quarta-feira, 15 de julho de 2026
Artigo da nova edição da Ciência & Cultura discute encontros entre o cosplay e a alfabetização científica no ensino de ciências
A metodologia da Personificação Didática propõe integrar ciência, cultura pop e práticas pedagógicas para tornar o aprendizado mais significativo. Isso é o que discute artigo da nova edição da Ciência & Cultura, que tem como tema “Ensino de ciências para crianças e adolescentes por meio da ludicidade”.
Aplicada com estudantes do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior, a estratégia é estruturada em três etapas complementares. A primeira consiste no planejamento curricular, no qual os conteúdos previstos são analisados e relacionados a obras da cultura pop que apresentem conexões conceituais com os temas estudados. Em seguida, ocorre a chamada performance epistêmica, em que o professor assume a caracterização de um personagem para mediar a aprendizagem, utilizando a narrativa como recurso para introduzir conceitos científicos, propor desafios e conduzir experimentos sem abrir mão do rigor acadêmico. A terceira etapa envolve atividades práticas baseadas na cultura maker, na gamificação e na produção autoral, estimulando os estudantes a construir protótipos, explorar ferramentas digitais, e desenvolver histórias em quadrinhos com temática científica.
A eficácia da metodologia foi acompanhada por meio de avaliações qualitativas e quantitativas, incluindo diários de bordo, avaliações teóricas, análises de desempenho acadêmico e instrumentos de percepção dos estudantes. Os resultados indicaram impactos positivos em diferentes dimensões do processo de ensino e aprendizagem. Um dos aspectos mais relevantes foi a desconstrução da imagem estereotipada do cientista como uma figura distante e restrita ao ambiente laboratorial. Ao associar a pesquisa científica a elementos da cultura pop, a metodologia aproximou a ciência do cotidiano dos estudantes, tornando-a mais acessível, atrativa e conectada aos seus repertórios culturais. “A expectativa pelas aulas com a personificação didática reduziu de maneira evidente os índices de absenteísmo e a dispersão em sala de aula”, conta Thaiza Montine Gomes dos Santos Cruz, professora de Ciências no Colégio Marista de Goiânia e professora de Química e de Ciências no Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás – Unidade Ayrton Senna.
Segundo os registros da pesquisa, os estudantes demonstraram maior disposição para enfrentar conteúdos considerados complexos, favorecendo um ambiente de aprendizagem mais dinâmico e colaborativo. O envolvimento emocional proporcionado pelas narrativas e pelos personagens ampliou o interesse pelas disciplinas e fortaleceu a interação entre professor, conteúdo e estudantes.
Outro resultado destacado foi o fortalecimento da retenção de conhecimentos em longo prazo. As avaliações mostraram que os alunos passaram a relacionar conceitos científicos às narrativas vivenciadas durante as aulas, recorrendo às cenas, personagens e atividades desenvolvidas para compreender mecanismos químicos, biológicos e físicos. A metodologia evidencia o potencial da imaginação como elemento catalisador da aprendizagem e reforça a importância de práticas pedagógicas transdisciplinares, capazes de dialogar com as transformações culturais contemporâneas. “A sala de aula pode e deve ser um espaço de encantamento”, defende Thaiza Cruz.
Leia o artigo completo:
Ciência & Cultura