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	<title>Jornal da Ciência &#187; Notícias da SBPC</title>
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		<title>Observatório das Eleições 2026 chega a 165 compromissos de candidaturas</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 16:42:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[zz banner principal home]]></category>

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		<description><![CDATA[Iniciativa lançada há um mês pela SBPC convida candidatos de diferentes cargos a se comprometeram em apoiar a Ciência, a democracia e a soberania nacional]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Iniciativa lançada há um mês pela SBPC convida candidatos de diferentes cargos a se comprometeram em apoiar a Ciência, a democracia e a soberania nacional</em></p>
<p>Lançado no dia 17 de agosto, o Observatório das Eleições 2026 conta com <strong style="font-weight: bold !important;">165</strong><strong style="font-weight: bold !important;"> candidatas e candidatos já assinaram o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional</strong>, proposto pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). As adesões ao <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">Observatório das Eleições 2026</strong></a> já alcançam <strong style="font-weight: bold !important;">21 unidades da Federação, 15 partidos políticos e seis cargos em disputa</strong>, formando um retrato cada vez mais amplo da mobilização para levar as políticas científicas ao debate eleitoral.</p>
<p>O Observatório apresenta o caderno <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/publicacoes/outras-publicacoes/caderno_36.pdf" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">“Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”</strong></a>, que reúne 117 propostas da comunidade científica, reunidas em sete eixos temáticos: 1) CT&amp;I como Projeto de Nação; 2) Soberania Nacional: Digital, Tecnológica e Sanitária; 3) Sustentabilidade, Clima, Biodiversidade e Segurança Alimentar; 4) Democracia e Segurança Pública; 5) Equidade, Diversidade e Justiça Social; 6) Educação, Formação e Universidade; e 7) Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância.</p>
<p>A iniciativa funciona como uma via de mão dupla. De um lado, candidatas e candidatos a deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente são convidados a assinar um Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional. De outro, a sociedade pode acompanhar quem assumiu esse compromisso — com as adesões divulgadas por cargo e por estado —, conhecer as propostas construídas pela comunidade científica e levá-las ao debate eleitoral.</p>
<p>“A questão não é apenas o quanto você [candidato(a)] pretende investir em Ciência, mas como pretende transformar conhecimento em capacidade de enfrentar os desafios do estado, agregar valor à sua economia, reduzir desigualdades, responder às mudanças climáticas e melhorar a saúde e a educação. O Observatório das Eleições 2026 convida você a explicitar esse compromisso: que lugar a ciência, a educação, a tecnologia e a inovação ocuparão no projeto de desenvolvimento que você propõe para o seu estado? O futuro do seu estado também será decidido pela capacidade de transformar conhecimento em desenvolvimento”, explica a presidente da SBPC, Francilene Garcia.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Cinco compromissos públicos</strong></p>
<p>Ao assinar o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional, candidatas e candidatos assumem cinco compromissos.</p>
<p>O primeiro é tratar a Ciência como política de Estado, e não como despesa contingenciável, defendendo financiamento público, previsível e de longo prazo para a pesquisa. Também se comprometem a fundamentar decisões em evidências e ouvir a comunidade científica em temas técnicos.</p>
<p>O Termo inclui ainda a defesa da autonomia das universidades e institutos públicos e da liberdade de pesquisa; a proteção da democracia, de suas instituições e da Constituição de 1988; e o compromisso de se posicionar sobre as propostas do Vozes da Ciência relacionadas ao mandato que pretendem exercer.</p>
<p>“As adesões são tornadas públicas, por cargo e por estado, para que o compromisso com a Ciência não se limite à retórica, mas se converta em registro público e referência para o acompanhamento posterior”, complementa Garcia.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">O Observatório também é de quem vota</strong></p>
<p>Outro ponto importante é o engajamento do público eleitor. Para isso, a SBPC convida as suas Secretarias Regionais a mobilizarem os candidatos locais e a ocuparem espaços de debate e proposição de ideias.</p>
<p>“As Secretarias Regionais da SBPC serão a ponte entre a agenda nacional da ciência, as candidaturas e a sociedade de cada estado. Cabe a elas mobilizar a comunidade científica local, articular universidades, institutos de pesquisa, fundações de amparo à pesquisa, sociedades científicas e demais atores, e promover o diálogo com as candidatas e os candidatos aos Governos Estaduais”, explica Garcia.</p>
<p>Para a presidente da SBPC, mais do que levar uma agenda pronta aos estados, as Secretarias Regionais deverão inspirar e ajudar as candidaturas a enxergar como a Ciência pode contribuir para o desenvolvimento de seus estados. Também cabe a elas ajudar a sociedade a avaliar, com base em conhecimento, as escolhas que estarão em disputa.</p>
<p>“Isso significa identificar prioridades, apresentar capacidades e experiências existentes no território, valorizar suas vocações e desafios e contribuir para transformar conhecimento em propostas concretas de governo. Seu papel será mobilizar, conectar, inspirar e acompanhar: aproximar ciência, candidaturas e sociedade para que o debate eleitoral seja também uma oportunidade de pensar, com conhecimento, o futuro de cada estado”, conclui.</p>
<p><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">Conheça o Observatório das Eleições 2026 e participe!</strong></a></p>
<p>Assine. Pergunte. Cobre.</p>
<p><em>Jornal da Ciência</em></p>
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		<title>EDITORIAL &#8211; Antes da próxima emergência: dados, vigilância e decisão técnica no SUS</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 16:41:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>

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		<description><![CDATA[“Tratar ciência em saúde como assunto exclusivo de uma pasta é reduzir o alcance de uma agenda que envolve determinantes sociais, sistemas de saúde, indústria de medicamentos e equipamentos, e a relação entre saúde e sociedade”, aponta a presidente da SBPC, Francilene Garcia, no editorial desta sexta-feira]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Tratar ciência em saúde como assunto exclusivo de uma pasta é reduzir o alcance de uma agenda que envolve determinantes sociais, sistemas de saúde, indústria de medicamentos e equipamentos, e a relação entre saúde e sociedade”, aponta a presidente da SBPC, Francilene Garcia, no editorial desta sexta-feira</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Instagram-post-feedback-verde-e-rosa-orgânico-17.png"><img class="alignright size-medium wp-image-31068 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Instagram-post-feedback-verde-e-rosa-orgânico-17-300x300.png" alt="Instagram post feedback verde e rosa orgânico (17)" width="300" height="300" /></a>Chegamos ao último eixo do caderno <em><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf" target="_blank">Vozes da Ciência — O Brasil que Queremos</a></em>. Os textos anteriores trataram do financiamento da ciência e da soberania nacional, do território onde clima e segurança pública se encontram, e de quem estuda, ensina e pesquisa no país. O sétimo eixo trata da saúde, e já dedicamos nesta série espaço ao financiamento do SUS e ao debate sobre modelos de gestão que aparece nos programas registrados. Por isso o foco aqui é outro: o que sustenta o sistema quando a próxima crise chegar.</p>
<p>São três frentes que a pandemia mostrou serem inseparáveis: (1) a soberania sobre os dados de saúde, (2) a capacidade permanente de vigilância e preparação, e (3) a proteção da decisão técnica baseada em evidências. Nenhuma delas produz manchete em ano eleitoral. Mas todas são decisivas para determinar a capacidade do país de proteger vidas quando uma emergência chega.</p>
<p>Convém lembrar a escala do que está em jogo. O SUS cobre mais de 90% do território nacional e é o maior sistema público de saúde do mundo. É também um dos maiores compradores de produtos de saúde do país: adquire cerca de 90% das vacinas, 50% dos equipamentos médicos e 30% dos medicamentos do mercado brasileiro, poder de compra que lhe permite orientar a produção segundo prioridades públicas. E é, silenciosamente, uma das maiores infraestruturas de informação em saúde já construídas.</p>
<p>Convém também desfazer um mal-entendido corrente: o problema brasileiro não é ausência de instituições. O país tem centros de informações estratégicas em vigilância, rede nacional de vigilância hospitalar, um sistema de laboratórios de saúde pública com unidades de referência em todos os estados, rede genômica pública, dois grandes produtores estatais de imunobiológicos e uma agência reguladora consolidada. O que requer aprimoramento é a conexão permanente entre essas peças e o financiamento que as mantenha prontas entre uma emergência e outra.</p>
<p>A rede HUBrasil opera 45 hospitais universitários em 25 estados, com 28 milhões de prontuários completos, uma das maiores bases hospitalares do planeta. Esses hospitais não são apenas repositórios de dados: são rede assistencial de alta complexidade e lugar onde se formam os profissionais que sustentam o sistema, o que faz da proteção de seu financiamento uma das treze propostas prioritárias do caderno. Somem-se as bases do próprio SUS, que acompanham 170 milhões de usuários ao longo de décadas. Não existe no mundo muita coisa comparável: um registro contínuo, capilar e de base populacional, capaz de sustentar pesquisa clínica, estudos epidemiológicos e vigilância em escala continental.</p>
<p>Esse patrimônio ainda não é tratado plenamente como uma infraestrutura estratégica do país. Os dados de saúde permanecem distribuídos entre diferentes sistemas e bases, com níveis distintos de integração, governança e interoperabilidade. Essa fragmentação reduz o potencial de uso da informação para pesquisa, epidemiologia, vigilância e formulação de políticas públicas e pode ampliar a dependência de soluções e infraestruturas externas.</p>
<p>A proposta da SBPC é criar uma <strong>Plataforma Nacional Soberana de Dados em Saúde</strong>, com acesso regulamentado, governança transparente, interoperabilidade entre as bases existentes e aplicação rigorosa da LGPD. A plataforma não substituiria os sistemas já existentes: conectaria e qualificaria o que o país já construiu, criando condições para transformar dados em conhecimento e conhecimento em melhores decisões de saúde. Experiências como o Cidacs e a Estratégia de Saúde Digital mostram que essa integração é tecnicamente possível.</p>
<p>É o mesmo argumento do eixo da soberania digital, aplicado ao terreno mais sensível que existe. Dados de saúde de 170 milhões de pessoas são questão de segurança nacional, e quem os organiza define o que o país pode saber sobre a própria população.</p>
<p>A segunda frente é a vigilância, e ela tem endereço. A Amazônia ocupa 60% do território nacional e atravessa mais de 11 mil quilômetros de fronteira. Nos municípios amazônicos de fronteira, a taxa de violência sexual é 36% superior à média nacional, chegando a 163 casos por 100 mil mulheres em algumas cidades. O garimpo ilegal contamina territórios indígenas por mercúrio, e o desmatamento abre corredores para patógenos que não conhecem divisa municipal.</p>
<p>A médica sanitarista Adele Benzaken sintetizou no ciclo: não há atalhos para o futuro do Brasil, e o caminho passa pela floresta, pelos rios, pelo monitoramento inteligente das fronteiras e pelas comunidades mais distantes. Proteger a Amazônia é fazer saúde global, e é um ato de soberania nacional. É também o que dá conteúdo concreto ao conceito de saúde única: a saúde humana, a dos animais e a dos ecossistemas são uma coisa só, e cada quilômetro de floresta derrubada altera as três ao mesmo tempo. O país já tem por onde começar, porque o sistema laboratorial do SUS recebe amostras humanas, animais e ambientais na mesma plataforma. Falta transformar essa possibilidade técnica em rotina de vigilância integrada. Daí a proposta de um programa específico de ciência e tecnologia para vigilância e saúde na região, com tecnologias apropriadas a contextos remotos, remuneração digna dos agentes comunitários e integração entre saúde, ambiente e clima.</p>
<p>Some-se a isso a Rede Integrada de Vigilância e Atenção à Saúde para Mulheres e Populações Vulneráveis nas Fronteiras Amazônicas, com acolhimento psicossocial, notificação compulsória e resposta rápida à violência sexual, e a ação intersetorial entre saúde, meio ambiente e segurança para enfrentar o garimpo ilegal como o problema de saúde pública que ele é.</p>
<p>Há uma terceira carência, que o país trata há décadas como assunto menor. Os transtornos mentais atingem cerca de 10% da população brasileira e recebem 1% dos recursos globais destinados à saúde. A proposta da SBPC é elevar esse percentual para ao menos 5% nos próximos quatro anos, enquanto a OMS recomenda 10%, e integrar indicadores de saúde mental, para além de mortalidade e prescrições, às grandes bases de dados do SUS e ao sistema de vigilância epidemiológica. Não se formula política para o que não se mede, e hoje o país enxerga muito pouco do sofrimento psíquico de sua população, sobretudo entre os mais jovens. Vale acrescentar o que os eixos anteriores já mostraram: dentro do SUS, adoecer e morrer seguem as mesmas linhas de raça, renda e território que organizam todo o resto, e nenhuma política de saúde alcança quem mais precisa se os dados não forem desagregados por esses recortes.</p>
<p>A terceira frente é a mais delicada, porque trata do que acontece quando a evidência contraria a conveniência política. Deisy Ventura, professora titular de Ética da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), identificou no ciclo um dos principais inimigos da saúde pública contemporânea: a campanha de desinformação que encoraja ativamente o descumprimento de medidas sanitárias e corrói a confiança nas instituições de saúde. Foi assim que se enfraqueceu o CDC norte-americano, cuja direção chegou a 2026 com 80% dos cargos vagos, e foi assim que se ampliou o número de mortes evitáveis no Brasil durante a pandemia.</p>
<p>Os números dessa conta são conhecidos e continuam difíceis de escrever: mais de 711 mil mortes associadas à COVID-19, das quais cerca de 300 mil poderiam ter sido evitadas. Nenhuma tecnologia teria compensado a decisão de desautorizar a evidência.</p>
<p>Daí a proposta de um marco legal de proteção à autoridade sanitária baseada em evidências, garantindo que decisões técnicas do Ministério da Saúde e da Anvisa não possam ser revertidas por autoridades políticas sem fundamento científico. Não se trata de blindar especialistas do escrutínio público, que é legítimo e necessário. Trata-se de impedir que uma decisão que custa vidas seja tomada por quem não precisa responder pela evidência que a contradiz.</p>
<p>Proteção institucional, porém, é defesa, e o caderno propõe também a ofensiva: financiar um programa de comunicação estratégica em saúde pública com tráfego pago nas plataformas, em investimento equivalente ao que hoje sustenta a propaganda contra a saúde pública. Enquanto a informação baseada em evidências depender do alcance orgânico e a desinformação for impulsionada com dinheiro, a disputa seguirá desigual por desenho.</p>
<p>O conjunto se completa com a capacidade de antecipação. A SBPC propõe um programa permanente de preparação e resposta a doenças transmissíveis emergentes e reemergentes, integrando vigilância, desenvolvimento de vacinas e plataformas tecnológicas, e um sistema específico de prevenção de futuras epidemias, nos moldes do Centro Brasileiro de Enfrentamento de Emergências em Saúde proposto por especialistas. A sucessão recente de emergências, da COVID-19 à febre amarela, das arboviroses ao Ebola, não deixa dúvida sobre sua necessidade. Uma emergência sanitária não avisa: ela chega e cobra o que foi construído antes.</p>
<p>Preparação, porém, precisa de métrica, ou vira retórica. Não é sobre quantos equipamentos o país possui, mas quanto tempo separa o primeiro sinal anormal de um diagnóstico confiável, de uma sequência genética disponível, de um protótipo de teste e do primeiro lote produzido em território nacional. Cada etapa desse intervalo é uma decisão de política pública, e cada semana economizada nele se traduz em vidas salvas.</p>
<p>Há uma capacidade específica que define esse patamar: identificar um agente que ninguém ainda conhece. O sequenciamento metagenômico permite procurar material genético sem saber de antemão o que se procura, e o próprio guia federal de avaliação de capacidades em emergências, de 2026, classifica a identificação de patógeno desconhecido como o nível mais avançado de maturidade laboratorial. Garantir essa capacidade em centros macrorregionais, com transporte rápido de amostras e equipes permanentes, é o que separa detectar cedo de descobrir tarde.</p>
<p>Há ainda a dimensão internacional, e ela está sendo decidida agora. O Acordo de Pandemias da Organização Mundial da Saúde, adotado em maio de 2025, depende de um anexo sobre acesso a patógenos e repartição de benefícios que segue em negociação em Genebra, com participação brasileira na condução dos trabalhos. O que está em jogo é se o compartilhamento rápido de amostras e sequências genéticas virá acompanhado de acesso verificável aos produtos dele derivados, com transferência de tecnologia e capacidade regional de produção. Foi exatamente essa assimetria que a COVID-19 expôs.</p>
<p>A posição brasileira deveria ser coerente com o que defendemos internamente: compartilhar depressa o que a ciência precisa saber e exigir mecanismos que impeçam a repetição da fila em que os países do Sul esperaram vacinas produzidas com material biológico que eles próprios haviam fornecido. Some-se a isso o vácuo deixado pela saída dos Estados Unidos de fóruns multilaterais, que o Brasil tem condições de ocupar na OMS e na OPAS, compartilhando com a América Latina, a África e o Caribe as tecnologias de vacinas desenvolvidas aqui, o modelo do SUS e os sistemas de vigilância epidemiológica. Exportar saúde pública é uma forma de política externa que poucos países podem oferecer.</p>
<p>Há ainda uma frente que raramente entra no debate e que é caso exemplar de tudo o que foi dito aqui: a política estatal de sangue. Hemoderivados são insumo crítico, de produção complexa e mercado global concentrado, e o caderno defende consolidar essa política sem permitir a privatização de qualquer serviço correlacionado, fortalecendo a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia. Soberania sanitária se mede em casos como esse, não em declarações de princípio.</p>
<p>Por fim, uma correção de rota institucional. A maior parte da pesquisa de interesse do SUS é, e deve ser apoiada também por CNPq, Capes e fundações estaduais, em articulação com o Ministério da Saúde. Tratar ciência em saúde como assunto exclusivo de uma pasta é reduzir o alcance de uma agenda que envolve determinantes sociais, sistemas de saúde, indústria de medicamentos e equipamentos, e a relação entre saúde e sociedade.</p>
<p>Nos programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral, saúde é presença obrigatória, e o vocabulário predominante é o da gestão, como analisado no artigo “O SUS não é um plano de saúde em grande escala”. Registro aqui apenas o que interessa a este eixo: vigilância epidemiológica, soberania de dados em saúde, saúde mental e proteção da autoridade sanitária aparecem pouco ou não aparecem nos programas que analisamos até agora. É uma ausência reveladora, porque são exatamente as capacidades que não se improvisam no momento da crise e que, por isso mesmo, precisam ser decididas agora.</p>
<p>A SBPC não indica candidaturas nem recomenda voto. Compara propostas com evidências, registra convergências e lacunas e cobra mecanismos. É o que o Termo de Compromisso do <strong><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf" target="_blank">Observatório das Eleições 2026</a></strong> pede a cada candidata e a cada candidato: decidir com base no conhecimento científico, nos dados e nas evidências. No caso da saúde, essa exigência tem uma tradução simples. O país já pagou, em vidas, o preço de decidir contra a evidência. A pergunta que 2026 coloca é se aprendemos o suficiente para não pagar de novo.</p>
<p><em>Francilene Procópio Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Veja as notas do Especial da Semana – Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância</strong></p>
<p>JC &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/o-sus-nao-e-um-plano-de-saude-em-grande-escala/" target="_blank">O SUS não é um plano de saúde em grande escala</a></p>
<p>JC &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/de-telemedicina-a-ia-presidenciaveis-defendem-expansao-e-modernizacao-do-sus/" target="_blank">De telemedicina à IA, presidenciáveis defendem expansão e modernização do SUS</a></p>
<p>Fiocruz, 24/08/2026 &#8211; <a href="https://fiocruz.br/noticia/2026/08/fiocruz-divulga-carta-aberta-com-contribuicoes-para-eleicoes-2026" target="_blank">Fiocruz divulga carta aberta com contribuições para as eleições 2026</a></p>
<p>The Conversation Brasil, 29/07/2026 &#8211; <a href="https://theconversation.com/eleicoes-e-saude-quais-as-questoes-sobre-o-futuro-do-sus-que-precisam-ser-debatidas-pelos-candidatos-287965" target="_blank">Eleições e saúde: quais as questões sobre o futuro do SUS que precisam ser debatidas pelos candidatos?</a></p>
<p>Outra Saúde, 15/09/2026 &#8211; <a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/eleicoes-os-lapsos-na-saude-mental/" target="_blank">Eleições: os lapsos nos planos para a Saúde Mental</a></p>
<p>Folha de S. Paulo, 09/06/2026 &#8211; <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/financiamento-do-sus-filas-de-consultas-e-efeito-das-bets-desafiam-novo-presidente-na-area-da-saude.shtml" target="_blank">Financiamento do SUS, filas de consultas e efeito das bets desafiam novo presidente na área da saúde</a></p>
<p>Brasil de Fato, 08/09/2026 &#8211; <a href="https://www.brasil247.com/entrevistas/o-orcamento-do-sus-precisa-chegar-a-7-do-pib-diz-nisia-trindade/" target="_blank">“O orçamento do SUS precisa chegar a 7% do PIB”, diz Nísia Trindade</a></p>
<p>The Conversation Brasil, 27/02/2026 &#8211; <a href="https://theconversation.com/uma-visao-historica-do-impacto-da-criacao-do-sus-no-acesso-custo-e-qualidade-da-saude-no-pais-275483" target="_blank">Uma visão histórica do impacto da criação do SUS no acesso, custo e qualidade da saúde no país</a></p>
<p>Jornal da USP, 05/02/2026 &#8211; <a href="https://jornal.usp.br/radio-usp/especialistas-defendem-reformulacao-de-sistemas-de-saude-na-amazonia-diante-das-mudancas-climaticas-2/" target="_blank">Especialistas defendem reformulação de sistemas de saúde na Amazônia diante das mudanças climáticas</a></p>
<p>CNN Brasil, 14/01/2026 &#8211; <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/crise-climatica-pesquisadores-defendem-novo-modelo-de-saude-na-amazonia/" target="_blank">Crise climática: pesquisadores defendem novo modelo de saúde na Amazônia</a></p>
<p>CNN Brasil, 09/06/26 &#8211; <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/envelhecimento-acelerado-desafia-sustentabilidade-da-sistema-de-saude/#goog_rewarded" target="_blank">Envelhecimento acelerado desafia sustentabilidade dos sistemas de saúde</a></p>
<p>G1, 07/07/2025 &#8211; <a href="https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/07/07/brasil-tem-cronico-subfinanciamento-do-sus-e-precisaria-investir-mais-em-saude-diz-estudo-do-senado.ghtml" target="_blank">Brasil tem “crônico subfinanciamento” do SUS e precisaria investir mais em Saúde, diz estudo do Senado</a></p>
<p>Agência Senado, 24/06/2026 &#8211; <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/06/24/vacinas-debatedores-afirmam-que-pais-precisa-estar-preparado-para-novas-pandemias" target="_blank">Vacinas: debatedores afirmam que País precisa estar preparado para novas pandemias</a></p>
<p>Agência Senado, 10/4/2026 &#8211; <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2026/04/saneamento-basico-a-pauta-bilionaria-que-segue-fora-do-debate-politico-eleitoral" target="_blank">Saneamento básico: a pauta bilionária fora do debate eleitoral</a></p>
<p>Brasil de Fato, 18/09/2026 &#8211; <a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/09/18/sus-e-referencia-internacional-e-cultura-midiatica-ajuda-a-compreender-importancia-do-sistema/" target="_blank">SUS é referência internacional e cultura midiática ajuda a compreender importância do sistema</a></p>
<p>Jota, 30/06/2026 &#8211; <a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/o-plasma-brasileiro-e-a-corrida-global-por-soberania-em-saude" target="_blank">O plasma brasileiro e a corrida global por soberania em saúde</a></p>
<p>Jota, 18/09/2026 &#8211; <a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/quem-financia-o-vale-da-morte-da-inovacao-em-saude" target="_blank">Quem financia o &#8216;vale da morte&#8217; da inovação em saúde?</a></p>
<p>Brasil de Fato, 12/06/2026 &#8211; <a href="https://www.brasildefato.com.br/colunista/o-sus-no-seu-cotidiano/2026/06/12/o-sus-o-voto-das-mulheres-e-as-eleicoes-2026/" target="_blank">O SUS, o voto das mulheres, e as eleições 2026</a></p>
<p><em> </em></p>
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		<title>O SUS não é um plano de saúde em grande escala</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 16:33:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
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		<description><![CDATA[“Soberania, na saúde, não significa isolamento. Significa ter capacidade de escolher, negociar, cooperar e agir sem que a vida da população dependa exclusivamente de decisões, tecnologias ou cadeias produtivas que o país não controla”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Garcia]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Soberania, na saúde, não significa isolamento. Significa ter capacidade de escolher, negociar, cooperar e agir sem que a vida da população dependa exclusivamente de decisões, tecnologias ou cadeias produtivas que o país não controla”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Garcia</em></p>
<div id="attachment_31058" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-18-at-13.36.51.jpeg"><img class="size-medium wp-image-31058 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-18-at-13.36.51-300x199.jpeg" alt="Foto: Jardel Rodrigues/SBPC" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Jardel Rodrigues/SBPC</p></div>
<p>Ganha espaço no debate sobre o futuro da saúde brasileira uma ideia aparentemente sedutora: a de que os problemas do Sistema Único de Saúde se resolveriam aproximando sua gestão dos modelos das grandes organizações privadas de saúde. Mais tecnologia, mais eficiência, mais indicadores, mais parcerias.</p>
<p>Essa ideia está escrita em alguns dos programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Vários deles propõem ampliar concessões, parcerias público-privadas e contratos com organizações sociais para construir e gerir unidades de saúde; contratar a rede privada e comprar capacidade ociosa em clínicas particulares para zerar filas; vincular parcela crescente do financiamento federal a indicadores de desempenho; e tratar inteligência artificial, telessaúde e prontuário eletrônico unificado como o eixo da modernização do sistema. O vocabulário é predominantemente o da gestão.</p>
<p>Nada disso é ilegítimo, e parte é bem-vinda. Chama a atenção, porém, o que aparece com menos frequência: metas de financiamento, fontes de recursos e o lugar da ciência e da produção nacional na política de saúde. Alguns dos programas que mais detalham modelos de gestão são justamente os que menos dizem sobre quanto o país pretende investir no SUS — e há quem combine essa agenda com a defesa de um arcabouço fiscal ainda mais restritivo que o atual.</p>
<p>Começo reconhecendo o que dá força a esse argumento. O SUS tem problemas reais e conhecidos: filas para cirurgias eletivas e consultas especializadas, distribuição desigual de profissionais pelo território, atenção primária ainda insuficiente em muitos municípios e um subfinanciamento crônico que já dura décadas — os municípios, obrigados a aplicar no mínimo 15% da receita corrente líquida em saúde, frequentemente gastam bem mais do que isso e ainda assim não dão conta da demanda. Quem aponta essas falhas não está inventando. Defender o SUS sem enfrentar o seu desempenho seria defender o <em>status quo</em>, e disso o sistema não precisa.</p>
<p>O que proponho discutir é outra coisa: a diferença entre modernizar o SUS e mudar a sua natureza.</p>
<p>O SUS não é uma grande empresa de assistência médica nem um plano de saúde destinado a milhões de clientes. É uma das mais importantes instituições construídas pela democracia brasileira e materializa uma escolha constitucional: saúde é direito de todos e dever do Estado (art. 196). Essa diferença não é semântica. Ela determina quem deve ser atendido, quais necessidades precisam ser consideradas e quais critérios orientam a distribuição dos recursos públicos.</p>
<p>Uma organização privada pode definir mercados, produtos, redes, custos e estratégias de atendimento. O SUS não pode escolher sua população: precisa estar onde o cidadão está — da grande metrópole à comunidade amazônica, do atendimento básico ao transplante, da vacinação à vigilância epidemiológica, do medicamento de alto custo ao enfrentamento de uma emergência sanitária. Hoje, cerca de 76% dos brasileiros dependem exclusivamente dele, e o sistema realiza aproximadamente 2,8 bilhões de atendimentos por ano. Em vários estados do Norte e do Nordeste, essa dependência supera 90% da população. É por isso que, no SUS, eficiência é indispensável, mas não suficiente: precisa caminhar com universalidade, integralidade e equidade.</p>
<p>O setor privado tem papel legítimo e importante na saúde brasileira, e a Constituição Federal reconhece sua participação. Mas fez uma escolha precisa: quando integrado ao SUS, o setor privado participa de forma complementar, submetido às diretrizes do sistema público (art. 199, § 1º). Inverter essa relação — tornando o Estado progressivamente dependente da capacidade instalada, das prioridades ou da lógica econômica dos prestadores privados — alteraria silenciosamente o pacto constitucional da saúde brasileira. Esse é o principal risco que precisamos considerar.</p>
<p>Parcerias público-privadas, organizações sociais, contratação de serviços, hospitais filantrópicos e empresas de tecnologia podem contribuir para resolver problemas concretos. A questão não é ser contra ou a favor das parcerias. A pergunta correta é outra: quem define as prioridades do sistema?</p>
<p>Se forem definidas pelas necessidades epidemiológicas e sociais da população, com planejamento público, transparência e avaliação, a cooperação fortalece o SUS. Se forem progressivamente determinadas pela oferta existente, pela rentabilidade dos procedimentos ou pelos interesses econômicos dos fornecedores, ocorre o contrário: o sistema público passa a financiar uma arquitetura que já não controla plenamente.</p>
<p>É também por isso que a participação social não é um detalhe procedimental. Conselhos e conferências de saúde, previstos no art. 198, III, e organizados pela Lei 8.142/1990, não são obstáculos burocráticos à eficiência. São o mecanismo pelo qual a resposta à pergunta &#8220;quem define as prioridades?&#8221; permanece pública. Um sistema que pertence a toda a sociedade não pode ter suas decisões tomadas apenas por governos, especialistas ou agentes econômicos. Esvaziar esses espaços é, na prática, transferir a definição de prioridades para quem tem mais capacidade de propor.</p>
<p>A segunda fronteira que exige atenção é a tecnologia. Inteligência artificial, telessaúde, prontuários interoperáveis e análise de grandes bases de dados podem produzir uma transformação extraordinária no cuidado e, em um país continental, reduzir desigualdades. Mas tecnologia não substitui política pública. Digitalizar um sistema desigual pode simplesmente digitalizar suas desigualdades: algoritmos não resolvem a ausência de profissionais em determinadas regiões, a insuficiência da atenção primária ou a falta de infraestrutura. E a transformação digital abre questões estratégicas sobre proteção dos dados dos brasileiros, transparência algorítmica e dependência de plataformas privadas. Dados de saúde estão entre os ativos mais sensíveis de uma sociedade; a infraestrutura digital do SUS deve ser tratada como questão de soberania nacional.</p>
<p>A terceira dimensão é frequentemente esquecida: o SUS não apenas presta assistência, ele produz capacidades nacionais. A Constituição lhe atribui a vigilância sanitária e epidemiológica, a ordenação da formação de recursos humanos e o dever de incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação (art. 200, II, III e V). O sistema sustenta pesquisa, vacinação, transplantes, produção de medicamentos e imunobiológicos e uma extensa rede de universidades, institutos públicos, hospitais de ensino e laboratórios &#8211; o setor responde hoje por cerca de um terço da pesquisa científica realizada no país.</p>
<p>É nesse ponto que saúde, ciência e soberania se encontram, e os números explicam a urgência. O déficit da balança comercial da saúde saltou de cerca de US$ 11 bilhões em 2013 para cerca de US$ 20 bilhões, o segundo maior do país. Importamos aproximadamente 55% de tudo o que compõe o complexo industrial da saúde. Um país que não domina conhecimentos, tecnologias e capacidades produtivas essenciais permanece vulnerável mesmo quando dispõe de recursos para comprá-los. E a pandemia mostrou com que velocidade a dependência externa de insumos converte uma crise sanitária em problema de soberania.</p>
<p>Reduzir essa vulnerabilidade não é exortação retórica: depende de instrumentos que já existem e precisam ser usados com escala e continuidade. As Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo, as encomendas tecnológicas previstas no marco legal de CT&amp;I (Lei 10.973/2004, com a redação da Lei 13.243/2016), a margem de preferência para produtos com tecnologia desenvolvida no país (Lei 14.133/2021) e o financiamento de BNDES, Finep e Embrapii permitem transformar o poder de compra do SUS em pesquisa, produção nacional e transferência efetiva de tecnologia. Não se trata de buscar autossuficiência em tudo, mas de decidir em quais áreas o Brasil não pode aceitar dependências que comprometam sua segurança sanitária — e de exigir que cada parceria produza capacidade instalada no país, e não apenas novos mercados financiados pelo orçamento público.</p>
<p>Soberania, na saúde, não significa isolamento. Significa ter capacidade de escolher, negociar, cooperar e agir sem que a vida da população dependa exclusivamente de decisões, tecnologias ou cadeias produtivas que o país não controla.</p>
<p>O Brasil pode e deve incorporar ao SUS as melhores práticas de gestão, ciência, tecnologia e inovação existentes no mundo. Pode aprender com hospitais de excelência e trabalhar com empresas, universidades, startups, fundações e organizações sociais. Mas deve fazê-lo sem importar junto uma concepção de saúde incompatível com sua Constituição e sua realidade. O desafio brasileiro não é escolher entre Estado e mercado, essa é uma falsa oposição. É combinar capacidades públicas e privadas sem perder a hierarquia estabelecida pela Constituição: o interesse público define a política; os parceiros contribuem para executá-la, e não o contrário.</p>
<p>Isso exige financiamento adequado, fortalecimento da atenção primária, valorização dos profissionais, ciência e inovação, infraestrutura digital pública, capacidade produtiva nacional, avaliação rigorosa das parcerias e mecanismos transparentes para prevenir conflitos de interesse. Exige também reconhecer que saúde é parte de um projeto nacional de desenvolvimento. Um país que desiste de produzir conhecimento, formar pessoas, dominar tecnologias estratégicas e preservar capacidades públicas pode até comprar soluções no curto prazo, mas perde autonomia para decidir o próprio futuro.</p>
<p>O que será decisivo para os próximos anos, portanto, não será quanto de tecnologia ou de participação privada haverá no SUS. Será quem comandará o projeto de saúde do país. Se o SUS continuar orientado pelo direito à saúde, pela equidade, pela ciência, pela soberania e pelo interesse público, tecnologia e parcerias poderão torná-lo ainda mais forte. Se essa ordem for invertida, podemos conservar a sigla e, pouco a pouco, perder aquilo que fez dela uma das maiores conquistas sociais da Constituição de 1988.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Modernizar o SUS é necessário. Descaracterizá-lo não é modernização.</strong></p>
<p><em>Francilene Procópio Garcia é professora e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC</em></p>
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		<title>De telemedicina à IA, presidenciáveis defendem expansão e modernização do SUS</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 16:30:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>

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		<description><![CDATA[Prontuário eletrônico é uma das políticas mais citadas por diferentes candidatos, enquanto há divergências sobre a participação do setor privado na gestão da Saúde, aponta análise da SBPC]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Prontuário eletrônico é uma das políticas mais citadas por diferentes candidatos, enquanto há divergências sobre a participação do setor privado na gestão da Saúde, aponta análise da SBPC</em></p>
<div id="attachment_31064" style="width: 663px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-18-at-13.45.18.jpeg"><img class="wp-image-31064 size-post img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-18-at-13.45.18-653x350.jpeg" alt="Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil" width="653" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</p></div>
<p>A importância do Sistema Único de Saúde (SUS) é reconhecida pelos planos de governo de todos os 13 candidatos à presidência da República. Entre propostas de expansão, dedicadas ao aparato financeiro, e de modernização, voltadas à aplicação tecnológica, os presidenciáveis apresentam soluções que envolvem o uso de inteligência artificial (IA) na triagem de pacientes, a criação de prontuários eletrônicos nacionalmente conectados e a ampliação da telemedicina. Entretanto, a maior divergência é sobre a participação privada nas políticas de Saúde.</p>
<p>Os candidatos Escritor Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Leonardo Avalanche, Lula, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Zema defendem a modernização do Sistema Único de Saúde, mas com Cury, Bolsonaro, Santos, Avalanche e Zema ressaltando a necessidade de expansão da iniciativa privada nas políticas de Saúde. Santos compara suas ideias à implementação do aplicativo DoctorSV, criado em El Salvador, onde potencializou o atendimento remoto. A política, lá, foi criticada por ter sido <a href="https://apublica.org/2026/04/el-salvador-oferece-saude-publica-com-ia-e-demite-medicos/" target="_blank">acompanhada por demissões de profissionais da saúde</a>.</p>
<p>Com pensamento de defesa à expansão orçamentária do SUS – e não necessariamente sua modernização tecnológica –, os candidatos Hertz Dias, Rui Costa Pimenta e Samara criticam a participação da iniciativa privada, alegando que o SUS deve ser um Sistema 100% estatal. Já o candidato Edmilson Costa se aproxima das políticas defendidas por Lula e já aplicadas no mandato em andamento (2023-2026), que envolve a integração das políticas de Saúde com políticas industriais e a defesa do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS).</p>
<p>Esses diagnósticos compõem uma análise realizada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com base nos documentos <a href="https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/BR/BR/20322002026" target="_blank">submetidos pelas candidaturas ao TSE</a>. Para a análise, a SBPC iniciou a busca pela palavra-chave “SUS” e averiguou as partes dos documentos dedicadas às políticas de Saúde. Posteriormente, houve uma leitura analítica dos planos de governo, de modo a identificar se a promoção às políticas de saúde estava inclusa em outros setores, como políticas sociais e de Educação, entre outras.</p>
<p>A análise é parte das iniciativas do <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/" target="_blank">Observatório das Eleições 2026</a>, uma ação da SBPC que reúne candidatos de diferentes esferas públicas que se comprometem abertamente com o desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&amp;I) no País. O Observatório convida ainda os candidatos e a população eleitora a conhecerem o documento <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf" target="_blank">“Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”</a>, que reúne 117 propostas organizadas em sete eixos temáticos – sendo o sétimo deles focado em Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância:</p>
<p>“O SUS é, ao mesmo tempo, o maior patrimônio sanitário do país e um sistema permanentemente ameaçado por cortes e pela interferência política sobre decisões técnicas. Este eixo articula três frentes que a pandemia mostrou quanto são indissociáveis: o financiamento estável do sistema, a soberania tecnológica em insumos e dados de saúde, e a proteção da autonomia das autoridades sanitárias diante da desinformação e de iniciativas que enfraquecem a confiança pública na ciência e nas instituições de saúde”, explica a SBPC no documento.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Presidenciáveis têm visão, mas falta conexão com o potencial da Ciência</strong></p>
<p>No comparativo com as propostas do caderno “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”, as propostas dos presidenciáveis atendem a princípios de fortalecimento do SUS, mas carecem de aprofundamento e dependem excessivamente da iniciativa privada.</p>
<p>A preocupação com a gestão da informação é praticamente uma unanimidade. Neste caso, a comunidade científica sugere um aprofundamento das ideias apresentadas nos planos de governo, com a criação de uma Plataforma Nacional Soberana de Dados em Saúde, com acesso regulamentado, governança transparente e a aplicação integral da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – “os dados de 170 milhões de usuários do SUS são patrimônio nacional e questão de segurança”, justifica o documento.</p>
<p>Entretanto, pontos centrais para a comunidade científica não se encontram nas propostas documentadas. É o caso da garantia de proteção do financiamento do SUS e dos hospitais universitários federais em relação às políticas de austeridade, os reconhecendo como infraestruturas de segurança sanitária nacional, e não como despesa discricionária.</p>
<p>Outro ponto importante de defesa da comunidade científica é a criação de um programa de Estado para biotecnologia em saúde, articulando Fiocruz, Butantan, universidades e CEIS, com horizonte de 20 anos e meta de 70% de autossuficiência em insumos estratégicos.</p>
<p>Por fim, o caderno “Vozes da Ciência” também defende o fortalecimento das políticas de saúde atreladas à população idosa, um tema presente apenas em alguns planos de governo: do Escritor Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Hertz Dias, Leonardo Avalanche, Lula, \Ronaldo Caiado, Samara e Zema. Entretanto, assim como os temas anteriores, há uma falta de aprofundamento e conexão com evidências e políticas científicas.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Confira abaixo as análises detalhadas por presidenciável, organizadas em ordem alfabética conforme seus registros no TSE: </strong></p>
<p>Candidata do partido Democracia Cristã (DC), <strong style="font-weight: bold !important;">Clariana Barão</strong> tem um plano de governo totalmente estruturado em tópicos e sugestões de indicadores. No tópico dedicado à Saúde, o SUS pouco aparece, defendendo apenas a incorporação de Inovação e novas terapias, mas sem detalhes.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Edmilson Costa</strong>, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), defende um Sistema Único de Saúde forte, público, gratuito e de qualidade, o que só seria possível com a ampliação de investimentos no Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). Costa também propõe a criação de Conselhos Populares de Saúde, responsáveis pela gestão do órgão; além do aprimoramento dos medicamentos distribuídos pelo SUS, com promessa de expansão do catálogo disponível e a criação de um programa de contratação de médicos voltado para o atendimento das regiões menos assistidas do País. O candidato é o único a delimitar orçamentos, se comprometendo com a destinação de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) à pasta da Saúde e com a estatização de todo o setor privado de saúde.</p>
<p>Registrado no TSE como <strong style="font-weight: bold !important;">Escritor Augusto Cury</strong>, o candidato do partido Avante afirma que o SUS vive uma sobrecarga e a solução para desafogá-lo é a telemedicina. O candidato tem, entre as suas metas, o objetivo de transformar o Brasil no maior centro de telemedicina do mundo, com a ampliação das consultas remotas e laudos digitais – um dos objetivos é que 80% das consultas básicas sob responsabilidade presencial das unidades médicas vinculadas ao SUS passem a ser realizadas de forma remota.</p>
<p>Já o candidato do Partido Liberal (PL), <strong style="font-weight: bold !important;">Flávio Bolsonaro </strong>defende a digitalização do SUS, com o uso da inteligência artificial para agilizar o agendamento de consultas e exames. Bolsonaro também tem, em suas propostas, a criação do prontuário eletrônico único, um serviço vinculado ao CPF e integrado ao sistema Gov.br, que deve ser “interoperável entre as redes pública e privada”, para um acesso unificado no histórico de consultas, exames, vacinas e prescrições.</p>
<p>O candidato <strong style="font-weight: bold !important;">Hertz Dias</strong>, do Partido Socialista Dos Trabalhadores Unificado (PSTU), tem propostas similares às do candidato Edmilson Costa (PCB), como a defesa do fim de privatizações e da gestão privada da saúde. Dias também ressalta a importância de um SUS público, universal, gratuito e 100% estatal. Entre os destaques, defende as políticas de saúde mental, como a ampliação do investimento público nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e no Serviço de Residências Terapêuticas e Centros de Convivência – mas ressalta que não investirá em Comunidades Terapêuticas. Também defende a expansão da rede pública de hospitais, UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e UBSs Unidades Básicas de Saúde (UBS), além do estímulo à produção pública de medicamentos e insumos estratégicos.</p>
<p>Assumindo a candidatura pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) após a Justiça Federal considerar Pablo Marçal como inapto, <strong style="font-weight: bold !important;">Leonardo Avalanche</strong> têm propostas similares com outros presidenciáveis, como a expansão da telemedicina e parcerias com hospitais privados. Afirma que a sua prioridade nas políticas de Saúde é zerar as filas do SUS, e também defende a implementação da inteligência artificial para o controle e gestão de medicamentos.</p>
<p>Candidato à reeleição, <strong style="font-weight: bold !important;">Lula</strong>, do Partido dos Trabalhadores (PT), defende que o SUS é “a espinha dorsal do desenvolvimento humano e da soberania sanitária do país”. Entretanto, o candidato pontua que o Sistema precisa continuar evoluindo para assegurar o direito universal à Saúde. Em seu plano, promete a integração entre os programas de Atenção Primária, Vigilância em Saúde, Assistência Farmacêutica e Atenção Especializada, com a defesa do prontuário único do cidadão, que já está em desenvolvimento por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Há, ainda, a defesa do uso da inteligência artificial como ferramenta para auxiliar na triagem de pacientes. Seu plano de governo também destaca o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que trouxe recursos destinados a equipamentos médicos e infraestrutura – uma política que promete continuar, com a criação da maior rede pública de cuidado ao câncer do mundo. Assim como o candidato Edmilson Costa (PCB), Lula também destaca o Complexo Econômico e Industrial da Saúde (CEIS), e defende que o “fortalecimento do SUS público e universal é inalienável”.</p>
<p>Já o candidato do partido Missão,<strong style="font-weight: bold !important;"> Renan Santos</strong>, alega que um dos principais problemas do SUS é a fila de espera por atendimento. O candidato defende a criação de um sistema digital de saúde, que combine telemedicina, diagnósticos por inteligência artificial (IA), monitoramento clínico e histórico permanente, inspirado no aplicativo DoctorSV, implementado em El Salvador. Assim como os demais presidenciáveis, ele destaca a importância do prontuário eletrônico nacional.</p>
<p>Candidato do Partido Social Democrático (PSD), <strong style="font-weight: bold !important;">Ronaldo Caiado</strong> afirma, em seu plano de governo, que o SUS será preservado como sistema universal e transformado em uma rede mais preventiva, integrada, digital e orientada por resultados. “O cidadão deve saber qual equipe o acompanha, qual é sua prioridade, quanto tempo esperará e qual serviço é responsável por cada etapa”, detalha. Caiado também promete que, em seu processo de modernização, a agenda do SUS será conduzida por missões, como reduzir filas evitáveis; prevenir e controlar doenças crônicas; promover a saúde da mulher; entre outros. Também defende a construção de uma Infraestrutura Nacional de Dados em Saúde e a integração entre políticas de Saúde e de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&amp;I), olhando a pesquisa clínica como política de desenvolvimento, e buscando “reduzir dependência externa e ampliar a participação brasileira nas tecnologias que mais pressionarão o SUS nas próximas décadas.”</p>
<p>Com apenas uma menção ao SUS em seu plano de governo, o candidato <strong style="font-weight: bold !important;">Rui Costa Pimenta</strong>, do Partido da Causa Operária (PCO), afirma que o Sistema vive uma destruição sistemática, agravada pelo avanço da privatização em Saúde. Em seu plano de governo, defende mais verba para a saúde pública, a criação de um plano de emergência para construção de hospitais e postos de saúde, a validação imediata de todos os diplomas de médicos brasileiros e estrangeiros residentes no País e a abertura de centenas de cursos de medicina, enfermagem e demais cursos da área, com livre acesso  – sem vestibular – nas universidades públicas, com o objetivo de suprir a falta de profissionais.</p>
<p>Candidata pelo partido Unidade Popular (UP), <strong style="font-weight: bold !important;">Samara </strong>também destaca a privatização de serviços públicos de Saúde, com as suas administrações sob responsabilidade das Organizações Sociais de Saúde (OSS). Entre seus projetos, promete o fortalecimento e unificação do SUS 100% estatal; a soberania farmacêutica e de produção, com o fortalecimento dos laboratórios oficiais do Estado para a fabricação de medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos; e a valorização dos trabalhadores da Saúde, intensificando concursos públicos com regime estatutário, além do fim da precarização e a aplicação integral dos pisos salariais nacionais das categorias.</p>
<p>O presidenciável registrado no TSE como <strong style="font-weight: bold !important;">Veterinário Wilson Grassi</strong>, pelo partido Democrata, afirma que o SUS não precisa ser reinventado, mas “precisa funcionar na ponta, onde é barato”. Em seu plano há três frentes: a atenção primária como prioridade orçamentária; a criação de uma fila nacional única organizada por tipos de procedimento e o fortalecimento da produção nacional de medicamentos e imunizantes estratégicos.</p>
<p>Encerrando os presidenciáveis, <strong style="font-weight: bold !important;">Zema</strong>, do Partido Novo, também argumenta que um dos maiores problemas do SUS é a fila para atendimentos médicos. Em seu plano de governo, afirma que parte dos recursos dedicados ao Sistema é mal aplicada, com pouca articulação e integração tecnológica. Ele defende, essencialmente, a criação do prontuário eletrônico e pede maior participação da iniciativa privada. “O setor privado, que tem estrutura e capacidade ociosa, é subutilizado para desafogar o sistema público e o excesso de regulação e a judicialização encarecem a saúde suplementar e empurram ainda mais pessoas para o SUS”, pontua.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">A análise</strong></p>
<p>Para a análise, a SBPC iniciou a busca pelas palavras-chave “SUS”, “saúde”, “cuidado” e respectivas derivações que pudessem ilustrar políticas dedicadas ao tema. Posteriormente, houve uma leitura analítica dos planos de governo, de modo a identificar se a temática estava envolvida em outras frentes, como políticas para assistência social, Educação, entre outras.</p>
<p>A análise envolveu os planos de governo extraídos do Tribunal Superior Eleitoral no dia 19 de agosto de 2026, com exceção ao plano de Leonardo Avalanche, extraído em 17 de setembro – a diferença de data se dá por conta do julgamento da candidatura de Pablo Marçal, até então o presidenciável pelo PRTB, que teve sua candidatura julgada <strong style="font-weight: bold !important;">inapta </strong>pela Justiça Eleitoral na última sexta-feira, 11 de setembro.</p>
<p>É importante destacar que os planos de governo podem ser aditados no curso da campanha eleitoral e que as candidaturas podem se manifestar sobre esta análise e sobre seus apoios às políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&amp;I), aderindo ao Termo de Compromisso presente no <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf" target="_blank">Observatório das Eleições 2026</a>.</p>
<p><em>Rafael Revadam – Jornal da Ciência</em></p>
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		<title>Completando um mês no ar, Observatório das Eleições 2026 já ultrapassa 160 compromissos de candidaturas</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/completando-um-mes-no-ar-observatorio-das-eleicoes-2026-ja-ultrapassa-160-compromissos-de-candidaturas/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 17:42:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>

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		<description><![CDATA[Iniciativa da SBPC convida candidatos de diferentes cargos a se comprometeram em apoiar a Ciência, a democracia e a soberania nacional]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Iniciativa da SBPC convida candidatos de diferentes cargos a se comprometeram em apoiar a Ciência, a democracia e a soberania nacional</em></p>
<div id="attachment_30685" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-17-at-14.33.59.jpeg"><img class="size-medium wp-image-30685 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-17-at-14.33.59-300x178.jpeg" alt="Marcelo Camargo/Agência Brasil" width="300" height="178" /></a><p class="wp-caption-text">Marcelo Camargo/Agência Brasil</p></div>
<p>Lançado no dia 17 de agosto, o Observatório das Eleições 2026 completa seu primeiro mês reunindo candidaturas que se comprometem abertamente com o desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&amp;I) no País. Até o momento, <strong style="font-weight: bold !important;">164 candidatas e candidatos já assinaram o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional</strong>, proposto pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). As adesões ao <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">Observatório das Eleições 2026</strong></a> já alcançam <strong style="font-weight: bold !important;">21 unidades da Federação, 15 partidos políticos e seis cargos em disputa</strong>, formando um retrato cada vez mais amplo da mobilização para levar as políticas científicas ao debate eleitoral.</p>
<p>O Observatório apresenta o caderno <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/publicacoes/outras-publicacoes/caderno_36.pdf" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">“Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”</strong></a>, que reúne 117 propostas da comunidade científica, reunidas em sete eixos temáticos: 1) CT&amp;I como Projeto de Nação; 2) Soberania Nacional: Digital, Tecnológica e Sanitária; 3) Sustentabilidade, Clima, Biodiversidade e Segurança Alimentar; 4) Democracia e Segurança Pública; 5) Equidade, Diversidade e Justiça Social; 6) Educação, Formação e Universidade; e 7) Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância.</p>
<p>A iniciativa funciona como uma via de mão dupla. De um lado, candidatas e candidatos a deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente são convidados a assinar um Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional. De outro, a sociedade pode acompanhar quem assumiu esse compromisso — com as adesões divulgadas por cargo e por estado —, conhecer as propostas construídas pela comunidade científica e levá-las ao debate eleitoral.</p>
<p>“A questão não é apenas o quanto você [candidato(a)] pretende investir em Ciência, mas como pretende transformar conhecimento em capacidade de enfrentar os desafios do estado, agregar valor à sua economia, reduzir desigualdades, responder às mudanças climáticas e melhorar a saúde e a educação. O Observatório das Eleições 2026 convida você a explicitar esse compromisso: que lugar a ciência, a educação, a tecnologia e a inovação ocuparão no projeto de desenvolvimento que você propõe para o seu estado? O futuro do seu estado também será decidido pela capacidade de transformar conhecimento em desenvolvimento”, explica a presidente da SBPC, Francilene Garcia.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Cinco compromissos públicos</strong></p>
<p>Ao assinar o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional, candidatas e candidatos assumem cinco compromissos.</p>
<p>O primeiro é tratar a Ciência como política de Estado, e não como despesa contingenciável, defendendo financiamento público, previsível e de longo prazo para a pesquisa. Também se comprometem a fundamentar decisões em evidências e ouvir a comunidade científica em temas técnicos.</p>
<p>O Termo inclui ainda a defesa da autonomia das universidades e institutos públicos e da liberdade de pesquisa; a proteção da democracia, de suas instituições e da Constituição de 1988; e o compromisso de se posicionar sobre as propostas do Vozes da Ciência relacionadas ao mandato que pretendem exercer.</p>
<p>“As adesões são tornadas públicas, por cargo e por estado, para que o compromisso com a Ciência não se limite à retórica, mas se converta em registro público e referência para o acompanhamento posterior”, complementa Garcia.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">O Observatório também é de quem vota</strong></p>
<p>Outro ponto importante é o engajamento do público eleitor. Para isso, a SBPC convida as suas Secretarias Regionais a mobilizarem os candidatos locais e a ocuparem espaços de debate e proposição de ideias.</p>
<p>“As Secretarias Regionais da SBPC serão a ponte entre a agenda nacional da ciência, as candidaturas e a sociedade de cada estado. Cabe a elas mobilizar a comunidade científica local, articular universidades, institutos de pesquisa, fundações de amparo à pesquisa, sociedades científicas e demais atores, e promover o diálogo com as candidatas e os candidatos aos Governos Estaduais”, explica Garcia.</p>
<p>Para a presidente da SBPC, mais do que levar uma agenda pronta aos estados, as Secretarias Regionais deverão inspirar e ajudar as candidaturas a enxergar como a Ciência pode contribuir para o desenvolvimento de seus estados. Também cabe a elas ajudar a sociedade a avaliar, com base em conhecimento, as escolhas que estarão em disputa.</p>
<p>“Isso significa identificar prioridades, apresentar capacidades e experiências existentes no território, valorizar suas vocações e desafios e contribuir para transformar conhecimento em propostas concretas de governo. Seu papel será mobilizar, conectar, inspirar e acompanhar: aproximar ciência, candidaturas e sociedade para que o debate eleitoral seja também uma oportunidade de pensar, com conhecimento, o futuro de cada estado”, conclui.</p>
<p><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">Conheça o Observatório das Eleições 2026 e participe!</strong></a></p>
<p>Assine. Pergunte. Cobre.</p>
<p><em>Jornal da Ciência</em></p>
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		<title>Meninas na Ciência: inscrições para o 8º Prêmio Carolina Bori se encerram em 30 de outubro</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 17:36:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres cientistas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[zz banner principal home]]></category>

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		<description><![CDATA[Estudantes do Ensino Médio e da Graduação podem concorrer a seis prêmios de até R$ 13 mil. Vencedoras também terão mentoria com cientistas e apresentarão seus trabalhos na 79ª Reunião Anual da SBPC. Confira o edital!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Estudantes do Ensino Médio e da Graduação podem concorrer a seis prêmios de até R$ 13 mil. Vencedoras também terão mentoria com cientistas e apresentarão seus trabalhos na 79ª Reunião Anual da SBPC. Confira o edital!</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-01-at-14.15.26.jpeg"><img class="aligncenter wp-image-30831 size-post img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-01-at-14.15.26-653x350.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-09-01 at 14.15.26" width="653" height="350" /></a></p>
<p>Você é estudante, gosta de ciência e já participou de um projeto de pesquisa, feira de ciências, olimpíada científica ou atividade de divulgação científica? A <strong style="font-weight: bold !important;">8ª edição do Prêmio “Carolina Bori Ciência &amp; Mulher”</strong>, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), está com <strong style="font-weight: bold !important;">inscrições abertas até 30 de outubro</strong> e, neste ano, é dedicada especialmente às <strong style="font-weight: bold !important;">Meninas na Ciência</strong>.</p>
<p>Podem participar estudantes regularmente matriculadas no <strong style="font-weight: bold !important;">Ensino Médio</strong> ou em cursos de <strong style="font-weight: bold !important;">Graduação </strong>de instituições de ensino brasileiras que tenham desenvolvido projeto ou atividade de iniciação científica, com acompanhamento de professor ou orientador, ou que tenham se destacado em outras atividades científicas, como feiras de ciências, olimpíadas científicas, projetos de pesquisa, divulgação científica ou iniciativas similares.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Serão escolhidas seis jovens cientistas:</strong> três estudantes do Ensino Médio e três da Graduação, distribuídas entre as grandes áreas de <strong style="font-weight: bold !important;">Humanidades; Biológicas e Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra</strong>.</p>
<p>Além do reconhecimento, as vencedoras receberão troféu e <strong style="font-weight: bold !important;">prêmio em dinheiro de R$ 10 mil, para estudantes do Ensino Médio, e R$ 13 mil, para estudantes da Graduação</strong>.</p>
<p>Elas também terão a oportunidade de apresentar seus trabalhos durante a <strong style="font-weight: bold !important;">79ª Reunião Anual da SBPC</strong>, em julho de 2027, em João Pessoa (PB) e <strong style="font-weight: bold !important;">participarão de uma mentoria exclusiva</strong> com pesquisadores renomados, ampliando as possibilidades de aprendizado, troca de experiências e desenvolvimento de suas trajetórias acadêmicas.</p>
<p>Criado pela SBPC em 2019, o Prêmio Carolina Bori <strong style="font-weight: bold !important;">já reconheceu 45 cientistas</strong> e, a cada edição, alterna as categorias “Mulheres Cientistas” e “Meninas na Ciência”. Nesta 8ª edição, a premiação será voltada a estudantes do Ensino Médio e da Graduação que desejam seguir carreira científica.</p>
<p>O objetivo é reconhecer jovens talentosas cujas pesquisas de iniciação científica demonstrem criatividade, rigor metodológico e potencial para contribuir para o futuro da ciência no País. Na mais recente edição dedicada à categoria “Meninas na Ciência”, realizada em 2024, a SBPC recebeu 765 inscrições válidas, um aumento de 71,5% em relação à edição anterior, em 2022. O crescimento expressivo demonstra a relevância e o reconhecimento do prêmio, que visa a incentivar e valorizar jovens cientistas em início de trajetória acadêmica.</p>
<p>“O Prêmio Carolina Bori tem crescido a cada edição e conquistado cada vez mais relevância. Esse avanço evidencia a força das mulheres e meninas pesquisadoras do nosso País, mas também reforça a importância de reconhecer, valorizar e dar visibilidade ao trabalho que elas desenvolvem. Este ano, trazemos um incentivo ainda maior com o aumento nos valores dos prêmios. Isso nos estimula e entusiasma, pois queremos valorizar a curiosidade das meninas pela ciência e pela busca do conhecimento. O prêmio Carolina Bori é também um caminho para o pertencimento, especialmente para as meninas que descobrem e que desejam seguir uma trajetória acadêmica”, <strong style="font-weight: bold !important;">afirma Soraya Smaili, vice-presidente da SBPC e coordenadora da 8ª edição da iniciativa</strong>.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Quem pode participar?</strong></p>
<p>Podem se inscrever estudantes do Ensino Médio e da Graduação que atendam aos critérios estabelecidos no edital e tenham desenvolvido trabalhos de iniciação científica.</p>
<p>Nesta edição, serão selecionadas seis vencedoras: três estudantes do Ensino Médio e três da Graduação, distribuídas entre as três grandes áreas do conhecimento: <strong style="font-weight: bold !important;">Humanidades; Biológicas e Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra</strong>.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas pelas próprias candidatas, <a href="https://docs.google.com/forms/d/1CkroNl-7_svC5FsCLoUwY9ODCT6aMqA7isUUQJ7Kz5I/edit" target="_blank">exclusivamente pelo formulário online</a>, até 30 de outubro de 2026.</strong></p>
<p>Entre os documentos exigidos estão <strong style="font-weight: bold !important;">mini-biografia de até 500 caracteres</strong>, <strong style="font-weight: bold !important;">currículo atualizado na Plataforma Lattes</strong> e <strong style="font-weight: bold !important;">carta de recomendação de professor ou orientador que conheça diretamente a atuação da estudante</strong>. A carta deve apresentar evidências de seu envolvimento, desempenho, habilidades e potencial para uma trajetória científica.</p>
<p>Também é preciso apresentar o <strong style="font-weight: bold !important;">projeto ou atividade científica realizada, com resumo e justificativa, objetivos, métodos utilizados, resultados e conclusões</strong>, deixando clara a participação da própria estudante no desenvolvimento do trabalho.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">No caso de candidaturas baseadas em participação de destaque em feiras ou olimpíadas científicas</strong>, é necessário <strong style="font-weight: bold !important;">anexar documentação que comprove a participação e o desempenho da estudante.</strong></p>
<p>Candidatas que participaram de edições anteriores de “Meninas na Ciência” e não foram contempladas podem tentar novamente, desde que atendam aos requisitos desta edição e estejam regularmente matriculadas no Ensino Médio ou na Graduação.</p>
<p>As vencedoras serão escolhidas por uma <strong style="font-weight: bold !important;">Comissão Julgadora</strong>, que levará em consideração aspectos como a qualidade e a consistência do projeto ou atividade científica, criatividade e originalidade, compreensão e aplicação do método científico, participação e protagonismo da estudante, desempenho em atividades científicas, iniciativa, habilidades, interesse e potencial para uma trajetória na ciência.</p>
<p>O Prêmio também busca <strong style="font-weight: bold !important;">ampliar a diversidade e a representatividade na ciência brasileira</strong>, incentivando especialmente a participação de meninas e mulheres negras, indígenas, transgêneras e transexuais, além de estudantes de diferentes regiões e contextos sociais do País. Na seleção, a diversidade regional e sociocultural será considerada pela Comissão Julgadora, com atenção ao reconhecimento de jovens de diferentes realidades, inclusive aquelas tradicionalmente sub-representadas nos grandes centros acadêmicos.</p>
<p>As seis vencedoras serão anunciadas até <strong style="font-weight: bold !important;">15 de janeiro de 2027</strong>.</p>
<p>A cerimônia de premiação será realizada em 11 de fevereiro de 2027, em celebração ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, em um evento especial com transmissão ao vivo pelo canal da SBPC no YouTube.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Tem uma experiência com ciência para contar? Mostre o que você já fez e até onde a sua curiosidade pode levar você!</strong></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Inscrições</strong>: até 30 de outubro de 2026</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Premiação:</strong> R$ 10 mil para Ensino Médio e R$ 13 mil para Graduação</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Vencedoras:</strong> seis estudantes, três de cada nível de ensino</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Resultado:</strong> até 15 de janeiro de 2027</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Premiação:</strong> 11 de fevereiro de 2027</p>
<p>Todas as informações sobre as regras de participação estão disponíveis no <a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/Edital-8PCBCM.pdf" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">EDITAL DO PRÊMIO</strong></a>, neste link.</p>
<p>Para mais informações, visite o site da SBPC ou entre em contato pelo e-mail <a href="mailto:premiocarolinabori@sbpcnet.org.br">premiocarolinabori@sbpcnet.org.br</a>.</p>
<p><em>SBPC</em></p>
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		<title>Campina Grande sedia Reunião Regional da SBPC em outubro</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/campina-grande-sedia-reuniao-regional-da-sbpc-em-outubro/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 17:30:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[Encontro será realizado nos dias 27 e 28 de outubro e colocará em debate a Caatinga, o desenvolvimento regional e as desigualdades na distribuição de recursos e oportunidades para a ciência no País. Inscrições são gratuitas]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Encontro será realizado nos dias 27 e 28 de outubro e colocará em debate a Caatinga, o desenvolvimento regional e as desigualdades na distribuição de recursos e oportunidades para a ciência no País. Inscrições são gratuitas</em></p>
<p>Campina Grande (PB) recebe, nos dias <strong style="font-weight: bold !important;">27 e 28 de outubro</strong>, a <strong style="font-weight: bold !important;">Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na Paraíba</strong>. Com o tema <strong style="font-weight: bold !important;">“Bioma Caatinga – Desafios para Reduzir Assimetrias Regionais”</strong>, o encontro reunirá pesquisadores, estudantes, gestores, instituições de ciência e tecnologia e a sociedade para discutir o papel da ciência no desenvolvimento do Semiárido e os caminhos para reduzir as desigualdades regionais na pesquisa brasileira.</p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-10-at-15.22.43.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-30948 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-10-at-15.22.43-212x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-09-10 at 15.22.43" width="212" height="300" /></a>As <a href="https://suap.uepb.edu.br/eventos/inscricao/1/119/" target="_blank">inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até <strong style="font-weight: bold !important;">23 de outubro neste link</strong></a>. A programação inclui palestras, mesas-redondas, apresentação de trabalhos, exposições científicas e tecnológicas, atividades culturais e espaços de interação entre universidades, institutos de pesquisa e sociedade.</p>
<p>A proposta é colocar a <strong style="font-weight: bold !important;">Caatinga no centro da discussão não apenas como bioma a ser protegido, mas como território de conhecimento, inovação e desenvolvimento</strong>. Segurança hídrica, biodiversidade, bioeconomia, tecnologias para convivência com o Semiárido, formação de pesquisadores, financiamento da ciência, inovação e valorização dos conhecimentos e das comunidades do território estão entre os temas que atravessam a programação.</p>
<p>A Reunião também chama atenção para uma questão estrutural do sistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação: as desigualdades regionais na distribuição de recursos, infraestrutura e oportunidades para pesquisa. Realizar esse debate em Campina Grande, importante polo universitário e tecnológico do Nordeste, reforça a necessidade de ampliar e descentralizar investimentos e reconhecer a contribuição da ciência produzida em diferentes regiões do País.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Ciência, Caatinga e desenvolvimento regional</strong></p>
<p>A abertura oficial será realizada a partir das 9h da manhã de <strong style="font-weight: bold !important;">27 de outubro</strong>, no Auditório José Farias, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), com a participação da presidência da SBPC e de reitores de instituições públicas de ensino superior.</p>
<p>A programação científica começa com a palestra <strong style="font-weight: bold !important;">“Resiliência em Construção: Inovação para um Novo Semiárido”</strong>, ministrada por <strong style="font-weight: bold !important;">José Ethan Lucena Barbosa</strong>, diretor do Instituto Nacional do Semiárido (INSA).</p>
<p>Ao longo do primeiro dia, os debates abordarão a relação entre a Caatinga e a identidade das populações do Semiárido; biodiversidade, memória e territorialidade nas comunidades paraibanas; o impacto dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) no Estado; popularização da ciência; e o papel da Rede EMBRAPII da Paraíba no desenvolvimento tecnológico e na redução das assimetrias regionais.</p>
<p>Entre os destaques está a mesa <strong style="font-weight: bold !important;">“DNA Caatinga: Biodiversidade, memória e territorialidade nas comunidades paraibanas”</strong>, que reunirá especialistas da UEPB, INSA, UFPB e IFPB. Outra discussão será dedicada às experiências e aos impactos dos projetos de INCTs desenvolvidos na Paraíba.</p>
<p>A relação entre conhecimento científico e sociedade estará no centro da mesa <strong style="font-weight: bold !important;">“Raízes do Conhecimento: Como a pesquisa transforma e populariza a Ciência no Semiárido”</strong>. Paralelamente, representantes de unidades EMBRAPII vinculadas à UEPB, IFPB, UFCG e UFPB discutirão como a articulação entre universidades, institutos de pesquisa e setor produtivo pode impulsionar o desenvolvimento tecnológico regional.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Pós-graduação, inovação e financiamento da ciência</strong></p>
<p>No dia <strong style="font-weight: bold !important;">28 de outubro</strong>, a programação continua com sessões de apresentação de trabalhos, atividades científicas, exposições e debates sobre inovação, pós-graduação e políticas de ciência, tecnologia e inovação.</p>
<p>A mesa <strong style="font-weight: bold !important;">“Vitrine de Inovação: Conectando Ciência Transversal e Impacto Social no Semiárido”</strong> apresentará experiências que aproximam desenvolvimento tecnológico e demandas sociais da região.</p>
<p>Outro debate será dedicado à <strong style="font-weight: bold !important;">pós-graduação como vetor para a superação das assimetrias regionais</strong>, reunindo representantes da UEPB, IFPB, UFCG e UFPB. A discussão parte do papel estratégico da formação de pesquisadores e da consolidação de programas de pós-graduação fora dos grandes centros na construção de um sistema nacional de ciência mais equilibrado.</p>
<p>O financiamento da pesquisa também terá espaço próprio na mesa <strong style="font-weight: bold !important;">“Estratégias de financiamento e governança em CT&amp;I”</strong>, com representantes da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq-PB), da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (SECTIES), da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (CINEP) e do Sebrae-PB.</p>
<p>A programação científica será encerrada com uma <strong style="font-weight: bold !important;">Plenária Final</strong>, às 17h, com a presidente da SBPC, <strong style="font-weight: bold !important;">Francilene Garcia</strong>.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Ciência para ver, conhecer e experimentar</strong></p>
<p>Além das mesas e palestras, a Reunião Regional terá um <strong style="font-weight: bold !important;">Espaço Networking, Feira de Saberes e Exposição Tecnológica</strong>, que ocupará o Hall da Central de Integração Acadêmica da UEPB durante o dia 28.</p>
<p>O espaço reunirá projetos de universidades, institutos, grupos de pesquisa, associações e comunidades, com iniciativas ligadas a agricultura familiar, economia solidária, educação científica, biodiversidade, tecnologias sociais e inovação.</p>
<p>Entre as atividades previstas estão exposições sobre a fauna da Caatinga, biologia marinha, plantas alimentícias não convencionais (PANC), abelhas nativas do Semiárido, café, botânica, genética, cannabis medicinal e produção sustentável. Também haverá feira de economia solidária e apresentação de experiências desenvolvidas junto a comunidades tradicionais.</p>
<p>Um dos destaques será a exposição <strong style="font-weight: bold !important;">“A Ciência em Cordel: Corrida Espacial e Outros Dilemas”</strong>, que utilizará cordéis e xilogravuras para aproximar ciência, cultura e tradição popular.</p>
<p>A cultura paraibana também atravessa os dois dias do encontro. A programação prevê apresentações da <strong style="font-weight: bold !important;">Orquestra Sanfônica da UEPB</strong>, literatura de cordel, sarau poético no Museu dos Três Pandeiros, forró, quadrilha e apresentação do Grupo Forrobodó.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Serviço</strong></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">I Reunião Regional da SBPC na Paraíba</strong><br />
<strong style="font-weight: bold !important;">Tema:</strong> “Bioma Caatinga – Desafios para Reduzir Assimetrias Regionais”<br />
<strong style="font-weight: bold !important;">Quando:</strong> 27 e 28 de outubro de 2026<br />
<strong style="font-weight: bold !important;">Inscrições:</strong> gratuitas, até 23 de outubro<br />
<strong style="font-weight: bold !important;">Locais:</strong><br />
Abertura – Auditório José Farias, Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)<br />
Programação científica e exposições – Central de Integração Acadêmica Paulo Freire, UEPB – Campus I<br />
Atividades culturais – UEPB e Museu dos Três Pandeiros</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Inscrições e programação completa:</strong> <a href="https://eventos.uepb.edu.br/sbpc/" target="_blank">https://eventos.uepb.edu.br/sbpc/</a></p>
<p><em>Jornal da Ciência</em></p>
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		<title>Quem está olhando para a casa?</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/quem-esta-olhando-para-a-casa/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 17:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[“Em ano eleitoral, o espetáculo pode acabar escolhendo a pauta no lugar do cidadão”, escreve Francilene Garcia, presidente da SBPC]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Em ano eleitoral, o espetáculo pode acabar escolhendo a pauta no lugar do cidadão”, escreve Francilene Garcia, presidente da SBPC</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-14.13.35.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-31031 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-14.13.35-225x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-09-16 at 14.13.35" width="225" height="300" /></a>Machado de Assis talvez entregasse a Brás Cubas a tarefa de narrar a sessão do Supremo Tribunal Federal dessa terça-feira. O defunto autor podia observar os vivos sem disputar com eles quem tinha razão, distância útil diante de ministros que falavam de Constituição e democracia enquanto pareciam discutir quem havia acendido o fósforo numa sala já tomada pela fumaça.</p>
<p>A fumaça vem do processo do Banco Master. Um relatório da Polícia Federal, produzido a partir do celular do banqueiro Daniel Vorcaro desencadeou uma série de questionamentos sobre a condução das investigações e acabou levando a crise para dentro do próprio Supremo. Alcançou o ministro Alexandre de Moraes, que nega as mensagens a ele atribuídas; a Procuradoria-Geral da República considera nula a diligência que o originou. O ministro André Mendonça determinou o afastamento da cúpula da PF, o ministro Flávio Dino a reverteu, e o ministro Edson Fachin assumiu a condução dos processos. Trechos das investigações chegaram à imprensa aos pedaços, expondo alguns nomes e poupando outros, em plena campanha eleitoral. Moraes acusou Mendonça de vazamentos seletivos e de manter sob sigilo parte do material; Mendonça rejeita as acusações. A sessão terminou sem decisão, com placar provisório de 4 a 3 pela separação dos casos e pedido de vista de Dino.</p>
<p>O Supremo, guardião da Constituição, passou a ter de examinar a conduta de seus próprios integrantes. Não há nisso desonra: instituições fortes são as que conseguem examinar os próprios conflitos com as mesmas regras que aplicam aos demais.</p>
<p>É justamente por reconhecer a centralidade das instituições democráticas que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) considera necessário afirmar alguns princípios. <strong style="font-weight: bold !important;">Somos contra golpes e contra qualquer tentativa de ruptura da ordem constitucional.</strong> O 8 de Janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, inclusive o próprio Supremo Tribunal Federal, foram invadidas e depredadas, não admite relativização. A defesa da democracia e da ordem constitucional exige firmeza diante de qualquer tentativa de ruptura, venha de onde vier.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Também somos contra vazamentos seletivos, venham de onde vierem.</strong> Informação liberada em fatias, no ritmo da conveniência e às vésperas de uma eleição, não assegura transparência e ainda pode distorcer o debate público. <strong style="font-weight: bold !important;">Transparência exige regra igual para todos, acesso integral às informações no tempo adequado do processo e respeito ao direito de defesa.</strong></p>
<p>Em ambos os casos, defendemos com veemência que <strong style="font-weight: bold !important;">evidências prevaleçam sobre as narrativas</strong>. Não se combate uma narrativa sem provas construindo outra, igualmente sem provas. Por isso, acusações graves, como a de motivação político-eleitoral atribuída pelo ministro Gilmar Mendes e contestada pelo ministro Mendonça, não devem ser automaticamente tomadas como verdade, nem simplesmente descartadas como mentira. Devem ser examinadas à luz dos fatos.</p>
<p>Se há crime, que seja investigado e responsabilizado nos termos da lei. Se há inocência, que seja reconhecida e respeitada. E, se as evidências não sustentam uma acusação, que ela não seja transformada em certeza por conveniência política. Ao abrir a sessão, o ministro Edson Fachin resumiu um princípio que deveria orientar todo o debate: “Não se julgam pessoas, julgam-se fatos.”</p>
<p>Flávio Dino acrescentou que o combate à corrupção não autoriza o abandono do devido processo legal, e a Lava Jato mostrou o preço desse atalho. A lei não é um incômodo que se afasta quando atrapalha uma boa intenção; é o que impede que a boa intenção de hoje se transforme no abuso de amanhã. Cármen Lúcia apontou o dano institucional que a crise pública impõe ao Tribunal. Em ano eleitoral, o espetáculo pode acabar escolhendo a pauta no lugar do cidadão. Pode acabar ocupando todo o espaço do debate público, deixando à margem discussões e escolhas que definirão o futuro do País e de nossa população.</p>
<p>Enquanto Brasília discute relatorias e pedidos de vista, os personagens de Graciliano Ramos entenderiam “processo” de outro modo: conseguir emprego, pôr comida na mesa, ter escola, atendimento médico, segurança e algum futuro para os filhos. Quanto custa viver? Como preparar os jovens para um mundo transformado pela inteligência artificial? Como garantir um SUS para uma população que envelhece? Como transformar ciência em desenvolvimento? Quem controlará os dados dos brasileiros? Que país queremos para 2030 e 2040? Essas deveriam ser as grandes perguntas da eleição, e é para mantê-las no centro do debate que a SBPC criou o Observatório das Eleições 2026, iniciativa suprapartidária que não indica candidaturas, mas cobra compromissos concretos com a ciência, a educação e o desenvolvimento.</p>
<p>Ariano Suassuna encontraria naquele plenário material para mais um ato do Auto da Compadecida, e seu João Grilo faria a pergunta mais simples, enquanto os poderosos discutem quem tem razão: quem está olhando para o povo? O Brasil real não tem uma Compadecida para resolver suas contradições no último ato. Tem a Constituição, as instituições, a ciência e as evidências. Defender o STF não é silenciar diante de seus conflitos, mas exigir que ele seja maior do que as disputas de quem, temporariamente, ocupa suas cadeiras. Quem viu as vidraças quebradas do Supremo sabe que instituições podem ser atacadas por fora; a sessão desta terça-feira lembrou que também podem se fragilizar por dentro.</p>
<p>Depois de tanta fumaça, a pergunta não é apenas quem acendeu o fósforo. A pergunta verdadeiramente republicana é outra: enquanto todos olhavam para a fumaça, quem estava olhando para a casa? O Brasil precisa voltar a olhar para a casa.</p>
<p><em>Francilene Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)</em></p>
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		<title>Mais de 160 candidaturas já se comprometeram em apoiar propostas para ciência, a democracia e a soberania</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 16:48:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>

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		<description><![CDATA[Iniciativa da SBPC, Observatório das Eleições 2026 reúne adesões vindas de 21 unidades da Federação e 15 partidos políticos; candidatos do Acre, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Tocantins ainda não se pronunciaram]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Iniciativa da SBPC, Observatório das Eleições 2026 reúne adesões vindas de 21 unidades da Federação e 15 partidos políticos; candidatos do Acre, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Tocantins ainda não se pronunciaram</em></p>
<p>Cresce o número de candidatos que estão concorrendo nestas eleições de 2026 e que se comprometem abertamente com políticas públicas para todos os setores baseadas em evidências científicas. Até o momento, <strong style="font-weight: bold !important;">162 candidatas e candidatos já assinaram o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional</strong>, proposto pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). As adesões ao <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">Observatório das Eleições 2026</strong></a> já alcançam <strong style="font-weight: bold !important;">21 unidades da Federação, 15 partidos políticos e seis cargos em disputa</strong>, formando um retrato cada vez mais amplo da mobilização para levar as políticas científicas ao debate eleitoral.</p>
<p>São candidaturas à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados, às assembleias legislativas e à Câmara Legislativa do Distrito Federal. O Legislativo concentra a maior parte das adesões, mas também cresce a participação de quem disputa os Executivos estaduais: seis candidaturas aos governos já assinaram o Termo, o dobro do registrado no levantamento anterior.</p>
<p>O número de unidades da Federação representadas permanece em 21, mas o mapa vem se adensando. Desde a última atualização, de 15 de setembro, quando havia 158 signatários, 4 novas candidaturas aderiram ao compromisso, com crescimento das adesões em quatro UFs: Distrito Federal, Maranhão, Rio de Janeiro e Espírito Santo.</p>
<p>Mais do que acompanhar o número de assinaturas, esses dados começam a mostrar como a mobilização vem se distribuindo pelo País, entre diferentes cargos e partidos — e também onde ainda há espaço para avançar. Como a <strong style="font-weight: bold !important;">adesão é individual, voluntária e permanece aberta,</strong> os números não constituem uma amostra do conjunto de candidaturas das eleições de 2026, mas oferecem uma fotografia do alcance do Observatório neste momento da campanha.</p>
<p>Lançado em 17 de agosto, o Observatório leva às eleições as 117 propostas do caderno “<a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf" target="_blank">Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos</a>”, construídas coletivamente pela comunidade científica, e busca promover o diálogo entre o que a ciência propõe, as questões e demandas da sociedade e aquilo que as candidaturas se comprometem publicamente a fazer.</p>
<p>“O Observatório das Eleições é o passo que transforma o caderno em ação. As ‘Vozes da Ciência’ não podem se encerrar no papel: o Observatório leva as 117 propostas para o debate eleitoral e cria um espaço público no qual candidatas e candidatos podem assumir compromissos com a ciência, a democracia e a soberania, e a sociedade pode acompanhar e cobrar esses compromissos, eixo por eixo”, explica a presidente da SBPC, Francilene Garcia.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Legislativo concentra a maior parte das adesões</strong></p>
<p>A distribuição por cargo mostra uma presença expressiva de candidaturas ao Poder Legislativo. Das 162 assinaturas, 85 são de candidatas e candidatos a deputado federal, pouco mais da metade do total. Outras 52 são de candidaturas a deputado estadual, dez ao Senado e oito a deputado distrital.</p>
<p>Somadas, são 155 candidaturas ao Legislativo, aproximadamente 96% dos signatários. Completam o levantamento seis candidaturas aos governos estaduais e uma à Presidência da República.</p>
<p>A forte presença do Legislativo é particularmente relevante para a agenda do Vozes da Ciência. Muitas das 117 propostas dependem diretamente de decisões do Congresso Nacional e das assembleias legislativas, especialmente em temas relacionados a orçamento, financiamento da pesquisa, marcos regulatórios e políticas públicas de longo prazo.</p>
<p>Entre elas estão a atuação contra medidas que reduzam ou contingenciem recursos destinados à Ciência e o apoio à criação de mecanismos que deem maior estabilidade ao financiamento de Ciência, Tecnologia e Inovação. O documento também propõe apoio ao Projeto de Lei nº 5.876/2016, que prevê a aplicação de recursos do Fundo Social do Pré-Sal em CT&amp;I, além da ampliação do percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado à Pesquisa e Desenvolvimento para 2% até 2034.</p>
<p>Para as candidaturas à Presidência da República e aos governos estaduais, o Vozes da Ciência propõe, entre outras medidas, que CT&amp;I esteja entre as prioridades protegidas de bloqueios orçamentários e que os governos apresentem, nos primeiros 180 dias de mandato, propostas de orçamento plurianual para o setor.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Adesões avançam nos estados</strong></p>
<p>O mapa das adesões já alcança todas as regiões brasileiras, embora ainda apresente diferenças importantes entre os estados.</p>
<p>São Paulo reúne o maior número de signatários, com 30, seguido pelo Rio de Janeiro, com 26. Distrito Federal aparece com 14; Rio Grande do Sul e Maranhão, com 11 cada; Pernambuco, com nove; Minas Gerais, com oito; e Amazonas e Bahia, com sete cada.</p>
<p>Alagoas, Paraíba, Paraná e Santa Catarina registram cinco adesões cada; Ceará, quatro; Espírito Santo, Mato Grosso e Pará, três; Mato Grosso do Sul, duas; e Amapá, Goiás e Sergipe, uma cada. Soma-se a esse mapa uma candidatura de âmbito nacional, à Presidência da República.</p>
<p>A comparação com o levantamento anterior permite enxergar também onde a mobilização cresceu. O avanço mais expressivo ocorreu no Paraná, que passou de três para cinco signatários, empatando com demais três estados. As regiões com o maior número de candidaturas seguem com crescimento estável: São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.</p>
<p>Permanecem sem registros Acre, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Tocantins. Rio Grande do Norte e Rondônia contam com Secretarias Regionais ativas da SBPC, mas ainda não registram candidaturas signatárias.</p>
<p>A distribuição territorial é uma das frentes de mobilização do Observatório. As Secretarias Regionais da SBPC vêm sendo chamadas a aproximar a iniciativa das eleições nos estados, estimular o diálogo com as candidaturas locais e incorporar ao debate questões e prioridades dos diferentes territórios.</p>
<p>A proposta é fazer com que a discussão nacional dialogue também com as realidades locais: a capacidade científica instalada em cada região, suas universidades e instituições de pesquisa, os desafios ambientais e sociais, as políticas estaduais de CT&amp;I e as questões que pesquisadores e sociedade consideram prioritárias para os próximos governos e legislaturas.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Quinze partidos já estão representados</strong></p>
<p>A distribuição partidária acrescenta outra dimensão a esse mapa. Até o momento, estão representados 15 partidos políticos, abrangendo diferentes espectros do cenário político brasileiro.</p>
<p>A maior quantidade de adesões ainda se concentra em algumas legendas, mas o conjunto já reúne candidaturas de PT, PSOL, PCdoB, PSB, PDT, MDB, Rede, UP, PSD, Avante, Novo, Podemos, PSDB, PSTU e PV.</p>
<p>Esse recorte, porém, deve ser lido considerando a própria natureza do Observatório. A adesão ao Termo é individual e voluntária. A quantidade de signatários de determinada legenda, portanto, não constitui uma avaliação do posicionamento ou do grau de compromisso do partido com a Ciência.</p>
<p>Da mesma forma, a inclusão de uma candidatura na plataforma não representa apoio ou endosso eleitoral da SBPC. O Observatório registra um compromisso assumido publicamente pela própria candidatura, para que possa ser conhecido pela sociedade durante a campanha e acompanhado posteriormente.</p>
<p>A evolução da diversidade partidária, assim como a chegada a novos estados e a diferentes cargos, será uma das dimensões observadas nas próximas atualizações.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Cinco compromissos públicos</strong></p>
<p>Ao assinar o Termo de Compromisso em Defesa da Ciência, da Democracia e da Soberania Nacional, candidatas e candidatos assumem cinco compromissos.</p>
<p>O primeiro é tratar a Ciência como política de Estado, e não como despesa contingenciável, defendendo financiamento público, previsível e de longo prazo para a pesquisa. Também se comprometem a fundamentar decisões em evidências e ouvir a comunidade científica em temas técnicos.</p>
<p>O Termo inclui ainda a defesa da autonomia das universidades e institutos públicos e da liberdade de pesquisa; a proteção da democracia, de suas instituições e da Constituição de 1988; e o compromisso de se posicionar sobre as propostas do Vozes da Ciência relacionadas ao mandato que pretendem exercer.</p>
<p>“As adesões são tornadas públicas, por cargo e por estado, para que o compromisso com a Ciência não se limite à retórica, mas se converta em registro público e referência para o acompanhamento posterior”, afirma Francilene Garcia.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Das Vozes da Ciência às eleições</strong></p>
<p>O Observatório é parte de um processo que começou antes da campanha eleitoral. Entre novembro de 2025 e maio de 2026, a SBPC promoveu o ciclo “Vozes da Ciência”, com 13 mesas de debate e mais de 60 pesquisadores e pesquisadoras de diferentes áreas e regiões do País.</p>
<p>As discussões deram origem ao caderno “Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos”, que reúne 117 propostas organizadas em sete eixos: 1) CT&amp;I como Projeto de Nação; 2) Soberania Nacional: Digital, Tecnológica e Sanitária; 3) Sustentabilidade, Clima, Biodiversidade e Segurança Alimentar; 4) Democracia e Segurança Pública; 5) Equidade, Diversidade e Justiça Social; 6) Educação, Formação e Universidade; e 7) Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância.</p>
<p>A agenda parte da compreensão de que a ciência não está restrita às políticas de pesquisa. As propostas tratam de financiamento e formação científica, mas também de capacidade nacional para produzir medicamentos e tecnologias estratégicas, soberania digital, inteligência artificial, mudanças climáticas, biodiversidade, segurança alimentar, educação, saúde, democracia e redução das desigualdades.</p>
<p>Com o Observatório, esse processo entra em uma nova etapa. As propostas chegam ao debate eleitoral, as candidaturas são convidadas a se posicionar e seus compromissos passam a integrar um registro público.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">O Observatório também é de quem vota</strong></p>
<p>A iniciativa não se resume, portanto, à lista de candidaturas que assinaram o Termo.</p>
<p>Organizado a partir dos sete eixos do Vozes da Ciência, o portal reúne propostas e questões que podem subsidiar debates, entrevistas, encontros e conversas com quem disputa um mandato. A intenção é contribuir para que diferentes setores da sociedade conheçam as posições das candidaturas, formulem suas próprias perguntas e levem ao debate eleitoral temas que considerem importantes para o futuro do País.</p>
<p>Essa <strong style="font-weight: bold !important;">mobilização envolve também Secretarias Regionais da SBPC, Sociedades Científicas Afiliadas, pesquisadores, universidades e outras instituições,</strong> aproximando o debate das diferentes realidades brasileiras e incorporando questões e prioridades dos territórios.</p>
<p>A lógica é construir um processo contínuo: a ciência apresenta propostas; a sociedade participa, pergunta e traz suas demandas; as candidaturas respondem e assumem compromissos; e esses compromissos passam a integrar um registro público que poderá ser retomado depois das urnas.</p>
<p>“O Observatório é também um instrumento de mobilização da comunidade científica nos territórios. Ele oferece a pesquisadores e pesquisadoras, em cada cidade e região do País, uma ferramenta concreta para qualificar o debate público, dialogar com as candidaturas e aproximar a ciência das decisões que afetam a vida das pessoas”, destaca Garcia.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Um mapa em construção</strong></p>
<p>Os 162 signatários representam uma fotografia de uma mobilização que continua em curso. As adesões permanecem abertas, e os próximos levantamentos permitirão acompanhar não apenas o crescimento do número absoluto, mas também como esse mapa muda ao longo da campanha: onde surgem novas adesões, quais cargos se aproximam da iniciativa e como evoluem sua distribuição territorial e diversidade partidária.</p>
<p>A SBPC também prevê produzir informações e análises sobre os programas das candidaturas ao Executivo, promover leituras estaduais com participação das Secretarias Regionais e acompanhar temas estratégicos para CT&amp;I que dependem de decisões políticas.</p>
<p>A intenção é avançar da pergunta sobre quem assinou o Termo para outras igualmente importantes: que espaço a Ciência ocupa nos programas apresentados ao País e aos estados? Que respostas as candidaturas oferecem às questões levantadas pela comunidade científica e pela sociedade? E, depois das eleições, como os compromissos assumidos durante a campanha se traduzirão em decisões e políticas públicas?</p>
<p>O Observatório foi pensado justamente para permitir essa continuidade. O compromisso registrado agora poderá se tornar referência para acompanhar quem for eleito e manter o diálogo entre sociedade, comunidade científica e representantes políticos depois das urnas.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Candidata ou candidato:</strong> conheça as 117 propostas do <em>Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos</em> e assuma publicamente seu compromisso.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Eleitora ou eleitor:</strong> conheça as propostas, acompanhe quem já aderiu e leve essas questões ao debate eleitoral.</p>
<p><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;"><em>Conheça o Observatório das Eleições 2026, confira as adesões e partcipe!</em></strong></a></p>
<p>Assine. Pergunte. Cobre.</p>
<p><em>Jornal da Ciência</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>SBPC encaminha moção contra processo de desnacionalização no setor aeroespacial</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/sbpc-encaminha-mocao-contra-processo-de-desnacionalizacao-no-setor-aeroespacial/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 16:45:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>

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		<description><![CDATA[O documento destaca que “a autonomia tecnológica e a valorização da ciência, tecnologia e engenharia nacional são indissociáveis da soberania do Estado e da garantia do futuro democrático e desenvolvido do Brasil”]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>O documento destaca que “a autonomia tecnológica e a valorização da ciência, tecnologia e engenharia nacional são indissociáveis da soberania do Estado e da garantia do futuro democrático e desenvolvido do Brasil”</em></p>
<div id="attachment_31027" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Drone-da-akaer-768x530.jpg"><img class="size-medium wp-image-31027 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Drone-da-akaer-768x530-300x207.jpg" alt="(Foto: Divulgação)" width="300" height="207" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Divulgação)</p></div>
<p>A Assembleia Geral de Sócios da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), reunida em 30 de julho, durante a 78ª Reunião Anual, em Niterói (RJ), aprovou <strong style="font-weight: bold !important;">a “Moção contra o processo de desnacionalização no setor aeroespacial”.</strong></p>
<p>No documento, a comunidade científica manifesta grave preocupação e solicita a intercessão da Presidência da República em relação aos severos impactos à soberania tecnológica do país decorrentes do recente processo de desnacionalização no setor aeroespacial.</p>
<p>O texto informa que o Grupo EDGE, conglomerado estatal de defesa sediado nos Emirados Árabes Unidos, anunciou formalmente a aquisição de 100% do controle acionário da empresa brasileira AKAER Engenharia S.A., sediada em São José dos Campos, SP. A AKAER acumula mais de 30 anos de atuação e mais de 10 milhões de horas de engenharia aeroespacial de altíssima complexidade.</p>
<p>“Ademais, o Grupo EDGE já detém 50% de participação na SIATT (especializada em armas inteligentes e mísseis) e o controle da Condor (tecnologias não letais). A transferência do controle total da AKAER para um fundo estatal estrangeiro representa uma expressiva perda de autonomia sobre a capacidade de inovação e inteligência de engenharia do Brasil”.</p>
<p>O documento destaca que “a autonomia tecnológica e a valorização da ciência, tecnologia e engenharia nacional são indissociáveis da soberania do Estado e da garantia do futuro democrático e desenvolvido do Brasil”</p>
<p>Veja o texto na íntegra:</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">MOÇÃO APROVADA NA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DOS SÓCIOS DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA (SBPC), REALIZADA EM 30 DE JULHO DE 2026, NA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF), EM NITERÓI-RJ, POR OCASIÃO DE SUA 78ª REUNIÃO ANUAL.</strong></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Título:</strong> Moção contra o processo de desnacionalização no setor aeroespacial.</p>
<p>Destinatário: Presidente da República, Excelentíssimo Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, Senador Davi Alcolumbre e Presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Federal Hugo Motta.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Texto:</strong> “A comunidade científica reunida na 78ª Reunião Anual da SBPC na Universidade Federal Fluminense (UFF), manifesta grave preocupação e solicita a intercessão da Presidência da República em relação aos severos impactos à soberania tecnológica do país decorrentes do recente processo de desnacionalização no setor aeroespacial.</p>
<p>O Grupo EDGE, conglomerado estatal de defesa sediado nos Emirados Árabes Unidos, anunciou formalmente a aquisição de 100% do controle acionário da empresa brasileira AKAER Engenharia S.A., sediada em São José dos Campos, SP. A AKAER acumula mais de 30 anos de atuação e mais de 10 milhões de horas de engenharia aeroespacial de altíssima complexidade.</p>
<p>A empresa consolidou-se como um dos pilares mais sensíveis e estratégicos da nossa Base Industrial de Defesa (BID), tendo participação direta e crucial no desenvolvimento de programas de Estado fundamentais e que contam com pesados investimentos públicos, tais como o caça F-39 Gripen para a Força Aérea Brasileira (FAB), o cargueiro multimissão Embraer KC-390 e programa de modernização da viatura blindada de reconhecimento EE-9 Cascavel do Exército Brasileiro.</p>
<p>Ademais, o Grupo EDGE já detém 50% de participação na SIATT (especializada em armas inteligentes e mísseis) e o controle da Condor (tecnologias não letais). A transferência do controle total da AKAER para um fundo estatal estrangeiro representa uma expressiva perda de autonomia sobre a capacidade de inovação e inteligência de engenharia do Brasil.</p>
<p>Ressalte-se ainda que no complexo cenário geopolítico global contemporâneo, as grandes potências mundiais protegem ferozmente seus complexos industriais-militares e seus cérebros tecnológicos. A inteligência de engenharia de alta complexidade desenvolvida em solo brasileiro não pode ser alienada, sob o risco de rebaixar o país à condição de mero executor de tecnologias estrangeiras, inviabilizando nossa independência de defesa.</p>
<p>Diante do exposto, considerando as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa (END) e os ditames da Lei nº 12.598/2012 — que estabelece normas especiais para as Empresas Estratégicas de Defesa (EED) —, é solicitado que a Presidência da República, no uso de suas atribuições constitucionais e por meio dos ministérios e conselhos competentes, determine e certifique:</p>
<ul>
<li>Suspensão preventiva da operação, invocando expressamente o Princípio da Precaução, aplicado de forma análoga à segurança do Estado e ao patrimônio tecnológico estratégico. Requer-se a imediata suspensão administrativa da operação de compra e venda e de qualquer ato de transferência de controle ou de tecnologia aeroespacial da AKAER para o Grupo EDGE, até que o governo federal, por meio dos seus órgãos técnicos e de inteligência, conclua uma auditoria aprofundada sobre os impactos da transação;</li>
<li>Ativação de salvaguardas tecnológicas governamentais, adotando medidas de Estado e salvaguardas para garantir que a propriedade intelectual, os códigos-fonte e os segredos industriais dos projetos sensíveis (como o Gripen e o KC-390) permaneçam sob estrito domínio e governança do Estado brasileiro;</li>
<li>Proteção do corpo técnico Nacional, implementando mecanismos para que a inteligência e a engenharia aeroespacial sênior da AKAER permaneçam gerando valor dentro do território nacional, evitando a fuga de cérebros e o esvaziamento tecnológico do polo de São José dos Campos;</li>
<li>Garantia de autonomia geopolítica, assegurando que a produção e o suporte logístico dessas tecnologias de defesa não fiquem sujeitos a embargos políticos externos ou a decisões estratégicas de um governo estrangeiro, preservando a autonomia das Forças Armadas brasileiras;</li>
<li>Fiscalização rígida do status de Empresa Estratégica de Defesa (EED) por meio dos órgãos federais de inteligência e controle o cumprimento dos requisitos legais, dado que a gestão e o controle efetivo sobre as tecnologias de uso militar devem constitucionalmente resguardar o interesse nacional.</li>
</ul>
<p>A autonomia tecnológica e a valorização da ciência, tecnologia e engenharia nacional são indissociáveis da soberania do Estado e da garantia do futuro democrático e desenvolvido do Brasil.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Niterói, 30 de julho de 2026.”</strong></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Of.-SBPC-228-Moção-contra-o-processo-de-desnacionalização-no-setor-aeroespacial.pdf" target="_blank">Veja o documento em PDF</a>.</p>
<p><em>Jornal da Ciência</em></p>
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