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	<title>Jornal da Ciência &#187; Clima</title>
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		<title>Crise climática ameaça o patrimônio cultural brasileiro</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 16:39:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[Eventos climáticos extremos e mudanças nos biomas põe em risco não apenas o patrimônio material brasileiro, mas também a cultura de povos inteiros. Leia na nova edição da Ciência &#038; Cultura]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Eventos climáticos extremos e mudanças nos biomas põe em risco não apenas o patrimônio material brasileiro, mas também a cultura de povos inteiros. Leia na nova edição da Ciência &amp; Cultura</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-11-at-09.12.31-1.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-30961 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-11-at-09.12.31-1-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-09-11 at 09.12.31 (1)" width="300" height="300" /></a>Em 2 de janeiro de 2002, a cidade de Goiás, a 130 quilômetros de Goiânia, decretou estado de calamidade depois de 15 horas de chuva intensa atingirem seu centro histórico. Menos de um mês antes, o município havia sido reconhecido como patrimônio mundial. Entre os bens danificados estava a Casa Velha da Ponte, onde viveu a poetisa Cora Coralina, que teve sua estrutura comprometida e parte do acervo destruído. O episódio antecipava um problema que se torna cada vez mais frequente: com o avanço da emergência climática, eventos extremos ameaçam não apenas o patrimônio histórico, mas também os patrimônios naturais e culturais associados aos diferentes biomas brasileiros. Isso é o que discute reportagem da nova edição da <strong>Ciência &amp; Cultura</strong>, que tem como tema “Patrimônio Material, Imaterial e Natural do Brasil”.</p>
<p>Embora os impactos variem de acordo com as características de cada região, todos os biomas sofrem transformações provocadas pelas mudanças climáticas e pela ação humana. No Sul, por exemplo, tempestades, ciclones extratropicais, vendavais, tornados e enchentes mais intensas já provocaram perdas significativas. Em 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul atingiram acervos históricos e arqueológicos, afetando cerca de 300 mil peças apenas do Museu Joaquim Felizardo. No Pantanal, ocorre o fenômeno inverso: a redução das áreas naturalmente alagadas ameaça o equilíbrio do bioma. “Resultados recentes do MAPBiomas mostram que a área alagada do Pantanal foi decrescida em 30% nos últimos 20 anos. A tendência do futuro é ela deixar basicamente de ser uma planície alagável, deixar de ser um pantanal”, afirma Paulo Eduardo Artaxo Netto, professor do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).</p>
<p>As consequências dessa transformação ultrapassam a dimensão ambiental e atingem diretamente os modos de vida e os conhecimentos tradicionais. Entre os povos afetados estão os Guató, cuja cultura está profundamente ligada à dinâmica das águas. “Toda a forma de ser e estar dos povos guatós está relacionada à dinâmica das águas. A forma com que ele pesca, a forma como ele se alimenta…”, explica Luana Cristina da Silva Campos, professora-adjunta na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e no mestrado profissional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).</p>
<p>As mudanças ambientais também ameaçam matérias-primas fundamentais para manifestações culturais, como a viola de cocho. “A viola de cocho demanda uma matéria-prima específica para ser feita: uma árvore que precisa ter um tamanho específico, porque ela é escavada e não colada. As árvores no Pantanal não têm chegado ao tamanho mínimo para produzir o instrumento. Os ciclos de seca têm ficado cada vez mais curtos. Atrela isso aos incêndios criminosos dos fazendeiros que vão fazer a limpeza do seu território e as árvores não chegam ao tamanho necessário”, relata Luana Campos.</p>
<p>Apesar dos danos já provocados, a construção de respostas às mudanças climáticas ainda é incipiente. Um passo importante foi a publicação, em 2025, da Carta Brasileira do Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas, que propõe diretrizes para políticas públicas de proteção do patrimônio diante da crise climática. O documento defende planejamento baseado em diagnósticos regionais, educação, diálogo com as comunidades e participação dos povos afetados, além de cobrar do Estado um arcabouço legal e um fundo específico para bens culturais sob risco climático.</p>
<p>Na COP30, realizada em Belém (PA), também houve tentativa de avançar na criação de mecanismos de financiamento, embora a proposta não tenha sido aprovada. “A ideia era que se conseguisse dentro da COP parte desse fundo, mas não foi aceito. O único avanço que conseguimos foi incluir o conceito de adaptação atrelado aos povos tradicionais e aos conhecimentos tradicionais”, conta Luana Campos. Para ela, preservar o patrimônio é também preservar a memória coletiva: “Qual a importância de você manter a sua memória? Se você perder a sua memória, vai ter algum problema? A gente chama isso de Alzheimer, a gente chama isso de demência. Mas, enquanto sociedade, perder a nossa memória, a nossa história, ainda não consideramos uma patologia”.</p>
<p><strong>Leia a reportagem completa:</strong></p>
<p><a href="https://revistacienciaecultura.org.br/?p=10687" target="_blank">https://revistacienciaecultura.org.br/?p=10687</a></p>
<p>Ciência &amp; Cultura</p>
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		<title>SBPC e ABC manifestam solidariedade a Juiz de Fora após tempestade que deixou mais de 30 mortos</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 18:09:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[Em carta à prefeita Margarida Salomão, as duas entidades reafirmam o papel da ciência na prevenção e na adaptação aos impactos de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Em carta à prefeita Margarida Salomão, as duas entidades reafirmam o papel da ciência na prevenção e na adaptação aos impactos de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes</em></p>
<p>A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) enviaram, em 25 de fevereiro, carta conjunta à prefeita de Juiz de Fora, Margarida Martins Salomão, manifestando solidariedade ao município após o forte temporal que atingiu a cidade e deixou mais de 30 mortos, além de desaparecidos e milhares de desabrigados.</p>
<p>No documento, as duas entidades expressam apoio à Prefeitura e à população e reforçam que é urgente o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas, com base em evidências científicas. “A intensificação de chuvas, enchentes e deslizamentos é consistente com o cenário projetado pela comunidade científica e demanda planejamento urbano resiliente, políticas de adaptação, sistemas de alerta e investimentos contínuos em ciência, tecnologia e inovação”, destacam.</p>
<p>Levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta Juiz de Fora entre os municípios brasileiros com maior número de moradores em áreas de risco, o que reforça a gravidade da situação enfrentada pelo município.</p>
<p>No documento, SBPC e ABC afirmam que a comunidade científica nacional está preparada para contribuir com o município. “Colocamo-nos à disposição para colaborar tecnicamente, mobilizando a comunidade científica nacional para contribuir com estudos, diagnósticos e propostas que apoiem estratégias de mitigação e adaptação climática no âmbito municipal e regional”, concluem.</p>
<p>Confira a carta na íntegra:</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">São Paulo, 25 de fevereiro de 2026</strong></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;"> </strong></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Exma. Sra.</strong></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Prefeita Margarida Martins Salomão</strong></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Prefeitura de Juiz de Fora, MG</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Senhora Prefeita,</p>
<p>A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestam sua solidariedade à Prefeitura e à população de Juiz de Fora diante dos recentes desafios enfrentados pelo município. Em momentos que exigem pronta resposta e coordenação institucional, reiteramos nosso reconhecimento ao papel das gestões locais na proteção da vida, da infraestrutura e do bem-estar coletivo.</p>
<p>Os eventos extremos que têm atingido cidades brasileiras reforçam a urgência de enfrentar, com base em evidências científicas, os impactos das mudanças climáticas. A intensificação de chuvas, enchentes e deslizamentos é consistente com o cenário projetado pela comunidade científica e demanda planejamento urbano resiliente, políticas de adaptação, sistemas de alerta e investimentos contínuos em ciência, tecnologia e inovação.</p>
<p>Colocamo-nos à disposição para colaborar tecnicamente, mobilizando a comunidade científica nacional para contribuir com estudos, diagnósticos e propostas que apoiem estratégias de mitigação e adaptação climática no âmbito municipal e regional.</p>
<p>Receba nossa estima e consideração.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">HELENA BONCIANI NADER</p>
<p style="text-align: center;">Presidente da ABC</p>
<p style="text-align: center;">FRANCILENE PROCÓPIO GARCIA</p>
<p style="text-align: center;">Presidente da SBPC</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/02/Of.-SBPC-024-carta-conjunta-à-Prefeita-de-Juiz-de-Fora.pdf" target="_blank">Veja a nota em PDF.</a></p>
<p><em>Jornal da Ciência</em></p>
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		<title>Paulo Artaxo é laureado com o Planet Earth Award 2026 da Alliance of World Scientists</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2026 14:44:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Exatas]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[Ex-vice-presidente da SBPC e professor titular da USP é reconhecido por quatro décadas de contribuições à ciência do clima e à compreensão do papel da Amazônia no sistema terrestre]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ex-vice-presidente da SBPC e professor titular da USP é reconhecido por quatro décadas de contribuições à ciência do clima e à compreensão do papel da Amazônia no sistema terrestre</em></p>
<div id="attachment_29178" style="width: 663px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/02/DEL_6138.jpg"><img class="wp-image-29178 size-post img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/02/DEL_6138-653x350.jpg" alt="DEL_6138" width="653" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Jardel Rodrigues/SBPC)</p></div>
<p>O físico, professor titular do Departamento de Física Aplicada da Universidade de São Paulo (USP) e ex-vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), <strong style="font-weight: bold !important;">Paulo Artaxo, foi agraciado com o</strong> <strong style="font-weight: bold !important;">Planet Earth Award 2026</strong>, concedido pela Alliance of World Scientists (AWS). A premiação reconhece lideranças científicas cuja trajetória combina excelência acadêmica, engajamento público e contribuição efetiva para o enfrentamento da crise ambiental global.</p>
<p>Neste ano, o Brasil teve dois representantes entre os sete laureados: além de Artaxo, foi distinguida a ecóloga Luisa Maria Diele-Viegas, cuja atuação articula ciência climática, conservação da biodiversidade e justiça social, com ênfase em ecossistemas ameaçados e na integração entre conhecimento científico e saberes tradicionais.</p>
<p>O Planet Earth Award, concedido pela Aliança Mundial de Cientistas (AWS, na sigla em inglês), distingue pessoas que atuam na defesa da vida na Terra, reconhecendo aquelas que demonstram criatividade notável ou contribuições de excelência tanto na produção científica quanto na promoção de ações e posicionamentos fundamentados em evidências. O prêmio valoriza trajetórias que articulam rigor acadêmico e compromisso público, seja no diálogo com a sociedade, com formuladores de políticas ou com outros grupos engajados na construção de soluções para os desafios ambientais contemporâneos.</p>
<p>A AWS se consolidou como uma voz coletiva internacional sobre a crise climática e as tendências ambientais globais, com o propósito de converter conhecimento científico em ação concreta.</p>
<p>Ao comentar a premiação ao Jornal da Ciência, Artaxo avaliou que o reconhecimento internacional evidencia a relevância da produção científica brasileira no cenário global. “É muito bom a gente ver a ciência brasileira sendo premiada internacionalmente, particularmente por instituições como a AWS. Basicamente, são mais de 27 mil pesquisadores de mais de 180 países que representam uma parte grande das pesquisas em termos da sustentabilidade ambiental e climática do nosso planeta. Então, é um orgulho para o Brasil ganhar dois prêmios neste ano &#8211; e veja que fomos muito mais premiados do que a maior parte dos países que investem muito mais em ciência e tecnologia do que nós, o que mostra que temos, sim, chance de fazer nosso país brilhar na ciência se tivermos recursos adequados para isso.”</p>
<p>Reconhecido como uma das principais referências internacionais em física aplicada a problemas ambientais, Artaxo dedicou 40 anos à investigação dos processos que conectam a floresta amazônica ao clima regional e global. Seus estudos pioneiros sobre aerossóis atmosféricos, emissões biogênicas da vegetação e forçantes radiativas contribuíram para elucidar como as florestas tropicais influenciam o ciclo hidrológico, a formação de núcleos de condensação de nuvens e o balanço energético do planeta.</p>
<p>Em comunicado oficial, o comitê do prêmio ressaltou que o físico “dedicou quatro décadas a iluminar as profundas conexões entre a floresta amazônica e o sistema climático global. Seu trabalho pioneiro aprofundou a compreensão de como florestas tropicais regulam processos planetários. Como cientista de destaque e autor do IPCC, ele exemplifica a pesquisa rigorosa e globalmente engajada que o prêmio foi criado para reconhecer”.</p>
<p>Artaxo foi autor-líder dos três últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) — AR4, AR5 e AR6. O IPCC foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Ele é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da The World Academy of Sciences (TWAS) e fellow da American Association for the Advancement of Science (AAAS). O físico também coordena o Programa FAPESP de Mudanças Climáticas Globais, dirige o Centro de Estudos Amazônia Sustentável da USP e integra o Comitê Orientador do Fundo Amazônia.</p>
<p>Entre os demais laureados deste ano estão os norte-americanos Edward Barbier, economista ambiental, Dominick DellaSala, ecólogo florestal, e Susan M. Natali, pesquisadora dedicada aos impactos do degelo do permafrost no Ártico; a polonesa Katarzyna Nowak, especialista em conservação e proteção de ecossistemas; e o canadense Andrew J. Weaver, climatólogo e ex-líder do Partido Verde na Colúmbia Britânica.</p>
<p><em>Daniela Klebis – Jornal da Ciência</em></p>
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		<title>Mudança climática mata meio milhão de pessoas ao ano e pode intensificar doenças tropicais</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jan 2026 19:30:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Clima]]></category>

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		<description><![CDATA[Relatório da revista The Lancet aponta recordes preocupantes em 12 indicadores de saúde. Reportagem faz parte da nova edição do Jornal da Ciência Especial, que traz análises sobre a COP30. Acesse gratuitamente!

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				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Relatório da revista The Lancet aponta recordes preocupantes em 12 indicadores de saúde. Reportagem faz parte da nova edição do Jornal da Ciência Especial, que traz análises sobre a COP30. Acesse gratuitamente!</em></p>
<div id="attachment_28918" style="width: 310px" class="wp-caption alignright"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/01/54942568352_c3fecbf7f0_o.jpg"><img class="size-medium wp-image-28918 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/01/54942568352_c3fecbf7f0_o-300x200.jpg" alt="Indígenas protestam durante a COP30, em Belém, pedindo, entre outras demandas, o fim dos combustíveis fósseis. Foto: Dado Galdieri/CIFOR-ICRAF " width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Indígenas protestam durante a COP30, em Belém, pedindo, entre outras demandas, o fim dos combustíveis fósseis. Foto: Dado Galdieri/CIFOR-ICRAF</p></div>
<p>A crise climática já deixou de ser uma ameaça futura para se tornar uma emergência de saúde pública. Dados da edição de 2025 do relatório <em>Lancet Countdown</em>, divulgado em outubro, revelam que 546 mil pessoas morreram em média por ano entre 2012 e 2021 devido ao calor extremo — um aumento de 63,2% em relação aos anos 1990. No Brasil, autoridades reconhecem a magnitude do problema, e o cenário se agrava com a expansão territorial de doenças antes restritas a determinadas regiões.</p>
<p>“A crise climática é, antes de tudo, uma crise de saúde pública. A saúde é a face mais dolorida da crise climática”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o lançamento do Plano de Ação de Belém na COP30.</p>
<p>O relatório do <em>Lancet Countdown</em>, elaborado por especialistas de diversas disciplinas e regiões do mundo, mostra que 12 dos 20 indicadores que monitoram riscos à saúde relacionados ao clima atingiram níveis recordes no último ano com dados disponíveis.</p>
<p>Em 2024 (ano de fechamento dos dados do relógio), 60,7% da área terrestre global foi afetada por pelo menos um mês de seca extrema — quase quatro vezes a média dos anos 1950. A frequência de eventos de precipitação extrema aumentou em 64% da área terrestre no período 2015-2024 em comparação a 1961-1990. Mortes causadas pela poluição de partículas finas (PM2.5) derivada de incêndios florestais alcançaram o recorde de 154 mil pessoas em 2024.</p>
<p>O calor extremo resultou na perda potencial de 640 bilhões de horas de trabalho em 2024, praticamente o dobro do período 1990-99. Isso se traduziu em US$ 1,09 trilhão em perdas potenciais de renda — quase 1% do PIB global.</p>
<p>Além dos impactos diretos do calor e de eventos extremos, as mudanças climáticas estão redesenhando o mapa epidemiológico global. “A gente corre o risco de ter o recrudescimento de uma série de doenças que estavam, mais ou menos, com impacto limitado ou restritas geograficamente”, explica Samuel Goldenberg, pesquisador do Instituto Carlos Chagas da Fiocruz, especialista em doenças infecciosas e diretor da SBPC.</p>
<p>“Com essa mudança climática, a gente pode começar a ter um aparecimento de doenças em novos locais”, alerta o pesquisador. Por um lado, o aquecimento global facilita a instalação de vetores em lugares onde antes não estavam presentes, enquanto o desmatamento aproxima populações humanas de regiões mais silvestres, expondo o ser humano a patógenos antes restritos a esses ambientes.</p>
<p>O caso da dengue é emblemático. Em 2024, foram registrados quase 13 milhões de casos de dengue na região das Américas, segundo Jarbas Barbosa, diretor da Organização Panamericana da Saúde (OPAS). “Do norte da Argentina até a América Central, praticamente todos os países da região tiveram grandes epidemias de dengue.”</p>
<p>O relatório do <em>Lancet Countdown </em>confirma a tendência: o potencial de transmissão da dengue pelos mosquitos <em>Aedes albopictus</em> e <em>Aedes aegypti</em> aumentou 48,5% e 11,6%, respectivamente, entre 1951-60 e 2015-24.</p>
<p>Mas não é apenas a dengue. “Você tem Zika, chikungunya, agora tem a febre oropouche também, que está começando a se espalhar no Brasil. Antes era uma coisa mais restrita à Amazônia, e com o desmatamento, com o aquecimento global, você passa a ter essa doença no sul do Brasil.”</p>
<p>“O que me dá grande medo são as viroses que a gente não conhece. São essas viroses emergentes que podem causar uma grande devastação. Porque uma virose reemergente, por exemplo, a febre amarela, está reemergindo, mas a febre amarela a gente já conhece há tempo, já tem vacina. Agora, quando aparece alguma coisa nova, aí é realmente bastante preocupante”, diz Barbosa.</p>
<p>O relatório do <em>Lancet Countdown</em> documenta a expansão de outros vetores. A área climaticamente adequada para carrapatos <em>Rhipicephalus sanguineus</em> e <em>Hyalomma</em> aumentou 6,9% e 3,2%, respectivamente, entre 1951-60 e 2015-24, colocando 364 milhões de pessoas adicionais em risco de doenças transmitidas por carrapatos, incluindo febre maculosa.</p>
<p>O risco previsto de leishmaniose aumentou 29,6% globalmente no mesmo período. E, em 2024, um recorde de 85 países apresentou condições costeiras adequadas para a transmissão de <em>Vibrio</em>, bactérias que causam infecções graves de pele, de ouvido e do sistema gastrointestinal.</p>
<p>O pesquisador enfatiza que o problema fundamental é estrutural: ”A partir do momento em que você dá uma habitação decente para as pessoas, com água encanada e esgoto encanado e tratado, você acaba com essas doenças ou você as reduz a níveis realmente controláveis.”</p>
<p>Um dado especialmente preocupante do relatório indica que um em cada 12 hospitais do mundo está sob risco de ter suas atividades paralisadas em algum momento por conta do impacto das mudanças climáticas. “Nada pior do que no meio de um tornado, uma tempestade forte, um furacão, o hospital, a unidade de saúde, que deveria continuar prestando assistência e atendendo às pessoas, ficar impossibilitada de funcionar”, observou Barbosa.</p>
<p>Plano de ação</p>
<p>Diante desse cenário, o <em>Plano de Ação de Belém</em>, lançado oficialmente durante a COP30, representa a primeira vez que a saúde ocupa espaço oficial em uma COP. “Um reconhecimento dos líderes, do trabalho feito pela presidência brasileira”, celebrou Padilha.</p>
<p>O plano estabelece diretrizes baseadas em três pilares principais: financiamento adequado, construção de sistemas de saúde resilientes e equidade no direcionamento de recursos. Este último reconhece que o enfrentamento da crise climática passa por atacar seus determinantes sociais — como acesso a saneamento básico, habitação adequada e infraestrutura urbana —, especialmente nas populações mais vulneráveis.</p>
<p>Quanto ao financiamento, os dados são reveladores da insuficiência atual. Apenas 6% do financiamento para adaptação e enfrentamento às mudanças climáticas é destinado ao sistema de saúde. “O que esse estudo [Plano de Ação] mostra é que se subirmos para 10%, milhões de vidas serão salvas”, afirmou Padilha, contando com o investimento de organizações filantrópicas, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Mundial e outras entidades.</p>
<p>Segundo Padilha, o país está investindo R$ 4,6 bilhões em novas unidades de saúde, hospitais e unidades fluviais na região amazônica, todas seguindo diretrizes de construção resiliente. As cinco unidades destruídas em Rio Bonito do Iguaçu (PR) serão reconstruídas com esse padrão, assim como as unidades no Rio Grande do Sul, onde mais de R$ 1,4 bilhão estão sendo investidos na reconstrução após as enchentes.</p>
<p>Com relação a sistemas de vigilância e alerta, há planos de integração de sistemas: “Aqui no Brasil, temos um projeto piloto no Rio de Janeiro de facilitar a integração de informações entre clima e saúde, de maneira que o setor de saúde saiba com antecedência quando está prevista uma onda de calor, por exemplo, e se preparar de maneira adequada”, diz Barbosa.  A OPAS está firmando acordo com a Organização Mundial de Meteorologia para criar um hub para América Latina e Caribe de integração de dados climáticos e de saúde.</p>
<p>Goldenberg enfatiza a necessidade de políticas públicas coordenadas na região. “A cooperação internacional tem que ser, muito aqui entre nós, no continente, porque nós temos diferenças enormes entre os países. Não adianta a gente controlar, por exemplo, um vetor no Brasil se um país de fronteira não tem esse vetor controlado, porque ele volta a aparecer aqui.”</p>
<p>Barbosa conta que a OPAS já formou 12 mil profissionais de saúde na região das Américas para lidar com questões climáticas, mas reconhece que isso é uma gota d&#8217;água no oceano. “A gente precisa fazer com que os profissionais de saúde estejam mais bem preparados.”</p>
<p><em>Gabriel Alves – Jornal da Ciência</em></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;"><a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/JC_814.pdf" target="_blank">A edição completa está disponível para download gratuito neste link. Acesse e compartilhe!</a></strong></p>
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		<title>COP30 não resolve a crise climática, mas mantém viva a possibilidade de enfrentá-la</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 20:26:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>

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		<description><![CDATA[Belém entregou avanços em transição justa e adaptação, mas fracassou em enfrentar a raiz do problema: os combustíveis fósseis. Confira a reportagem da nova edição do Jornal da Ciência Especial

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				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Belém entregou avanços em transição justa e adaptação, mas fracassou em enfrentar a raiz do problema: os combustíveis fósseis. Confira a reportagem da nova edição do Jornal da Ciência Especial</em></p>
<p>Quando o martelo bateu na mesa da plenária final, encerrando a 30ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas, o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago tinha lágrimas nos olhos. Após duas semanas de negociações exaustivas, que se estenderam por mais de 30 horas além do prazo, quase 200 países haviam chegado a um consenso.</p>
<p>A COP30, realizada em Belém entre 10 e 22 de novembro, prometia ser a conferência da verdade, da implementação, da transição das promessas para as ações concretas. Seria a COP que finalmente enfrentaria a causa raiz da crise climática. No final, entregou avanços em transição justa e mecanismos de adaptação, aprovou 59 indicadores para medir progresso climático e mobilizou mais de 80 países em torno de um objetivo comum. Mas deixou de fora dos documentos oficiais qualquer menção aos combustíveis fósseis — responsáveis por 80% das emissões globais de gases de efeito estufa.</p>
<p>O documento final, o “Mutirão Global”, reflete um mundo dividido em meio a uma crise existencial. A questão não é se Belém foi um sucesso ou um fracasso, mas se o multilateralismo conseguirá dar conta da gravidade da situação antes que seja tarde demais.</p>
<p>Exigir consenso de 195 países permite que poucos bloqueiem avanços necessários para muitos. Países árabes produtores de petróleo, liderados pela Arábia Saudita, junto da Rússia, Índia e China, travaram sistematicamente qualquer menção ao tema nos documentos oficiais.</p>
<p>“A velocidade da diplomacia da ONU ainda é muito diferente da velocidade das necessidades da sociedade como um todo. Inclusive, todo o processo decisório da ONU, onde todos os documentos têm que ser aprovados por consenso, é um desastre”, afirma Paulo Artaxo, membro do IPCC, coordenador do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais e vice-presidente da SBPC entre 2021 e 2025. ”Você tem que ter um consenso entre Rússia e Ucrânia; entre Alemanha e Gana e Paraguai. O que ficou explícito é que o sistema decisório da ONU não dá conta de lidar com as complexidades geopolíticas que o mundo tem hoje.”</p>
<p>Apesar dos impasses, houve avanços. Mais de 80 países apoiaram a proposta de um <em>phasing out </em>justo e gradual dos combustíveis fósseis. “Isso não é pouca coisa. Entre eles estão Alemanha, Inglaterra, Dinamarca e grandes países que têm influência política forte. Os opositores foram principalmente Arábia Saudita, China, que ainda depende muito de combustíveis fósseis, e Índia — metade da população mundial.”</p>
<p>Mesmo após ser derrotado na negociação formal, Corrêa do Lago decidiu criar um grupo de trabalho para traçar o mapa de transição para longe dos combustíveis fósseis e do desmatamento por iniciativa própria — fora do processo oficial da Convenção do Clima. Não se trata de um resultado com peso legal, mas reflete uma realidade política que veio para ficar e deve pautar a agenda climática internacional em 2026.</p>
<p>E, pela primeira vez em uma COP, o papel de comunidades quilombolas brasileiras na mitigação climática foi oficialmente reconhecido. Com relação aos povos indígenas, seus direitos territoriais são reconhecidos explicitamente como política central de mitigação de emissões. E a participação deles foi marcante, assim como de toda a sociedade civil.</p>
<p>Por outro lado, ONGs e cientistas sustentam uma avaliação desanimadora: a ciência que embasa as recomendações é robusta e mais do que suficiente para agir, mas não há reação proporcional a tamanha urgência. Continua havendo sucessão de anos mais quentes, enquanto as emissões globais de gases-estufa crescem: 1,1% em 2025, quando já deveriam estar em queda acentuada.</p>
<p>Se a COP30 falhou em nomear e atacar o problema central, avançou em outras frentes. O mais celebrado foi o Mecanismo de Ação de Belém (BAM) para Transição Justa, a garantia de que trabalhadores e comunidades dependentes de setores fósseis não sejam abandonados na mudança para a economia renovável. Os detalhes desse mecanismo, considerando a heterogeneidade dos países, serão definidos em 2026, nas negociações intermediárias em Bonn, na Alemanha.</p>
<p>Outro destaque foi o impulso dado ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), que propõe um modelo inovador de financiamento para a conservação florestal. Com meta de arrecadar US$ 10 bilhões no primeiro ano, e com mais da metade dela cumprida, o TFFF combina capital soberano, filantrópico e privado para remunerar países tropicais que mantiverem suas florestas em pé.</p>
<p>A COP30 trouxe progresso na temática da adaptação — as medidas para lidar com impactos já inevitáveis da crise climática. Os países concordaram em triplicar o financiamento até 2035, uma reivindicação dos países em desenvolvimento. A meta, no entanto, ficou abaixo do solicitado: o ano de referência não foi estabelecido de forma clara, e o montante ficou vinculado ao valor acordado em Baku (COP29), que inclui várias fontes de recursos, inclusive empréstimos, o que não era o pleito inicial.</p>
<p>A conferência definiu ainda uma lista de 59 indicadores que serão utilizados para medir como as nações têm se adaptado à mudança do clima.  Indicadores de processo verificam se políticas, planos, recursos e capacidades foram estabelecidos; indicadores de resultados capturam entregas e mudanças imediatas; e indicadores de impacto avaliam se essas ações reduziram danos e vulnerabilidades no mundo real.</p>
<p>O avanço é importante: a ação climática passará a ser medida não apenas em toneladas de carbono que não vão para a atmosfera, mas em vidas protegidas e infraestrutura capaz de resistir ao que está por vir.</p>
<p>Mas a distância entre arquitetura institucional e capacidade de implementação permanece enorme. O maior gargalo segue sendo o financiamento climático, ou melhor, a ausência dele.</p>
<p>Desde a Conferência de Copenhague em 2009, países desenvolvidos assumiram o compromisso de mobilizar US$ 100 bilhões anuais até 2020 para apoiar ações de mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento. A meta só foi atingida em 2022, quando o aporte chegou a US$ 115,9 bilhões, segundo relatório da OCDE. No entanto, quase 70% chegou como empréstimos onerosos, não doações, agravando a dívida externa dos países mais vulneráveis.</p>
<p>Países em desenvolvimento precisam, em média, de US$ 310 bilhões por ano até 2035 para implementar planos de adaptação, segundo relatório Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Enquanto isso, fluxos internacionais públicos destinados à área foram de apenas US$ 26 bilhões em 2023 — menos de 10% do necessário.</p>
<p>Em 2024, os gastos militares globais somaram US$ 2,7 trilhões de dólares, quase o dobro da meta de financiamento climático. Subsídios a combustíveis fósseis chegam a US$ 1,3 trilhão.</p>
<p>“É uma questão que depende de uma constatação da sociedade — envolvendo agentes públicos, privados e a sociedade civil — de que a persistência no uso de combustíveis fósseis adia a adaptação climática necessária. O Brasil tem um potencial único de liderar essa transição, pela capacidade em tecnologias solares, eólicas, hidrogênio verde e bioenergia. Por isso, em relação à exploração de petróleo na margem equatorial, a comunidade científica tem questionado o sentido desse tipo de iniciativa justamente no momento em que buscamos fazer essa transição para uma infraestrutura mais limpa. Recomendamos sempre uma leitura atenta das evidências científicas, inclusive sobre os riscos que essa exploração pode gerar para o ecossistema”, afirmou Francilene Procópio Garcia, presidente da SBPC, à Rádio Câmara.</p>
<p>A complexidade do assunto se revela em contradições concretas: enquanto defendia em Belém o roteiro para o fim dos combustíveis fósseis, o governo brasileiro havia aprovado, dois meses antes, a última etapa do licenciamento para a Petrobras explorar petróleo na Foz do Amazonas, região considerada crucial para o equilíbrio ambiental.</p>
<p>O Brasil mantém a presidência rotativa da conferência por mais 11 meses, e Corrêa do Lago prometeu usar esse período para manter vivo o debate sobre combustíveis fósseis e desmatamento. Os roteiros que prometeu elaborar fora do processo oficial da Convenção, devem ser apresentados ao longo de 2026.</p>
<p>O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, convocou para o final de maio um encontro para desenhar o mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis. “Ele pretende que seja uma pré-COP exclusivamente para desenhar esse mapa do caminho e quebrar as resistências dos países dependentes de petróleo, e a resistência do lobby da indústria do petróleo e, com isso, fazer com que a próxima COP aprove um documento claro, explícito, sobre como vamos livrar a humanidade dos combustíveis fósseis”, explica Artaxo.</p>
<p>Daí é carimbar o passaporte para a COP31, na Turquia. O multilateralismo sobreviveu em Belém, mas segue sem entregar respostas à altura da emergência climática. A conferência colombiana de maio e os roteiros prometidos por Corrêa do Lago podem mudar isso — ou apenas consumir mais um ano de um tempo que não temos.</p>
<p><em>Gabriel Alves – Jornal da Ciência</em></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;"><a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/JC_814.pdf" target="_blank">A edição completa está disponível para download gratuito neste link. Acesse e compartilhe!</a></strong></p>
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		<title>Edição especial do Jornal da Ciência discute a COP30 e os caminhos para enfrentar a crise climática</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2025 16:38:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação Científica]]></category>
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		<description><![CDATA[Nova edição já está disponível para download gratuito. Acesse e compartilhe!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nova edição já está disponível para download gratuito. Acesse e compartilhe!</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/JC_capa_page-0001.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-28862 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/JC_capa_page-0001-212x300.jpg" alt="JC_capa_page-0001" width="212" height="300" /></a>A nova edição do Jornal da Ciência da SBPC traz uma cobertura especial da COP30, realizada em Belém, em novembro. A matéria de capa analisa os principais resultados do aguardado evento. Apesar de entregar progressos em adaptação climática e transição justa, os combustíveis fósseis — responsáveis por 80% das emissões globais de gases de efeito estufa — ficaram de fora do documento final.</p>
<p>O editorial, assinado pela presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, e pelo vice-presidente Aldo Zarbin, alerta que não podemos mais concentrar toda a ação climática em quinze dias por ano, no mês de novembro, nem confiar exclusivamente no processo formal da Convenção do Clima.</p>
<p>Entre os destaques da edição está a entrevista exclusiva com Ailton Krenak, primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras. O escritor e pensador critica duramente o modelo de desenvolvimento capitalista: &#8220;Insistir na ideia de desenvolvimento e progresso é colocar ficha na predação e na exaustão de recursos não renováveis&#8221;.</p>
<p>O JC também documenta como a ciência brasileira teve protagonismo inédito na COP30, mas viu suas recomendações mais urgentes serem ignoradas nas decisões políticas cruciais. O periódico também traz a proposta da economista e vencedora do Nobel Esther Duflo para o &#8220;Pix do Clima&#8221; — transferências automáticas para países e pessoas vulneráveis financiadas por taxação sobre grandes fortunas e outras fontes.</p>
<p>Também nesta edição: artigos do físico Paulo Artaxo sobre o futuro da humanidade diante das mudanças climáticas e análise de Lara Ramos, engenheira ambiental e coordenadora de políticas públicas na World Transforming Technologies, e de Marilene Corrêa, professora de sociologia da UFAM e diretora da SBPC, sobre os múltiplos sistemas de conhecimento na luta climática.</p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/JC_814.pdf" target="_blank">Acesse aqui a edição completa.</a></p>
<p>Jornal da Ciência</p>
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		<title>Pantanal em chamas: riscos à saúde de bombeiros no contexto da crise climática</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2025 16:35:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Biomonitoramento revela exposição crônica a poluentes da queima de biomassa mesmo fora do período de combate direto ao fogo. Leia em artigo da nova edição da Ciência &#038; Cultura]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Biomonitoramento revela exposição crônica a poluentes da queima de biomassa mesmo fora do período de combate direto ao fogo. Leia em artigo da nova edição da Ciência &amp; Cultura</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-19-at-09.03.53.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-28859 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-19-at-09.03.53-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2025-12-19 at 09.03.53" width="300" height="300" /></a>O Pantanal, maior planície alagada do planeta, é reconhecido mundialmente por sua extraordinária biodiversidade e por seu papel estratégico no ciclo global do carbono. No entanto, nas últimas décadas, o bioma passou a simbolizar de forma contundente os efeitos da crise climática. A combinação entre estiagens severas, temperaturas cada vez mais elevadas e profundas alterações no regime hidrológico tem intensificado a frequência, a duração e a severidade dos incêndios florestais. Isso é o que discute artigo da nova edição da <a href="https://revistacienciaecultura.org.br/" target="_blank">Ciência &amp; Cultura</a>, que tem como tema “COP30: ciência, política e ação”.</p>
<p>Episódios extremos, como o de 2020 — quando quase um terço do Pantanal foi consumido pelo fogo —, seguidos por novas temporadas críticas em 2023 e 2024, indicam que não se trata mais de eventos isolados, mas de uma tendência persistente, associada ao aquecimento global, às pressões humanas e às mudanças no uso do solo. “A combinação entre estiagens severas, temperaturas elevadas e alterações profundas no regime hidrológico intensificou a ocorrência e a duração dos incêndios florestais na região”, explicam os autores do artigo.</p>
<p>No centro desse cenário estão bombeiros militares e brigadistas, profissionais que atuam na linha de frente do combate aos incêndios florestais, muitas vezes em condições extremas. Enquanto os brigadistas são contratados de forma temporária, por meio do Ibama e do Prevfogo, os bombeiros militares integram os quadros permanentes dos estados e municípios. Apesar das diferenças de vínculo e formação, ambos enfrentam desafios semelhantes: jornadas exaustivas, calor intenso, desidratação, deslocamentos em áreas de difícil acesso e, sobretudo, a exposição contínua à fumaça densa resultante da queima de biomassa, rica em partículas finas e compostos tóxicos.</p>
<p>Embora a fumaça seja um elemento visível e recorrente nos incêndios, seus impactos sobre a saúde desses trabalhadores ainda são pouco investigados no Brasil. Isso ocorre apesar de a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer já classificar a exposição ocupacional ao combate a incêndios como carcinogênica para humanos. No Pantanal, o risco é potencializado pelas características do bioma: longos períodos de seca, ausência de barreiras naturais ao avanço do fogo, poucas rotas de escape e uma vegetação diversa, que favorece incêndios prolongados e de difícil controle. Além dos riscos imediatos, como queimaduras e exaustão térmica, a exposição à fumaça está associada a inflamações respiratórias, prejuízos à função pulmonar, alterações cardiovasculares, distúrbios do sono e aumento de marcadores de estresse oxidativo, com possíveis efeitos crônicos ao longo do tempo.</p>
<p>Os impactos dos incêndios vão além da saúde humana e atingem também a integridade ambiental do Pantanal. Análises de solo revelam a deposição de material particulado e resíduos de combustão, indicando o acúmulo de substâncias tóxicas que podem permanecer no ambiente e favorecer processos de reexposição tanto dos trabalhadores quanto das populações locais. Esse quadro evidencia uma dupla vulnerabilidade: social, institucional e trabalhista, no caso dos profissionais que combatem o fogo, e ecológica, no caso do bioma. “Os incêndios que acometem o Pantanal geram condições de exposição que configuram risco significativo tanto para a saúde dos trabalhadores envolvidos no combate ao fogo quanto para a integridade ecológica do bioma”, enfatizam os autores.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Leia o artigo completo:</strong></p>
<p><a href="https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=pantanal-em-chamas-riscos-a-saude-de-bombeiros-no-contexto-da-crise-climatica" target="_blank">https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=pantanal-em-chamas-riscos-a-saude-de-bombeiros-no-contexto-da-crise-climatica</a></p>
<p>Ciência &amp; Cultura</p>
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		<title>O que a COP30 revelou sobre a disputa global pelo futuro do clima</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/o-que-a-cop30-revelou-sobre-a-disputa-global-pelo-futuro-do-clima/</link>
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		<pubDate>Thu, 18 Dec 2025 18:09:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[Em meio a avanços sociais e impasses estruturais, conferência expôs tensões políticas, fragilidades financeiras e a urgência ignorada da transição energética. Leia em reportagem da nova edição da Ciência &#038; Cultura]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Em meio a avanços sociais e impasses estruturais, conferência expôs tensões políticas, fragilidades financeiras e a urgência ignorada da transição energética. Leia em reportagem da nova edição da Ciência &amp; Cultura</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-18-at-08.57.15.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-28848 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-18-at-08.57.15-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2025-12-18 at 08.57.15" width="300" height="300" /></a>As mudanças climáticas deixaram de ser uma projeção futura para se tornarem uma experiência cotidiana marcada por eventos extremos que já reconfiguram economias, territórios e modos de vida. Secas prolongadas, enchentes devastadoras, ondas de calor recordes, disseminação de doenças e perdas aceleradas de biodiversidade evidenciam que a crise climática é, ao mesmo tempo, ambiental, social, econômica e política. Ao fim da COP30, realizada em Belém, em novembro, prevaleceu entre cientistas e organizações internacionais a percepção de urgência: os impactos avançam rapidamente, enquanto a resposta política global segue em ritmo aquém da dimensão da emergência climática. Isso é o que discute reportagem da nova edição da <a href="https://revistacienciaecultura.org.br/" target="_blank"><strong>Ciência &amp; Cultura</strong></a>, que tem como tema “COP30: ciência, política e ação”.</p>
<p>O financiamento climático foi um dos pontos de maior tensão nas negociações. Apesar de alguns avanços, persistem promessas vagas por parte dos países desenvolvidos, metas pouco claras e ausência de mecanismos efetivos de responsabilização dos maiores emissores históricos. A distância entre o volume de recursos necessários e o que está efetivamente sobre a mesa permanece expressiva. “Chegamos a números que deixavam todos atordoados: a necessidade é de 3 trilhões de dólares anuais. Por outro lado, a disposição máxima que se conseguiu chegar foi de 300 bilhões. Então fica uma lacuna gigantesca. Isso aponta para uma insuficiência das ações”, afirmou Francisco Assis da Costa, professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Para ele, a resistência dos países que historicamente mais emitiram gases de efeito estufa aprofunda desigualdades e limita a capacidade global de adaptação.</p>
<p>Essa assimetria está no cerne do debate sobre justiça climática. Populações que menos contribuíram para o aquecimento global são justamente as mais expostas aos seus impactos, enfrentando secas, enchentes e calor extremo com menor acesso a infraestrutura, serviços públicos e proteção social. Mulheres, crianças e grupos marginalizados tendem a ser desproporcionalmente afetados, enquanto países ricos continuam se beneficiando economicamente dos combustíveis fósseis. “Países desenvolvidos não estão dispostos a ajudar os países em desenvolvimento. Isso agrava desigualdades econômicas já vergonhosas e traz mais instabilidade social e política”, sintetizou Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física e coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da Universidade de São Paulo (USP), além de membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).</p>
<p>Apesar das limitações, a COP30 apresentou avanços importantes do ponto de vista científico e simbólico, especialmente por ter sido realizada pela primeira vez na Amazônia, colocando a região no centro das negociações globais. Iniciativas como o Pavilhão da Ciência Planetária ampliaram o diálogo entre ciência e política, ainda que recomendações centrais — como o cumprimento da meta de 1,5°C — não tenham sido incorporadas ao texto final. Para Francisco Assis da Costa, no entanto, o papel contínuo da ciência cria um novo mecanismo de responsabilização: “A ciência continua avaliando os resultados das negociações e entrega no próximo ano seu legado. Isso é muito novo e muito importante para todos”. Ao final, a aprovação unânime de 29 documentos, que compõem o chamado “Pacote de Belém”, evidenciou tanto a capacidade de consenso quanto os limites do processo multilateral, reforçando a percepção de que o tempo da política ainda não acompanha o ritmo acelerado da crise climática.</p>
<p><strong>Leia a reportagem completa:</strong></p>
<p><a href="https://revistacienciaecultura.org.br/?p=9448" target="_blank">https://revistacienciaecultura.org.br/?p=9448</a></p>
<p><em>Ciência &amp; Cultura</em></p>
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		</item>
		<item>
		<title>A adaptação de nossa sociedade ao novo clima</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/a-adaptacao-de-nossa-sociedade-ao-novo-clima/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Dec 2025 16:46:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo da nova edição da Ciência &#038; Cultura discute desafios, avanços e o papel da ciência no cenário das mudanças climáticas]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Artigo da nova edição da Ciência &amp; Cultura discute desafios, avanços e o papel da ciência no cenário das mudanças climáticas</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-16-at-09.18.47.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-28825 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-16-at-09.18.47-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2025-12-16 at 09.18.47" width="300" height="300" /></a>As mudanças climáticas, provocadas principalmente pelo acúmulo de gases de efeito estufa decorrentes das atividades humanas, já impõem impactos profundos sobre sistemas naturais e sociais em todo o mundo. A intensificação de eventos extremos — como secas prolongadas, enchentes, ondas de calor e tempestades — soma-se a transformações mais graduais, como a elevação do nível do mar, o degelo de geleiras e o branqueamento de corais. Diante desse cenário, a adaptação climática tornou-se uma necessidade estratégica para proteger o bem-estar humano, a segurança ambiental e a economia. No Brasil, marcado por fortes desigualdades regionais, sociais e econômicas, esse desafio é ainda mais complexo, exigindo respostas capazes de aumentar a resiliência e reduzir vulnerabilidades históricas. Isso é o que discute artigo da nova edição da <a href="https://revistacienciaecultura.org.br/" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">Ciência &amp; Cultura</strong></a>, que traz como tema “COP30: ciência, política e ação”.</p>
<p>Adaptar-se ao novo clima implica compreender, de forma integrada, a natureza dos riscos climáticos atuais e futuros, o grau de vulnerabilidade dos sistemas socioecológicos e a capacidade de resposta da sociedade. Isso envolve desde políticas públicas, inovação tecnológica e governança até ações locais e comunitárias. Parte desse debate ganhou destaque na COP30, realizada em Belém em 2025, que trouxe avanços relevantes no campo da adaptação, do financiamento climático e da justiça climática, embora também tenha sido marcada por críticas relacionadas a lacunas e pendências na implementação dos compromissos assumidos. “Adaptar-se ao novo clima oferece múltiplos benefícios, reduz perdas humanas, econômicas e ambientais e gera retornos positivos para a sociedade”, afirma Jean Pierre Ometto, pesquisador sênior no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).</p>
<p>Entre os principais resultados da conferência está a ampliação da ambição de financiamento para adaptação, com a meta de triplicar os recursos até 2035, passando de cerca de US$ 40 bilhões para aproximadamente US$ 120 bilhões anuais. Também foi estabelecido um novo marco global de adaptação, com a adoção de 59 indicadores para monitorar o progresso do Global Goal on Adaptation e a definição de uma nova rodada de Planos Nacionais de Adaptação. Sob a presidência brasileira, a COP30 buscou se afirmar como a “Conferência da Implementação”, lançando iniciativas como o Belém Health Action Plan, primeiro plano internacional voltado especificamente à adaptação climática no setor de saúde, além de mobilizar 190 países em torno de planos de aceleração em áreas estratégicas como energia, florestas, agricultura, cidades e desenvolvimento social.</p>
<p>Apesar desses avanços, os desafios permanecem expressivos. A adaptação ao novo clima já não é uma agenda futura, mas uma urgência do presente, perceptível no cotidiano das populações e na pressão sobre ecossistemas. No Brasil, persistem lacunas em capacidade técnica, financiamento, integração de políticas e mobilização social. Ainda assim, há sinais positivos, como o fortalecimento de políticas públicas baseadas em evidências científicas e o uso de plataformas de apoio à decisão, a exemplo do AdaptaBrasil. “A adaptação climática implica mudança de paradigma: deixar de olhar o clima pelos limites do passado e construir resiliência, fortalecer capacidades e reduzir vulnerabilidades”, enfatiza Jean Ometto.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Leia o artigo completo:</strong></p>
<p><a href="https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=a-adaptacao-de-nossa-sociedade-ao-novo-clima" target="_blank">https://revistacienciaecultura.org.br/?artigos=a-adaptacao-de-nossa-sociedade-ao-novo-clima</a></p>
<p>Ciência &amp; Cultura</p>
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		<title>Brasil precisa assumir a dianteira política para o enfrentamento da emergência climática, apontam especialistas</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 16:12:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>

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		<description><![CDATA[Pesquisadores defenderam potencial estratégico do País e ressaltaram a necessidade de fortalecimento de ações para combate à insegurança alimentar e em prol do desenvolvimento tecnológico]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>No segundo debate da série “Vozes da Ciência – O Brasil que queremos”, pesquisadores defenderam potencial estratégico do País e ressaltaram a necessidade de fortalecimento de ações para combate à insegurança alimentar e em prol do desenvolvimento tecnológico</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/foto1-live.png"><img class="aligncenter wp-image-28803 size-post img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/foto1-live-653x350.png" alt="foto1 live" width="653" height="350" /></a></p>
<p>O Brasil possui uma biosfera importante, tecnologias de ponta para o desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável e bases estruturais para desenvolver políticas ambientais adequadas ao enfrentamento da emergência climática, mas precisa valorizar os conhecimentos e ações desenvolvidos em seu território para isso. Este foi um dos diagnósticos do segundo debate da série “Vozes da Ciência – O Brasil que queremos”.</p>
<p>Realizado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na última sexta-feira (12/12), o evento debateu ações direcionadas aos impactos dos eventos climáticos extremos, da perda de biodiversidade, transição energética e segurança alimentar – temas que devem estar nas prioridades das decisões que o País precisará tomar nos próximos anos.</p>
<p>Para isso, o debate contou com as participações de <strong style="font-weight: bold !important;">Paulo Artaxo</strong>, professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e ex-vice-presidente da SBPC;  <strong style="font-weight: bold !important;">Mariangela Hungria</strong>, pesquisadora da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL); <strong style="font-weight: bold !important;">Semiramis Domene</strong>, professora associada e livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e <strong style="font-weight: bold !important;">Carlos Alfredo Joly</strong>, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A mediação foi da diretora da SBPC, <strong style="font-weight: bold !important;">Marilene Corrêa</strong>.</p>
<p>“Esta é uma iniciativa da SBPC que está relacionada com as preocupações da comunidade científica a respeito do futuro político do Brasil. O Vozes da Ciência é composto pela reunião de opiniões de vários especialistas brasileiros e defende que a Ciência é um pilar fundamental da democracia a ser construída no nosso País”, explicou Corrêa na abertura do evento.</p>
<p>O “Vozes da Ciência” integra um ciclo de 12 encontros virtuais que se estende até 24 de abril de 2026, sempre às 10h, transmitido pelo <a href="http://www.youtube.com/canalsbpc" target="_blank">canal da SBPC no Youtube</a>. As discussões do ciclo irão subsidiar a elaboração de documentos propositivos, organizados pela SBPC e encaminhados às candidatas e aos candidatos nas eleições de 2026, como contribuição da comunidade científica para uma agenda nacional orientada pela ciência, pela educação e pela justiça social.</p>
<p>Iniciando as falas do segundo encontro, o ex-vice-presidente da SBPC, Paulo Artaxo, afirmou que a atual emergência climática exige políticas integradas entre nações.</p>
<p>“Eu observo que a nossa sociedade planetária está em um processo de transformação. Estamos passando por uma crise climática. Essa crise, na verdade, é de sustentabilidade planetária. Porque estamos chegando no limite do uso dos recursos naturais do nosso planeta e isso vai ter impactos sociais, econômicos, climáticos e ambientais extraordinariamente fortes ao longo deste século e dos próximos. Nós precisamos, evidentemente, encontrar saídas para essa crise que estamos agora. Essas saídas são complexas, não são simples, e dependem muito da governabilidade global, que está sendo minada por alguns governos, por algumas indústrias e pelas redes sociais, no sentido de ter uma dominação de discursos sobre o papel da humanidade nesta questão.”</p>
<p>Artaxo também realizou um breve diagnóstico sobre a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, sediada em novembro em Belém, no Pará.</p>
<p>“Acabamos de ter uma COP30 e esta COP, como todas as demais, teve pontos altos e teve pontos baixos. Como pontos altos, a gente observa que tivemos avanços no estabelecimento de indicadores para a adaptação ao novo clima, que pode ajudar governos a construírem estruturas sociais, econômicas, urbanas e rurais que devem ser mais resilientes e, com isso, diminuir o impacto das mudanças climáticas para a população em geral. Nós também tivemos como ponto alto o compromisso dos países em aumentar o financiamento climático para os países em desenvolvimento, o que é crítico para que a gente possa sair dessa crise climática com o menor dano possível.”</p>
<p>Artaxo também lamentou que não foram avançadas metas mais exigentes sobre transição energética. “Tivemos também pontos negativos como, por exemplo, o lobby das indústrias do petróleo conseguindo bloquear a questão da inclusão no documento final da COP30 de que precisamos acabar com a exploração e o uso de combustíveis fósseis o mais rápido possível”, complementou.</p>
<p>Seguindo com as apresentações, o professor da Unicamp, Carlos Alfredo Joly falou da importância da biodiversidade neste debate. “A biodiversidade está na base dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS, da ONU). Ela, juntamente ao clima e à água potável, compõe a base da pirâmide da biosfera. Portanto, ela é importantíssima para apoiar e subsidiar todo o desenvolvimento da sociedade que conhecemos.”</p>
<p>Joly reforçou a importância de se trazer a biodiversidade como um elemento essencial na agenda política. “Com a biodiversidade, vem uma questão dos serviços ecossistêmicos. Porque são esses serviços, que têm como base a biodiversidade, que vão fornecer água limpa, alimentos, medicamentos, vão atuar na regulação climática e são a base para o bem-estar e o desenvolvimento sustentável de setores como agricultura, indústria, turismo, dependendo diretamente dela para inovar e funcionar.”</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Agricultura e alimento</strong></p>
<p>Professora da Unifesp, Semiramis Domene afirmou que é impossível fazer reflexões sobre a emergência climática sem entender que ela está estritamente ligada com o acesso a alimentos e sua estrutura social.</p>
<p>“Existe uma urgência em se falar de segurança alimentar e nutricional, porque a manutenção desse direito humano, alimentação adequada, é muito frágil em contextos de desigualdade social, como se observa agora no Brasil. Isso traz um cenário sensível a diversas ameaças internas e também do cenário internacional.”</p>
<p>Domene destacou que o Brasil enfrentou, nos últimos anos, um processo governamental que gerou fragilização de mecanismos de proteção social. Além disso, conflitos armados que ocorreram em outros países também têm ligação direta com o preço dos alimentos, fora a emergência climática por si só.</p>
<p>“Isso tudo desestabilizou fortemente as tendências muito delicadas de aumento da segurança alimentar e nutricional que a gente vinha observando desde o final do século passado até o ano de 2014, que foi no Brasil um marco, porque foi quando saímos do mapa da fome. Infelizmente, a fragilização dos mecanismos de proteção social a partir de 2014 e 2015 trouxe um aumento na insegurança alimentar e voltamos, em 2022, a ter 33 milhões de pessoas passando fome no País, o que significou um retrocesso aos patamares de 1990, quando tínhamos 32 milhões de pessoas nessa situação.”</p>
<p>Para a especialista, a recomposição dos mecanismos de proteção social, aliada com princípios democráticos e de organização da sociedade, foram fundamentais para, a partir de 2023, o País novamente reduzir esse número.</p>
<p>“Hoje, felizmente, o Brasil saiu novamente do mapa da fome, mas não significa que está tudo resolvido. Temos, atualmente, cerca de 2,5% de pessoas com insegurança alimentar grave, o que representa algo perto de 9 milhões, mas temos ainda 30 milhões de pessoas com algum grau de insegurança alimentar, moderada ou grave. Os números no mundo não são bonitos, a gente tem uma estimativa de mais de 2 bilhões de pessoas com algum grau de insegurança alimentar, das quais 700 milhões com fome.”</p>
<p>Mediadora do debate, Marilene Corrêa sintetizou as primeiras falas como uma necessidade de urgência de protagonismo que o Brasil precisa assumir.</p>
<p>“O Brasil, como decisão política, precisa começar a enfrentar a transição climática. E a partir da segurança alimentar e nutricional, nós já integrarmos as preocupações com a biodiversidade.”</p>
<p>Encerrando as falas, a pesquisadora da Embrapa, Mariangela Hungria, abordou o cenário de produção de alimentos frente às mudanças climáticas.</p>
<p>“A agricultura é uma vocação do nosso País, e isso tem seu lado positivo e negativo. Do lado positivo, o mundo precisa de alimentos e hoje nós temos a estimativa de que produzimos para 800 milhões a 1 bilhão de pessoas no planeta. Isso torna, por sua vez, inconcebível que um país que produz para quase 1 bilhão de pessoas tenha brasileiros em insuficiência alimentar grave.”</p>
<p>Em maio de 2025, Hungria tornou-se a primeira brasileira a receber o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize), reconhecimento internacional conhecido como o “Nobel” da agricultura, concedido a personalidades que contribuem para a melhoria da qualidade e da disponibilidade de alimentos no mundo. Para a pesquisadora, a agricultura está enraizada no modelo de negócio brasileiro e cabe à agenda política torná-la adequada ao combate da emergência climática.</p>
<p>“Eu acho que não vamos mudar a nossa vocação à agricultura, o perfil do agricultor brasileiro está se tornando cada vez mais jovem, além da quantidade de startups que estão se atrelando ao agro. Nós somos líderes em agricultura tropical, temos tecnologias fantásticas para evitar emissões de CO2, por exemplo – porque a agricultura é a principal responsável pela emissão de CO2 no Brasil –, e nós temos que fazer essa agricultura que alimenta o mundo do modo mais sustentável possível. Por outro lado, também temos que investir em muita tecnologia para enfrentamento das mudanças climáticas”, concluiu.</p>
<p>O debate completo “Clima, Biodiversidade, Energia e Segurança Alimentar: Desafios da Transição Sustentável Pós-COP30”, parte da iniciativa “Vozes da Ciência – O Brasil que queremos”, está disponível na íntegra <a href="https://www.youtube.com/watch?v=V0Y7PMwb6vE" target="_blank">no canal da SBPC no YouTube</a>.</p>
<p>O próximo encontro será nesta sexta-feira, 19 de dezembro, também às 10h, com o tema <strong style="font-weight: bold !important;">“</strong><strong style="font-weight: bold !important;">Ciência para o Desenvolvimento e a Reindustrialização Sustentável: qual é a agenda de C&amp;T para o Brasil?</strong><strong style="font-weight: bold !important;">”</strong>. O debate contará com participação de <strong style="font-weight: bold !important;">Nísia Trindade Lima</strong>, pesquisadora titular da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz; <strong style="font-weight: bold !important;">Glaucius Oliva</strong>, professor titular do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC/USP); <strong style="font-weight: bold !important;">João Baptista Calixto</strong>, do Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP); e <strong style="font-weight: bold !important;">Mariano Francisco Laplane</strong>, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O evento terá mediação da secretária regional da SBPC em São Paulo &#8211; Subárea I (SBPC-SP), <strong style="font-weight: bold !important;">Mariana Moura</strong>.</p>
<p><em>Rafael Revadam – Jornal da Ciência</em></p>
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