quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Iniciativa da SBPC convida candidatos de diferentes cargos a se comprometeram em apoiar a Ciência, a democracia e a soberania nacional
Lançado no dia 17 de agosto, o Observatório das Eleições 2026 completa seu primeiro mês reunindo candidaturas que se comprometem abertamente com o desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no País. Até o momento, 164 candidatas e candidatos já assinaram o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional, proposto pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). As adesões ao Observatório das Eleições 2026 já alcançam 21 unidades da Federação, 15 partidos políticos e seis cargos em disputa, formando um retrato cada vez mais amplo da mobilização para levar as políticas científicas ao debate eleitoral.
O Observatório apresenta o caderno “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”, que reúne 117 propostas da comunidade científica, reunidas em sete eixos temáticos: 1) CT&I como Projeto de Nação; 2) Soberania Nacional: Digital, Tecnológica e Sanitária; 3) Sustentabilidade, Clima, Biodiversidade e Segurança Alimentar; 4) Democracia e Segurança Pública; 5) Equidade, Diversidade e Justiça Social; 6) Educação, Formação e Universidade; e 7) Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância.
A iniciativa funciona como uma via de mão dupla. De um lado, candidatas e candidatos a deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente são convidados a assinar um Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional. De outro, a sociedade pode acompanhar quem assumiu esse compromisso — com as adesões divulgadas por cargo e por estado —, conhecer as propostas construídas pela comunidade científica e levá-las ao debate eleitoral.
“A questão não é apenas o quanto você [candidato(a)] pretende investir em Ciência, mas como pretende transformar conhecimento em capacidade de enfrentar os desafios do estado, agregar valor à sua economia, reduzir desigualdades, responder às mudanças climáticas e melhorar a saúde e a educação. O Observatório das Eleições 2026 convida você a explicitar esse compromisso: que lugar a ciência, a educação, a tecnologia e a inovação ocuparão no projeto de desenvolvimento que você propõe para o seu estado? O futuro do seu estado também será decidido pela capacidade de transformar conhecimento em desenvolvimento”, explica a presidente da SBPC, Francilene Garcia.
Cinco compromissos públicos
Ao assinar o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional, candidatas e candidatos assumem cinco compromissos.
O primeiro é tratar a Ciência como política de Estado, e não como despesa contingenciável, defendendo financiamento público, previsível e de longo prazo para a pesquisa. Também se comprometem a fundamentar decisões em evidências e ouvir a comunidade científica em temas técnicos.
O Termo inclui ainda a defesa da autonomia das universidades e institutos públicos e da liberdade de pesquisa; a proteção da democracia, de suas instituições e da Constituição de 1988; e o compromisso de se posicionar sobre as propostas do Vozes da Ciência relacionadas ao mandato que pretendem exercer.
“As adesões são tornadas públicas, por cargo e por estado, para que o compromisso com a Ciência não se limite à retórica, mas se converta em registro público e referência para o acompanhamento posterior”, complementa Garcia.
O Observatório também é de quem vota
Outro ponto importante é o engajamento do público eleitor. Para isso, a SBPC convida as suas Secretarias Regionais a mobilizarem os candidatos locais e a ocuparem espaços de debate e proposição de ideias.
“As Secretarias Regionais da SBPC serão a ponte entre a agenda nacional da ciência, as candidaturas e a sociedade de cada estado. Cabe a elas mobilizar a comunidade científica local, articular universidades, institutos de pesquisa, fundações de amparo à pesquisa, sociedades científicas e demais atores, e promover o diálogo com as candidatas e os candidatos aos Governos Estaduais”, explica Garcia.
Para a presidente da SBPC, mais do que levar uma agenda pronta aos estados, as Secretarias Regionais deverão inspirar e ajudar as candidaturas a enxergar como a Ciência pode contribuir para o desenvolvimento de seus estados. Também cabe a elas ajudar a sociedade a avaliar, com base em conhecimento, as escolhas que estarão em disputa.
“Isso significa identificar prioridades, apresentar capacidades e experiências existentes no território, valorizar suas vocações e desafios e contribuir para transformar conhecimento em propostas concretas de governo. Seu papel será mobilizar, conectar, inspirar e acompanhar: aproximar ciência, candidaturas e sociedade para que o debate eleitoral seja também uma oportunidade de pensar, com conhecimento, o futuro de cada estado”, conclui.
Conheça o Observatório das Eleições 2026 e participe!
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Jornal da Ciência