terça-feira, 16 de dezembro de 2025
Artigo da nova edição da Ciência & Cultura discute desafios, avanços e o papel da ciência no cenário das mudanças climáticas
As mudanças climáticas, provocadas principalmente pelo acúmulo de gases de efeito estufa decorrentes das atividades humanas, já impõem impactos profundos sobre sistemas naturais e sociais em todo o mundo. A intensificação de eventos extremos — como secas prolongadas, enchentes, ondas de calor e tempestades — soma-se a transformações mais graduais, como a elevação do nível do mar, o degelo de geleiras e o branqueamento de corais. Diante desse cenário, a adaptação climática tornou-se uma necessidade estratégica para proteger o bem-estar humano, a segurança ambiental e a economia. No Brasil, marcado por fortes desigualdades regionais, sociais e econômicas, esse desafio é ainda mais complexo, exigindo respostas capazes de aumentar a resiliência e reduzir vulnerabilidades históricas. Isso é o que discute artigo da nova edição da Ciência & Cultura, que traz como tema “COP30: ciência, política e ação”.
Adaptar-se ao novo clima implica compreender, de forma integrada, a natureza dos riscos climáticos atuais e futuros, o grau de vulnerabilidade dos sistemas socioecológicos e a capacidade de resposta da sociedade. Isso envolve desde políticas públicas, inovação tecnológica e governança até ações locais e comunitárias. Parte desse debate ganhou destaque na COP30, realizada em Belém em 2025, que trouxe avanços relevantes no campo da adaptação, do financiamento climático e da justiça climática, embora também tenha sido marcada por críticas relacionadas a lacunas e pendências na implementação dos compromissos assumidos. “Adaptar-se ao novo clima oferece múltiplos benefícios, reduz perdas humanas, econômicas e ambientais e gera retornos positivos para a sociedade”, afirma Jean Pierre Ometto, pesquisador sênior no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Entre os principais resultados da conferência está a ampliação da ambição de financiamento para adaptação, com a meta de triplicar os recursos até 2035, passando de cerca de US$ 40 bilhões para aproximadamente US$ 120 bilhões anuais. Também foi estabelecido um novo marco global de adaptação, com a adoção de 59 indicadores para monitorar o progresso do Global Goal on Adaptation e a definição de uma nova rodada de Planos Nacionais de Adaptação. Sob a presidência brasileira, a COP30 buscou se afirmar como a “Conferência da Implementação”, lançando iniciativas como o Belém Health Action Plan, primeiro plano internacional voltado especificamente à adaptação climática no setor de saúde, além de mobilizar 190 países em torno de planos de aceleração em áreas estratégicas como energia, florestas, agricultura, cidades e desenvolvimento social.
Apesar desses avanços, os desafios permanecem expressivos. A adaptação ao novo clima já não é uma agenda futura, mas uma urgência do presente, perceptível no cotidiano das populações e na pressão sobre ecossistemas. No Brasil, persistem lacunas em capacidade técnica, financiamento, integração de políticas e mobilização social. Ainda assim, há sinais positivos, como o fortalecimento de políticas públicas baseadas em evidências científicas e o uso de plataformas de apoio à decisão, a exemplo do AdaptaBrasil. “A adaptação climática implica mudança de paradigma: deixar de olhar o clima pelos limites do passado e construir resiliência, fortalecer capacidades e reduzir vulnerabilidades”, enfatiza Jean Ometto.
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https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=a-adaptacao-de-nossa-sociedade-ao-novo-clima
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