domingo, 20 de setembro de 2026
Publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Aeroespacial

terça-feira, 12 de agosto de 2014

AEB quer alavancar a indústria espacial brasileira

“Hoje nossa preocupação central é com a base industrial”, diz presidente da AEB

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Filho, afirmou que o desenvolvimento da indústria espacial hoje é o foco principal do órgão. “Estamos fazendo um grande esforço para que a base industrial se consolide e seja sustentável e que não dependa apenas dos programas oriundos do governo”, disse.

Reconhecendo as dificuldades pelas quais passa a indústria espacial do Brasil, desenvolvida a partir da década de 1990, disse que a intenção da AEB é contribuir para que esse segmento tenha capacidade de operar em pé de igualdade no mundo.

“São pequenas empresas que são muito sensíveis aos investimentos do governo. Isso é normal. Essas empresas, entretanto, não podem viver apenas dos investimentos do governo que, apesar de serem razoáveis, não são suficientes para manter uma base industrial com uma regularidade que é necessária”, reconheceu. “É claro que elas dependem muito de nossos investimentos e temos que trabalhar para que esses investimentos as contemplem.”

Embora os institutos vinculados à AEB estejam também na lista de prioridades da agência, José Raimundo afirma que “nossa preocupação central é com a base industrial”.

Linha de fomento

Nesse caso, o presidente da AEB citou o programa de fomento ao setor lançado no ano passado, voltado para o fortalecimento e consolidação da base industrial nacional. Trata-se do Plano Inova Aerodefesa, o qual prevê recursos de R$ 2,9 bilhões para o período de 2013 a 2017. A iniciativa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o BNDES, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Ministério da Defesa (MD) e AEB prevê o fomento à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação nas empresas brasileiras das cadeias de produção aeroespacial, defesa e segurança.

Raimundo vê necessidade de o setor aumentar a participação no comércio exterior. “Aos poucos temos que aumentar nossa participação no mercado externo. Todo mundo enxerga essas necessidades, tanto do lado do governo quanto da indústria”, disse. “O problema são as oportunidades. E as oportunidades é que vão construir o casamento entre as necessidades e as oportunidades. Ou seja, são as oportunidades que vão abrir as janelas para as empresas”, acrescentou.

Ao falar de oportunidades, o presidente da AEB lembrou do esforço do governo brasileiro de levar para China “todos os representantes da indústria brasileira espacial que têm compromisso com o programa espacial desde os anos de 1980”, durante o lançamento do satélite sino-brasileiro no país chinês. “Levamos a indústria brasileira, principalmente, para tentar colocá-la junto às empresas chinesas e poderem competir mundialmente.”

A expectativa do presidente da AEB é de que “essa iniciativa e outras que estamos tomando sirvam” para lançar a base industrial espacial do Brasil no mundo competitivo.

José Raimundo fez questão de citar, ainda, a iniciativa do governo com uma empresa europeia – o consórcio europeu Thales Alenia Space – que ganhou concorrência para desenvolver satélites de comunicações. “Estamos exigindo que essa empresa desenvolva a base industrial brasileira. Ou seja, que desenvolva trabalhos conjuntos com empresas de nossa área espacial.”

 Viviane Monteiro, Jornal da Ciência nº 759, 23/05/2014