domingo, 20 de setembro de 2026
Publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Amazônia

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Caminhos para a bioeconomia amazônica

Artigo da nova edição da Ciência & Cultura discute como saberes tradicionais e a sociobioeconomia redefinem o futuro da região diante das pressões ambientais e sociais

WhatsApp Image 2025-11-27 at 09.10.57A Amazônia costuma ser lembrada por seus rios monumentais, pela extensão da floresta e por uma biodiversidade sem paralelos. Mas, para além dessas imagens que habitam o imaginário coletivo, a ciência tem mostrado que a região é peça-chave na regulação do clima global, influenciando o balanço de água, energia e carbono entre a superfície terrestre e a atmosfera. Abrigando proporções expressivas da vida existente nos trópicos, ela concentra cerca de 18% das espécies de plantas, 18% dos peixes e 14% das aves conhecidas — uma riqueza sustentada não apenas pela natureza, mas também pelas culturas que a habitam. Isso é o que discute artigo da nova edição da Ciência & Cultura, que tem como tema “COP 30: ciência, política e ação”.

Ao longo dos séculos, povos indígenas e comunidades locais mantiveram ecossistemas íntegros por meio de práticas de manejo sustentáveis, que incluem pequenas áreas agrícolas em pousio e uma ampla variedade de produtos extraídos de forma tradicional, como açaí, castanha-do-Brasil, óleos medicinais e fibras. “A biodiversidade amazônica foi mantida, ao longo dos séculos, pela diversidade cultural dos seus povos”, afirma Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental e professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais na Universidade Federal do Pará (UFPA).

A história econômica da região, porém, revela contradições profundas. O ciclo da borracha, símbolo do extrativismo amazônico, gerou riqueza efêmera, concentrada nas mãos de poucos, enquanto seringueiros viviam sob exploração e endividamento. Com o declínio da borracha, outras cadeias extrativistas ganharam espaço — castanha, óleos vegetais, madeira — acompanhadas de grandes transformações no uso da terra, como expansão da pecuária e de monocultivos, que impulsionaram desmatamento, degradação ambiental e perda de coesão social. Nos últimos anos, produtos como açaí, cupuaçu e babaçu passaram a sustentar a economia da sociobiodiversidade, valorizando os sistemas de conhecimento tradicionais e funcionando como alternativa concreta à lógica da destruição.

É nesse contexto que a ideia de bioeconomia se disseminou internacionalmente, associada à mitigação climática e à transição energética. Na Amazônia, porém, o termo ganhou contornos próprios, pois incluiria tanto cadeias sustentadas pela sociobiodiversidade quanto sistemas de monocultivo de alto impacto. Cientistas e lideranças da região propuseram então o conceito de “sociobioeconomia”, focado nas economias enraizadas na diversidade biológica e cultural da floresta. Para prosperar, a sociobioeconomia precisa também de condições estruturais claras: proteção dos territórios, garantia de direitos à terra e aos recursos naturais, e processos decisórios construídos de forma participativa, integrando conhecimentos científicos e tradicionais. Como a Amazônia é diversa e inclui desde áreas bem conservadas até regiões degradadas no arco do desmatamento, as estratégias devem ser adaptadas a cada contexto — com prioridade para modelos baseados em biodiversidade nas áreas florestadas e esforços de restauração nos demais ambientes. “As sociobioeconomias representam hoje uma das principais esperanças para uma transição a modelos de desenvolvimento mais justos e prósperos de enfrentamento aos problemas socioambientais que enfrentamos”, pontua Joice Ferreira.

Leia o artigo completo:

https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=caminhos-para-a-bioeconomia-amazonica

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