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	<title>Jornal da Ciência &#187; Amazônia</title>
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		<title>CNPq homenageia Marilene Corrêa por trajetória dedicada à Amazônia</title>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2026 18:36:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres cientistas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[Diretora da SBPC e professora-titular da Ufam é agraciada com o título de Pesquisadora Emérita. A cientista destaca-se como uma das principais intelectuais do pensamento social amazônico, articulando ciência, cultura e saberes tradicionais em suas pesquisas]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Diretora da SBPC e professora-titular da Ufam é agraciada com o título de Pesquisadora Emérita. A cientista destaca-se como uma das principais intelectuais do pensamento social amazônico, articulando ciência, cultura e saberes tradicionais em suas pesquisas</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-10-at-15.27.27.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-28499 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-10-at-15.27.27-300x199.jpeg" alt="WhatsApp Image 2025-11-10 at 15.27.27" width="300" height="199" /></a>Marilene Corrêa, professora-titular da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e coordenadora do Laboratório de Estudos Interdisciplinares das Ciências Sociais na Amazônia do Programa de Pós-graduação Sociedade e Cultura na Amazônia-PGSCA, foi agraciada com o título de Pesquisadora Emérita – Edição 2026 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A cerimônia aconteceu no dia 7 de maio no Rio de Janeiro.</p>
<p>Reconhecida como uma das principais intelectuais do pensamento social amazônico, Marilene Corrêa desenvolve pesquisas que articulam ciência, cultura e saberes tradicionais.</p>
<p>A distinção é concedida desde 2005 a pesquisadores brasileiros ou estrangeiros, radicados no Brasil há pelo menos 10 anos, como reconhecimento às inestimáveis contribuições à Ciência no País.</p>
<p>Para a pesquisadora, a homenagem simboliza a consolidação de uma trajetória dedicada à compreensão crítica da região. “Representa recompensa pela escolha de vida e de foco, pelo qual tenho me empenhado em compreender e explicar criticamente a Amazônia e suas relações com o Brasil. Representa um incentivo aos novos pesquisadores e trabalhadores da ciência na região Norte e nas universidades da Amazônia, especialmente na Ufam, onde trabalhei durante 43 anos no ensino de graduação e na pesquisa, no Departamento de Ciências Sociais. Mesmo aposentada, ainda trabalho em Programas de pós-graduação”, declarou.</p>
<p>Corrêa destacou ainda a importância de enfrentar as desigualdades regionais na produção científica brasileira. Segundo ela, o título reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à redução das assimetrias entre as regiões do País.</p>
<p>A pesquisadora emérita do CNPq também ressaltou o protagonismo feminino entre os homenageados. “A predominância de mulheres evidencia não apenas o reconhecimento da produção científica feminina, mas também a importância do trabalho das pesquisadoras para a construção de uma ciência mais equitativa, solidária e comprometida com grupos socialmente vulnerabilizados. A maioria das premiadas é mulher, tem carreira científica plena em institutos e universidades, em seus campos de conhecimento, e seus estudos beneficiam as maiorias e não a si próprias. Por isso, é importante denunciar e identificar constrangimentos em que a política científica desfavorece as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Independentemente de fomento, bolsas de produtividade, etc., as mulheres não desistem da pesquisa em pequenos ou grandes projetos, continuam a produzir conhecimento, diretamente em pesquisas e publicações, a conduzir estudos inovadores pela orientação de novos mestres, doutores e pós-doutores. Quando se atinge esse nível, que depende de muito trabalho, a opinião científica passa a ser valorizada em níveis de decisão cada vez mais complexos, imprescindíveis às políticas científicas nacionais e em suas formas de realização locais”, comentou.</p>
<p>Ela ainda defendeu o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento científico nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. “Dar visibilidade aos problemas de desigualdade institucional e intervir para a fluidez e ampliação do direito à ciência para todos e em todos os territórios físicos e simbólicos é de importância vital. Vendo por este prisma, a compreensão crítica sobre a Amazônia e sua posição desigual no cenário científico é uma luta a ser encampada por gerações presentes e futuras e por todas as sociedades científicas brasileiras”.</p>
<p>Premiada por suas pesquisas sociais sobre a Amazônia, Marilene Corrêa afirmou que a região pode se tornar um grande laboratório científico para o Brasil em diferentes áreas do conhecimento, incluindo ciências sociais, políticas e estratégicas. “Aliás, sob diferentes pontos de vista, há possibilidade de gerar essa convergência de opiniões científicas sobre a importância da região para o futuro do Brasil. Nossa posição de fronteiras internacionais com países da Panamazônia, e a defesa de interesses sobre recursos naturais, terras raras, bacias hidrográficas, por exemplo, para os quais a soberania brasileira é imprescindível, abrem leques de possibilidades de construção de agendas em torno dos sistemas naturais e socioculturais diversos e complexos. Água, floresta, minerais estratégicos, têm diferentes sentidos quando se defende um país soberano, autônomo no seu projeto nacional de futuro, com foco no benefício das maiorias populacionais e de proteção aos povos e conhecimentos originários e tradicionais. Essas preocupações estratégicas interagem com agendas científicas de todos os campos de conhecimento e com políticas públicas eficientes. O resultado dessas interações é o empoderamento de populações que sempre estiveram às margens das políticas nacionais. Sistemas inovadores de governança, gestão pública, energias renováveis, bioeconomia, escolhas de focos de pesquisa e inovação para busca de soluções embasadas na natureza, e associadas à experiência de preservação de biomas e ecossistemas frágeis, são estratégicos e fundamentais para novas agendas de organização de prioridades científicas. A ciência reconhece o lugar dos conhecimentos tradicionais e de formas de adaptabilidade dos povos originários nessa possibilidade de reconfiguração de políticas científicas regionais e nacionais”.</p>
<p>Marilene Corrêa da Silva Freitas nasceu em 19 de agosto de 1950, na cidade de Carauari, no estado do Amazonas. Formou-se em Serviço Social pela Universidade Federal do Amazonas em 1975, concluiu o mestrado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 1989 e obteve o doutorado na mesma área pela Universidade Estadual de Campinas em 1997. Realizou ainda pós-doutorado na Université de Caen e na Unesco entre 2001 e 2002, além de um novo pós-doutoramento na Université Gustave Eiffel no período de 2021 a 2022.</p>
<p>Sua trajetória também se destaca por uma intensa atuação política, tanto no meio acadêmico quanto fora dele. Foi presidente da Associação Francofone Internacional de Pesquisa Científica em Educação Secção Brasileira (AFIRSE – seção brasileira), entre 2007 e 2011; secretária de Estado de Ciência e Tecnologia do Amazonas de 2003 a 2007 e reitora da Universidade do Estado do Amazonas entre maio de 2007 e março de 2010.</p>
<p>Além disso, integrou o Conselho Nacional do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) no período de 2009 a 2011, foi membro por notório saber do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, participa do Conselho Superior da Fundação Oswaldo Cruz e do Conselho Editorial do Jornal Ciência Hoje, publicação da SBPC, desde janeiro de 2013. Também foi membro eleita do Conselho da SBPC, na Área A da Região Norte, nos períodos de 2011 a 2015 e de 2021 a 2023.</p>
<p>Possui experiência na área de Sociologia e em estudos interdisciplinares, com ênfase em Sociologia Clássica e Contemporânea. Sua atuação concentra-se principalmente nos temas Amazônia, pensamento social, políticas públicas, política científica, teoria sociológica e desenvolvimento socioeconômico. Foi ainda coordenadora do Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia entre setembro de 2012 e outubro de 2016.</p>
<p>Atualmente Marilene Corrêa é membro da Diretoria da SBPC 2025-2027 e integra o Conselho de Desenvolvimento Social e Sustentável da Presidência da República desde 2024.</p>
<p>Além de Marilene Corrêa, receberam o título: Zelinda Leão por pesquisas sobre conservação de corais; Aldina Barral por pesquisas na área de parasitologia; Álvaro Prata recebe título de Pesquisador Emérito do CNPq por pesquisas sobre mecânica de fluidos; Margarida Aguiar-Perecin recebe título por estudos de melhoramento de plantas; e Sílvio Salinas recebe título por pesquisas em física estatística.</p>
<p><em>Vivian Costa – Jornal da Ciência</em></p>
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		<title>COP30 não resolve a crise climática, mas mantém viva a possibilidade de enfrentá-la</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jan 2026 20:26:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>

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		<description><![CDATA[Belém entregou avanços em transição justa e adaptação, mas fracassou em enfrentar a raiz do problema: os combustíveis fósseis. Confira a reportagem da nova edição do Jornal da Ciência Especial

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				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Belém entregou avanços em transição justa e adaptação, mas fracassou em enfrentar a raiz do problema: os combustíveis fósseis. Confira a reportagem da nova edição do Jornal da Ciência Especial</em></p>
<p>Quando o martelo bateu na mesa da plenária final, encerrando a 30ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas, o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago tinha lágrimas nos olhos. Após duas semanas de negociações exaustivas, que se estenderam por mais de 30 horas além do prazo, quase 200 países haviam chegado a um consenso.</p>
<p>A COP30, realizada em Belém entre 10 e 22 de novembro, prometia ser a conferência da verdade, da implementação, da transição das promessas para as ações concretas. Seria a COP que finalmente enfrentaria a causa raiz da crise climática. No final, entregou avanços em transição justa e mecanismos de adaptação, aprovou 59 indicadores para medir progresso climático e mobilizou mais de 80 países em torno de um objetivo comum. Mas deixou de fora dos documentos oficiais qualquer menção aos combustíveis fósseis — responsáveis por 80% das emissões globais de gases de efeito estufa.</p>
<p>O documento final, o “Mutirão Global”, reflete um mundo dividido em meio a uma crise existencial. A questão não é se Belém foi um sucesso ou um fracasso, mas se o multilateralismo conseguirá dar conta da gravidade da situação antes que seja tarde demais.</p>
<p>Exigir consenso de 195 países permite que poucos bloqueiem avanços necessários para muitos. Países árabes produtores de petróleo, liderados pela Arábia Saudita, junto da Rússia, Índia e China, travaram sistematicamente qualquer menção ao tema nos documentos oficiais.</p>
<p>“A velocidade da diplomacia da ONU ainda é muito diferente da velocidade das necessidades da sociedade como um todo. Inclusive, todo o processo decisório da ONU, onde todos os documentos têm que ser aprovados por consenso, é um desastre”, afirma Paulo Artaxo, membro do IPCC, coordenador do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais e vice-presidente da SBPC entre 2021 e 2025. ”Você tem que ter um consenso entre Rússia e Ucrânia; entre Alemanha e Gana e Paraguai. O que ficou explícito é que o sistema decisório da ONU não dá conta de lidar com as complexidades geopolíticas que o mundo tem hoje.”</p>
<p>Apesar dos impasses, houve avanços. Mais de 80 países apoiaram a proposta de um <em>phasing out </em>justo e gradual dos combustíveis fósseis. “Isso não é pouca coisa. Entre eles estão Alemanha, Inglaterra, Dinamarca e grandes países que têm influência política forte. Os opositores foram principalmente Arábia Saudita, China, que ainda depende muito de combustíveis fósseis, e Índia — metade da população mundial.”</p>
<p>Mesmo após ser derrotado na negociação formal, Corrêa do Lago decidiu criar um grupo de trabalho para traçar o mapa de transição para longe dos combustíveis fósseis e do desmatamento por iniciativa própria — fora do processo oficial da Convenção do Clima. Não se trata de um resultado com peso legal, mas reflete uma realidade política que veio para ficar e deve pautar a agenda climática internacional em 2026.</p>
<p>E, pela primeira vez em uma COP, o papel de comunidades quilombolas brasileiras na mitigação climática foi oficialmente reconhecido. Com relação aos povos indígenas, seus direitos territoriais são reconhecidos explicitamente como política central de mitigação de emissões. E a participação deles foi marcante, assim como de toda a sociedade civil.</p>
<p>Por outro lado, ONGs e cientistas sustentam uma avaliação desanimadora: a ciência que embasa as recomendações é robusta e mais do que suficiente para agir, mas não há reação proporcional a tamanha urgência. Continua havendo sucessão de anos mais quentes, enquanto as emissões globais de gases-estufa crescem: 1,1% em 2025, quando já deveriam estar em queda acentuada.</p>
<p>Se a COP30 falhou em nomear e atacar o problema central, avançou em outras frentes. O mais celebrado foi o Mecanismo de Ação de Belém (BAM) para Transição Justa, a garantia de que trabalhadores e comunidades dependentes de setores fósseis não sejam abandonados na mudança para a economia renovável. Os detalhes desse mecanismo, considerando a heterogeneidade dos países, serão definidos em 2026, nas negociações intermediárias em Bonn, na Alemanha.</p>
<p>Outro destaque foi o impulso dado ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), que propõe um modelo inovador de financiamento para a conservação florestal. Com meta de arrecadar US$ 10 bilhões no primeiro ano, e com mais da metade dela cumprida, o TFFF combina capital soberano, filantrópico e privado para remunerar países tropicais que mantiverem suas florestas em pé.</p>
<p>A COP30 trouxe progresso na temática da adaptação — as medidas para lidar com impactos já inevitáveis da crise climática. Os países concordaram em triplicar o financiamento até 2035, uma reivindicação dos países em desenvolvimento. A meta, no entanto, ficou abaixo do solicitado: o ano de referência não foi estabelecido de forma clara, e o montante ficou vinculado ao valor acordado em Baku (COP29), que inclui várias fontes de recursos, inclusive empréstimos, o que não era o pleito inicial.</p>
<p>A conferência definiu ainda uma lista de 59 indicadores que serão utilizados para medir como as nações têm se adaptado à mudança do clima.  Indicadores de processo verificam se políticas, planos, recursos e capacidades foram estabelecidos; indicadores de resultados capturam entregas e mudanças imediatas; e indicadores de impacto avaliam se essas ações reduziram danos e vulnerabilidades no mundo real.</p>
<p>O avanço é importante: a ação climática passará a ser medida não apenas em toneladas de carbono que não vão para a atmosfera, mas em vidas protegidas e infraestrutura capaz de resistir ao que está por vir.</p>
<p>Mas a distância entre arquitetura institucional e capacidade de implementação permanece enorme. O maior gargalo segue sendo o financiamento climático, ou melhor, a ausência dele.</p>
<p>Desde a Conferência de Copenhague em 2009, países desenvolvidos assumiram o compromisso de mobilizar US$ 100 bilhões anuais até 2020 para apoiar ações de mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento. A meta só foi atingida em 2022, quando o aporte chegou a US$ 115,9 bilhões, segundo relatório da OCDE. No entanto, quase 70% chegou como empréstimos onerosos, não doações, agravando a dívida externa dos países mais vulneráveis.</p>
<p>Países em desenvolvimento precisam, em média, de US$ 310 bilhões por ano até 2035 para implementar planos de adaptação, segundo relatório Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Enquanto isso, fluxos internacionais públicos destinados à área foram de apenas US$ 26 bilhões em 2023 — menos de 10% do necessário.</p>
<p>Em 2024, os gastos militares globais somaram US$ 2,7 trilhões de dólares, quase o dobro da meta de financiamento climático. Subsídios a combustíveis fósseis chegam a US$ 1,3 trilhão.</p>
<p>“É uma questão que depende de uma constatação da sociedade — envolvendo agentes públicos, privados e a sociedade civil — de que a persistência no uso de combustíveis fósseis adia a adaptação climática necessária. O Brasil tem um potencial único de liderar essa transição, pela capacidade em tecnologias solares, eólicas, hidrogênio verde e bioenergia. Por isso, em relação à exploração de petróleo na margem equatorial, a comunidade científica tem questionado o sentido desse tipo de iniciativa justamente no momento em que buscamos fazer essa transição para uma infraestrutura mais limpa. Recomendamos sempre uma leitura atenta das evidências científicas, inclusive sobre os riscos que essa exploração pode gerar para o ecossistema”, afirmou Francilene Procópio Garcia, presidente da SBPC, à Rádio Câmara.</p>
<p>A complexidade do assunto se revela em contradições concretas: enquanto defendia em Belém o roteiro para o fim dos combustíveis fósseis, o governo brasileiro havia aprovado, dois meses antes, a última etapa do licenciamento para a Petrobras explorar petróleo na Foz do Amazonas, região considerada crucial para o equilíbrio ambiental.</p>
<p>O Brasil mantém a presidência rotativa da conferência por mais 11 meses, e Corrêa do Lago prometeu usar esse período para manter vivo o debate sobre combustíveis fósseis e desmatamento. Os roteiros que prometeu elaborar fora do processo oficial da Convenção, devem ser apresentados ao longo de 2026.</p>
<p>O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, convocou para o final de maio um encontro para desenhar o mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis. “Ele pretende que seja uma pré-COP exclusivamente para desenhar esse mapa do caminho e quebrar as resistências dos países dependentes de petróleo, e a resistência do lobby da indústria do petróleo e, com isso, fazer com que a próxima COP aprove um documento claro, explícito, sobre como vamos livrar a humanidade dos combustíveis fósseis”, explica Artaxo.</p>
<p>Daí é carimbar o passaporte para a COP31, na Turquia. O multilateralismo sobreviveu em Belém, mas segue sem entregar respostas à altura da emergência climática. A conferência colombiana de maio e os roteiros prometidos por Corrêa do Lago podem mudar isso — ou apenas consumir mais um ano de um tempo que não temos.</p>
<p><em>Gabriel Alves – Jornal da Ciência</em></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;"><a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/JC_814.pdf" target="_blank">A edição completa está disponível para download gratuito neste link. Acesse e compartilhe!</a></strong></p>
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		<title>Edição especial do Jornal da Ciência discute a COP30 e os caminhos para enfrentar a crise climática</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2025 16:38:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
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		<category><![CDATA[Divulgação Científica]]></category>
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		<description><![CDATA[Nova edição já está disponível para download gratuito. Acesse e compartilhe!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nova edição já está disponível para download gratuito. Acesse e compartilhe!</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/JC_capa_page-0001.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-28862 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/JC_capa_page-0001-212x300.jpg" alt="JC_capa_page-0001" width="212" height="300" /></a>A nova edição do Jornal da Ciência da SBPC traz uma cobertura especial da COP30, realizada em Belém, em novembro. A matéria de capa analisa os principais resultados do aguardado evento. Apesar de entregar progressos em adaptação climática e transição justa, os combustíveis fósseis — responsáveis por 80% das emissões globais de gases de efeito estufa — ficaram de fora do documento final.</p>
<p>O editorial, assinado pela presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, e pelo vice-presidente Aldo Zarbin, alerta que não podemos mais concentrar toda a ação climática em quinze dias por ano, no mês de novembro, nem confiar exclusivamente no processo formal da Convenção do Clima.</p>
<p>Entre os destaques da edição está a entrevista exclusiva com Ailton Krenak, primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras. O escritor e pensador critica duramente o modelo de desenvolvimento capitalista: &#8220;Insistir na ideia de desenvolvimento e progresso é colocar ficha na predação e na exaustão de recursos não renováveis&#8221;.</p>
<p>O JC também documenta como a ciência brasileira teve protagonismo inédito na COP30, mas viu suas recomendações mais urgentes serem ignoradas nas decisões políticas cruciais. O periódico também traz a proposta da economista e vencedora do Nobel Esther Duflo para o &#8220;Pix do Clima&#8221; — transferências automáticas para países e pessoas vulneráveis financiadas por taxação sobre grandes fortunas e outras fontes.</p>
<p>Também nesta edição: artigos do físico Paulo Artaxo sobre o futuro da humanidade diante das mudanças climáticas e análise de Lara Ramos, engenheira ambiental e coordenadora de políticas públicas na World Transforming Technologies, e de Marilene Corrêa, professora de sociologia da UFAM e diretora da SBPC, sobre os múltiplos sistemas de conhecimento na luta climática.</p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/JC_814.pdf" target="_blank">Acesse aqui a edição completa.</a></p>
<p>Jornal da Ciência</p>
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		<title>Brasil precisa assumir a dianteira política para o enfrentamento da emergência climática, apontam especialistas</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/brasil-precisa-assumir-a-dianteira-politica-para-o-enfrentamento-da-emergencia-climatica-apontam-especialistas/</link>
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		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 16:12:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>

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		<description><![CDATA[Pesquisadores defenderam potencial estratégico do País e ressaltaram a necessidade de fortalecimento de ações para combate à insegurança alimentar e em prol do desenvolvimento tecnológico]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>No segundo debate da série “Vozes da Ciência – O Brasil que queremos”, pesquisadores defenderam potencial estratégico do País e ressaltaram a necessidade de fortalecimento de ações para combate à insegurança alimentar e em prol do desenvolvimento tecnológico</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/foto1-live.png"><img class="aligncenter wp-image-28803 size-post img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/foto1-live-653x350.png" alt="foto1 live" width="653" height="350" /></a></p>
<p>O Brasil possui uma biosfera importante, tecnologias de ponta para o desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável e bases estruturais para desenvolver políticas ambientais adequadas ao enfrentamento da emergência climática, mas precisa valorizar os conhecimentos e ações desenvolvidos em seu território para isso. Este foi um dos diagnósticos do segundo debate da série “Vozes da Ciência – O Brasil que queremos”.</p>
<p>Realizado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na última sexta-feira (12/12), o evento debateu ações direcionadas aos impactos dos eventos climáticos extremos, da perda de biodiversidade, transição energética e segurança alimentar – temas que devem estar nas prioridades das decisões que o País precisará tomar nos próximos anos.</p>
<p>Para isso, o debate contou com as participações de <strong style="font-weight: bold !important;">Paulo Artaxo</strong>, professor titular do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e ex-vice-presidente da SBPC;  <strong style="font-weight: bold !important;">Mariangela Hungria</strong>, pesquisadora da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL); <strong style="font-weight: bold !important;">Semiramis Domene</strong>, professora associada e livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e <strong style="font-weight: bold !important;">Carlos Alfredo Joly</strong>, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A mediação foi da diretora da SBPC, <strong style="font-weight: bold !important;">Marilene Corrêa</strong>.</p>
<p>“Esta é uma iniciativa da SBPC que está relacionada com as preocupações da comunidade científica a respeito do futuro político do Brasil. O Vozes da Ciência é composto pela reunião de opiniões de vários especialistas brasileiros e defende que a Ciência é um pilar fundamental da democracia a ser construída no nosso País”, explicou Corrêa na abertura do evento.</p>
<p>O “Vozes da Ciência” integra um ciclo de 12 encontros virtuais que se estende até 24 de abril de 2026, sempre às 10h, transmitido pelo <a href="http://www.youtube.com/canalsbpc" target="_blank">canal da SBPC no Youtube</a>. As discussões do ciclo irão subsidiar a elaboração de documentos propositivos, organizados pela SBPC e encaminhados às candidatas e aos candidatos nas eleições de 2026, como contribuição da comunidade científica para uma agenda nacional orientada pela ciência, pela educação e pela justiça social.</p>
<p>Iniciando as falas do segundo encontro, o ex-vice-presidente da SBPC, Paulo Artaxo, afirmou que a atual emergência climática exige políticas integradas entre nações.</p>
<p>“Eu observo que a nossa sociedade planetária está em um processo de transformação. Estamos passando por uma crise climática. Essa crise, na verdade, é de sustentabilidade planetária. Porque estamos chegando no limite do uso dos recursos naturais do nosso planeta e isso vai ter impactos sociais, econômicos, climáticos e ambientais extraordinariamente fortes ao longo deste século e dos próximos. Nós precisamos, evidentemente, encontrar saídas para essa crise que estamos agora. Essas saídas são complexas, não são simples, e dependem muito da governabilidade global, que está sendo minada por alguns governos, por algumas indústrias e pelas redes sociais, no sentido de ter uma dominação de discursos sobre o papel da humanidade nesta questão.”</p>
<p>Artaxo também realizou um breve diagnóstico sobre a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, sediada em novembro em Belém, no Pará.</p>
<p>“Acabamos de ter uma COP30 e esta COP, como todas as demais, teve pontos altos e teve pontos baixos. Como pontos altos, a gente observa que tivemos avanços no estabelecimento de indicadores para a adaptação ao novo clima, que pode ajudar governos a construírem estruturas sociais, econômicas, urbanas e rurais que devem ser mais resilientes e, com isso, diminuir o impacto das mudanças climáticas para a população em geral. Nós também tivemos como ponto alto o compromisso dos países em aumentar o financiamento climático para os países em desenvolvimento, o que é crítico para que a gente possa sair dessa crise climática com o menor dano possível.”</p>
<p>Artaxo também lamentou que não foram avançadas metas mais exigentes sobre transição energética. “Tivemos também pontos negativos como, por exemplo, o lobby das indústrias do petróleo conseguindo bloquear a questão da inclusão no documento final da COP30 de que precisamos acabar com a exploração e o uso de combustíveis fósseis o mais rápido possível”, complementou.</p>
<p>Seguindo com as apresentações, o professor da Unicamp, Carlos Alfredo Joly falou da importância da biodiversidade neste debate. “A biodiversidade está na base dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS, da ONU). Ela, juntamente ao clima e à água potável, compõe a base da pirâmide da biosfera. Portanto, ela é importantíssima para apoiar e subsidiar todo o desenvolvimento da sociedade que conhecemos.”</p>
<p>Joly reforçou a importância de se trazer a biodiversidade como um elemento essencial na agenda política. “Com a biodiversidade, vem uma questão dos serviços ecossistêmicos. Porque são esses serviços, que têm como base a biodiversidade, que vão fornecer água limpa, alimentos, medicamentos, vão atuar na regulação climática e são a base para o bem-estar e o desenvolvimento sustentável de setores como agricultura, indústria, turismo, dependendo diretamente dela para inovar e funcionar.”</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Agricultura e alimento</strong></p>
<p>Professora da Unifesp, Semiramis Domene afirmou que é impossível fazer reflexões sobre a emergência climática sem entender que ela está estritamente ligada com o acesso a alimentos e sua estrutura social.</p>
<p>“Existe uma urgência em se falar de segurança alimentar e nutricional, porque a manutenção desse direito humano, alimentação adequada, é muito frágil em contextos de desigualdade social, como se observa agora no Brasil. Isso traz um cenário sensível a diversas ameaças internas e também do cenário internacional.”</p>
<p>Domene destacou que o Brasil enfrentou, nos últimos anos, um processo governamental que gerou fragilização de mecanismos de proteção social. Além disso, conflitos armados que ocorreram em outros países também têm ligação direta com o preço dos alimentos, fora a emergência climática por si só.</p>
<p>“Isso tudo desestabilizou fortemente as tendências muito delicadas de aumento da segurança alimentar e nutricional que a gente vinha observando desde o final do século passado até o ano de 2014, que foi no Brasil um marco, porque foi quando saímos do mapa da fome. Infelizmente, a fragilização dos mecanismos de proteção social a partir de 2014 e 2015 trouxe um aumento na insegurança alimentar e voltamos, em 2022, a ter 33 milhões de pessoas passando fome no País, o que significou um retrocesso aos patamares de 1990, quando tínhamos 32 milhões de pessoas nessa situação.”</p>
<p>Para a especialista, a recomposição dos mecanismos de proteção social, aliada com princípios democráticos e de organização da sociedade, foram fundamentais para, a partir de 2023, o País novamente reduzir esse número.</p>
<p>“Hoje, felizmente, o Brasil saiu novamente do mapa da fome, mas não significa que está tudo resolvido. Temos, atualmente, cerca de 2,5% de pessoas com insegurança alimentar grave, o que representa algo perto de 9 milhões, mas temos ainda 30 milhões de pessoas com algum grau de insegurança alimentar, moderada ou grave. Os números no mundo não são bonitos, a gente tem uma estimativa de mais de 2 bilhões de pessoas com algum grau de insegurança alimentar, das quais 700 milhões com fome.”</p>
<p>Mediadora do debate, Marilene Corrêa sintetizou as primeiras falas como uma necessidade de urgência de protagonismo que o Brasil precisa assumir.</p>
<p>“O Brasil, como decisão política, precisa começar a enfrentar a transição climática. E a partir da segurança alimentar e nutricional, nós já integrarmos as preocupações com a biodiversidade.”</p>
<p>Encerrando as falas, a pesquisadora da Embrapa, Mariangela Hungria, abordou o cenário de produção de alimentos frente às mudanças climáticas.</p>
<p>“A agricultura é uma vocação do nosso País, e isso tem seu lado positivo e negativo. Do lado positivo, o mundo precisa de alimentos e hoje nós temos a estimativa de que produzimos para 800 milhões a 1 bilhão de pessoas no planeta. Isso torna, por sua vez, inconcebível que um país que produz para quase 1 bilhão de pessoas tenha brasileiros em insuficiência alimentar grave.”</p>
<p>Em maio de 2025, Hungria tornou-se a primeira brasileira a receber o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize), reconhecimento internacional conhecido como o “Nobel” da agricultura, concedido a personalidades que contribuem para a melhoria da qualidade e da disponibilidade de alimentos no mundo. Para a pesquisadora, a agricultura está enraizada no modelo de negócio brasileiro e cabe à agenda política torná-la adequada ao combate da emergência climática.</p>
<p>“Eu acho que não vamos mudar a nossa vocação à agricultura, o perfil do agricultor brasileiro está se tornando cada vez mais jovem, além da quantidade de startups que estão se atrelando ao agro. Nós somos líderes em agricultura tropical, temos tecnologias fantásticas para evitar emissões de CO2, por exemplo – porque a agricultura é a principal responsável pela emissão de CO2 no Brasil –, e nós temos que fazer essa agricultura que alimenta o mundo do modo mais sustentável possível. Por outro lado, também temos que investir em muita tecnologia para enfrentamento das mudanças climáticas”, concluiu.</p>
<p>O debate completo “Clima, Biodiversidade, Energia e Segurança Alimentar: Desafios da Transição Sustentável Pós-COP30”, parte da iniciativa “Vozes da Ciência – O Brasil que queremos”, está disponível na íntegra <a href="https://www.youtube.com/watch?v=V0Y7PMwb6vE" target="_blank">no canal da SBPC no YouTube</a>.</p>
<p>O próximo encontro será nesta sexta-feira, 19 de dezembro, também às 10h, com o tema <strong style="font-weight: bold !important;">“</strong><strong style="font-weight: bold !important;">Ciência para o Desenvolvimento e a Reindustrialização Sustentável: qual é a agenda de C&amp;T para o Brasil?</strong><strong style="font-weight: bold !important;">”</strong>. O debate contará com participação de <strong style="font-weight: bold !important;">Nísia Trindade Lima</strong>, pesquisadora titular da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz; <strong style="font-weight: bold !important;">Glaucius Oliva</strong>, professor titular do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC/USP); <strong style="font-weight: bold !important;">João Baptista Calixto</strong>, do Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP); e <strong style="font-weight: bold !important;">Mariano Francisco Laplane</strong>, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O evento terá mediação da secretária regional da SBPC em São Paulo &#8211; Subárea I (SBPC-SP), <strong style="font-weight: bold !important;">Mariana Moura</strong>.</p>
<p><em>Rafael Revadam – Jornal da Ciência</em></p>
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		<title>Culinária amazônica e soberania alimentar</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Dec 2025 17:01:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vídeo da nova edição da Ciência &#038; Cultura discute como tradições culinárias, biodiversidade e direitos territoriais se entrelaçam na defesa de sistemas alimentares justos e sustentáveis na Amazônia]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Vídeo da nova edição da Ciência &amp; Cultura discute como tradições culinárias, biodiversidade e direitos territoriais se entrelaçam na defesa de sistemas alimentares justos e sustentáveis na Amazônia</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-04-at-09.14.23.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-28726 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-04-at-09.14.23-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2025-12-04 at 09.14.23" width="300" height="300" /></a>A culinária amazônica é mais do que um repertório de sabores: é uma expressão viva da história, do território e das identidades dos povos da floresta. Baseada em ingredientes como mandioca, peixes de rio, frutas silvestres e milho, ela traduz modos de vida que atravessam gerações e conectam alimentação, cultura e natureza. Essa mesma base cultural sustenta o conceito de soberania alimentar — o direito de cada povo decidir como produzir, distribuir e consumir seus alimentos, de forma saudável, sustentável e coerente com seus valores e tradições. Não por acaso, preservar receitas, técnicas e saberes é também preservar a memória e a autonomia dessas comunidades.</p>
<p>A nova edição da <a href="https://revistacienciaecultura.org.br/" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">Ciência &amp; Cultura</strong></a>, dedicada ao tema <strong style="font-weight: bold !important;">“COP 30: ciência, política e ação”,</strong> destaca justamente essa relação profunda entre comida, território e direitos. Na Amazônia, soberania alimentar significa fortalecer práticas que respeitam os ciclos naturais e valorizam o conhecimento ancestral. Agricultura familiar, pesca artesanal, manejo florestal e o uso de ingredientes nativos formam a base de sistemas alimentares que equilibram nutrição, sustentabilidade e identidade cultural. São práticas que não apenas alimentam corpos, mas também sustentam modos de existência historicamente ameaçados. “A culinária ela é uma ciência ancestral e, ao mesmo tempo, ela está vinculada e alinhada com os princípios de soberania e desenvolvimento sustentável”, pontua Patrícia Chaves Gentil, diretora do Departamento de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.</p>
<p>Essas dinâmicas, porém, enfrentam tensões crescentes. A expansão de dietas ultraprocessadas, a insegurança territorial e a pressão de modelos produtivistas fragilizam tanto a saúde quanto a autonomia alimentar das comunidades amazônicas. A commoditização de ingredientes locais — quando produtos da floresta se tornam bens globais — pode desconectar alimentos de seus contextos culturais, enfraquecer economias tradicionais e acelerar impactos ambientais. Nesse cenário, discutir soberania alimentar é discutir também política pública, justiça social e direitos territoriais. “A comida ela é um instrumento político não só na COP, ela é um instrumento político na vida”, enfatiza Dalva Maria da Mota, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental.</p>
<p>Fortalecer os sistemas alimentares amazônicos passa por valorizar os saberes dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e agricultores familiares. Envolve proteger a floresta, apoiar práticas sustentáveis e garantir que políticas públicas considerem a diversidade cultural da região. Durante a COP 30, esse debate se torna ainda mais relevante: a cozinha amazônica não é apenas patrimônio, mas também resistência. “ A gente tem que aproveitar esse momento da COP para que a gente possa ter um território de diplomacia e consiga apresentar para todo mundo que estiver aqui que nós temos uma culinária sofisticada que merece ser conhecida e reconhecida”, afirma Nadya Helena Alves dos Santos, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) e vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Nutrição na Amazônia (PPGNAM/UFPA).</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Assista ao vídeo completo:</strong></p>
<p><a href="https://youtu.be/d4QdcxRH4uc" target="_blank">https://youtu.be/d4QdcxRH4uc</a></p>
<p>Ciência &amp;Cultura</p>
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		<title>Financiamento climático na COP30</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2025 14:21:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Reportagem da nova edição da Ciência &#038; Cultura discute porque as promessas ainda não viraram recursos e o que está em jogo para a Amazônia]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Reportagem da nova edição da Ciência &amp; Cultura discute porque as promessas ainda não viraram recursos e o que está em jogo para a Amazônia</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-03-at-09.11.02.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-28713 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/12/WhatsApp-Image-2025-12-03-at-09.11.02-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2025-12-03 at 09.11.02" width="300" height="300" /></a>Desde a Conferência de Copenhague (COP 15, em 2009), quando os países desenvolvidos assumiram o compromisso de mobilizar US$ 100 bilhões anuais até 2020 para apoiar ações climáticas em nações em desenvolvimento, o financiamento climático se tornou um dos pontos mais sensíveis das negociações internacionais. A promessa foi reafirmada no Acordo de Paris (COP 21) e novamente no “book-of-rules” da COP 26, mas só foi oficialmente alcançada em 2022, segundo relatório da OCDE, que registrou aportes de US$ 115,9 bilhões. Ainda assim, quase 70% desse montante chegou na forma de empréstimos, não de doações, ampliando a vulnerabilidade financeira de países já endividados. Isso é o que aponta reportagem da nova edição da <a href="https://revistacienciaecultura.org.br/" target="_blank"><strong>Ciência &amp; Cultura</strong></a>, que tem como tema “COP 30: ciência, política e ação”.</p>
<p>Para Pedro Luiz Côrtes, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP) e revisor do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), essa lógica aprofunda desigualdades estruturais: “há um impedimento para os países pobres, países insulares, sendo a necessidade de equipes técnicas para fazer uma formatação adequada dos projetos e evidenciar para quem vai ceder os recursos […] que aqueles recursos serão aplicados adequadamente”. Ele lembra que, além da formatação técnica, “é necessária uma estrutura de governança e compliance para fazer a auditoria da aplicação desses recursos”.</p>
<p>A combinação entre promessas ambiciosas e mecanismos frágeis produz um cenário em que o financiamento existe no papel, mas nem sempre chega a quem precisa. O Fundo Verde para o Clima (GCF) já aprovou US$ 15,9 bilhões em iniciativas, porém a maior parte dos recursos trafega por estruturas multilaterais que funcionam de forma lenta e verticalizada. Gustavo Luedemann, técnico de Planejamento e Pesquisa na Coordenação de Sustentabilidade Ambiental (COSAM) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e integrante da Rede Clima, observa que mesmo os créditos mais vantajosos ainda carregam complexidades: “a maior parte do recurso disponível é onerosa, precisa ser restituída […] Todavia, temos situações em que empréstimos são fornecidos com dez anos de carência, sem juros e décadas para pagar”. Ele destaca ainda “muita burocracia e custo de transação na operação dos bancos multilaterais e agências de cooperação”, o que cria gargalos e atrasa a implementação de soluções em campo.</p>
<p>Nesse contexto, o Brasil chega à COP 30 em posição estratégica para pressionar por acordos mais vinculativos e mecanismos mais ágeis. A Amazônia, peça-chave na regulação climática global, simboliza tanto a urgência quanto a contradição do atual sistema de financiamento: enquanto bilhões são prometidos para proteger o bioma, a maior floresta tropical do planeta se aproxima de pontos críticos que podem comprometer sua capacidade de regeneração. O país, como anfitrião, pode usar essa visibilidade para reposicionar o debate — não apenas sobre a quantidade de recursos, mas sobre a forma como eles são mobilizados, distribuídos e fiscalizados. Côrtes sintetiza essa lacuna ao apontar que a falta de projetos elegíveis não decorre de desconhecimento técnico, mas da ausência de condições institucionais para absorver fundos no ritmo necessário.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a crise abre espaço para alternativas capazes de contornar a dependência da boa vontade dos países ricos. Soluções como financiamento misto, pagamentos por serviços ambientais, mercados regulados de carbono e repasses diretos a comunidades e governos locais começam a ganhar força, especialmente em regiões que já convivem com impactos climáticos severos. Como anfitrião da COP 30, o Brasil tem a chance de impulsionar essas agendas e demonstrar que proteger suas florestas e populações é também uma estratégia global de estabilidade climática.</p>
<p><strong>Leia a reportagem completa:</strong></p>
<p><a href="https://revistacienciaecultura.org.br/?p=9346" target="_blank">https://revistacienciaecultura.org.br/?p=9346</a></p>
<p>Ciência &amp;Cultura</p>
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		<title>Clima e desigualdade urbana</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 13:35:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Novo episódio do Ciência &#038; Cultura Cast debate como a vulnerabilidade urbana amplia os impactos da crise climática no Brasil ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Novo episódio do Ciência &amp; Cultura Cast debate como a vulnerabilidade urbana amplia os impactos da crise climática no Brasil </em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-28-at-09.06.41.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-28652 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-28-at-09.06.41-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2025-11-28 at 09.06.41" width="300" height="300" /></a>Mais de 2.800 municípios brasileiros — o equivalente a metade do país — já vivem em situação de alta ou muito alta vulnerabilidade climática, segundo a plataforma Adapta Brasil. O número integra o relatório <a href="https://www.iis-rio.org/publicacoes/cidades-verdes-azuis-resilientes/" target="_blank"><strong>Cidades Verdes-Azuis Resilientes</strong></a>, lançado pelo <a href="https://simaclim.com.br/" target="_blank"><strong>Centro de Síntese em Mudanças Ambientais e Climáticas (Simaclim)</strong></a>, que reúne evidências científicas e tecnológicas para apoiar governos, empresas e a sociedade na construção de centros urbanos mais preparados diante da crise climática. Isso é o que discute o novo episódio do <strong><em>Ciência &amp; Cultura Cast.</em></strong></p>
<p>O avanço dos desastres — muitas vezes associados a enchentes, deslizamentos ou ondas de calor — não está ligado apenas ao evento climático em si, mas sobretudo à interação dessas ocorrências com as condições de vida e infraestrutura de cada território. “Nós temos um problema muito real na cidade brasileira. É uma ocupação desigual, uma ocupação desordenada. Uma ocupação que em muitos casos não deveria estar acontecendo, mas que as autoridades públicas, seja por omissão ou por populismo, acabam não investindo adequadamente em moradia, o que faz com que a população more nessas condições tão precárias, tão sujeitas às inclemências do tempo”, alerta Pedro Jacobi, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Grupo de Estudos de Meio Ambiente e Sociedade do Instituto de Estudos Avançados da USP.</p>
<p>Para o pesquisador, a intensidade e a frequência crescente dos eventos extremos colocam as cidades diante de um desafio sem precedentes. Os sistemas de drenagem, por exemplo, tornam-se insuficientes quando episódios de chuva alcançam 200 ou 300 milímetros em poucas horas, como tem ocorrido em diferentes regiões do país. “Boa parte das cidades do planeta não está preparada para esta transformação. Estamos diante da realidade mais dramática possível, porque os sistemas de drenagem não dão conta mesmo. E o que observamos, muitas vezes, é a imprudência, o não acreditar que isso tem impacto tão significativo”, afirma.</p>
<p>O relatório destaca que a preservação e a restauração da infraestrutura verde e azul — que envolve rios, córregos, zonas úmidas, áreas verdes, parques e árvores — são fundamentais para reduzir impactos como enchentes, ilhas de calor, poluição e crises hídricas. As soluções baseadas na natureza (SbN) vêm se consolidando como estratégias essenciais para integrar ecossistemas e cidades, por meio de corredores ecológicos, telhados verdes, pavimentos permeáveis, recuperação de corpos d’água e ações de arborização. Entre seus benefícios estão o aumento da biodiversidade, o equilíbrio hídrico, a diminuição de temperaturas e a melhoria da qualidade do ar.</p>
<p>Transformar cidades em territórios verdes, azuis e resilientes exige não apenas planejamento técnico, mas também governança colaborativa, com participação de diferentes setores e escalas. O fortalecimento da capacidade institucional dos municípios e o acesso a mecanismos de financiamento — como fundos internacionais, entre eles o Green Climate Fund, o BID e o C40 Cities Finance Facility, além de instrumentos nacionais, como IPTU progressivo, outorga onerosa e operações urbanas consorciadas — são apontados como caminhos decisivos para acelerar a adaptação climática.</p>
<p>Pedro Jacobi reforça que a resposta precisa ir além de obras emergenciais: “Eu diria que é fundamental buscar respostas, trazer respostas. As respostas estão nas soluções baseadas na natureza, na articulação do plano diretor com mudanças climáticas, mudando efetivamente a forma de urbanizar a cidade. E nós estamos vendo isso de uma forma bastante visível e divulgada até pelas mídias, por exemplo, das soluções que têm sido dadas em diversos países”.</p>
<p><strong>Ouça ao episódio completo:</strong></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/episode/25uQvaQm2WWyo7XNgY1GqG?si=ojFe2CauQM2TNqRmq-ZJ6g" target="_blank">https://open.spotify.com/episode/25uQvaQm2WWyo7XNgY1GqG?si=ojFe2CauQM2TNqRmq-ZJ6g</a></p>
<p>Ciência &amp; Sociedade</p>
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		<title>A riqueza das florestas</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Nov 2025 14:55:30 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Na COP30, a Amazônia ganha o centro do debate global sobre o clima — e os saberes tradicionais mostram que preservar também é uma forma de prosperar. Ouça no novo episódio do Ciência &#038; Cultura Cast ]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Na COP30, a Amazônia ganha o centro do debate global sobre o clima — e os saberes tradicionais mostram que preservar também é uma forma de prosperar. Ouça no novo episódio do Ciência &amp; Cultura Cast</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-19-at-09.27.01.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-28600 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-19-at-09.27.01-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2025-11-19 at 09.27.01" width="300" height="300" /></a>Falar da riqueza da floresta é falar de múltiplas dimensões: biológica, cultural e econômica. A Amazônia, maior floresta tropical do planeta, abriga cerca de 10% de todas as espécies conhecidas e concentra uma das maiores reservas de água doce do mundo. Estima-se que suas árvores armazenem mais de 70 bilhões de toneladas de carbono, desempenhando um papel vital na regulação do clima global. Com mais de 4 milhões de quilômetros quadrados só no território brasileiro, o bioma é também lar de cerca de 22 milhões de pessoas — entre populações urbanas, ribeirinhas, quilombolas e mais de 180 povos indígenas que há milênios coexistem com a floresta, cuidando de seus ciclos e aprendendo com sua lógica de equilíbrio. Isso é o que discute o último episódio do Ciência &amp; Cultura Cast, parte da nova edição da <a href="https://revistacienciaecultura.org.br/">Ciência &amp; Cultura</a>, que tem como tema “COP 30: ciência, política e ação”.</p>
<p>Mas a riqueza amazônica não se resume à biodiversidade: ela é também cultural e simbólica. Os povos da floresta desenvolveram saberes sofisticados sobre manejo sustentável, plantas medicinais, agricultura de baixo impacto e aproveitamento de recursos sem esgotar a natureza. Essas práticas, baseadas em reciprocidade e respeito ao território, oferecem alternativas concretas a um modelo econômico ainda centrado na extração intensiva de madeira, minérios e commodities agrícolas. Em vez de destruir para gerar lucro rápido, esses modos de vida ensinam que é possível gerar renda, ciência e tecnologia com base na conservação e na regeneração. “O grande perigo atualmente, com as mudanças climáticas, o crescimento populacional e o uso desenfreado de recursos é que haja um colapso da capacidade de suporte do planeta, então o planeta vai chegar num limite que não consegue mais sustentar as populações que aqui vivem”, alerta Luiz Aragão<em>, </em>Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Coordenador do Programa Mudanças Climáticas Globais da FAPESP.</p>
<p>Relatórios recentes reforçam esse ponto. Segundo o Banco Mundial (2023), preservar a Amazônia vale, pelo menos, US$ 317 bilhões por ano — uma estimativa que considera o valor dos serviços ambientais, da biodiversidade e da regulação climática. Em outras palavras, desmatar não é apenas ambientalmente desastroso: é economicamente ineficiente. “Não existe economia se não tivermos um meio ambiente equilibrado, um clima equilibrado”, explica Luiz Aragão. O Brasil tem investido em programas de recuperação de áreas degradadas, consolidação de unidades de conservação, pagamento por serviços ambientais e fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, como o açaí, a castanha e o cacau nativo. São caminhos para transformar o potencial amazônico em desenvolvimento justo, inclusivo e duradouro.</p>
<p>A COP30, que será realizada em Belém, coloca a floresta e seus povos no coração das negociações climáticas. Pela primeira vez, a Amazônia será palco e protagonista de uma conferência global da ONU sobre o clima. Espera-se que o encontro reconheça os saberes tradicionais como parte essencial da solução e que o Brasil apresente políticas de transição ecológica que unam conservação, inovação e justiça social. “Nós temos diversas ações que foram propostas e acordadas dentro desses documentos. O que é necessário agora é realmente os países realizarem essas ações, o que é essencial para que o mundo consiga reverter essa crise climática”, enfatiza Luiz Aragão.</p>
<p><strong>Ouça ao episódio completo:</strong></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/episode/5xJGIkTEp3w6SpFdSt7x1U?si=fehRSqStSey5hfkvbT7ZWg" target="_blank">https://open.spotify.com/episode/5xJGIkTEp3w6SpFdSt7x1U?si=fehRSqStSey5hfkvbT7ZWg</a></p>
<p>Ciência &amp; Cultura</p>
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		<title>Entre dados e afetos: o papel da arte na era das emergências climáticas</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 17:19:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
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		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[Reportagem da nova edição da Ciência &#038; Cultura discute como artistas, cientistas e comunidades amazônicas constroem novas linguagens para pensar a crise ambiental durante a COP30]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Reportagem da nova edição da Ciência &amp; Cultura discute como artistas, cientistas e comunidades amazônicas constroem novas linguagens para pensar a crise ambiental durante a COP30</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-18-at-09.46.59.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-28573 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-18-at-09.46.59-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2025-11-18 at 09.46.59" width="300" height="300" /></a>A COP30, que acontece em Belém, vem revelando uma dimensão menos visível das discussões climáticas: o protagonismo das expressões artísticas como forma de traduzir, sensibilizar e tensionar os debates técnicos. Entre negociações, relatórios e gráficos projetados em telões, performances, instalações e intervenções urbanas passam a ocupar palcos improvisados, ruas e centros culturais. Essas manifestações ampliam o espaço de diálogo entre ciência e arte, oferecendo leituras sensíveis da crise climática que não cabem nas tabelas de emissões ou nas metas de descarbonização. Isso é o que discute reportagem da nova edição da <a href="https://revistacienciaecultura.org.br/" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">Ciência &amp; Cultura</strong></a>, que tem como tema “COP 30: ciência, política e ação”.</p>
<p>Para Suzete Venturelli, artista e professora do programa de pós-graduação em Design da Universidade Anhembi Morumbi, a arte ilumina zonas que o discurso científico não alcança. “A arte possui o poder de revelar o que a ciência, por mais precisa que seja, não alcança: a dimensão afetiva, simbólica e ética da crise climática”, afirma. Ela destaca que a força estética e política dessas intervenções reside na capacidade de transformar dados científicos em cor, som e movimento. “Nesse território da vivência, as emoções e percepções se tornam linguagem. É um ativismo sensível, que convoca o público à participação”, explica. Performances que combinam rituais indígenas, dança contemporânea e sons da floresta tornam visíveis outras formas de resistência e convivência com o ambiente.</p>
<p>Embora raramente apareçam nas atas oficiais, essas ações deixam marcas duradouras em quem as vivencia. Se em conferências anteriores a memória coletiva foi moldada por marchas e discursos, em Belém é possível que as expressões amazônicas assumam esse papel, criando rituais de reconexão entre humanos, rios, floresta e cidade. Para Venturelli, as manifestações mais significativas da COP30 provavelmente não estarão nos documentos finais, mas “nos encontros efêmeros entre humanos e não humanos, à beira dos rios, nas florestas e nas margens da cidade”. Mesmo quando invisíveis ao registro institucional, elas lembram que o planeta também cria, reage e se expressa.</p>
<p>A arte amazônica, marcada pela integração entre corpo, território e espiritualidade, carrega uma força própria diante da crise climática. “Há algo de intraduzível nessa arte”, observa a pesquisadora. “A arte dos povos originários da Amazônia não fala sobre o mundo; fala com o mundo. Sua presença na COP30 pode lembrar-nos de que o verdadeiro diálogo climático começa quando aprendemos a ouvir as vozes da floresta.” Em aldeias, ruas e rituais, essa produção cria espaços onde arte, ciência e política se entrelaçam, permitindo imaginar futuros que não dependem apenas de soluções tecnológicas, mas da continuidade da vida em comum. Como lembra Ailton Krenak, citado por Venturelli, “adiar o fim do mundo” passa por reencantar nossa relação com a Terra — e a arte pode ser uma das chaves desse processo.</p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;">Leia a reportagem completa:</strong></p>
<p><a href="https://revistacienciaecultura.org.br/?p=9204" target="_blank">https://revistacienciaecultura.org.br/?p=9204</a></p>
<p><em>Ciência &amp; Cultura</em></p>
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		<title>COP30 e o real protagonismo das lideranças femininas na floresta</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Nov 2025 18:09:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[Mulheres da Amazônia lideram a resistência contra a crise climática e a exploração, unindo a defesa da floresta à luta por direitos e visibilidade. Confira na reportagem da nova edição da Ciência &#038; Cultura]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Mulheres da Amazônia lideram a resistência contra a crise climática e a exploração, unindo a defesa da floresta à luta por direitos e visibilidade. Confira na reportagem da nova edição da Ciência &amp; Cultura</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-17-at-09.26.44.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-28563 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2025/11/WhatsApp-Image-2025-11-17-at-09.26.44-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2025-11-17 at 09.26.44" width="300" height="300" /></a>A COP 30, realizada em novembro de 2025 em Belém (PA), marca um momento histórico: pela primeira vez, a Conferência do Clima ocorrerá no coração da Amazônia. A escolha da cidade reforça a centralidade dos ecossistemas tropicais na agenda internacional e abre espaço para que o Brasil exerça liderança ambiental com propostas de transição ecológica ancoradas em justiça social. Ao se apresentar como uma conferência de povos e cidades, o evento pretende evidenciar as vozes de quem vive, defende e transforma a região, colocando em debate modelos de desenvolvimento, soberania territorial e proteção de modos de vida ameaçados. Isso é o que discute reportagem da nova edição da <a href="https://revistacienciaecultura.org.br/" target="_blank">Ciência &amp; Cultura</a>, que tem como tema “COP 30: ciência, política e ação”.</p>
<p>Nesse cenário, temas como justiça climática, conservação das florestas, direitos dos povos indígenas e desenvolvimento sustentável aparecem com urgência renovada. Para Leila Mourão Miranda, professora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Pará (UFPA), compreender a crise ecológica exige olhar para os processos históricos de apropriação e uso dos recursos naturais. “Os povos tradicionais continuaram a ser interpretados e tratados como ‘exceções’ e em processo de extinção”, afirma. A liderança indígena Ângela Amanakwa Kaxuyana, do povo Kaxuyana e residente na Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana, reforça que a luta das mulheres indígenas parte de um lugar de resistência contínua, marcado por exclusão, racismo e disputas territoriais. “A luta pelo território é fundamental, pois está interligada à necessidade de reafirmar o direito territorial e o reconhecimento do Estado para acessar direitos básicos”, explica.</p>
<p>Os riscos que recaem sobre essas lideranças são elevados: entre 2012 e 2022, foram registrados 765 ataques contra mulheres defensoras da Amazônia no Brasil, segundo o Instituto Igarapé, incluindo ameaças, prisões, tentativas de assassinato e 36 mortes. A vulnerabilidade dessas mulheres é agravada pela combinação entre violência de gênero, conflitos socioambientais e ausência do Estado. Somente em 2022, a Amazônia Legal registrou 12.211 casos de violência física contra mulheres — uma média de 33 por dia — além de um aumento de 34% nos índices de violência sexual em cinco anos. O feminicídio na região é 30% maior que a média nacional.</p>
<p>Para Jacqueline Girão, pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ativista, esses números refletem um cotidiano permeado por ameaças múltiplas. “Vivemos a vulnerabilidade diante da presença da mineração, que avança sobre os rios e os corpos das mulheres. São incontáveis os casos de estupro e de prostituição de jovens, muitas menores de idade”, relata. Em comunidades isoladas, onde o acesso a delegacias e redes de apoio é limitado, denunciar danos ambientais ou invasões significa tornar-se alvo visível de grupos ilegais. Esse cenário, associado ao patriarcado, à discriminação e à impunidade histórica, intensifica a exposição das defensoras. “Para uma mulher indígena da Amazônia, do Pará, que tem um histórico de negação de direitos, a luta é ainda mais intensa”, reforça Ângela Amanakwa Kaxuyana.</p>
<p>Com a COP 30, novas iniciativas buscam transformar essas demandas em políticas públicas e estratégias de proteção. Em 2025, o Ministério das Mulheres lançou o Plano de Ações Integradas Mulheres e Clima, com dez medidas para integrar gênero e justiça climática, incluindo protocolos de atenção a mulheres em emergências, ações de prevenção à violência e apoio socioeconômico em desastres ambientais. O plano prevê ainda indicadores globais que articulem gênero, raça, idade e deficiência, além da vinculação do financiamento climático a metas de cuidado e equidade. Para fortalecer a participação de mulheres e povos tradicionais na arena internacional, os ministérios das Mulheres e do Meio Ambiente, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), criaram o curso “Diplomacia Popular: Emergência Climática, Territórios e Gênero”. A proposta é ampliar o protagonismo feminino — especialmente de mulheres amazônicas — nas negociações climáticas, valorizando seus saberes e ampliando sua presença no debate global sobre o futuro da floresta.</p>
<p><strong>Leia a reportagem completa:</strong></p>
<p><a href="https://revistacienciaecultura.org.br/?p=9198" target="_blank">https://revistacienciaecultura.org.br/?p=9198</a></p>
<p>Ciência &amp; Cultura</p>
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