segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Laboratório Sapra Landauer recebe licença para oferecer técnica dos EUA para profissionais da saúde expostos à radiação ionizante
O laboratório brasileiro Sapra Landauer, especializado em serviços de dosimetria de radiação e assessoria em proteção radiológica, começa a oferecer uma nova tecnologia, proveniente dos Estados Unidos, para profissionais da saúde expostos à radiação ionizante em ambiente de trabalho – em áreas como medicina nuclear, radiodiagnóstico e radioterapia.
O novo dosímetro possui a tecnologia chamada OSLD (Optical Stimulated Luminescence Dosimetry), cujo licenciamento foi aprovado, neste início de ano, pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão responsável pelas diretrizes de proteção radiológica no Brasil. O serviço destina-se, também, aos profissionais dos setores industrial, mineração e comércio, dentre outros, que utilizam radiação em suas atividades.
Normas dos Ministérios da Saúde e do Trabalho, baseadas na legislação internacional, estabelecem limites anuais de doses para profissionais expostos a esse tipo de radiação. No Brasil, o cumprimento de normas para as práticas com radiação também é uma exigência da CNEN.
Pela legislação brasileira, o limite de dose que um trabalhador (o corpo inteiro) pode receber de radiação por ano é 50 mSv (unidade de medida Sievert). Nesse caso, a média aritmética não pode ultrapassar 20 mSv em cinco anos.
Tecnologia moderna
Segundo a física Maria de Fátima de Andrade Magon, uma das responsáveis técnicas da Sapra Landauer, o dosímetro com a tecnologia OSLD é mais moderno do que os disponíveis hoje para profissionais da saúde expostos à radiação ionizante. Internamente, já são liberadas no Brasil as tecnologias TLD (Thermoluminescent Luminescence Dosimetry) e a FD (Film Dosimetry).
De acordo com a especialista, a tecnologia OLSD já é utilizada em países como Japão, França e Estados Unidos, e começa a ser fornecida ao Brasil pela primeira vez.
Maria de Fátima avaliou a eficácia da nova técnica para medição de doses de radiação ionizante em ambiente de trabalho e disse que a tecnologia OSLD permite “mais controle do processo, maior rastreabilidade, mais precisão dos resultados e possibilidade de reanálise do dosímetro, em comparação ao estímulo por calor.”
Na tecnologia OSLD, disse, os cristais possuem a propriedade de fotoluminescência. Ou seja, quando se incide uma luz de uma determinada frequência os cristais emitem uma luz de outra frequência. Nesse caso, a luz emitida pelo cristal é proporcional à radiação recebida pelo usuário do dosímetro, argumenta a especialista.
Resultado automático
Segundo explicou a física do laboratório Sapra, o sistema com a tecnologia OSLD, constituída basicamente pelo dosímetro, equipamento de análise e software, permite que o processo de leitura e obtenção das medidas seja automático, para posterior análise dos resultados.
“Entre as principais vantagens do novo sistema está sua alta precisão de medida e, por consequência, o elevado grau de confiabilidade dos resultados obtidos”, observa.
Maria de Fátima considerou “bastante simples” o uso do dosímetro com a tecnologia OSLD pelo trabalhador. Como exemplo, disse que o procedimento é similar ao da tecnologia TLD.
“O trabalhador pode utilizar o dosímetro em forma de um crachá, posicionado na parte mais exposta do tronco, durante a jornada de trabalho”, explica.
Para que os responsáveis pela radioproteção tenham acesso aos resultados de níveis de radiações aos quais os trabalhadores são expostos a cada mês, é necessário que os dosímetros utilizados no período sejam encaminhados ao Sapra.
O resultado das medidas e da análise realizadas pelos físicos e responsáveis técnicos é enviado na forma de um “Relatório de Dose Mensal” dos trabalhadores de cada instituição. Trata-se de um processo contínuo. Antes do envio ao laboratório os usuários recebem um novo dosímetro para o uso do próximo período.
“O trabalhador será monitorado sempre, e no fim de cada ano será enviado um Relatório de Dose acumulada anual de cada instituição.”
Viviane Monteiro/ Jornal da Ciência