assistência técnica adequada. O grande desafio, agora, é alinhar políticas públicas, incentivos econômicos e participação social em torno de um modelo de prosperidade verde que permita à Amazônia continuar prestando seus serviços fundamentais ao clima, sem abrir mão da qualidade de vida de quem vive na região. “Em tempos de COP 30, em território brasileiro, o desafio do desenvolvimento sustentável para a Amazônia ainda esbarra em gargalos políticos e estruturais”, alertam os autores.

Leia o artigo completo:

https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=elementos-para-o-desenvolvimento-sustentavel-na-amazonia

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