domingo, 20 de setembro de 2026
Publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Clima

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

A adaptação de nossa sociedade ao novo clima

Artigo da nova edição da Ciência & Cultura discute desafios, avanços e o papel da ciência no cenário das mudanças climáticas

WhatsApp Image 2025-12-16 at 09.18.47As mudanças climáticas, provocadas principalmente pelo acúmulo de gases de efeito estufa decorrentes das atividades humanas, já impõem impactos profundos sobre sistemas naturais e sociais em todo o mundo. A intensificação de eventos extremos — como secas prolongadas, enchentes, ondas de calor e tempestades — soma-se a transformações mais graduais, como a elevação do nível do mar, o degelo de geleiras e o branqueamento de corais. Diante desse cenário, a adaptação climática tornou-se uma necessidade estratégica para proteger o bem-estar humano, a segurança ambiental e a economia. No Brasil, marcado por fortes desigualdades regionais, sociais e econômicas, esse desafio é ainda mais complexo, exigindo respostas capazes de aumentar a resiliência e reduzir vulnerabilidades históricas. Isso é o que discute artigo da nova edição da Ciência & Cultura, que traz como tema “COP30: ciência, política e ação”.

Adaptar-se ao novo clima implica compreender, de forma integrada, a natureza dos riscos climáticos atuais e futuros, o grau de vulnerabilidade dos sistemas socioecológicos e a capacidade de resposta da sociedade. Isso envolve desde políticas públicas, inovação tecnológica e governança até ações locais e comunitárias. Parte desse debate ganhou destaque na COP30, realizada em Belém em 2025, que trouxe avanços relevantes no campo da adaptação, do financiamento climático e da justiça climática, embora também tenha sido marcada por críticas relacionadas a lacunas e pendências na implementação dos compromissos assumidos. “Adaptar-se ao novo clima oferece múltiplos benefícios, reduz perdas humanas, econômicas e ambientais e gera retornos positivos para a sociedade”, afirma Jean Pierre Ometto, pesquisador sênior no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Entre os principais resultados da conferência está a ampliação da ambição de financiamento para adaptação, com a meta de triplicar os recursos até 2035, passando de cerca de US$ 40 bilhões para aproximadamente US$ 120 bilhões anuais. Também foi estabelecido um novo marco global de adaptação, com a adoção de 59 indicadores para monitorar o progresso do Global Goal on Adaptation e a definição de uma nova rodada de Planos Nacionais de Adaptação. Sob a presidência brasileira, a COP30 buscou se afirmar como a “Conferência da Implementação”, lançando iniciativas como o Belém Health Action Plan, primeiro plano internacional voltado especificamente à adaptação climática no setor de saúde, além de mobilizar 190 países em torno de planos de aceleração em áreas estratégicas como energia, florestas, agricultura, cidades e desenvolvimento social.

Apesar desses avanços, os desafios permanecem expressivos. A adaptação ao novo clima já não é uma agenda futura, mas uma urgência do presente, perceptível no cotidiano das populações e na pressão sobre ecossistemas. No Brasil, persistem lacunas em capacidade técnica, financiamento, integração de políticas e mobilização social. Ainda assim, há sinais positivos, como o fortalecimento de políticas públicas baseadas em evidências científicas e o uso de plataformas de apoio à decisão, a exemplo do AdaptaBrasil. “A adaptação climática implica mudança de paradigma: deixar de olhar o clima pelos limites do passado e construir resiliência, fortalecer capacidades e reduzir vulnerabilidades”, enfatiza Jean Ometto.

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