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	<title>Jornal da Ciência &#187; Especial da Semana</title>
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		<title>EDITORIAL &#8211; Antes da próxima emergência: dados, vigilância e decisão técnica no SUS</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 16:41:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>

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		<description><![CDATA[“Tratar ciência em saúde como assunto exclusivo de uma pasta é reduzir o alcance de uma agenda que envolve determinantes sociais, sistemas de saúde, indústria de medicamentos e equipamentos, e a relação entre saúde e sociedade”, aponta a presidente da SBPC, Francilene Garcia, no editorial desta sexta-feira]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Tratar ciência em saúde como assunto exclusivo de uma pasta é reduzir o alcance de uma agenda que envolve determinantes sociais, sistemas de saúde, indústria de medicamentos e equipamentos, e a relação entre saúde e sociedade”, aponta a presidente da SBPC, Francilene Garcia, no editorial desta sexta-feira</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Instagram-post-feedback-verde-e-rosa-orgânico-17.png"><img class="alignright size-medium wp-image-31068 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/Instagram-post-feedback-verde-e-rosa-orgânico-17-300x300.png" alt="Instagram post feedback verde e rosa orgânico (17)" width="300" height="300" /></a>Chegamos ao último eixo do caderno <em><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf" target="_blank">Vozes da Ciência — O Brasil que Queremos</a></em>. Os textos anteriores trataram do financiamento da ciência e da soberania nacional, do território onde clima e segurança pública se encontram, e de quem estuda, ensina e pesquisa no país. O sétimo eixo trata da saúde, e já dedicamos nesta série espaço ao financiamento do SUS e ao debate sobre modelos de gestão que aparece nos programas registrados. Por isso o foco aqui é outro: o que sustenta o sistema quando a próxima crise chegar.</p>
<p>São três frentes que a pandemia mostrou serem inseparáveis: (1) a soberania sobre os dados de saúde, (2) a capacidade permanente de vigilância e preparação, e (3) a proteção da decisão técnica baseada em evidências. Nenhuma delas produz manchete em ano eleitoral. Mas todas são decisivas para determinar a capacidade do país de proteger vidas quando uma emergência chega.</p>
<p>Convém lembrar a escala do que está em jogo. O SUS cobre mais de 90% do território nacional e é o maior sistema público de saúde do mundo. É também um dos maiores compradores de produtos de saúde do país: adquire cerca de 90% das vacinas, 50% dos equipamentos médicos e 30% dos medicamentos do mercado brasileiro, poder de compra que lhe permite orientar a produção segundo prioridades públicas. E é, silenciosamente, uma das maiores infraestruturas de informação em saúde já construídas.</p>
<p>Convém também desfazer um mal-entendido corrente: o problema brasileiro não é ausência de instituições. O país tem centros de informações estratégicas em vigilância, rede nacional de vigilância hospitalar, um sistema de laboratórios de saúde pública com unidades de referência em todos os estados, rede genômica pública, dois grandes produtores estatais de imunobiológicos e uma agência reguladora consolidada. O que requer aprimoramento é a conexão permanente entre essas peças e o financiamento que as mantenha prontas entre uma emergência e outra.</p>
<p>A rede HUBrasil opera 45 hospitais universitários em 25 estados, com 28 milhões de prontuários completos, uma das maiores bases hospitalares do planeta. Esses hospitais não são apenas repositórios de dados: são rede assistencial de alta complexidade e lugar onde se formam os profissionais que sustentam o sistema, o que faz da proteção de seu financiamento uma das treze propostas prioritárias do caderno. Somem-se as bases do próprio SUS, que acompanham 170 milhões de usuários ao longo de décadas. Não existe no mundo muita coisa comparável: um registro contínuo, capilar e de base populacional, capaz de sustentar pesquisa clínica, estudos epidemiológicos e vigilância em escala continental.</p>
<p>Esse patrimônio ainda não é tratado plenamente como uma infraestrutura estratégica do país. Os dados de saúde permanecem distribuídos entre diferentes sistemas e bases, com níveis distintos de integração, governança e interoperabilidade. Essa fragmentação reduz o potencial de uso da informação para pesquisa, epidemiologia, vigilância e formulação de políticas públicas e pode ampliar a dependência de soluções e infraestruturas externas.</p>
<p>A proposta da SBPC é criar uma <strong>Plataforma Nacional Soberana de Dados em Saúde</strong>, com acesso regulamentado, governança transparente, interoperabilidade entre as bases existentes e aplicação rigorosa da LGPD. A plataforma não substituiria os sistemas já existentes: conectaria e qualificaria o que o país já construiu, criando condições para transformar dados em conhecimento e conhecimento em melhores decisões de saúde. Experiências como o Cidacs e a Estratégia de Saúde Digital mostram que essa integração é tecnicamente possível.</p>
<p>É o mesmo argumento do eixo da soberania digital, aplicado ao terreno mais sensível que existe. Dados de saúde de 170 milhões de pessoas são questão de segurança nacional, e quem os organiza define o que o país pode saber sobre a própria população.</p>
<p>A segunda frente é a vigilância, e ela tem endereço. A Amazônia ocupa 60% do território nacional e atravessa mais de 11 mil quilômetros de fronteira. Nos municípios amazônicos de fronteira, a taxa de violência sexual é 36% superior à média nacional, chegando a 163 casos por 100 mil mulheres em algumas cidades. O garimpo ilegal contamina territórios indígenas por mercúrio, e o desmatamento abre corredores para patógenos que não conhecem divisa municipal.</p>
<p>A médica sanitarista Adele Benzaken sintetizou no ciclo: não há atalhos para o futuro do Brasil, e o caminho passa pela floresta, pelos rios, pelo monitoramento inteligente das fronteiras e pelas comunidades mais distantes. Proteger a Amazônia é fazer saúde global, e é um ato de soberania nacional. É também o que dá conteúdo concreto ao conceito de saúde única: a saúde humana, a dos animais e a dos ecossistemas são uma coisa só, e cada quilômetro de floresta derrubada altera as três ao mesmo tempo. O país já tem por onde começar, porque o sistema laboratorial do SUS recebe amostras humanas, animais e ambientais na mesma plataforma. Falta transformar essa possibilidade técnica em rotina de vigilância integrada. Daí a proposta de um programa específico de ciência e tecnologia para vigilância e saúde na região, com tecnologias apropriadas a contextos remotos, remuneração digna dos agentes comunitários e integração entre saúde, ambiente e clima.</p>
<p>Some-se a isso a Rede Integrada de Vigilância e Atenção à Saúde para Mulheres e Populações Vulneráveis nas Fronteiras Amazônicas, com acolhimento psicossocial, notificação compulsória e resposta rápida à violência sexual, e a ação intersetorial entre saúde, meio ambiente e segurança para enfrentar o garimpo ilegal como o problema de saúde pública que ele é.</p>
<p>Há uma terceira carência, que o país trata há décadas como assunto menor. Os transtornos mentais atingem cerca de 10% da população brasileira e recebem 1% dos recursos globais destinados à saúde. A proposta da SBPC é elevar esse percentual para ao menos 5% nos próximos quatro anos, enquanto a OMS recomenda 10%, e integrar indicadores de saúde mental, para além de mortalidade e prescrições, às grandes bases de dados do SUS e ao sistema de vigilância epidemiológica. Não se formula política para o que não se mede, e hoje o país enxerga muito pouco do sofrimento psíquico de sua população, sobretudo entre os mais jovens. Vale acrescentar o que os eixos anteriores já mostraram: dentro do SUS, adoecer e morrer seguem as mesmas linhas de raça, renda e território que organizam todo o resto, e nenhuma política de saúde alcança quem mais precisa se os dados não forem desagregados por esses recortes.</p>
<p>A terceira frente é a mais delicada, porque trata do que acontece quando a evidência contraria a conveniência política. Deisy Ventura, professora titular de Ética da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), identificou no ciclo um dos principais inimigos da saúde pública contemporânea: a campanha de desinformação que encoraja ativamente o descumprimento de medidas sanitárias e corrói a confiança nas instituições de saúde. Foi assim que se enfraqueceu o CDC norte-americano, cuja direção chegou a 2026 com 80% dos cargos vagos, e foi assim que se ampliou o número de mortes evitáveis no Brasil durante a pandemia.</p>
<p>Os números dessa conta são conhecidos e continuam difíceis de escrever: mais de 711 mil mortes associadas à COVID-19, das quais cerca de 300 mil poderiam ter sido evitadas. Nenhuma tecnologia teria compensado a decisão de desautorizar a evidência.</p>
<p>Daí a proposta de um marco legal de proteção à autoridade sanitária baseada em evidências, garantindo que decisões técnicas do Ministério da Saúde e da Anvisa não possam ser revertidas por autoridades políticas sem fundamento científico. Não se trata de blindar especialistas do escrutínio público, que é legítimo e necessário. Trata-se de impedir que uma decisão que custa vidas seja tomada por quem não precisa responder pela evidência que a contradiz.</p>
<p>Proteção institucional, porém, é defesa, e o caderno propõe também a ofensiva: financiar um programa de comunicação estratégica em saúde pública com tráfego pago nas plataformas, em investimento equivalente ao que hoje sustenta a propaganda contra a saúde pública. Enquanto a informação baseada em evidências depender do alcance orgânico e a desinformação for impulsionada com dinheiro, a disputa seguirá desigual por desenho.</p>
<p>O conjunto se completa com a capacidade de antecipação. A SBPC propõe um programa permanente de preparação e resposta a doenças transmissíveis emergentes e reemergentes, integrando vigilância, desenvolvimento de vacinas e plataformas tecnológicas, e um sistema específico de prevenção de futuras epidemias, nos moldes do Centro Brasileiro de Enfrentamento de Emergências em Saúde proposto por especialistas. A sucessão recente de emergências, da COVID-19 à febre amarela, das arboviroses ao Ebola, não deixa dúvida sobre sua necessidade. Uma emergência sanitária não avisa: ela chega e cobra o que foi construído antes.</p>
<p>Preparação, porém, precisa de métrica, ou vira retórica. Não é sobre quantos equipamentos o país possui, mas quanto tempo separa o primeiro sinal anormal de um diagnóstico confiável, de uma sequência genética disponível, de um protótipo de teste e do primeiro lote produzido em território nacional. Cada etapa desse intervalo é uma decisão de política pública, e cada semana economizada nele se traduz em vidas salvas.</p>
<p>Há uma capacidade específica que define esse patamar: identificar um agente que ninguém ainda conhece. O sequenciamento metagenômico permite procurar material genético sem saber de antemão o que se procura, e o próprio guia federal de avaliação de capacidades em emergências, de 2026, classifica a identificação de patógeno desconhecido como o nível mais avançado de maturidade laboratorial. Garantir essa capacidade em centros macrorregionais, com transporte rápido de amostras e equipes permanentes, é o que separa detectar cedo de descobrir tarde.</p>
<p>Há ainda a dimensão internacional, e ela está sendo decidida agora. O Acordo de Pandemias da Organização Mundial da Saúde, adotado em maio de 2025, depende de um anexo sobre acesso a patógenos e repartição de benefícios que segue em negociação em Genebra, com participação brasileira na condução dos trabalhos. O que está em jogo é se o compartilhamento rápido de amostras e sequências genéticas virá acompanhado de acesso verificável aos produtos dele derivados, com transferência de tecnologia e capacidade regional de produção. Foi exatamente essa assimetria que a COVID-19 expôs.</p>
<p>A posição brasileira deveria ser coerente com o que defendemos internamente: compartilhar depressa o que a ciência precisa saber e exigir mecanismos que impeçam a repetição da fila em que os países do Sul esperaram vacinas produzidas com material biológico que eles próprios haviam fornecido. Some-se a isso o vácuo deixado pela saída dos Estados Unidos de fóruns multilaterais, que o Brasil tem condições de ocupar na OMS e na OPAS, compartilhando com a América Latina, a África e o Caribe as tecnologias de vacinas desenvolvidas aqui, o modelo do SUS e os sistemas de vigilância epidemiológica. Exportar saúde pública é uma forma de política externa que poucos países podem oferecer.</p>
<p>Há ainda uma frente que raramente entra no debate e que é caso exemplar de tudo o que foi dito aqui: a política estatal de sangue. Hemoderivados são insumo crítico, de produção complexa e mercado global concentrado, e o caderno defende consolidar essa política sem permitir a privatização de qualquer serviço correlacionado, fortalecendo a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia. Soberania sanitária se mede em casos como esse, não em declarações de princípio.</p>
<p>Por fim, uma correção de rota institucional. A maior parte da pesquisa de interesse do SUS é, e deve ser apoiada também por CNPq, Capes e fundações estaduais, em articulação com o Ministério da Saúde. Tratar ciência em saúde como assunto exclusivo de uma pasta é reduzir o alcance de uma agenda que envolve determinantes sociais, sistemas de saúde, indústria de medicamentos e equipamentos, e a relação entre saúde e sociedade.</p>
<p>Nos programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral, saúde é presença obrigatória, e o vocabulário predominante é o da gestão, como analisado no artigo “O SUS não é um plano de saúde em grande escala”. Registro aqui apenas o que interessa a este eixo: vigilância epidemiológica, soberania de dados em saúde, saúde mental e proteção da autoridade sanitária aparecem pouco ou não aparecem nos programas que analisamos até agora. É uma ausência reveladora, porque são exatamente as capacidades que não se improvisam no momento da crise e que, por isso mesmo, precisam ser decididas agora.</p>
<p>A SBPC não indica candidaturas nem recomenda voto. Compara propostas com evidências, registra convergências e lacunas e cobra mecanismos. É o que o Termo de Compromisso do <strong><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf" target="_blank">Observatório das Eleições 2026</a></strong> pede a cada candidata e a cada candidato: decidir com base no conhecimento científico, nos dados e nas evidências. No caso da saúde, essa exigência tem uma tradução simples. O país já pagou, em vidas, o preço de decidir contra a evidência. A pergunta que 2026 coloca é se aprendemos o suficiente para não pagar de novo.</p>
<p><em>Francilene Procópio Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC</em></p>
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<p><strong>Veja as notas do Especial da Semana – Saúde Pública, Saúde Mental e Vigilância</strong></p>
<p>JC &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/o-sus-nao-e-um-plano-de-saude-em-grande-escala/" target="_blank">O SUS não é um plano de saúde em grande escala</a></p>
<p>JC &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/de-telemedicina-a-ia-presidenciaveis-defendem-expansao-e-modernizacao-do-sus/" target="_blank">De telemedicina à IA, presidenciáveis defendem expansão e modernização do SUS</a></p>
<p>Fiocruz, 24/08/2026 &#8211; <a href="https://fiocruz.br/noticia/2026/08/fiocruz-divulga-carta-aberta-com-contribuicoes-para-eleicoes-2026" target="_blank">Fiocruz divulga carta aberta com contribuições para as eleições 2026</a></p>
<p>The Conversation Brasil, 29/07/2026 &#8211; <a href="https://theconversation.com/eleicoes-e-saude-quais-as-questoes-sobre-o-futuro-do-sus-que-precisam-ser-debatidas-pelos-candidatos-287965" target="_blank">Eleições e saúde: quais as questões sobre o futuro do SUS que precisam ser debatidas pelos candidatos?</a></p>
<p>Outra Saúde, 15/09/2026 &#8211; <a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/eleicoes-os-lapsos-na-saude-mental/" target="_blank">Eleições: os lapsos nos planos para a Saúde Mental</a></p>
<p>Folha de S. Paulo, 09/06/2026 &#8211; <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/financiamento-do-sus-filas-de-consultas-e-efeito-das-bets-desafiam-novo-presidente-na-area-da-saude.shtml" target="_blank">Financiamento do SUS, filas de consultas e efeito das bets desafiam novo presidente na área da saúde</a></p>
<p>Brasil de Fato, 08/09/2026 &#8211; <a href="https://www.brasil247.com/entrevistas/o-orcamento-do-sus-precisa-chegar-a-7-do-pib-diz-nisia-trindade/" target="_blank">“O orçamento do SUS precisa chegar a 7% do PIB”, diz Nísia Trindade</a></p>
<p>The Conversation Brasil, 27/02/2026 &#8211; <a href="https://theconversation.com/uma-visao-historica-do-impacto-da-criacao-do-sus-no-acesso-custo-e-qualidade-da-saude-no-pais-275483" target="_blank">Uma visão histórica do impacto da criação do SUS no acesso, custo e qualidade da saúde no país</a></p>
<p>Jornal da USP, 05/02/2026 &#8211; <a href="https://jornal.usp.br/radio-usp/especialistas-defendem-reformulacao-de-sistemas-de-saude-na-amazonia-diante-das-mudancas-climaticas-2/" target="_blank">Especialistas defendem reformulação de sistemas de saúde na Amazônia diante das mudanças climáticas</a></p>
<p>CNN Brasil, 14/01/2026 &#8211; <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/crise-climatica-pesquisadores-defendem-novo-modelo-de-saude-na-amazonia/" target="_blank">Crise climática: pesquisadores defendem novo modelo de saúde na Amazônia</a></p>
<p>CNN Brasil, 09/06/26 &#8211; <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/envelhecimento-acelerado-desafia-sustentabilidade-da-sistema-de-saude/#goog_rewarded" target="_blank">Envelhecimento acelerado desafia sustentabilidade dos sistemas de saúde</a></p>
<p>G1, 07/07/2025 &#8211; <a href="https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/07/07/brasil-tem-cronico-subfinanciamento-do-sus-e-precisaria-investir-mais-em-saude-diz-estudo-do-senado.ghtml" target="_blank">Brasil tem “crônico subfinanciamento” do SUS e precisaria investir mais em Saúde, diz estudo do Senado</a></p>
<p>Agência Senado, 24/06/2026 &#8211; <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/06/24/vacinas-debatedores-afirmam-que-pais-precisa-estar-preparado-para-novas-pandemias" target="_blank">Vacinas: debatedores afirmam que País precisa estar preparado para novas pandemias</a></p>
<p>Agência Senado, 10/4/2026 &#8211; <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2026/04/saneamento-basico-a-pauta-bilionaria-que-segue-fora-do-debate-politico-eleitoral" target="_blank">Saneamento básico: a pauta bilionária fora do debate eleitoral</a></p>
<p>Brasil de Fato, 18/09/2026 &#8211; <a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/09/18/sus-e-referencia-internacional-e-cultura-midiatica-ajuda-a-compreender-importancia-do-sistema/" target="_blank">SUS é referência internacional e cultura midiática ajuda a compreender importância do sistema</a></p>
<p>Jota, 30/06/2026 &#8211; <a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/o-plasma-brasileiro-e-a-corrida-global-por-soberania-em-saude" target="_blank">O plasma brasileiro e a corrida global por soberania em saúde</a></p>
<p>Jota, 18/09/2026 &#8211; <a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/quem-financia-o-vale-da-morte-da-inovacao-em-saude" target="_blank">Quem financia o &#8216;vale da morte&#8217; da inovação em saúde?</a></p>
<p>Brasil de Fato, 12/06/2026 &#8211; <a href="https://www.brasildefato.com.br/colunista/o-sus-no-seu-cotidiano/2026/06/12/o-sus-o-voto-das-mulheres-e-as-eleicoes-2026/" target="_blank">O SUS, o voto das mulheres, e as eleições 2026</a></p>
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		<title>EDITORIAL &#8211; Quem produz o conhecimento: equidade e educação no Brasil que queremos</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 19:29:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[“Um país que decide quem entra na escola, quem permanece na universidade e quem recebe uma bolsa está decidindo, ao mesmo tempo, que perguntas será capaz de fazer sobre o próprio futuro”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Garcia, em editorial desta sexta-feira]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Um país que decide quem entra na escola, quem permanece na universidade e quem recebe uma bolsa está decidindo, ao mesmo tempo, que perguntas será capaz de fazer sobre o próprio futuro”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Garcia, em editorial desta sexta-feira</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-11-at-17.26.38.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-30987 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-11-at-17.26.38-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-09-11 at 17.26.38" width="300" height="300" /></a>Prossegue a série de editoriais que a SBPC dedica ao debate eleitoral de 2026. Os textos anteriores trataram do financiamento da ciência e da soberania nacional, e depois do território, onde clima, biodiversidade, segurança alimentar e segurança pública se encontram. Chegamos agora a dois eixos do caderno <em><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf" target="_blank">Vozes da Ciência — O Brasil que Queremos</a></em> que respondem a outra pergunta: equidade, diversidade e justiça social, de um lado; educação, formação e universidade, de outro.</p>
<p>Se os eixos anteriores perguntavam o quê e onde, estes perguntam quem. Quem estuda, quem ensina, quem pesquisa, quem decide o que merece ser investigado. É uma pergunta que o debate eleitoral costuma tratar como assunto de política social, quando é também, e diretamente, assunto de política científica. A composição da comunidade científica determina as perguntas que essa comunidade faz, e as perguntas determinam o que o país vem a saber sobre si mesmo.</p>
<p>A desigualdade brasileira não é efeito colateral do desenvolvimento, é a sua estrutura. O país registra coeficiente de Gini em torno de 0,55, com o 1% mais rico detendo 25% da renda nacional enquanto metade da população fica com 9%. O racismo é a pedra angular dessa arquitetura, e sua face mais cruel é a violência: das quatro mulheres assassinadas por dia no Brasil, três são negras, e uma pessoa trans é morta a cada dia e meio, com vítimas majoritariamente negras e jovens.</p>
<p>Essa estrutura atravessa a própria ciência. Apenas 12% dos bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq são pretos ou pardos, num país em que essa população é 55,5% do total. A UnB tem dois professores indígenas depois de trinta anos de debate sobre diversidade. Passaram-se 45 anos desde que o Movimento Negro Unificado pediu uma ciência a serviço das etnias oprimidas, e o desafio permanece. Como sintetizou Nilma Lino Gomes no ciclo, toda inovação carrega valores, e a pergunta que importa é quais valores estamos colocando no centro.</p>
<p>Não é problema apenas de justiça, é de qualidade. Uma ciência que não reflete a sociedade que a financia produz conhecimento incompleto, porque deixa de fazer perguntas que ninguém em seu quadro tem razão para formular. Diversidade, nesse sentido, não é concessão a um grupo: é método. Ampliar quem pergunta amplia o que o país é capaz de descobrir.</p>
<p>O ciclo mostrou como isso se materializa nas tecnologias que estão sendo construídas agora. Sara Wagner York propôs pensar o duplo mapeamento: além do mapa visível dos territórios, há o mapa dos corpos implicados, e quando o território passa a ser o corpo, os dados mudam de sentido. Plataformas de inteligência artificial reproduzem hierarquias raciais, e modelos brasileiros apresentam disparidades no tratamento de conteúdos sobre cultura afro-brasileira e indígena, em desacordo com as Leis 10.639 e 11.645. Sistemas treinados sobre um retrato desigual do país devolvem esse retrato como se fosse natureza.</p>
<p>Daí as propostas do eixo. Ampliar políticas afirmativas para a contratação de docentes negros e indígenas nas universidades públicas e nos institutos de pesquisa, com metas graduais, plano público e avaliação de resultados. Destinar 25% das bolsas de produtividade a docentes negros e ao menos 10% a docentes indígenas até 2030, com recortes regionais e de gênero para não produzir novas desigualdades, e assegurar equidade de gênero na distribuição dessas bolsas.</p>
<p>A ação afirmativa já tem base legal consolidada: a Lei nº 14.723/2023 prorrogou a política por mais uma década e estendeu sua incidência à pós-graduação. O que falta é implementação isonômica e regular, como mostrou a radiografia conduzida por Joaze Bernardino-Costa, que integrou a mesa de diversidade do ciclo: menos da metade das universidades federais havia aprovado ação afirmativa em seus programas de pós-graduação. Sem completar esse ciclo, a diversidade conquistada na graduação não chega ao corpo docente nem aos espaços de decisão.</p>
<p>Some-se a isso o financiamento estrutural e permanente para pesquisas com recorte étnico-racial, de gênero e regional no CNPq, na Capes e nas fundações estaduais, superando a dependência de termos de execução descentralizada e de emendas parlamentares de curto prazo, que fazem de uma agenda de Estado um favor renovável a cada ano. E a transversalidade racial explícita nas políticas de saúde, educação, habitação, saneamento e segurança, com dados desagregados por raça, gênero e região como instrumento obrigatório de avaliação.</p>
<p>Há ainda o que o ciclo tratou como reconhecimento epistêmico: admitir a existência de três grandes sistemas de conhecimento, o científico ocidental, o indígena e o africano, com direito à institucionalidade própria e ao diálogo simétrico, e não à captura. Incorporar tradições indígenas e afro-brasileiras como eixos estruturantes dos currículos, levando às bibliotecas escolares os mais de 500 títulos publicados por autores indígenas nas últimas três décadas. Apoiar a articulação e a difusão do pensamento de intelectuais indígenas. E revisar os critérios de avaliação da produção científica brasileira, reduzindo a pressão pela publicação em periódicos do Norte Global como único critério de mérito e reconhecendo as pesquisas voltadas a problemas locais e nacionais.</p>
<p>O segundo eixo começa onde tudo começa. A soberania de um país se constrói muito antes do laboratório, na escola pública que forma a maioria dos brasileiros. Renato Cordeiro resumiu no ciclo: a China só chegou ao lado oculto da Lua porque decidiu que cada jovem teria acesso a uma escola de excelência, independentemente do seu código postal, e a soberania se constrói do chão da escola primária ao laboratório de nanotecnologia.</p>
<p>O país acaba de conquistar seu principal instrumento nesse campo. A Lei nº 15.388, sancionada em 14 de abril de 2026 sem vetos, aprovou o Plano Nacional de Educação para o decênio 2026-2036, com 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias, meta de investimento de 10% do PIB e, pela primeira vez, o princípio da equidade presente em todos os objetivos, com metas voltadas à redução de desigualdades entre grupos sociais. O texto vincula ainda parcela das receitas da exploração de petróleo e gás à educação pública. O desafio deixou de ser a aprovação e passou a ser a materialização.</p>
<p>Materializar significa enfrentar o que os números mostram. Entre 80% e 90% dos novos professores da rede pública são formados em instituições privadas, mais da metade na modalidade a distância, sem regulação efetiva da qualidade. Professores da rede fazem transporte por aplicativo, vendem comida e fazem faxina para sobreviver. Rosemara Staub de Barros descreveu um professor de arte com vinte turmas em três escolas, sem tempo de conhecer quem são seus alunos, e concluiu que a democracia ainda não chegou ao ensino de arte.</p>
<p>No outro extremo da cadeia, a situação não é melhor. A bolsa de pós-doutorado das agências federais está em R$ 5.200 e precisaria de 45% de reajuste apenas para recuperar o poder de compra de 2013. O CNPq opera em 2026 com orçamento real equivalente ao de 2007. Pós-graduandos se formam sem direitos previdenciários, sem concursos, sem futuro garantido, e o Profix cobre menos de 5% dos doutores formados a cada ano. Enquanto isso, universidades chinesas assumiram as duas primeiras posições do Ranking de Leiden em 2026.</p>
<p>Não há política de Estado que sobreviva a professores obrigados a um segundo emprego para chegar ao fim do mês, nem a doutores formados para o desemprego. Formar quadros e não conseguir retê-los é a forma mais cara de desperdício público que um país em desenvolvimento pode praticar: paga-se o custo integral da formação e transfere-se o benefício para quem oferece condições de trabalho.</p>
<p>As propostas do eixo partem daí. Implementar a Lei nº 15.388/2026 com o Custo Aluno Qualidade como referência orçamentária obrigatória e aprovar mecanismo legal que proteja as metas contra descontinuidades políticas e contingenciamentos. Garantir o piso salarial nacional dos professores como piso real, com mecanismo federal de controle e punição para os entes que descumprem. Criar licença remunerada para formação continuada, com garantia de retorno ao cargo e sem perda de vencimentos, e facilitar o acesso de docentes da rede pública à pós-graduação.</p>
<p>Na cadeia da pesquisa, ampliar o Profix para alcançar ao menos 10% dos doutores formados por ano, com bolsas de valor digno, e garantir direitos previdenciários aos pós-graduandos bolsistas, reconhecendo a pós-graduação como trabalho científico, o que depende da tramitação no Senado do PL 6.284/2013, já aprovado na Câmara. Assegurar financiamento público estável e de longo prazo às universidades e institutos federais, definidos como setor estratégico do Estado e protegidos de contingenciamento.</p>
<p>Some-se a isso a desmilitarização das escolas públicas, com o retorno aos princípios da educação democrática consagrados no artigo 206 da Constituição, e a gestão democrática com eleição direta de diretores. O letramento digital dos professores e a inserção da inteligência artificial como componente curricular, com capacitação e equipamentos para todas as escolas públicas. A interiorização universitária acompanhada de transformação curricular efetiva, porque universidades que recebem estudantes indígenas e quilombolas precisam adaptar currículos, metodologias e estruturas, não apenas conceder acesso formal. E uma política nacional de materiais didáticos territorializados, para escolas ribeirinhas, indígenas, quilombolas, amazônicas e periféricas, reconhecendo que um único livro didático não representa o Brasil.</p>
<p>Nos programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral, educação é presença garantida, e equidade racial e de gênero aparece em vários deles. A distância continua sendo entre enunciado e mecanismo. Nos programas que analisamos até aqui, não encontramos definição de fonte para a meta de 10% do PIB agora inscrita em lei, nem compromisso com o Custo Aluno Qualidade como referência obrigatória, nem previsão de direitos previdenciários para os bolsistas, nem metas verificáveis de presença negra e indígena no corpo docente e nas bolsas de produtividade. Um plano decenal aprovado sem trajetória de financiamento pactuada é uma promessa de dez anos com validade de um ciclo orçamentário.</p>
<p>É por isso que a SBPC e a Academia Brasileira de Ciências vêm construindo, a partir do desafio lançado à comunidade científica na 78ª Reunião Anual, o documento Brasil 2040, ainda em elaboração. Formar, fixar e diversificar quem produz conhecimento é parte central dessa agenda, ao lado da trajetória que leva o investimento em pesquisa e desenvolvimento a 2% do PIB até 2034, com marcos intermediários verificáveis. Não se sustenta uma política científica de longo prazo sem as pessoas que a executarão, e essas pessoas estão hoje na escola pública, na graduação interiorizada, nos programas de pós-graduação que dependem de uma bolsa para existir.</p>
<p>A SBPC não indica candidaturas nem recomenda voto. Compara propostas com evidências, registra convergências e lacunas e cobra mecanismos. É o que o Termo de Compromisso do Observatório das Eleições 2026 pede a cada candidata e a cada candidato: decidir com base no conhecimento científico, nos dados e nas evidências. Ao fim, a pergunta destes dois eixos é simples e decisiva. Um país que decide quem entra na escola, quem permanece na universidade e quem recebe uma bolsa está decidindo, ao mesmo tempo, que perguntas será capaz de fazer sobre o próprio futuro.</p>
<p><em>Francilene Procópio Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)</em></p>
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<p>Veja as notas do <strong>Especial da Semana – Educação e desigualdades </strong></p>
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<p>JC Notícias &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/sete-dos-13-presidenciaveis-nao-possuem-politicas-de-equidade-racial/" target="_blank">Sete dos 13 presidenciáveis não possuem políticas de equidade racial</a></p>
<p>SBT News, 02/09/2026 &#8211; <a href="https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/veja-propostas-dos-presidenciaveis-no-combate-a-desigualdade" target="_blank">Veja propostas dos presidenciáveis no combate à desigualdade</a></p>
<p>JC Notícias &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/de-escolas-civico-militares-a-reestruturacao-do-mec-presidenciaveis-contrariam-recomendacoes-da-comunidade-cientifica/" target="_blank">De escolas cívico-militares à reestruturação do MEC, presidenciáveis contrariam recomendações da sociedade científica</a></p>
<p>BBC Brasil – <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cjrx48eep5ro" target="_blank">Eleições 2026: o que os candidatos propõem para a Educação?</a></p>
<p>Todos pela Educação – <a href="https://todospelaeducacao.org.br/noticias/educacao-nas-eleicoes-2026-analise-das-propostas-para-a-educacao-basica-dos-candidatos-a-presidencia-da-republica/" target="_blank">Educação nas eleições 2026 – Análise do Todos Pela Educação das propostas para a Educação Básica dos candidatos à presidência da República</a></p>
<p>Nexo, 30/08/2026 &#8211; <a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2026/08/30/candidatos-eleicoes-2026-presidente-educacao" target="_blank">O que os candidatos prometem para a educação</a></p>
<p>Monitor Mercantil, 08/09/2026 &#8211; <a href="https://monitormercantil.com.br/a-eleicao-presidencial-e-a-educacao/" target="_blank">A eleição presidencial e a educação</a></p>
<p>Valor &#8211; <a href="https://valor.globo.com/opiniao/ana-maria-diniz/coluna/o-proximo-presidente-e-a-educacao.ghtml" target="_blank">O próximo presidente e a educação</a></p>
<p>Alma Preta, 26/08/2026 &#8211; <a href="https://almapreta.com.br/sessao/politica/candidatos-presidencia-propostas-contra-racismo/" target="_blank">Apenas 5 candidatos à Presidência têm propostas para combater racismo</a></p>
<p>Oxfam Brasil, 19/08/26 &#8211; <a href="https://www.oxfam.org.br/concentracao-de-riqueza-amplia-desigualdade-de-poder-e-ameaca-democracia-no-brasil-aponta-oxfam/" target="_blank">Concentração de riqueza amplia desigualdade de poder e ameaça democracia no Brasil, aponta Oxfam</a></p>
<p>Oxfam Brasil, 20/11/25 &#8211; <a href="https://www.oxfam.org.br/a-raiz-da-desigualdade-esta-no-topo/" target="_blank">A raiz da desigualdade está no topo</a></p>
<p>Fabíola Sinimbú Agência Brasil, 12/08/2026 &#8211; <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-08/brasil-reduz-pobreza-mas-amplia-desigualdades-mostra-estudo" target="_blank">Brasil reduz pobreza, mas amplia desigualdades, mostra estudo</a></p>
<p>Metrópoles – <a href="https://www.metropoles.com/brasil/apesar-de-reduzir-a-pobreza-desigualdade-social-aumentou-no-brasil" target="_blank">Apesar de reduzir a pobreza, desigualdade social aumenta no Brasil</a></p>
<p>O Globo &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/economia/especial/o-pais-que-queremos-o-destino-do-bolsa-familia.ghtml" target="_blank">O país que queremos: o destino do Bolsa Família</a></p>
<p>FGV, 29/05/2026 &#8211; <a href="https://portal.fgv.br/noticias/estudo-sobre-bolsa-familia-aponta-aumento-do-emprego-e-reducao-da-mortalidade-entre" target="_blank">Estudo sobre Bolsa Família aponta aumento do emprego e redução da mortalidade entre famílias em extrema pobreza</a></p>
<p>Le Monde Diplomatique, 15/04/2026 &#8211; <a href="https://diplomatique.org.br/juventudes-negras-mercado-de-trabalho-e-os-filtros-invisiveis-da-desigualdade-no-brasil/" target="_blank">Juventudes negras, mercado de trabalho e os filtros invisíveis da desigualdade no Brasil</a></p>
<p>CNN Brasil, 12/08/26 &#8211; <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/sobrerrepresentacao-de-negros-em-prisoes-se-agravou-em-2025-diz-relatorio/" target="_blank">Sobrerrepresentação de negros em prisões se agravou em 2025, diz relatório</a></p>
<p>Ascom/MDS &#8211; 12/08/2026 &#8211; <a href="https://www.gov.br/mds/pt-br/noticias/pacto-pelo-combate-as-desigualdades-divulga-relatorio-2026-do-observatorio-brasileiro-das-desigualdades" target="_blank">Pacto pelo Combate às Desigualdades divulga relatório 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades</a></p>
<p>Brasil de Fato, 25/11/2025 &#8211; <a href="https://www.brasildefato.com.br/2025/11/25/apenas-15-das-negras-e-11-dos-negros-tem-diploma-universitario-proporcao-entre-brancos-e-mais-que-o-dobro/" target="_blank">Apenas 15% das negras e 11% dos negros têm diploma universitário; proporção entre brancos é mais que o dobro</a></p>
<p>Focus Brasil, 29/07/2025- <a href="https://fpabramo.org.br/as-cotas-mudaram-o-brasil-universitario-afirma-sociologa/" target="_blank">“As cotas mudaram o Brasil universitário”, afirma socióloga; estudo aponta que negros e pobres já são maioria nas universidades públicas</a></p>
<p>Gife, 01/12/2025 &#8211; <a href="https://gife.org.br/desigualdade-no-brasil-mantem-jovens-negros-longe-da-universidade-revela-estudo/" target="_blank">Desigualdade no Brasil mantém jovens negros longe da universidade, revela estudo</a></p>
<p>CNN Brasil, 25/11/25 &#8211; <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-educacional-entre-negros-persiste-apesar-de-avancos/#goog_rewarded" target="_blank">Desigualdade educacional entre negros e brancos persiste apesar de avanços</a></p>
<p>Nexo, 07/07/2026 &#8211; <a href="https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2026/07/07/ambivalencias-da-ascensao-as-experiencias-de-cotistas-durante-e-depois-da-universidade" target="_blank">Ambivalências da ascensão: as experiências de cotistas durante e depois da universidade</a></p>
<p>Folha de S. Paulo, 16/02/2026 &#8211; <a href="https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/02/cotas-ampliam-acesso-a-medicina-mas-nao-garantem-vaga-na-residencia-diz-estudo.shtml" target="_blank">Cotas ampliam acesso à medicina, mas não garantem vaga na residência, diz estudo</a></p>
<p>Jornal Opção, 11/04/2026 &#8211; <a href="https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/censo-aponta-que-estudantes-cotistas-tem-maior-taxa-de-conclusao-no-ensino-superior-814510/" target="_blank">Censo aponta que estudantes cotistas têm maior taxa de conclusão no ensino superior</a></p>
<p>O Globo, 11/08/2026 &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2026/08/apenas-1percent-dos-magistrados-brasileiros-ingressou-na-carreira-por-cotas-raciais.ghtml" target="_blank">Apenas 1% dos magistrados brasileiros ingressou na carreira por cotas raciais</a></p>
<p>Unifesp &#8211; <a href="https://repositorio.unifesp.br/items/be1ce7c7-4417-43b8-a27c-6009da8cfac5" target="_blank">Sou_Ciência lança documento com compromissos com a educação superior, a ciência e a tecnologia nacionais (2027-futuro)</a></p>
<p>Anpes, 28/07/2026 &#8211; <a href="https://anped.org.br/sociedades-associacoes-e-entidades-da-educacao-lancam-documento-com-principios-e-orientacoes-para-as-eleicoes-2026/" target="_blank">Sociedades, associações e entidades da educação lançam documento com princípios e orientações para as eleições 2026</a></p>
<p>Todos Pela Educação, 15/04/2026 &#8211; <a href="https://todospelaeducacao.org.br/noticias/todos-pela-educacao-apresenta-recomendacoes-para-a-agenda-educacional-no-proximo-ciclo-de-governo/" target="_blank">Todos Pela Educação apresenta recomendações para a agenda educacional no próximo ciclo de governo</a></p>
<p>G1, 08/09/2026 &#8211; <a href="https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2026/09/08/especial-eleicoes-como-a-educacao-pode-mudar-a-cara-do-brasil-o-assunto-1799.ghtml4" target="_blank">Podcast “O assunto” aborda como a educação pode mudar a cara do Brasil?</a></p>
<p>Le Monde Diplomatique, 10/02/2026 &#8211; <a href="https://diplomatique.org.br/as-eleicoes-de-2026-e-os-possiveis-impactos-para-a-docencia-no-brasil/" target="_blank">As eleições de 2026 e os possíveis impactos para a docência no Brasil</a></p>
<p>Todos pela Educação, 03/09/2026 &#8211; <a href="https://todospelaeducacao.org.br/noticias/educacao-influencia-o-voto-de-71-dos-brasileiros-aponta-pesquisa/" target="_blank">Educação influencia o voto de 71% dos brasileiros, aponta pesquisa</a></p>
<p>The Conversation Brasil &#8211; <a href="https://theconversation.com/discriminacao-de-genero-persiste-na-pos-graduacao-mesmo-em-instituicoes-que-defendem-a-igualdade-285558%5d" target="_blank">Discriminação de gênero persiste na pós graduação, mesmo em instituições que defendem a igualdade</a></p>
<p>Brasil de Fato, 15/04/2026 – <a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/04/15/como-genero-e-raca-sao-fatores-de-desigualdade-para-entrada-e-permanencia-no-mercado-de-trabalho/" target="_blank">Como gênero e raça são fatores de desigualdade para entrada e permanência no mercado de trabalho</a></p>
<p>O Globo &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/03/10/mulheres-so-ganham-mais-em-setores-onde-sao-minoria-aponta-estudo.ghtml" target="_blank">Mulheres só ganham mais em setores onde são minoria, aponta estudo</a></p>
<p>Agência Brasil, 03/04/2026 &#8211; <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/geral/audio/2026-03/desigualdade-entre-mulheres-e-homens-no-mercado-de-trabalho-persiste" target="_blank">Desigualdade entre mulheres e homens no mercado de trabalho persiste</a></p>
<p>Agência Brasil &#8211; <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-09/numero-de-lares-com-idosos-em-inseguranca-alimentar-cai-em-dois-anos" target="_blank">Número de lares com idosos em insegurança alimentar cai em dois anos</a></p>
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]]></content:encoded>
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		<title>EDITORIAL &#8211; O território é a escolha: clima, biodiversidade e democracia no Brasil que queremos</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 19:42:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[“Clima e institucionalidade democrática não são agendas setoriais que se cumprem em um mandato. São condições de existência de um projeto de nação, e por isso pedem instrumentos que sobrevivam à alternância de poder”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Garcia, em editorial desta sexta-feira]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Clima e institucionalidade democrática não são agendas setoriais que se cumprem em um mandato. São condições de existência de um projeto de nação, e por isso pedem instrumentos que sobrevivam à alternância de poder”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Garcia, em editorial desta sexta-feira</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-04-at-16.22.54.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-30880 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-04-at-16.22.54-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-09-04 at 16.22.54" width="300" height="300" /></a>Prossegue nesta edição a série de editoriais que a SBPC dedica ao debate eleitoral de 2026. O texto anterior tratou dos dois primeiros eixos do caderno <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf">“<em>Vozes da Ciência — O Brasil que Queremos”</em></a>: o financiamento da ciência e da tecnologia como política de Estado, que sustenta todas as demais agendas, e a soberania nacional em suas dimensões digital, tecnológica e sanitária, dos data centers às cadeias de insumos farmacêuticos. Chegamos agora a dois eixos que o debate público costuma manter em compartimentos separados: sustentabilidade, clima, biodiversidade e segurança alimentar, de um lado; democracia e segurança pública, de outro.</p>
<p>Tratá-los juntos não é conveniência desse editorial. É o que os dados impõem. Os dois eixos se encontram no mesmo lugar, o território. A Amazônia atravessa nove das treze mesas do ciclo: como laboratório de epidemias futuras, como fronteira do garimpo ilegal, como território de povos que são sujeitos de direito e produtores de conhecimento próprio, como espaço de violência subnotificada, como coração de uma bioeconomia ainda não decidida. São 344 municípios amazônicos sob influência do crime organizado. Não há floresta em pé sem Estado de Direito, e não há Estado de Direito onde a única presença do Estado é a força.</p>
<p>O Brasil reúne uma combinação de ativos que nenhum outro país possui. Abriga 20% da biodiversidade do planeta, tem a matriz elétrica mais limpa entre as grandes economias e a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mineral estratégico para a inteligência artificial e para a transição energética. A fixação biológica de nitrogênio na soja, resultado de décadas de pesquisa da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), economiza cerca de US$ 27 bilhões por safra, prova de que ciência pública se converte em riqueza real quando há continuidade de política. O que nos falta não é potencial, é a decisão.</p>
<p>A Mata Atlântica tem 85% de seu território degradado. O aquecimento global já alcançou 1,37°C acima dos níveis pré-industriais e avança a cerca de 0,25°C por década, e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente reconheceu, pela primeira vez, que a ultrapassagem do limite de 1,5°C do Acordo de Paris é inevitável nos próximos anos, o que desloca a adaptação do rodapé para o centro da política climática. No Brasil tropical, a projeção é de aquecimento entre 2,8°C e 4°C até 2100. O Brasil tem 28 milhões de hectares de pastagens degradadas, área três vezes maior que Portugal, e ainda assim floresta em pé continua valendo menos que floresta derrubada. Enquanto isso, dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) indicam correlação direta entre focos de calor e surtos de malária, doenças respiratórias e acidentes com animais peçonhentos: cada quilômetro de floresta destruída é também um corredor para novos vírus.</p>
<p>No campo alimentar, há o que comemorar e o que concluir. O relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) divulgado em julho manteve o Brasil fora do Mapa da Fome, condição reconquistada em 2025 e alcançada antes apenas em 2013, e registrou a insegurança alimentar severa no menor patamar da série histórica, 0,6% da população, cerca de 1,2 milhão de pessoas, com 16,7 milhões deixando essa condição no triênio 2023-2025. Vale a precisão: são indicadores distintos e não somáveis. O Mapa da Fome se define pela prevalência de subalimentação, estimada a partir da disponibilidade calórica e da distribuição de renda, cujo limiar de 2,5% o país mantém abaixo; os 0,6% vêm da escala que registra o que as famílias relatam ter vivido, ficar sem alimento, passar fome, um dia inteiro sem comer. Um mede disponibilidade, o outro mede experiência.</p>
<p>É resultado de políticas públicas que a ciência brasileira ajudou a desenhar, monitorar e avaliar, e prova de que a fome, como nos ensinou Josué de Castro, não é destino, mas construção, e por isso pode ser desfeita. Ainda assim, mais de um milhão de brasileiros convive com a fome extrema, cerca de 20,3 milhões seguem em insegurança alimentar moderada ou grave, e a própria FAO adverte que conflitos e eventos climáticos extremos ameaçam os avanços conquistados. Um país que abriga 20% da vida do planeta e reconquistou seu lugar fora do Mapa da Fome com método e política pública não enfrenta dois problemas separados, um ambiental e outro social: enfrenta um só, o de decidir se o conhecimento estará ou não no centro de suas escolhas.</p>
<p>É preciso dizer, ainda, que a agenda ambiental brasileira não se resume à Amazônia. O Cerrado, berço das águas que abastecem boa parte do país, o Pantanal, submetido a ciclos de fogo cada vez mais severos, e a Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, seguem tratados como notas de rodapé em documentos que se pretendem nacionais. No semiárido, segurança hídrica e culturas adaptadas ao calor extremo são temas de sobrevivência, não de paisagem, e é no Nordeste que se concentra grande parte da geração eólica e solar do país, o que faz da região o teste concreto de se a transição energética gerará empregos qualificados e indústria aqui ou apenas exportará energia barata. Equidade regional não é um capítulo à parte da agenda climática. É a condição para que ela seja nacional.</p>
<p>Nada disso é horizonte distante. Paulo Artaxo, que integrou a mesa de clima do ciclo, e Virgilio Viana alertam para a possibilidade de um El Niño de grande intensidade em 2026-27, que encontraria uma Amazônia mais frágil do que a das secas de 2023 e 2024, quando 60 dos 62 municípios do Amazonas decretaram emergência. Numa região em que o rio é a principal infraestrutura pública de transporte, seca prolongada significa aula interrompida, equipe de saúde impedida de chegar, pesca comprometida e insegurança alimentar agravada, com efeitos que alcançam a economia nacional.</p>
<p>Preparar-se exige tratar a adaptação como política econômica, social e ambiental: fortalecer a Defesa Civil, garantir estoques estratégicos e planos de contingência para saúde, educação e transporte e, ao mesmo tempo, elevar a resiliência estrutural da floresta, com redução do desmatamento e das queimadas e restauração de áreas degradadas.</p>
<p>Daí decorrem as propostas do eixo. A primeira é tratar a biodiversidade como projeto de Estado, e não como vocação difusa, articulando INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Embrapa, Fiocruz, universidades e povos e comunidades tradicionais, com participação justa das populações locais, respeito à consulta prévia e proteção efetiva contra a biopirataria física e digital. A segunda é assegurar o desmatamento zero na Amazônia até 2030, com mecanismos de fiscalização verificáveis, e recuperar 28 milhões de hectares de pastagens degradadas em dez anos, integrando lavoura, pecuária e floresta com a ciência já disponível.</p>
<p>Recuperar pastagem é a via mais direta para produzir mais sem abrir novas áreas de vegetação nativa, e é menos uma agenda ambiental do que uma oportunidade para o produtor que planeja sua produtividade no médio e no longo prazo: com manejo adequado do solo, tecnologia e assistência técnica, áreas hoje improdutivas voltam a gerar alimento e renda. A vegetação nativa conservada, por sua vez, pode complementar a remuneração de quem produz, pela bioeconomia e pelo pagamento por serviços ambientais, e um mercado regulado de crédito de carbono vinculado ao agro daria preço verificável a quem recupera solo e sequestra carbono. Há aí, inclusive, uma contribuição brasileira ao debate internacional: o relatório do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) dá pouca ênfase à remoção de carbono por florestas e à recuperação de terras degradadas, justamente o terreno em que o Brasil tem vantagem comparativa. É a ponte mais concreta entre a agenda climática e o setor produtivo, e o país já dispõe, na Embrapa, nas universidades e na rede de assistência técnica, do conhecimento necessário para atravessá-la.</p>
<p>A terceira é concluir e fortalecer a regulamentação da Lei nº 15.070/2024, com padrões técnicos rigorosos, certificação laboratorial e rastreabilidade para bioinsumos, porque produtos ineficazes comprometem a credibilidade da inovação nacional no setor. A quarta é instituir uma Política Nacional de Sistemas Alimentares Sustentáveis, com merenda escolar abastecida pela agricultura familiar, e um Plano Nacional de Ciência e Tecnologia para a agricultura familiar e a agroecologia, convertendo conhecimento científico diretamente no combate à fome.</p>
<p>A quinta é decidir o que faremos com nossos minerais estratégicos: lítio, nióbio e terras raras precisam ser refinados e transformados aqui, em ímãs, baterias e semicondutores, e a política industrial da eólica <em>offshore</em>, da solar e do hidrogênio verde deve exigir conteúdo nacional e transferência de tecnologia, vedando a importação de parques completos. A assimetria é conhecida: a China concentra cerca de 60% da mineração de terras raras, 91% do refino e 94% da fabricação de ímãs permanentes, enquanto o Brasil, dono da segunda maior reserva do planeta, responde por cerca de 1% da participação global. E a China chegou lá com uma política iniciada em 1981, combinando planejamento, escala e compras públicas, o que diz menos sobre vocação e mais sobre horizonte temporal.</p>
<p>A sexta, e talvez a mais característica do olhar da comunidade científica, é integrar os dados climáticos do INPE, do IPAM e do MapBiomas como infraestrutura de saúde pública: monitorar desmatamento é prevenir epidemias, e essa informação precisa chegar ao sistema de vigilância, não apenas ao debate ambiental.</p>
<p>A essas se somam a submissão de qualquer projeto de exploração na Margem Equatorial a avaliação ambiental rigorosa e independente, a inclusão dos oceanos e da nossa zona econômica exclusiva nesse quadro, a instituição da adaptação climática como eixo permanente do planejamento público, o tratamento conjunto das Convenções do Rio/92 e a incorporação de biodiversidade e bioeconomia como conteúdo curricular desde o ensino fundamental, formando a geração que explorará soberanamente esses ativos. <strong>Nenhum país se torna soberano exportando aquilo que não aprendeu a transformar, e a distância entre vender minério e vender semicondutor, entre exportar safra e exportar tecnologia, tem um nome: ciência</strong>. É essa distância que a pesquisa brasileira já sabe percorrer, desde que o Estado decida contratá-la para isso.</p>
<p>O eixo da democracia e da segurança pública parte de números que não descrevem desvios individuais, mas um padrão institucional. Registros oficiais apontam 23.139 mortes por ações policiais no Rio de Janeiro entre 2003 e 2025, e para cada policial morto em confronto 251 civis foram mortos pela polícia. O sistema prisional passou de 90 mil para 800 mil presos em trinta anos e tornou-se base logística de mais de 90 facções presentes em todos os estados. Das 39 instituições mapeadas no mundo com a missão de proteger cientistas de ataques, ameaças e processos abusivos, nenhuma está no Brasil. Como observou Pedro Serrano no ciclo, as democracias contemporâneas não são destruídas por golpes formais, mas esvaziadas por medidas de exceção que operam em seu interior, e o inimigo escolhido por esse sistema tem rosto definido: jovem, negro, pobre, periférico. Luiz Eduardo Soares foi além e apontou o que nenhum diagnóstico setorial resolve: nenhum governador do período democrático efetivamente comandou as instituições policiais.</p>
<p>Ainda assim, é a própria ciência brasileira que aponta o caminho e já entrega resultado. Em sua décima edição, o Atlas da Violência, produzido pelo Ipea com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública a partir dos sistemas de informação do Ministério da Saúde, registrou a menor taxa de homicídios desde 1998 e, no mesmo movimento, mostrou por que a média não basta: ao reincorporar as mortes violentas sem intenção determinada, a redução em relação ao ano anterior praticamente desaparece, e a queda que existe é mais lenta entre pessoas negras. Dez anos de parceria entre pesquisa pública e sociedade civil transformaram registros dispersos em conhecimento capaz de orientar o Estado, desagregado por raça, gênero, idade e território, e o relatório aponta o que a evidência sustenta: inteligência, integração de dados, asfixia financeira do crime e prevenção social, e não o endurecimento penal que o país repete há décadas sem resultado.</p>
<p>Os dois eixos não se tocam apenas por analogia. Eles se tocam no garimpo ilegal, que é simultaneamente crime ambiental, economia do crime organizado e emergência sanitária, com contaminação por mercúrio em territórios indígenas cujos efeitos a ciência brasileira já documentou. Tocam-se no assassinato de defensores ambientais e de lideranças tradicionais, ponto em que a destruição dos biomas e a violência contra pessoas deixam de ser dois problemas e passam a ser um só. Tocam-se, ainda, na violência de gênero nas fronteiras amazônicas, onde a taxa de violência sexual é 36% superior à média nacional. Enfrentar isso exige ação intersetorial permanente entre saúde, meio ambiente e segurança, com dados compartilhados, e não três políticas que se ignoram.</p>
<p>As propostas seguem essa leitura. Criar o Ministério da Segurança Pública, com especialistas da área no comando, é condição para articular segurança como política transversal, que envolve saúde, educação, urbanismo e economia. É preciso aprovar marco legal que submeta as polícias ao controle democrático efetivo, com exercício real do controle externo pelo Ministério Público e metas verificáveis para a investigação de mortes causadas por agentes do Estado, além de proibir indicadores e gratificações que premiem mortes em confronto. É preciso fixar meta nacional de redução da taxa de homicídios para abaixo de 10 por 100 mil habitantes em dez anos, hoje o dobro do limite considerado aceitável pela OMS, e racionalizar a privação de liberdade, com alternativas penais para crimes não violentos, retomada do controle estatal dos presídios e estratégia nacional de inteligência financeira contra a lavagem do crime organizado, incluindo a regulação de criptomoedas.</p>
<p>Nada disso se faz sem informação: dados de violência desagregados por raça, gênero, identidade e território são a condição para revelar os cruzamentos de vulnerabilidade que os agregados nacionais escondem. A universidade tem parte nessa construção: a Rede Universitária Segurança Pública para Todos, que articula a SBPC, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e instituições de ensino superior, existe para produzir as evidências que devem alimentar um debate hoje dominado por convicções.</p>
<p>Por fim, a defesa da democracia exige proteger concretamente quem produz conhecimento, com um mecanismo nacional de proteção de cientistas, financiamento de comunicação científica capaz de responder à desinformação intencional, o fortalecimento da ADPF 548 e a correção das ambiguidades dos artigos 142 e 144 da Constituição, que ainda abrigam espaço interpretativo favorável à intervenção militar. <strong>Medir bem é a base de tudo: a violência que não se contabiliza é a violência que não se enfrenta, e quando o Estado desagrega seus dados por raça, gênero e território descobre onde agir. É a contribuição mais concreta que a ciência tem a oferecer a uma política de segurança comprometida com a justiça social, e proteger quem produz esse conhecimento é, no fim, proteger a capacidade do país de acertar.</strong></p>
<p>Os doze programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral mencionam ciência, pesquisa ou produção de conhecimento em onze deles, e vários incorporam compromissos climáticos e a necessidade de coordenação federativa na segurança pública. O problema, como já assinalamos nesta série, está menos nos temas ausentes do que nos mecanismos: nos programas que analisamos até aqui, faltam metas quantificadas, prazos, fontes de recursos e instrumentos de continuidade. É o que observamos em relação à recuperação das pastagens degradadas, principal alternativa ao avanço da fronteira agrícola, à regulamentação dos bioinsumos, à proteção dos oceanos, à exigência de avaliação ambiental independente para novas fronteiras de exploração fóssil, a metas explícitas de redução da letalidade policial e à proteção institucional de pesquisadoras e pesquisadores, tema que até agora não localizamos em nenhum dos textos. Convergência de diagnóstico sem mecanismo de execução é o que produz, ciclo após ciclo, o mesmo resultado.</p>
<p>É também por isso que a SBPC e a Academia Brasileira de Ciências vêm construindo, a partir do desafio lançado à comunidade científica na 78ª Reunião Anual, um documento de horizonte mais longo, o Brasil 2040, ainda em elaboração. Sua premissa é que compromissos de Estado precisam de escala temporal compatível com a produção de conhecimento: uma trajetória de investimento em pesquisa e desenvolvimento que alcance 2% do PIB até 2034, com marcos intermediários verificáveis, e a organização das grandes agendas nacionais em missões, entre as quais o clima, a biodiversidade e a segurança alimentar, com metas, coordenação interministerial permanente e financiamento protegido. <strong>Clima e institucionalidade democrática não são agendas setoriais que se cumprem em um mandato. São condições de existência de um projeto de nação, e por isso pedem instrumentos que sobrevivam à alternância de poder.</strong></p>
<p>A SBPC não indica candidaturas nem recomenda voto. Compara propostas com evidências, registra convergências e lacunas e cobra mecanismos. É o que o Termo de Compromisso do Observatório das Eleições 2026 pede a cada candidata e a cada candidato: tomar decisões públicas fundamentadas no conhecimento científico, nos dados e nas evidências. O Brasil que queremos não é uma utopia distante. É uma escolha sobre o território, sobre quem decide o que se faz com a floresta, com os minerais, com os alimentos e com a vida de quem mora nas periferias e nas fronteiras. Essa escolha começa agora.</p>
<p><em>Francilene Procópio Garcia, </em>presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC</p>
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<p><strong>Veja as notas do Especial da Semana &#8211; Meio Ambiente e Segurança Pública</strong></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/candidatos-prometem-fim-do-desmatamento-ate-2030-mas-pecam-no-detalhamento-desta-meta/" target="_blank">Candidatos prometem fim do desmatamento até 2030, mas pecam no detalhamento desta meta</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/presidenciaveis-defendem-criacao-de-ministerio-da-seguranca-publica-mas-pecam-em-acoes-baseadas-por-evidencias-como-defende-comunidade-cientifica/" target="_blank">Presidenciáveis defendem criação de Ministério da Segurança Pública, mas pecam em ações baseadas por evidências, como defende comunidade científica</a></p>
<p>Le Monde Diplomatique – <a href="https://diplomatique.org.br/eleicoes-presidenciais-e-meio-ambiente-entre-a-continuidade-e-o-desmonte/" target="_blank">Eleições presidenciais e meio ambiente: entre a continuidade e o desmonte</a></p>
<p>Rede Estação Democracia &#8211; <a href="https://red.org.br/noticias/ciencia-e-seguranca-publica-campanhas-cobram-compromissos-das-candidaturas-de-2026/" target="_blank">Ciência e segurança pública: campanhas cobram compromissos das candidaturas de 2026</a></p>
<p>Alma Preta &#8211; <a href="https://almapreta.com.br/sessao/politica/propostas-presidenciaveis-seguranca-publica-eleicoes/" target="_blank">Eleições: conheça as propostas de 5 presidenciáveis sobre segurança pública</a></p>
<p>CNN Brasil &#8211; <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/seguranca-planos-de-candidatos-vao-de-penas-maiores-a-prisao-na-amazonia/" target="_blank">Segurança: planos de candidatos vão de penas maiores à prisão na Amazônia</a></p>
<p>Carta Capital &#8211; <a href="https://www.cartacapital.com.br/politica/seguranca-vira-aposta-eleitoral-no-nordeste-com-candidatos-divididos-entre-mais-policia-inteligencia-e-prevencao/" target="_blank">Segurança vira aposta eleitoral no Nordeste, com candidatos divididos entre mais polícia, inteligência e prevenção</a></p>
<p>OC &#8211; <a href="https://oc.eco.br/adaptacao-climatica-ainda-e-desafio-no-brasil-mas-exemplos-e-propostas-apontam-caminhos/" target="_blank">Adaptação climática ainda é desafio no Brasil, mas exemplos e propostas apontam caminhos</a></p>
<p>Valor, 29/07/2026- <a href="https://valor.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/07/29/ambientalistas-enviam-propostas-para-colocar-clima-nos-palanques.ghtml" target="_blank">Ambientalistas enviam propostas para colocar clima nos palanques</a></p>
<p>Agência Brasil &#8211; <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-08/embrapa-entrega-propostas-de-agricultura-sustentavel-para-candidatos" target="_blank">Embrapa entrega propostas de agricultura sustentável para candidatos</a></p>
<p>Agência Pública, 06/08/2026 &#8211; <a href="https://apublica.org/2026/08/super-el-nino-eleicoes-e-desmatamento-vai-dar-ruim/" target="_blank">Eleições, desmatamento e Super El Niño: vai dar ruim?</a></p>
<p>Colabora, 05/06/2026 &#8211; <a href="https://projetocolabora.com.br/ods16/meio-ambiente-da-voto-o-silenciamento-climatico-nas-eleicoes/" target="_blank">Meio ambiente dá voto? O silenciamento climático nas eleições</a></p>
<p>Brasil de Fato &#8211; <a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/08/26/plataforma-vote-pelo-clima-liga-eleitores-a-candidatos-comprometidos-com-agenda-ambiental-em-2026/" target="_blank">Plataforma “Vote pelo Clima” liga eleitores a candidatos comprometidos com agenda ambiental em 2026</a></p>
<p>O Globo, 11/11/2025 &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/11/espalhado-pela-amazonia-crime-organizado-ja-impacta-no-clima-e-entra-pela-primeira-vez-nos-debates-das-cops.ghtml" target="_blank">Espalhado pela Amazônia, crime organizado já impacta no clima e entra pela primeira vez nos debates das COPs</a></p>
<p>Climainfo, 25/01/2026 &#8211; <a href="https://climainfo.org.br/2026/01/25/faccoes-se-aliam-a-garimpo-ilegal-desmatamento-e-grilagem-e-avancam-nos-biomas-brasileiros/" target="_blank">Facções se aliam a garimpo ilegal, desmatamento e grilagem e avançam nos biomas brasileiros</a></p>
<p>STF, 13/04/2026 &#8211; <a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-determina-que-uniao-adote-medidas-repressivas-contra-organizacoes-criminosas-na-amazonia/" target="_blank">STF determina que União adote medidas repressivas contra organizações criminosas na Amazônia </a></p>
<p>G1, 12/04/2026  &#8211; <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/04/12/faccoes-transformam-crimes-ambientais-em-nova-fronteira-do-poder-no-amazonas.ghtml" target="_blank">Facções transformam crimes ambientais em nova fronteira do poder no Amazonas</a></p>
<p>Ponte &#8211; <a href="https://ponte.org/eleicoes-2026-propostas-seguranca-publica/" target="_blank">O que precisa mudar para a segurança pública deixar de produzir violência?</a></p>
<p>Fundação Perseu Abramo &#8211; <a href="https://fpabramo.org.br/seguranca-o-voto-que-nasce-do-medo/" target="_blank">Segurança: o voto que nasce do medo</a></p>
<p>Portal Jota &#8211; <a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/para-alem-do-estado-e-do-direito/seguranca-publica-eleicoes-e-populismo-penal-parte-1" target="_blank">Segurança pública, eleições e populismo penal – parte 1</a></p>
<p>Instituto Sou da Paz, 09/06/2026 &#8211; <a href="https://soudapaz.org/agencia-brasil-sou-da-paz-lanca-agenda-de-seguranca-publica-para-eleicoes/" target="_blank">Sou da Paz lança agenda de segurança pública para eleições</a></p>
<p>Congresso em Foco, 22/4/2026 &#8211; <a href="https://www.congressoemfoco.com.br/artigo/118284/seguranca-publica-nao-se-governa-com-slogan" target="_blank">Segurança pública não se governa com slogan</a></p>
<p>Exame.com, 23/06/2026 &#8211; <a href="https://exame.com/mundo/seguranca-publica-vira-fator-decisivo-em-70-das-eleicoes-na-america-latina/" target="_blank">Segurança pública vira fator decisivo em 70% das eleições na América Latina</a></p>
<p>Valor, 23/06/2026 &#8211; <a href="https://infograficos.valor.globo.com/especial/seguranca-publica-nas-urnas.html" target="_blank">Segurança pública nas urnas</a></p>
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]]></content:encoded>
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		<title>EDITORIAL &#8211; Soberania se constrói com ciência</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-soberania-se-constroi-com-ciencia/</link>
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		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 16:59:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>

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		<description><![CDATA[Na editoria especial do JC Notícias desta sexta-feira, a presidente da SBPC, Francilene Garcia, aborda temas caros para o país destacados nos dois primeiros eixos do caderno Vozes da Ciência]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Na editoria especial do JC Notícias desta sexta-feira, a presidente da SBPC, Francilene Garcia, aborda temas caros para o país destacados nos dois primeiros eixos do caderno Vozes da Ciência</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-28-at-14.36.03.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-30800 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-28-at-14.36.03-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-08-28 at 14.36.03" width="300" height="300" /></a>As eleições de 2026 são uma oportunidade para discutir não apenas propostas para os próximos quatro anos, mas algumas escolhas estruturais para o desenvolvimento brasileiro. Quanto o País pretende investir em pesquisa e desenvolvimento? Como garantir estabilidade para o financiamento da ciência? Que capacidade queremos ter para produzir medicamentos, desenvolver tecnologias estratégicas, proteger nossos dados e participar das transformações trazidas pela inteligência artificial?</p>
<p>É com essa visão que a SBPC vem desenvolvendo as ações do <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf"><strong>Observatório das Eleições 2026</strong></a>, iniciativa voltada a ampliar a presença da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&amp;I) no debate eleitoral e a promover o diálogo entre comunidade científica, sociedade e candidaturas. Em menos de duas semanas, mais de 70 candidatas e candidatos a diferentes cargos e de várias regiões do País já aderiram ao Termo de Compromisso do Observatório, assumindo publicamente compromissos com a ciência, a democracia e a soberania nacional. Queremos ampliar essa participação ao longo de todo o processo eleitoral.</p>
<p>O Observatório é um desdobramento direto do ciclo <strong>Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos</strong>, realizado entre novembro de 2025 e maio de 2026, com 13 mesas de debate e mais de 60 pesquisadoras e pesquisadores de diferentes áreas e regiões do País. Desse processo resultaram 117 propostas, organizadas em sete eixos temáticos, reunidas em <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf">um caderno disponível gratuitamente em nosso portal</a>.</p>
<p>Nesta edição especial do JC Notícias, destacamos os dois primeiros eixos desse conjunto: CT&amp;I como Projeto de Nação e Soberania Nacional: Digital, Tecnológica e Sanitária. Somente esses dois eixos reúnem 44 propostas: 27 no primeiro e 17 no segundo. São temas diretamente relacionados, porque a capacidade de um país desenvolver tecnologias próprias, reduzir dependências e responder aos seus grandes desafios depende da existência de um sistema científico sólido, com financiamento, infraestrutura e recursos humanos.</p>
<p>O ponto de partida do primeiro eixo é uma questão que acompanha a ciência brasileira há décadas: a instabilidade do financiamento. O Brasil investe hoje cerca de 1,19% do Produto Interno Bruto em Pesquisa e Desenvolvimento (P&amp;D), abaixo do pico de 1,28% alcançado em 2015 e distante da média de aproximadamente 2,7% dos países da OCDE. Essa diferença se reflete na capacidade de produzir conhecimento, desenvolver e incorporar tecnologias, ampliar a produtividade e responder com autonomia aos desafios nacionais.</p>
<p>No Vozes da Ciência, propusemos alcançar 2% do PIB em P&amp;D até 2030, além de proteger constitucionalmente o orçamento de CT&amp;I, garantir a plena execução do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), fortalecer o financiamento da ciência básica e articular a política científica a missões nacionais e à política industrial. O conjunto de propostas inclui ainda a vinculação do Fundo Social do Pré-Sal à CT&amp;I, por meio do PL 5.876/2016, entre outras medidas voltadas a ampliar os recursos disponíveis e reduzir a histórica instabilidade do financiamento da área.</p>
<p>Desde a publicação do caderno, avançamos na discussão sobre como transformar a meta de investimento em uma trajetória economicamente factível. A proposta que a SBPC está trabalhando agora é alcançar 2% do PIB em P&amp;D até 2034, com marcos intermediários de 1,38% em 2028 e 1,58% em 2030. A revisão do horizonte não reduz a ambição da proposta. Ao contrário, procura estabelecer um planejamento de longo prazo que possa ser executado, medido e acompanhado.</p>
<p>Partindo do patamar atual, chegar aos 2% significa ampliar em aproximadamente 68% a intensidade do esforço brasileiro em P&amp;D. Nesse cenário, o investimento nacional alcançaria cerca de R$ 414 bilhões anuais em 2034 — valor correspondente ao investimento total em P&amp;D naquele ano, e não a um aporte adicional de R$ 414 bilhões. A trajetória prevê que o investimento público alcance 0,78% do PIB e o empresarial, 1,22%, enfrentando também uma fragilidade importante do sistema brasileiro: a participação ainda insuficiente das empresas no desenvolvimento tecnológico.</p>
<p>Há uma razão para estabelecer 2034 como horizonte. Antecipar os 2% para 2030 exigiria crescimento nominal dos investimentos próximo de 20% ao ano, um ritmo sem precedente internacional para um país partindo do patamar brasileiro. Distribuído em oito anos, o crescimento necessário fica próximo de 13% ao ano, taxa que o Brasil já conseguiu sustentar entre 2007 e 2013. Temos, assim, uma trajetória ambiciosa, mas possível, com metas intermediárias que permitem à sociedade, ao Congresso Nacional e aos órgãos de controle acompanhar sua execução.</p>
<p>Financiamento, entretanto, é parte de uma questão mais ampla. Para que a ciência contribua de maneira consistente para o desenvolvimento, precisamos garantir continuidade às pesquisas, fortalecer a ciência básica, recuperar e ampliar laboratórios e infraestruturas, formar e reter jovens pesquisadores e aumentar a presença de mestres e doutores nas empresas. Precisamos também aproximar a produção de conhecimento das políticas industrial, de saúde, energia, agricultura, transformação digital e enfrentamento das mudanças climáticas.</p>
<p>É nesse ponto que o primeiro eixo se encontra com o segundo. Soberania, hoje, envolve também dados, infraestrutura computacional, inteligência artificial, plataformas digitais, medicamentos, vacinas e insumos estratégicos. O diagnóstico apresentado pelo Vozes da Ciência mostra a dimensão de algumas de nossas dependências. O Brasil gasta cerca de R$ 10 bilhões por ano em contratos com grandes empresas de tecnologia, e aproximadamente 80% das universidades dependem de infraestrutura de <em>big techs</em> internacionais, como Google ou Microsoft.</p>
<p>Isso não significa reduzir a cooperação internacional. O País deve participar das cadeias globais de conhecimento e inovação e estabelecer parcerias com empresas e instituições estrangeiras. Mas precisa fazê-lo com capacidade própria para armazenar dados estratégicos, manter infraestruturas críticas, formar profissionais, produzir tecnologias e estabelecer regras compatíveis com o interesse público.</p>
<p>Por isso, o segundo eixo propõe, entre outras medidas, criar infraestrutura digital soberana para universidades e sistemas críticos do Estado, retomar a política de software livre, avançar na regulamentação das plataformas digitais e da inteligência artificial e fortalecer a capacidade brasileira de desenvolver tecnologias próprias. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial já oferece uma base importante, mas sua execução precisa estar associada ao fortalecimento da capacidade computacional nacional, ao desenvolvimento de modelos voltados aos desafios brasileiros e à formação continuada de profissionais.</p>
<p>Na saúde, a vulnerabilidade é igualmente concreta. A pandemia de covid-19 mostrou o que significa depender de fornecedores externos para vacinas, medicamentos, equipamentos e insumos em uma situação de emergência. Hoje, a dependência de importações do Complexo Econômico-Industrial da Saúde se aproxima de US$ 30 bilhões. Ao mesmo tempo, temos instituições científicas e tecnológicas, universidades, capacidade industrial e um Sistema Único de Saúde cuja escala pode ser utilizada também para induzir inovação e produção nacional.</p>
<p>Por isso, uma das propostas no Vozes da Ciência é criar um programa de Estado para biotecnologia em saúde, com meta de 70% de autossuficiência em insumos estratégicos até 2030. A Nova Indústria Brasil já colocou o Complexo Econômico-Industrial da Saúde entre suas missões, e avanços recentes criaram novas condições institucionais para articular saúde, produção, inovação e desenvolvimento. O desafio é dar continuidade e escala a esse processo.</p>
<p>São discussões como essas que queremos levar ao processo eleitoral por meio do <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf">Observatório das Eleições 2026</a>. Nosso objetivo é que as propostas construídas pela comunidade científica contribuam para a discussão das políticas públicas e dialoguem com questões e prioridades trazidas pelos diferentes estados e territórios. É igualmente importante conhecer as posições e os compromissos das pessoas que se apresentam para representar a sociedade nos Poderes Executivo e Legislativo.</p>
<p>A SBPC mantém, como sempre, sua independência político-partidária. O Observatório não apoia, recomenda ou se opõe a candidaturas. Seu papel é oferecer informação, promover o debate e dar transparência aos compromissos assumidos. Queremos que ciência, tecnologia e inovação sejam discutidas nas eleições com propostas, metas, recursos e responsabilidades claramente apresentados à sociedade.</p>
<p>Convidamos a comunidade científica e toda a sociedade a participar. Conheçam as propostas, consultem as adesões, enviem perguntas e levem esse debate às candidaturas de seus estados. Às candidatas e aos candidatos, o convite é igualmente aberto: conheçam a agenda construída pela comunidade científica, dialoguem conosco e assumam publicamente os compromissos que estiverem de acordo com seus projetos para o País.</p>
<p>Por meio do Observatório, continuaremos acompanhando esse processo durante todo o período eleitoral e manteremos, depois das eleições, a memória pública dos compromissos assumidos. Esperamos, assim, contribuir para que as propostas apresentadas durante a campanha possam ser conhecidas pela sociedade e, posteriormente, acompanhadas em sua implementação.</p>
<p><em>Francilene Procópio Garcia, </em>presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência &#8211; SBPC</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Veja abaixo a nota do Especial da Semana – Eleições: Soberania Nacional</strong></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/presidenciaveis-nao-definem-orcamento-a-ciencia-enquanto-comunidade-cientifica-defende-investimento-de-2-do-pib-ate-2034/" target="_blank">Presidenciáveis não definem orçamento à Ciência, enquanto comunidade científica defende investimento de 2% do PIB até 2034</a></p>
<p style="text-align: left;">JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/brasil-gasta-r-10-bilhoes-por-ano-para-se-tornar-dependente-de-big-techs-internacionais/" target="_blank">Brasil gasta R$ 10 bilhões por ano para se tornar dependente de big techs internacionais</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/observatorio-das-eleicoes-2026-confira-os-mais-de-80-candidatos-que-ja-se-comprometeram-com-a-ciencia/" target="_blank">Observatório das Eleições 2026: confira os mais de 80 candidatos que já se comprometeram com a ciência</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/complexo-economico-industrial/" target="_blank">Complexo econômico-industrial da saúde: a base material do acesso universal</a></p>
<p>Outras Palavras, 25/08/2026 &#8211; <a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/hiv-aids-qual-o-compromisso-dos-candidatos/" target="_blank">HIV/aids: qual o compromisso dos candidatos?</a></p>
<p>Outra Saúde, 26/08/2026- <a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/temporao-os-temas-silenciados-no-debate-eleitoral/" target="_blank">Temporão: os temas silenciados no debate eleitoral</a></p>
<p>Valor, 14/04/2025 &#8211; <a href="https://valor.globo.com/opiniao/coluna/soberania-sanitaria-e-a-proxima-crise-da-saude-global.ghtml" target="_blank">Soberania sanitária e a próxima crise da saúde global</a></p>
<p>The Conversation Brasil &#8211; <a href="https://theconversation.com/eleicoes-e-saude-quais-as-questoes-sobre-o-futuro-do-sus-que-precisam-ser-debatidas-pelos-candidatos-287965" target="_blank">Eleições e saúde: quais as questões sobre o futuro do SUS que precisam ser debatidas pelos candidatos?</a></p>
<p>Jota, 17/08/2026 &#8211; <a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/desindustrializacao-compromete-soberania-em-saude" target="_blank">Desindustrialização compromete soberania em saúde</a></p>
<p>Soberania Digital &#8211; <a href="https://soberania.digital/" target="_blank">Soberania Digital lança “Decálogo” eleitoral</a></p>
<p>Capital Digital &#8211; <a href="https://capitaldigital.com.br/decalogo-leva-a-eleicao-proposta-para-reduzir-dependencia-tecnologica-do-brasil/" target="_blank">Decálogo leva à eleição proposta para reduzir dependência tecnológica do Brasil</a></p>
<p>Terra &#8211; <a href="https://www.terra.com.br/noticias/eleicoes/soberania-tecnologica-ia-brasileira-data-centers-o-que-os-candidatos-a-presidente-propoem-para-a-tecnologia-no-brasil,bf322ccbd99502ffc292d8d2e8e5301agkb29si6.html#google_vignette" target="_blank">Soberania tecnológica, IA brasileira, data centers: o que os candidatos a presidente propõem para a tecnologia no Brasil?</a></p>
<p>Movimento dos Atingidos da Barragens, 12/08/2026 &#8211; <a href="https://mab.org.br/2026/08/12/soberania-nacional-entenda-em-5-pontos-a-revelancia-do-tema-na-disputa-eleitoral/" target="_blank">Soberania Nacional: entenda em 5 pontos a relevância do tema na disputa eleitoral</a></p>
<p>Brasil 247 &#8211; <a href="https://www.brasil247.com/brasil/bispos-divulgam-carta-pela-soberania-e-defendem-escolha-consciente-nas-eleicoes/" target="_blank">Bispos divulgam carta pela soberania e defendem escolha consciente nas eleições</a></p>
<p>Nexo, 10/05/2026 &#8211; <a href="https://www.nexojornal.com.br/ia-nas-eleicoes-presidenciais-2026-brasil-impacto-tecnologia" target="_blank">IA e eleições de 2026: o desafio da soberania informacional</a></p>
<p>The Conversation Brasil,04/06/2026 &#8211; <a href="https://theconversation.com/indice-de-soberania-digital-revela-nova-divisao-global-do-dominio-tecnologico-e-brasil-esta-longe-do-topo-283956" target="_blank">Índice de Soberania Digital revela nova divisão global do domínio tecnológico ‑ e Brasil está longe do topo</a></p>
<p>Correio Braziliense, 20/08/2026 &#8211; <a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/a-disputa-pelo-poder-das-big-techs-chega-com-tudo-as-eleicoes-no-brasil/" target="_blank">A disputa pelo poder das big techs chega com tudo às eleições no Brasil</a></p>
<p>Jota, 17/06/2026 &#8211; <a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/uma-arquitetura-institucional-para-a-soberania-digital-brasileira" target="_blank">Uma arquitetura institucional para a soberania digital brasileira</a></p>
<p>Jornal da USP, 18/11/2025 &#8211; <a href="https://jornal.usp.br/artigos/nao-existe-soberania-nacional-sem-soberania-digital/" target="_blank">Não existe soberania nacional sem soberania digital</a></p>
<p>UOL &#8211; <a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/joildo-santos/2026/08/26/a-favela-que-vota-2026-e-o-direito-de-permanecer.htm" target="_blank">A favela que vota: 2026 e o direito de permanecer</a></p>
<p>Valor &#8211; <a href="https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/transicao-energetica/noticia/2026/08/27/transicao-energetica-vira-questao-de-seguranca-nacional.ghtml" target="_blank">Transição energética vira questão de segurança nacional</a></p>
<p>The Conversation Brasil &#8211; <a href="https://theconversation.com/projetos-sem-continuidade-pesquisador-desafia-candidatos-a-presidencia-a-exporem-suas-visoes-de-pais-ate-2050-289014" target="_blank">Projetos sem continuidade: pesquisador desafia candidatos à Presidência a exporem suas visões de país até 2050</a></p>
<p>Agência Pública &#8211; <a href="https://apublica.org/2026/08/presidenciaveis-falham-ao-unir-meio-ambiente-e-soberania/" target="_blank">Lula e Flávio falham ao unir meio ambiente e soberania em programas de governo</a></p>
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		<title>EDITORIAL – Ciência e eleições: propostas para um projeto de País</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-ciencia-e-eleicoes-propostas-para-um-projeto-de-pais/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 19:02:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>

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		<description><![CDATA[“As eleições de 2026 decidirão quem governará e representará o Brasil nos próximos anos. Mas algumas das escolhas que faremos agora terão consequências por décadas. Por isso, queremos que ciência, tecnologia e inovação estejam no centro dessa conversa”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Garcia

]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>“As eleições de 2026 decidirão quem governará e representará o Brasil nos próximos anos. Mas algumas das escolhas que faremos agora terão consequências por décadas. Por isso, queremos que ciência, tecnologia e inovação estejam no centro dessa conversa”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Garcia</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-16.00.23.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-30726 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-21-at-16.00.23-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-08-21 at 16.00.23" width="300" height="300" /></a>A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) lançou nesta semana o <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/assets/pdf/cadernos_2026.pdf" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;">Observatório das Eleições 2026</strong></a>, uma iniciativa suprapartidária criada para levar ao debate eleitoral uma agenda construída pela comunidade científica e, sobretudo, promover diálogo. Nesta sexta-feira, o JC Notícias abre uma série de editoriais especiais sobre o pleito com uma primeira constatação: ciência e produção de conhecimento aparecem em 11 dos 12 programas presidenciais registrados no Tribunal Superior Eleitoral — mas quase nenhum diz com que recursos.</p>
<p>O ponto de partida são as 117 propostas reunidas no caderno <a href="https://portal.sbpcnet.org.br/publicacoes/outras-publicacoes/caderno_36.pdf" target="_blank"><strong style="font-weight: bold !important;"><em>Vozes da Ciência — O Brasil que Queremos: Ciência, Democracia e Soberania</em></strong></a>, resultado de seis meses de debates, 13 mesas públicas e da participação de mais de 60 pesquisadoras e pesquisadores de diferentes áreas e regiões do País. Organizadas em sete grandes eixos, essas propostas relacionam ciência e tecnologia a algumas das principais escolhas que o Brasil terá de fazer para a próxima década: desenvolvimento, soberania, reindustrialização, inteligência artificial, clima e biodiversidade, educação, saúde, segurança pública e redução das desigualdades.</p>
<p>É uma proposta de agenda para o País. E é com essa agenda que queremos dialogar com quem pretende governar o Brasil e representá-lo no Congresso Nacional e nos estados da Federação, independentemente de partido ou espectro político.</p>
<p>A SBPC dialoga com governos e parlamentos de diferentes orientações políticas há quase oito décadas. Não indica candidaturas, não recomenda votos e não o fará agora.</p>
<p>Esse diálogo já faz parte da história e do compromisso institucional da SBPC. Em interlocução recente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou à SBPC e à ABC uma “cesta de sugestões” para o setor. É precisamente esse papel que queremos exercer também no processo eleitoral: apresentar propostas, ouvir as candidaturas, identificar convergências e divergências e contribuir para que ciência, tecnologia e inovação sejam tratadas como questões centrais do projeto de desenvolvimento brasileiro.</p>
<p>O Observatório parte de outro princípio: as propostas estão colocadas; cabe perguntar às candidaturas o que pretendem fazer diante delas.</p>
<p>É nesse espírito que abrimos esta série. Começamos pelos programas das candidaturas registrados no Tribunal Superior Eleitoral, procurando identificar não apenas se a ciência aparece nesses documentos, mas como aparece e que projeto de País emerge dessas escolhas.</p>
<p>O dado merece atenção: ciência, pesquisa ou políticas diretamente relacionadas à produção de conhecimento estão presentes em 11 dos 12 programas de governo analisados, consultados no TSE em 20 de agosto. Apenas um deles — o de Rui Costa Pimenta (PCO) — não faz qualquer referência ao tema.</p>
<p>Ciência, tecnologia e inovação aparecem associadas, em diferentes programas, à educação, à reindustrialização, à inteligência artificial, à saúde, à produtividade, à transição ambiental e à soberania nacional. Há propostas para aproximar universidades e empresas, fortalecer parques tecnológicos, ampliar a formação técnica, desenvolver capacidades nacionais em inteligência artificial, investir em biotecnologia, semicondutores e setores estratégicos, além de referências à necessidade de financiamento mais estável para pesquisa.</p>
<p>Há, portanto, convergências com a agenda apresentada no <em>Vozes da Ciência</em>. Mas há também diferenças de concepção e, sobretudo, lacunas.</p>
<p>A mais evidente está no financiamento. Embora diferentes programas defendam mais investimentos, estabilidade de recursos ou fortalecimento da pesquisa, falta, em geral, avançar na definição de metas, valores, fontes de financiamento e mecanismos capazes de garantir continuidade às políticas científicas.</p>
<p>O País investe atualmente 1,19% do Produto Interno Bruto a pesquisa e desenvolvimento. Entre as propostas centrais que reunimos no caderno <em>Vozes da Ciência</em> estão elevar o investimento em P&amp;D para 2% do PIB até 2034 (recursos púbicos e privados), criar mecanismos de proteção orçamentária para CT&amp;I e assegurar a execução integral do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O caderno também propõe recompor os recursos do CNPq e da Capes, garantir financiamento permanente à pesquisa básica e dar previsibilidade plurianual às políticas científicas.</p>
<p>Nesse aspecto, os programas presidenciais ainda são insuficientes.</p>
<p>Também há diferenças relevantes sobre o papel das universidades, das agências de fomento, da pesquisa básica, da iniciativa privada e do próprio Estado. São distintas também as posições sobre educação, políticas ambientais, inclusão, organização institucional do sistema de CT&amp;I e soberania tecnológica.</p>
<p>Essas diferenças fazem parte de uma disputa democrática. O papel do Observatório não é apagá-las, mas torná-las visíveis e contribuir para qualificá-las.</p>
<p>Porque não basta perguntar se a palavra “ciência” está presente em um programa de governo. Precisamos saber que papel o conhecimento terá no projeto de País que cada candidatura apresenta à sociedade.</p>
<p>Quando se fala em inteligência artificial, por exemplo, é preciso discutir também soberania de dados, infraestrutura computacional e capacidade tecnológica nacional. Quando se propõe reindustrialização, é necessário esclarecer qual será o papel da ciência, das universidades, dos institutos de pesquisa e da formação de pessoas. Quando se fala em inovação em saúde, é preciso enfrentar nossa dependência de medicamentos e insumos estratégicos. Quando estão em pauta biodiversidade, minerais críticos e transição energética, precisamos discutir quanto conhecimento, tecnologia e valor o Brasil será capaz de produzir a partir de suas próprias riquezas.</p>
<p>É essa conversa que queremos ampliar até as eleições.</p>
<p>Às candidatas e aos candidatos, fazemos um convite: conheçam as 117 propostas do Vozes da Ciência. Digam à sociedade que lugar a ciência terá em seus projetos políticos. Explicitem suas prioridades, inclusive quando forem diferentes das propostas apresentadas pela comunidade científica. E assumam publicamente seus compromissos com a ciência, a democracia e a soberania nacional, aderindo ao Termo de Compromisso do Observatório das Eleições 2026 — documento público de adesão voluntária, disponível em <a href="portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/" target="_blank">portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026/</a>.</p>
<p>A adesão não significa apoio ou endosso da SBPC a nenhuma candidatura. Significa aquilo que deve significar em uma democracia: um compromisso público, registrado para que possa ser conhecido agora e acompanhado depois das eleições.</p>
<p>E esse convite não se dirige apenas a quem está disputando um mandato. A sociedade também é parte fundamental dessa conversa. Conheça as propostas. Consulte quais candidaturas já assumiram compromissos. Leve o Vozes da Ciência aos candidatos de sua cidade e de seu estado. Pergunte o que pensam sobre ciência, educação, saúde, clima, soberania tecnológica e desenvolvimento. Pergunte quanto pretendem investir, quais políticas defendem e como pretendem transformá-las em ações concretas. E cobre que se posicionem.</p>
<p>O Observatório foi concebido justamente para aproximar essas três dimensões: o que a ciência propõe, o que a sociedade pergunta e o que as candidaturas respondem e se comprometem a fazer.</p>
<p>As eleições de 2026 decidirão quem governará e representará o Brasil nos próximos anos. Mas algumas das escolhas que faremos agora terão consequências por décadas. Por isso, queremos que ciência, tecnologia e inovação estejam no centro dessa conversa.</p>
<p>À sociedade: participe. Pergunte. Acompanhe. Cobre.</p>
<p>A ciência tem propostas. O Brasil precisa discutir o que fará com elas.</p>
<p><em>Francilene Procópio Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência &#8211; SBPC</em></p>
<p><strong>Veja abaixo as notas do Especial da Semana – Eleições 2026</strong></p>
<p>Jornal da Ciência - <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/observatorio-das-eleicoes-2026-confira-os-candidatos-que-ja-se-comprometeram-com-a-ciencia-2/" target="_blank">Observatório das Eleições 2026: confira os candidatos que já se comprometeram com a ciência</a></p>
<p>Jornal da Ciência - <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/ciencia-aparece-em-11-dos-12-planos-de-governo-dos-presidenciaveis-mas-falta-detalhamento-orcamentario/" target="_blank">Ciência aparece em 11 dos 12 planos de governo dos presidenciáveis, mas falta detalhamento orçamentário</a></p>
<p>G1, 20/08/2026 &#8211; <a href="https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/08/20/propostas-em-comum-candidatos-presidente.ghtml" target="_blank">Escolas em tempo integral, prontuário eletrônico no SUS e ferrovias: veja propostas em que há convergência de Lula, Flávio Bolsonaro e outros 4 candidatos a presidente</a></p>
<p>BBC Brasil &#8211; <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cm2gryker9mo" target="_blank">Eleição 2026: quais são as propostas dos candidatos?</a></p>
<p>Jornal da Ciência - <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/sbpc-convida-candidatos-a-governador-para-se-comprometerem-com-a-ciencia/" target="_blank">SBPC convida candidatos a governador para se comprometerem com a Ciência</a></p>
<p>Jornal da Ciência &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/sbpc-e-abc-defendem-ciencia-como-politica-de-estado-em-reuniao-na-academia-pernambucana-de-ciencias/" target="_blank">SBPC e ABC defendem ciência como política de Estado em reunião na Academia Pernambucana de Ciências</a></p>
<p>Folha de S. Paulo, 18/05/2026 &#8211; <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/candidatas-mulheres-sao-um-terco-do-total-ha-quatro-eleicoes-nacionais-veja-perfil-de-2026.shtml" target="_blank">Candidatas mulheres são um terço do total há quatro eleições nacionais</a></p>
<p>G1, 20/08/2026 &#8211; <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/eleicoes/2026/noticia/2026/08/20/no-amazonas-mulheres-sao-35percent-das-candidaturas-registradas-nas-eleicoes-de-2026.ghtml" target="_blank">No Amazonas, mulheres são 35% das candidaturas registradas nas eleições de 2026</a></p>
<p>AdUFRTJ &#8211; <a href="https://adufrj.org.br/noticias/6285-candidat-s-amig-s-da-ciencia" target="_blank">Candidat@s amig@s da Ciência</a></p>
<p>Sumaúma, 27/04/2026 &#8211; <a href="https://sumauma.com/en/contra-o-negacionismo-diante-da-emergencia-climatica-cientistas-abracam-candidaturas-ao-congresso/" target="_blank">Cientistas se candidatam ao Congresso em protesto contra o negacionismo climático e as ameaças à natureza</a></p>
<p>The Conversation Brasil &#8211; <a href="https://theconversation.com/eleicoes-2026-o-que-as-plataformas-digitais-ainda-nao-estao-fazendo-para-proteger-a-campanha-contra-propagacao-de-mentiras-e-desinformacao-289858" target="_blank">Eleições 2026: o que as plataformas digitais ainda não estão fazendo para proteger a campanha contra propagação de mentiras e desinformação</a></p>
<p>Nexus &#8211; <a href="https://www.nexus.fsb.com.br/estudos-divulgados/jovens-lideram-preocupacao-com-impacto-de-fake-news-nas-eleicoes-aponta-btg-nexus/" target="_blank">Jovens lideram preocupação com impacto de fake news nas eleições, aponta BTG/Nexus</a></p>
<p>Nexo &#8211; <a href="https://www.nexojornal.com.br/grafico/2026/08/19/professores-candidatos-eleicoes-2026" target="_blank">Esquerda concentra candidaturas de professores em 2026</a></p>
<p>Bruno de Freitas Moura ─ Agência Brasil &#8211; <a href="https://www.agrolink.com.br/noticias/embrapa-entrega-propostas-de-agricultura-sustentavel-para-candidatos_517994.html" target="_blank">Embrapa entrega propostas de agricultura sustentável para candidatos</a></p>
<p>O Globo &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2026/08/ciencia-e-agricultura-devem-estar-entre-as-prioridades.ghtml" target="_blank">Ciência e agricultura devem estar entre as prioridades</a></p>
<p>OC &#8211; <a href="https://oc.eco.br/adaptacao-climatica-ainda-e-desafio-no-brasil-mas-exemplos-e-propostas-apontam-caminhos/" target="_blank">Adaptação climática ainda é desafio no Brasil, mas exemplos e propostas apontam caminhos</a></p>
<p>O Globo &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2026/08/educacao-basica-precisa-ocupar-o-centro-do-debate-eleitoral.ghtml" target="_blank">Educação básica precisa ocupar o centro do debate eleitoral</a></p>
<p>Nexo, 01/05/2026 &#8211; <a href="https://www.nexojornal.com.br/terras-raras-minerais-brasil-ambiente-governo-lula-eleicao" target="_blank">Terras raras são questão de soberania para as eleições</a></p>
<p>O Globo &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/saude/ludhmila-hajjar/post/2026/08/o-que-a-saude-deve-exigir-dos-candidatos.ghtml" target="_blank">O que a saúde deve exigir dos candidatos</a></p>
<p>Outra Saúde &#8211; <a href="https://outraspalavras.net/outrasaude/onde-esta-o-sus-nos-programas-dos-candidatos/" target="_blank">Onde está o SUS nos programas dos candidatos?</a></p>
<p>Futura da Saúde &#8211; <a href="https://futurodasaude.com.br/planos-para-a-saude-candidatos-presidencia/" target="_blank">O que os candidatos à Presidência propõem para a saúde</a></p>
<p>Folha de S. Paulo &#8211; <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2026/08/flavio-bolsonaro-quer-tirar-universidades-federais-da-alcada-do-mec.shtml" target="_blank">Flávio Bolsonaro quer tirar universidades federais da alçada do MEC</a></p>
<p>Alma Preta, 19/08/2026 &#8211; <a href="https://almapreta.com.br/sessao/politica/eleicoes-candidatos-governo-sao-paulo/" target="_blank">Eleições 2026: quem são e o que propõem os candidatos ao governo de São Paulo</a></p>
<p>Agência Mural &#8211; <a href="https://agenciamural.org.br/como-as-periferias-aparecem-nos-planos-de-governo-dos-presidenciaveis/" target="_blank">Como as periferias aparecem nos planos de governo dos presidenciáveis</a></p>
<p>Transparência Internacional &#8211; <a href="https://transparenciainternacional.org.br/posts/eleicoes-2026-conheca-dez-propostas-para-combater-a-corrupcao-nos-estados/" target="_blank">Eleições 2026 – Conheça dez propostas para combater a corrupção nos Estados</a></p>
<p>Diadorim &#8211; <a href="https://adiadorim.org/especial/2026/08/eleicoes-2026-o-que-os-candidatos-propoem-para-a-populacao-lgbtqia/" target="_blank">Eleições 2026: o que os candidatos propõem para a população LGBTQIA+</a></p>
<p><em> </em></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>EDITORIAL: A maior conquista social brasileira em uma geração – e os brasileiros que ficaram de fora</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-a-maior-conquista-social-brasileira-em-uma-geracao-e-os-brasileiros-que-ficaram-de-fora/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-a-maior-conquista-social-brasileira-em-uma-geracao-e-os-brasileiros-que-ficaram-de-fora/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 15:53:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jornaldaciencia.org.br/?p=30668</guid>
		<description><![CDATA[“O Brasil precisa reconhecer que elevar a média não basta quando a estrutura da desigualdade permanece intocada. A ciência brasileira conhece essa estrutura e sabe também que transformá-la não cabe em um ciclo eleitoral; cabe em um projeto de década”, ressalta a presidente da SBPC, Francilene Garcia, em editorial desta sexta-feira]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>“O Brasil precisa reconhecer que elevar a média não basta quando a estrutura da desigualdade permanece intocada. A ciência brasileira conhece essa estrutura e sabe também que transformá-la não cabe em um ciclo eleitoral; cabe em um projeto de década”, ressalta a presidente da SBPC, Francilene Garcia, em editorial desta sexta-feira</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-13.58.44.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-30676 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-14-at-13.58.44-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-08-14 at 13.58.44" width="300" height="300" /></a>Comecemos pelo que avançou, porque o avanço é real e foi construído. O <strong><a href="https://combateasdesigualdades.org/relatorio-do-observatorio-brasileiro-das-desigualdades-2026/" target="_blank">Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026</a></strong>, divulgado no dia 12 de agosto pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades e produzido pelo Dieese, registra melhora em 34 dos 48 indicadores acompanhados.</p>
<p>A taxa de desocupação — a parcela de quem procura trabalho e não encontra — caiu para 5,6% em 2025, um ponto percentual abaixo de 2024 e a menor da série recente, com recuo em todas as regiões e em todos os segmentos da população. O rendimento médio real alcançou R$ 3.376, crescimento de 5,3% em um ano e de 16,4% desde 2022. A proporção de pessoas vivendo em domicílios com renda de até meio salário-mínimo recuou de 25,4% para 24,7%, o que significa 1,4 milhão de brasileiros a menos nessa condição, de 53,8 para 52,4 milhões. A proporção de pessoas vivendo em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% para 7,7% entre 2023 e 2024, e o país permanece fora do Mapa da Fome. A desnutrição infantil recuou de 3,6% para 3,4% e a desnutrição entre idosos, de 12,4% para 11,9%. O analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais caiu de 5,3% para 4,9%. A escolarização líquida no ensino médio subiu de 71,3%, em 2022, para 77,6%, em 2025, e entre os jovens negros o salto foi de 64,3% para 72,0%, o maior crescimento de qualquer grupo. No ensino superior, a taxa passou de 20,2% para 23,7%. E os homicídios registrados de jovens de 15 a 29 anos diminuíram.</p>
<p>Esse conjunto tem um nome: política pública sustentada por evidência. Nenhum desses números é obra do acaso ou efeito automático do crescimento. A queda da desnutrição infantil vem da vigilância alimentar do SUS; a saída do Mapa da Fome, de programas de aquisição e alimentação escolar ancorados na agricultura familiar; o avanço no ensino médio, de políticas de permanência estudantil; a redução da pobreza, da valorização do salário-mínimo e da proteção social. Cada indicador que melhorou é um desenho de política que foi planejada, testada, avaliada e financiada. O resultado agregado dessa trajetória é o marco que o próprio relatório destaca: em 2024 o Brasil alcançou um IDHM de 0,805 e ingressou, pela primeira vez em sua história, no grupo de países de muito alto desenvolvimento humano. É a maior conquista social brasileira em uma geração.</p>
<p>E é aqui que a leitura precisa de uma segunda camada. O mesmo relatório mostra que, ao ajustar o índice pelas desigualdades internas a cada dimensão, o Brasil cai de 0,805 para 0,641, uma perda de 20,4% que devolve o país ao patamar de médio desenvolvimento humano. Traduzindo: o Brasil que aparece na média não é o Brasil onde vive a maior parte dos brasileiros. Em 2025, o rendimento médio do 1% mais rico passou de 30,2 para 31,5 vezes o dos 50% mais pobres. As mulheres seguiram recebendo 72,2% do rendimento dos homens, e as mulheres negras, R$ 2.184 em média, o equivalente a 42% do que recebem os homens não negros, proporção inferior à de 2022. A tributação da renda permanece regressiva nas faixas mais altas. E os piores indicadores sociais continuam concentrados no Norte e no Nordeste, que reúnem os maiores percentuais de pobreza, insegurança alimentar, analfabetismo, mortalidade infantil e menor acesso à creche. O crescimento chegou. A distribuição, ainda não.</p>
<p>Milton Santos nos ensinou que não existe desenvolvimento no abstrato, existe território usado, e é nele que a desigualdade se materializa ou se desfaz. Um dado do relatório sintetiza sua advertência: enquanto o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa recuaram, aumentou o número de pessoas vivendo em áreas de alto e muito alto risco geológico. O indicador ambiental melhora na média nacional. A vulnerabilidade se concentra na encosta, na periferia, na margem do rio. A média nacional pode melhorar sem que a desigualdade diminua porque, muitas vezes, ela apenas esconde, sob um mesmo número, territórios onde as realidades são radicalmente distintas.</p>
<p>Nada disso é novidade para a comunidade científica brasileira, e é por isso que este editorial não se limita a comentar o relatório. Três semanas antes de sua divulgação, a 78ª Reunião Anual da SBPC, realizada de 26 de julho a 1º de agosto na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, já havia colocado em debate exatamente as três fraturas que o Dieese agora quantifica.</p>
<p>Das 168 atividades realizadas ao longo da semana, dentro da programação científica, 43 — cerca de uma em cada quatro — discutiram desigualdade, equidade, inclusão, ações afirmativas, discriminação ou justiça social, olhando para questões de gênero, raça, território, educação, saúde, acesso ao conhecimento e às tecnologias e para as próprias assimetrias do sistema científico brasileiro. E cada uma dessas fraturas tem, no caderno <em><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/publicacoes/outras-publicacoes/caderno_36.pdf">Vozes da Ciência – O Brasil que Queremos</a></em>, construído em treze rodadas de escuta e organizado em sete eixos, uma proposta correspondente, redigida antes que os números chegassem e por eles integralmente confirmada.</p>
<p>A primeira fratura é territorial. As mesas de Niterói sobre desigualdades regionais em CT&amp;I sustentaram que Norte e Nordeste não são objeto de pesquisa, são sujeitos de produção de conhecimento, e que a concentração do fomento reproduz a concentração da renda.</p>
<p>O caderno produzido pela SBPC junto a centenas de especialistas traduz esse debate em três compromissos indissociáveis: preservar o FNDCT integral, não contingenciado e majoritariamente não reembolsável, na proporção 60/40; estabelecer metas regionais explícitas de distribuição de recursos, com recomposição do CT-Amazônia e correção do desequilíbrio na alocação entre ICTs e empresas; e sustentar universidades públicas, institutos federais e unidades de pesquisa do MCTI como infraestrutura permanente de redução de desigualdade em cada território.</p>
<p>Quando o relatório aponta que os piores indicadores sociais se concentram no Norte e no Nordeste, está descrevendo o mesmo mapa que a política de fomento vem desenhando há décadas.</p>
<p>A segunda fratura é de gênero e raça. O ato público contra o feminicídio realizado na Reunião Anual, com a presença da ministra Cármen Lúcia e da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, deu rosto ao que o relatório revela em sua série histórica. O dado sobre as mulheres negras, com o menor avanço de rendimento e a maior taxa de desocupação do país, mostra que a desigualdade de gênero e raça não é um capítulo à parte: é uma linha que atravessa todos os capítulos.</p>
<p>É por isso que o caderno <em><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/publicacoes/outras-publicacoes/caderno_36.pdf" target="_blank">Vozes da Ciência</a></em> atribui centralidade à proteção do valor e da regularidade das bolsas de pesquisa. Elas constituem uma das principais políticas de mobilidade social do sistema científico brasileiro e, para quem chega à universidade sem uma rede de apoio familiar, podem ser decisivas para a permanência, a formação e a construção de uma trajetória científica.</p>
<p>A terceira fratura é climática. As sessões sobre adaptação nas cidades e soberania alimentar anteciparam o contraste que o relatório escancara entre a melhora ambiental agregada e o aumento da população exposta a riscos geológicos. A resposta do caderno de propostas da SBPC é instituir sistemas locais de alerta e adaptação baseados em ciência, articulando universidades, defesa civil e comunidades expostas, porque a ciência que não chega ao território onde o desastre acontece é uma ciência que não cumpriu seu percurso.</p>
<p>Foi também em Niterói que o presidente da República convocou a SBPC e a Academia Brasileira de Ciências a apresentarem um plano nacional para a ciência. Aceitamos o desafio. Ele se traduz, entre outras propostas, na elevação do investimento em P&amp;D de 1,2% para 2% do PIB até 2034 e para 3% até 2040, com uma trajetória anual pactuada, previsível e monitorada.</p>
<p>O PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) 2027 será discutido em plena campanha eleitoral. Esta é uma oportunidade para um país que alcança o grupo de muito alto desenvolvimento humano, mas que, quando o índice é ajustado pela desigualdade, perde posições e retorna a um patamar muito inferior. O Brasil precisa reconhecer que elevar a média não basta quando a estrutura da desigualdade permanece intocada. A ciência brasileira conhece essa estrutura e sabe também que transformá-la não cabe em um ciclo eleitoral; cabe em um projeto de década.</p>
<p>Reduzir desigualdades é decisão política. Distribuir conhecimento é método. Financiar ciência de forma estável, pública e regionalmente justa é caminho para fazê-lo. O Observatório Brasileiro das Desigualdades nos entregou o diagnóstico. A Reunião Anual formulou a pergunta. O caderno <em><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/publicacoes/outras-publicacoes/caderno_36.pdf" target="_blank">Vozes da Ciência &#8211; O Brasil que Queremos</a></em> avança na resposta. E o Observatório das Eleições 2026, criado pela SBPC, em seu portal, com seu Termo de Compromisso, oferece à sociedade o instrumento que faltava: comparar o que se promete com o que se cumpre.</p>
<p><strong>Agora falta o compromisso de quem pede o voto.</strong></p>
<p><em>Francilene Procópio Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Veja abaixo as notas do Especial da Semana – Desigualdades</strong></p>
<p>Assessoria de Comunicação &#8211; <a href="https://www.gov.br/mds/pt-br/noticias/pacto-pelo-combate-as-desigualdades-divulga-relatorio-2026-do-observatorio-brasileiro-das-desigualdades" target="_blank">MDS &#8211; Pacto pelo Combate às Desigualdades divulga relatório 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades</a></p>
<p>Agência Brasil &#8211; <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-08/brasil-reduz-pobreza-mas-amplia-desigualdades-mostra-estudo" target="_blank">Brasil reduz pobreza, mas amplia desigualdades, mostra estudo</a></p>
<p>Metrópoles &#8211; <a href="https://www.metropoles.com/brasil/apesar-de-reduzir-a-pobreza-desigualdade-social-aumentou-no-brasil" target="_blank">Apesar de reduzir a pobreza, desigualdade social aumenta no Brasil</a></p>
<p>O Globo &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/12/brasil-melhorou-em-71percent-dos-indicadores-de-desigualdade-mas-concentracao-de-renda-aumentou-mostra-pesquisa.ghtml" target="_blank">Brasil melhora em 71% dos indicadores de desigualdade, mas concentração de renda aumenta, mostra pesquisa</a></p>
<p>Correio Braziliense &#8211; <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/08/7478986-desigualdade-de-renda-persiste-no-brasil-aponta-relatorio.html" target="_blank">Desigualdade de renda persiste no Brasil, aponta relatório</a></p>
<p>CNN Brasil, 12/08/2026 &#8211; <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/sobrerrepresentacao-de-negros-em-prisoes-se-agravou-em-2025-diz-relatorio/" target="_blank">Sobrerrepresentação de negros em prisões se agravou em 2025, diz relatório</a></p>
<p>Folha de S. Paulo &#8211; <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/laura-machado/2026/04/no-brasil-reduzir-a-pobreza-pouco-afeta-a-desigualdade.shtml" target="_blank">No Brasil, reduzir a pobreza pouco afeta a desigualdade</a></p>
<p>Dinheiro Vivo, 20/06/2026 &#8211; <a href="https://dinheirovivo.dn.pt/economia/nobel-da-economia-defende-imposto-sobre-mais-ricos-para-diminuir-desigualdades" target="_blank">Nobel da Economia defende imposto sobre mais ricos para diminuir desigualdades</a></p>
<p>Veja, 7/04/2026 &#8211; <a href="https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/reduzir-as-desigualdades-no-sus-ainda-e-um-grande-desafio/" target="_blank">Reduzir as desigualdades no SUS ainda é um grande desafio</a></p>
<p>CNN Brasil, 09/09/25 &#8211; <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/quase-80-dos-brasileiros-consideram-o-pais-muito-desigual-diz-pesquisa/#goog_rewarded" target="_blank">Quase 80% dos brasileiros consideram o País muito desigual, diz pesquisa</a></p>
<p>DW Brasil, 23/11/2025 &#8211; <a href="https://www.dw.com/pt-br/como-o-gasto-p%C3%BAblico-pode-combater-a-desigualdade-de-g%C3%AAnero/a-74810979" target="_blank">Como o gasto público pode combater a desigualdade de gênero</a></p>
<p>Oxfam Brasil, 20/11/25 &#8211; <a href="https://www.oxfam.org.br/a-raiz-da-desigualdade-esta-no-topo/" target="_blank">A raiz da desigualdade está no topo</a></p>
<p>Veja, 23/09/2026 &#8211; <a href="https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/educacao-sozinha-nao-e-suficiente-para-diminuir-desigualdades/" target="_blank">Educação sozinha não é suficiente para diminuir desigualdades</a></p>
<p>CNN Brasill, 28/04/26 &#8211; <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-principal-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/" target="_blank">Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no País</a></p>
<p>Estadão, 09/09/2025 &#8211; <a href="https://www.estadao.com.br/economia/corrupcao-falta-politicas-publicas-principais-causas-desigualdade/" target="_blank">Corrupção e falta de políticas públicas são as principais causas da desigualdade no Brasil</a></p>
<p>Jota, 10/04/2026 &#8211; <a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/gestao-politica-sociedade/quem-ganharia-e-quem-perderia-com-a-reducao-da-desigualdade-no-brasil" target="_blank">Quem ganharia – e quem perderia – com a redução da desigualdade no Brasil?</a></p>
<p>Observatório do 3º Setor, 05/09/2025 &#8211; <a href="https://observatorio3setor.org.br/desigualdade-social-adolescentes-brasil/" target="_blank">Estudo revela impacto da desigualdade na vida de adolescentes em comunidades vulneráveis</a></p>
<p>Jornal da USP, 20/02/2026 &#8211; <a href="https://jornal.usp.br/articulistas/otaviano-helene/o-circulo-vicioso-da-desigualdade-renda-e-educacao-no-brasil/%5d" target="_blank">O círculo vicioso da desigualdade: renda e educação no Brasil</a></p>
<p>Correio Braziliense, 13/08/2026 &#8211; <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/08/amp/7479597-brasil-tem-menor-participacao-de-mulheres-na-politica-da-america-latina.html" target="_blank">Brasil tem menor participação de mulheres na política da América Latina</a></p>
<p>Nexo, 13/07/2026 &#8211; <a href="https://pp.nexojornal.com.br/ponto-de-vista/2026/07/13/por-que-dados-raciais-sao-relevantes-para-a-democracia" target="_blank">Por que dados raciais são relevantes para a democracia?</a></p>
<p>Jornal da Ciência, 31/07/2026 &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/entre-a-utopia-e-a-distopia-a-ciencia-diante-dos-novos-desafios/" target="_blank">Entre a utopia e a distopia: a ciência diante dos novos desafios</a></p>
<p>Jornal da Ciência, 29/07/2026 &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/saude-digital-avanca-no-brasil-entre-desafios-e-conquistas/" target="_blank">Saúde digital avança no Brasil entre desafios e conquistas</a></p>
<p>Jornal da Ciência, 30/07/2026 &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/diversidade-ainda-e-desafio-na-ciencia-brasileira/" target="_blank">Diversidade ainda é desafio na ciência brasileira</a></p>
<p>Jornal da Ciência, 3/08/2026 &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/mais-mulheres-na-politica-mais-democracia/" target="_blank">Mais mulheres na política, mais democracia</a></p>
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			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-a-maior-conquista-social-brasileira-em-uma-geracao-e-os-brasileiros-que-ficaram-de-fora/feed/</wfw:commentRss>
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		<title>EDITORIAL &#8211; O dano que o procedimento não vê</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 18:09:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[Por que ABC e SBPC pediram ingresso como amici curiae nas ações sobre a Lei Geral do Licenciamento Ambiental]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por que ABC e SBPC pediram ingresso como amici curiae nas ações sobre a Lei Geral do Licenciamento Ambiental</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-07-at-16.02.58.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-30616 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/08/WhatsApp-Image-2026-08-07-at-16.02.58-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-08-07 at 16.02.58" width="300" height="300" /></a>A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) pediram ao Supremo Tribunal Federal para ingressar como <em>amici curiae</em> nas ações que questionam a Lei nº 15.190/2025 — a Lei Geral do Licenciamento Ambiental — e a Lei nº 15.300/2025, que instituiu o procedimento especial e a Licença Ambiental Especial. Não fomos ao Tribunal para opinar sobre política nem para arbitrar disputas entre setores. Fomos porque há afirmações de natureza factual no centro dessa controvérsia — sobre como os impactos ambientais se formam, se acumulam e podem se tornar irreversíveis — e porque essas afirmações encontram resposta na ciência. Quando o debate público passa a tratá-las como matéria de conveniência, alguém precisa afirmar o que o conhecimento científico já sabe.</p>
<p>E o que se sabe é o seguinte. Impacto ambiental relevante quase nunca é obra de um empreendimento isolado: nasce da interação entre pressões, no tempo e no território, e do acúmulo de alterações graduais até pontos de não retorno. Qualquer desenho normativo que estreite a área de influência ou reduza o espectro de efeitos considerados não elimina esses impactos, apenas os remove do campo de visão de quem decide. O dano continua a se formar, invisível ao procedimento, até que seja tarde para condicionar, mitigar ou compensar.</p>
<p>Autodeclaração e amostragem, por sua vez, não são equivalentes funcionais da avaliação prévia. Podem ter lugar legítimo em contextos regulatórios definidos, mas apenas sob condições que a ciência sabe enunciar com precisão: critérios transparentes de seleção, verificação e auditoria robustas, monitoramento contínuo, rastreabilidade e capacidade institucional real de fiscalizar. Sem essas condições, o resultado previsível não é agilidade, é subnotificação sistemática. Isso não é conjectura; é o comportamento conhecido de sistemas de reporte voluntário sem contrapartida de verificação.</p>
<p>Pela mesma razão, comprimir etapas em empreendimentos de alto impacto não acelera o desenvolvimento: transfere seu custo. Decisão preventiva confiável exige informação adequada antes da licença, estudos com escopo proporcional ao risco, análise capaz de tratar incerteza e efeitos cumulativos, espaço para condicionantes. Quando a base informacional é menor que a complexidade do que se autoriza, o erro decisório deixa de ser acidente e passa a ser propriedade do sistema. É esse o ponto que a Licença Ambiental Especial e o procedimento especial colocam de forma mais aguda: um rito monofásico, com prazos abreviados, aplicado a empreendimentos qualificados como estratégicos por decisão política. Da perspectiva científica, a classificação de um projeto como prioritário nada informa sobre a complexidade dos sistemas que ele afeta. Prioridade é atributo da agenda pública; risco é atributo do território, do ecossistema e da escala da intervenção. Encurtar a avaliação em função da primeira não reduz o segundo, apenas reduz o que se sabe sobre ele no momento de decidir. Vale a mesma observação para o licenciamento corretivo: regularizar depois é, por definição, decidir sobre um dano que já ocorreu, quando a função do instrumento era evitá-lo.</p>
<p>É nesse ponto que se torna necessário afirmar, com clareza, que a precaução não é hesitação. Ela é a resposta institucional a um fato estabelecido: riscos graves são subestimados quando o desenho regulatório restringe o escopo da avaliação. Tratar precaução como obstáculo ao desenvolvimento é inverter a relação entre conhecimento e decisão.</p>
<p>Há evidência nacional para tudo isso. As séries do INPE — PRODES e DETER — permitem acompanhar alterações no uso do solo e padrões de desmatamento e suas correlações com ciclos hidrológicos, regime de chuvas e estabilidade climática regional. O padrão que a literatura registra é recorrente e vale como advertência: mudanças em instrumentos preventivos produzem consequências que só se tornam visíveis depois que parte do dano já se consolidou. É esse intervalo entre a decisão e a evidência do erro que a avaliação prévia existe para encurtar. Há, ainda, uma dimensão territorial que a comunidade científica brasileira não pode deixar de nomear. Impactos, capacidades institucionais e vulnerabilidades não se distribuem de modo homogêneo pelo país. Um regime uniforme aplicado sobre densidades técnico-institucionais radicalmente distintas não produz tratamento igual, produz proteção desigual, e ela recai sobre a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga, as terras indígenas e os territórios quilombolas.</p>
<p>Esta iniciativa tem um significado institucional que vale explicitar. ABC e SBPC não têm interesse econômico no licenciamento, não representam setores produtivos nem organizações de causa. Representamos, há décadas, a comunidade científica organizada do país: 161 sociedades científicas afiliadas, dez áreas do conhecimento, milhares de pesquisadores. Essa posição nos obriga a algo específico, levar ao processo o estado da arte, com método e transparência, sem confundir nossa contribuição com a posição processual de nenhuma das partes. É por isso que apresentamos ao Tribunal uma nota técnica conjunta, acompanhada de um quadro que vincula, ponto por ponto, cada dispositivo questionado ao subsídio científico correspondente. Nosso compromisso é o rigor da vinculação, não a conveniência da conclusão. Pedimos também a realização de audiência pública, porque em controvérsia dessa magnitude ampliar o debate não é formalidade processual: é condição de qualidade da decisão.</p>
<p>Esse mesmo compromisso define os limites do que trazemos. Nossa contribuição se circunscreve às dimensões empíricas: distribuição espacial e temporal de efeitos, mecanismos de cumulatividade e sinergia, limites metodológicos de avaliação, condições de suficiência da análise preventiva. Questões como o direito à consulta prévia, livre e informada, nos termos da Convenção nº 169 da OIT, e os procedimentos de demarcação e titulação de territórios indígenas e quilombolas são matéria jurídico-constitucional, reservada à autonomia decisória da Corte e defendida com propriedade por quem é diretamente titular desses direitos. Reconhecer essa fronteira não é reticência: é a condição para que o aporte científico tenha o valor que se propõe a ter.</p>
<p>O que esperamos não é que a ciência substitua o juízo constitucional; não lhe cabe fazê-lo. Esperamos que o julgamento se realize a partir de um panorama nítido dos efeitos práticos do regime em discussão, e não de intuições a seu respeito. Esperamos, mais amplamente, que se consolide entre nós um princípio simples: decisões estruturantes sobre bens difusos e intergeracionais não devem ser tomadas sem consulta ao conhecimento científico acumulado sobre eles. Se este processo contribuir para firmar esse precedente, o de que a ciência deve integrar de forma ordinária, e não excepcional, a deliberação pública, sua contribuição terá excedido em muito o caso concreto.</p>
<p>A edição especial desta semana reúne análises de quem conhece o licenciamento por dentro: gestão ambiental federal, história constituinte, organizações socioambientais e indigenistas, academia jurídica, magistratura e a articulação dos povos indígenas. São perspectivas que não convergem em tudo, e essa pluralidade é exatamente o ponto. O art. 225 da Constituição fala às gerações futuras, que não têm voz no processo legislativo nem no debate público. A ciência é, em boa medida, o instrumento pelo qual seus interesses se tornam audíveis porque é ela que permite ver o que ainda não aconteceu. Silenciá-la, ou tratá-la como um entre muitos interesses em disputa, é decidir sobre o futuro sem consultar o que se sabe dele.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Francilene Procópio Garcia</strong></p>
<p style="text-align: center;"><em>Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)</em></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Helena Bonciani Nader</strong></p>
<p style="text-align: center;"><em>Presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC)</em></p>
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<p><strong>Veja as notas do Especial da Semana &#8211; Lei Geral do Licenciamento Ambiental</strong></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/3-lei-geral-do-licenciamento-ambiental-prejudica-a-populacao-brasileira-o-desenvolvimento-do-pais-e-seu-futuro/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910107&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">Lei Geral do Licenciamento Ambiental prejudica a população brasileira, o desenvolvimento do País e seu futuro</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/4-o-descontrole-ambiental-promovido-pela-mae-de-todas-as-boiadas/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910109&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">O descontrole ambiental promovido pela “mãe de todas as boiadas”</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/5-como-a-perda-das-nossas-protecoes-ambientais-ameaca-a-vida/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910111&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">Como a perda das nossas proteções ambientais ameaça a vida</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/7-ciencia-licenciamento-ambiental-e-o-desafio-climatico-no-stf/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910115&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">Ciência, licenciamento ambiental e o desafio climático no STF</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/6-politica-publica-baseada-em-evidencias-ou-em-narrativas-hegemonicas-a-tao-aguardada-resposta-do-stf-para-o-futuro-do-licenciamento-ambiental/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910113&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">Política pública baseada em evidências ou em narrativas hegemônicas? A tão aguardada resposta do STF para o futuro do licenciamento ambiental</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/8-licenciamento-ambiental-e-racismo-ambiental-por-que-a-lei-no-15-1902025-discrimina-povos-indigenas-e-quilombolas/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910117&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">Licenciamento ambiental e racismo ambiental: por que a Lei nº 15.190/2025 discrimina povos indígenas e quilombolas</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/9-a-nova-lei-do-licenciamento-ambiental-retrocesso-normativo-em-tempos-de-emergencia-climatica/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910119&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">A nova Lei do Licenciamento Ambiental: retrocesso normativo em tempos de emergência climática</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/4-o-descontrole-ambiental-promovido-pela-mae-de-todas-as-boiadas/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910109&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">O descontrole ambiental promovido pela “mãe de todas as boiadas”</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/10-da-incompleta-avaliacao-de-impactos-ambientais-na-lei-geral-gargalos-do-pos-licenca/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910121&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">Da incompleta avaliação de impactos ambientais na Lei Geral: gargalos do pós-licença</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/11-o-licenciamento-ambiental-a-luz-da-experiencia-internacional/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910123&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">O licenciamento ambiental à luz da experiência internacional</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/12-o-licenciamento-ambiental-e-a-quebra-de-barreiras-protetivas-as-areas-protegidas-uma-analise-de-impactos-em-terras-indigenas-e-territorios-quilombolas/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910125&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">O Licenciamento Ambiental e a quebra de barreiras protetivas às Áreas Protegidas: uma análise de impactos em Terras Indígenas e Territórios Quilombolas</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/13-o-brasil-contra-o-mundo-quando-a-agenda-ambiental-se-torna-isolamento-comercial/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910127&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">O Brasil contra o mundo: quando a agenda ambiental se torna isolamento comercial</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/5-como-a-perda-das-nossas-protecoes-ambientais-ameaca-a-vida/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910111&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">Como a perda das nossas proteções ambientais ameaça a vida</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/14-uma-suprema-encruzilhada-a-emergencia-climatica-e-o-licenciamento-ambiental/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910129&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">Uma suprema encruzilhada: a emergência climática e o licenciamento ambiental</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/15-saude-e-meio-ambiente-o-ressurgimento-do-descontrole-da-poluicao-devido-a-lei-geral-do-licenciamento-ambiental/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910131&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">Saúde e meio ambiente: o ressurgimento do descontrole da poluição devido à Lei Geral do Licenciamento Ambiental</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/16-as-dispensas-genericas-de-licenciamento-ambiental-previstas-na-lei-15-1902025-e-seus-riscos/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910133&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">As dispensas genéricas de licenciamento ambiental previstas na Lei 15.190/2025 e seus riscos</a></p>
<p>JCN &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/17-a-desprotecao-da-mata-atlantica-pela-lei-geral-do-licenciamento-ambiental/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=308910135&amp;utm_campaign=JCN_7985&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11896637-1-1" target="_blank">A desproteção da Mata Atlântica pela lei geral do licenciamento ambiental</a></p>
<p>Capital Reset, 05/08/2026 &#8211; <a href="https://capitalreset.uol.com.br/opiniao/o-artigo-esquecido-que-pode-mudar-o-licenciamento-ambiental/" target="_blank">O artigo esquecido que pode mudar o licenciamento ambiental</a></p>
<p>Brasil de Fato, 03/08/2026 &#8211; <a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/08/03/o-futuro-verde-em-julgamento-o-stf-e-o-destino-do-licenciamento-ambiental/" target="_blank">O futuro verde em julgamento: o STF e o destino do licenciamento ambiental</a></p>
<p>O Cafezinho, 05/08/2026 &#8211; <a href="https://www.ocafezinho.com/2026/08/05/stf-julga-a-partir-de-12-de-agosto-lei-que-flexibiliza-licenciamento-ambiental/" target="_blank">STF julga, a partir de 12 de agosto, lei que flexibiliza licenciamento ambiental</a></p>
<p>Migalhas, 19/03/2026 &#8211; <a href="https://www.migalhas.com.br/depeso/452215/avancos-e-desafios-da-lei-geral-de-licenciamento-ambiental" target="_blank">Avanços e desafios da lei geral de licenciamento ambiental</a></p>
<p>Correio Braziliense, 05/02/2026 &#8211; <a href="https://newblogs.correiobraziliense.com.br/ecobraziliense/licenciamento-ambiental-sofre-retrocesso-historico/" target="_blank">Licenciamento ambiental sofre retrocesso histórico</a></p>
<p>Jota, 10/07/2026 &#8211; <a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-nova-lei-de-licenciamento-ambiental" target="_blank">A nova Lei de Licenciamento Ambiental</a></p>
<p>Valor, 29/07/2026 &#8211; <a href="https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/rodovias-portos-e-ferrovias/noticia/2026/07/29/nova-lei-ambiental-segue-sob-criticas.ghtml" target="_blank">Nova lei ambiental segue sob críticas</a></p>
<p>Brasil de Fato, 03/08/2026 &#8211; <a href="https://www.brasildefato.com.br/2026/08/03/o-futuro-verde-em-julgamento-o-stf-e-o-destino-do-licenciamento-ambiental/" target="_blank">O futuro verde em julgamento: o STF e o destino do licenciamento ambiental</a></p>
<p>STF, 29/12/2025 &#8211; <a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/partidos-e-associacoes-questionam-pontos-da-lei-geral-de-licenciamento-ambiental/" target="_blank">Partidos e associações questionam pontos da Lei Geral de Licenciamento Ambiental  </a></p>
<p>Agência Senado, 27/11/2025 &#8211; <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2025/11/27/congresso-derruba-52-itens-de-veto-a-lei-geral-do-licenciamento-ambiental" target="_blank">Congresso derruba 52 itens de veto à Lei Geral do Licenciamento Ambiental</a></p>
<p>Infoamazonia, 18/12/2025 &#8211; <a href="https://infoamazonia.org/2025/12/18/podemos-estar-contratando-varios-brumadinhos-afirma-presidente-do-icmbio-sobre-a-nova-lei-geral-do-licenciamento/" target="_blank">“Podemos estar contratando vários Brumadinhos”, afirma presidente do ICMBio sobre a nova Lei Geral do Licenciamento</a></p>
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			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-o-dano-que-o-procedimento-nao-ve/feed/</wfw:commentRss>
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		<title>EDITORIAL: A ciência e o desafio dos microplásticos</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-a-ciencia-e-o-desafio-dos-microplasticos/</link>
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		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 19:12:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[Na editoria especial do JC Notícias desta sexta-feira, a presidente da SBPC, Francilene Garcia, aborda os desafios impostos pelos microplásticos e convida o público a aprofundar esse debate na 78ª Reunião Anual da entidade, que tem como tema "Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão"]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Na editoria especial do JC Notícias desta sexta-feira, a presidente da SBPC, Francilene Garcia, aborda os desafios impostos pelos microplásticos e convida o público a aprofundar esse debate na 78ª Reunião Anual da entidade, que tem como tema &#8220;Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão&#8221;</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-17-at-15.42.30.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-30301 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-17-at-15.42.30-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-07-17 at 15.42.30" width="300" height="300" /></a>Há temas que, silenciosamente, passam a ocupar um lugar central na agenda científica internacional e, quando nos damos conta, se tornam um problema estrondoso. Os microplásticos são um deles. Invisíveis a olho nu na maior parte das vezes, essas partículas já foram identificadas em praticamente todos os compartimentos ambientais, dos oceanos aos rios, dos solos à atmosfera, e também em diferentes tecidos e órgãos humanos. Em um mundo que produz mais de 400 milhões de toneladas de plástico por ano, compreender o destino desse material tornou-se uma questão científica, ambiental e de saúde pública.</p>
<p>Compreender a origem, o comportamento e os impactos dos micro e nanoplásticos exige a integração de pesquisas em química, biologia, oceanografia, toxicologia, medicina, engenharia, ciência dos materiais, saúde pública e ciências ambientais. Essa complexidade decorre não apenas da diversidade de polímeros existentes, mas também da capacidade dessas partículas de transportar outros contaminantes, interagir com microrganismos e percorrer diferentes ecossistemas até alcançar organismos vivos. É justamente essa capacidade de reunir diferentes saberes que permite à ciência compreender problemas cuja dimensão ainda está em construção.</p>
<p>Nos últimos anos, estudos conduzidos em diversos países, inclusive no Brasil, vêm ampliando significativamente o conhecimento sobre o tema. Pesquisadores já detectaram microplásticos em ambientes marinhos profundos, em ecossistemas amazônicos, em praias de praticamente todo o litoral brasileiro e em diferentes espécies da fauna. Também foram identificadas essas partículas em sangue, pulmões, placenta, cordão umbilical e outros tecidos humanos. Estudos mais recentes relataram ainda sua presença em cérebro, fígado, rins e sistema reprodutivo, ampliando as perguntas que a ciência precisa responder sobre seus possíveis efeitos no organismo. Embora muitos dos efeitos sobre a saúde ainda estejam sendo investigados, o avanço dessas pesquisas demonstra que estudar essa exposição tornou-se uma prioridade científica.</p>
<p>E essa distinção é importante. A ciência trabalha com evidências, e não com conclusões precipitadas. Em diversas situações, os estudos apontam associações que ainda precisam ser aprofundadas antes que se estabeleçam relações de causa e efeito. Longe de representar uma limitação, esse é precisamente um dos pilares do método científico: produzir conhecimento confiável, acumulativo e capaz de orientar decisões públicas com responsabilidade.</p>
<p>Mas a dimensão ambiental do problema já é amplamente reconhecida. Os microplásticos atravessam ecossistemas, alcançam cadeias alimentares, transportam outros contaminantes e já foram encontrados inclusive em ambientes considerados remotos, como o mar profundo e a Antártica, evidenciando os riscos e os impactos de um modelo de produção e consumo baseado no uso intensivo de materiais plásticos descartáveis. Enfrentar esse desafio exige mais do que aperfeiçoar sistemas de reciclagem. Requer inovação tecnológica, desenvolvimento de novos materiais, aprimoramento da gestão de resíduos, fortalecimento da economia circular e políticas públicas fundamentadas nas melhores evidências científicas disponíveis.</p>
<p>O Brasil é um dos países que vêm contribuindo de forma significativa com essa agenda de conhecimento. Instituições de pesquisa em diferentes regiões do País vêm desenvolvendo tecnologias de monitoramento ambiental, avaliação de riscos, metodologias analíticas e ferramentas voltadas ao enfrentamento da poluição plástica. Pesquisadores brasileiros produziram estudos pioneiros sobre a presença de microplásticos em praias de praticamente todo o litoral nacional, em águas profundas da Bacia de Santos, em ecossistemas amazônicos e, pela primeira vez na América Latina, em placentas e cordões umbilicais de gestantes.</p>
<p>Mais do que um problema ambiental, os microplásticos passaram a integrar uma agenda estratégica para o desenvolvimento. Seus impactos dialogam com a saúde pública, a segurança alimentar, a gestão dos recursos hídricos, a inovação industrial, a economia circular e a formulação de políticas públicas. São questões que extrapolam os laboratórios e exigem conhecimento científico para orientar decisões capazes de conciliar desenvolvimento econômico, proteção ambiental e qualidade de vida.</p>
<p>Não por acaso, os microplásticos estarão entre os temas em destaque da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que começa daqui a nove dias na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. A programação científica dedicará duas atividades ao tema, abordando perspectivas complementares. A conferência &#8220;Microplásticos e Nanoplásticos na Saúde e Doenças Humanas&#8221; será ministrada por Vitor Francisco Ferreira (UFF), pesquisador cujos estudos vêm ampliando a compreensão sobre os possíveis impactos dessas partículas no organismo humano. Já a mesa-redonda &#8220;Microplásticos: Impactos Ambientais e Desafios Científicos&#8221;, coordenada por Paulo Artaxo, reunirá Ohanna Maria Menezes Madeiro da Costa (CNPEM) e Mario Barletta (UFPE), um dos organizadores do relatório <em>Microplásticos: um problema complexo e urgente</em>, publicado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), para discutir os avanços das pesquisas sobre a contaminação ambiental e seus desdobramentos.</p>
<p>A história da ciência mostra que os grandes desafios contemporâneos raramente começam a ser enfrentados quando já se tornaram evidentes para toda a sociedade. O caminho é outro: a pesquisa identifica sinais, formula perguntas, produz evidências e amplia a compreensão de fenômenos que, muitas vezes, ainda estão em construção. É exatamente esse o papel que a ciência brasileira desempenha hoje diante dos microplásticos.</p>
<p>Com esse compromisso é que a SBPC destaca este assunto durante a 78ª Reunião Anual, cujo tema, &#8220;Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão&#8221;, reafirma a necessidade de colocar o conhecimento científico no centro das respostas aos grandes desafios nacionais e globais.</p>
<p>Convidamos estudantes, pesquisadores, professores, gestores públicos e toda a sociedade a participar dessa discussão e das demais atividades da Reunião Anual, cuja programação é inteiramente gratuita e aberta ao público. Ao ampliar o acesso ao conhecimento e promover o diálogo entre diferentes setores da sociedade, nossa Reunião Anual reafirma que ciência para todos é também uma condição para fortalecer a soberania nacional, promover o desenvolvimento e construir um país mais inclusivo.</p>
<p><em>Francilene Procópio Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência &#8211; SBPC</em></p>
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<p><strong>Veja as notas do Especial da semana – Microplásticos</strong></p>
<p>JC <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/microplasticos-e-nanoplasticos-sao-destaques-da-programacao-da-78a-reuniao-anual-da-sbpc/" target="_blank">- Microplásticos e nanoplásticos entram no centro dos debates da 78ª Reunião Anual da SBPC</a></p>
<p>Jornal da USP – 10/11/2025 &#8211; <a href="https://jornal.usp.br/radio-usp/microplasticos-uma-ameaca-invisivel-a-saude-humana-e-ao-meio-ambiente/" target="_blank">Microplásticos: uma ameaça invisível à saúde humana e ao meio ambiente</a></p>
<p>Forbes, 21/05/2026 &#8211; <a href="https://forbes.com.br/forbes-agro/2026/05/como-microplasticos-estao-migrando-das-embalagens-para-alimentos-e-bebidas/" target="_blank">Como microplásticos estão migrando das embalagens para alimentos e bebidas</a></p>
<p>The Conversation Brasil, 01/10/2025 &#8211; <a href="https://theconversation.com/perigo-invisivel-e-sem-fronteiras-microplasticos-e-nanoplasticos-ja-contaminam-toda-a-cadeia-alimentar-do-planeta-266130" target="_blank">Perigo invisível e sem fronteiras: microplásticos e nanoplásticos já contaminam toda a cadeia alimentar do planeta</a></p>
<p>Poder 360, 19/10/2025 &#8211; <a href="https://www.poder360.com.br/poder-sustentavel/microplasticos-e-nanoplasticos-contaminam-toda-a-cadeia-alimentar/" target="_blank">Microplásticos e nanoplásticos contaminam toda a cadeia alimentar</a></p>
<p>André Julião | Agência FAPESP, 20/06/2026 &#8211; <a href="https://agencia.fapesp.br/microplasticos-e-poluentes-persistentes-estao-presentes-mesmo-em-aguas-profundas-do-brasil/58140" target="_blank">Microplásticos e poluentes persistentes estão presentes mesmo em águas profundas do Brasil</a></p>
<p>Metrópoles, 13/07/2026 &#8211; <a href="https://www.metropoles.com/saude/microplasticos-pacientes-infarto" target="_blank">Microplásticos são encontrados em pacientes com infarto, diz pesquisa</a></p>
<p>CNN , 05/11/2025 &#8211; <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/microplasticos-podem-afetar-a-fertilidade-de-homens-e-mulheres-entenda/" target="_blank">Microplásticos podem afetar a fertilidade de homens e mulheres</a></p>
<p>Mongabay, 24/10/2025 &#8211; <a href="https://brasil.mongabay.com/2025/10/cientistas-encontram-microplasticos-no-estomago-de-macacos-da-amazonia/" target="_blank">Cientistas encontram microplásticos no estômago de macacos da Amazônia</a></p>
<p>Folha de S. Paulo, 08/10/2025 &#8211; <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/10/maior-estudo-ja-feito-no-pais-detecta-microplasticos-em-709-praias-brasileiras.shtml" target="_blank">Maior estudo já feito no País detecta microplásticos em 709 praias brasileiras</a></p>
<p>G1, 08/12/2025 &#8211; <a href="https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/12/08/microplasticos-podem-desencadear-alzheimer-parkinson-e-outras-lesoes-no-cerebro-diz-estudo-saiba-quais.ghtml" target="_blank">Microplásticos podem desencadear Alzheimer, Parkinson e outras lesões no cérebro, diz estudo</a></p>
<p>Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP &#8211; <a href="https://agencia.fapesp.br/microplasticos-podem-afetar-a-saude-dos-ossos/55819" target="_blank">Microplásticos podem afetar a saúde dos ossos</a></p>
<p>Elton Alisson | Agência FAPESP &#8211; <a href="https://agencia.fapesp.br/contaminacao-de-peixes-por-microplasticos-ameaca-a-producao-agricola/55902" target="_blank">Contaminação de peixes por microplásticos ameaça a produção agrícola</a></p>
<p>G1, 27/07/2025 &#8211; <a href="https://g1.globo.com/al/alagoas/arquivo/noticia/2025/07/27/cientistas-brasileiros-encontram-microplasticos-na-placenta-e-no-cordao-umbilical-de-gravidas.ghtml" target="_blank">Cientistas brasileiros encontram microplásticos na placenta e no cordão umbilical de grávidas</a></p>
<p>G1, 04/05/2026 &#8211; <a href="https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/05/04/microplasticos-no-ar-contribuem-para-o-aquecimento-global-mostra-estudo-inedito.ghtml" target="_blank">Microplásticos no ar contribuem para o aquecimento global, mostra estudo inédito</a></p>
<p>Superinteressante, 13/05/2026 &#8211; <a href="https://super.abril.com.br/ciencia/microplasticos-presentes-no-ar-podem-estar-agravando-o-aquecimento-global-entenda-como/" target="_blank">Microplásticos presentes no ar podem estar agravando o aquecimento global. Entenda como</a></p>
<p>O Globo, 13/04/2026 &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/04/13/microplasticos-no-ar-de-casas-e-carros-estudo-alerta-que-a-exposicao-e-100-vezes-maior-do-que-a-estimada.ghtml" target="_blank">Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior do que a estimada</a></p>
<p>O Globo, 17/02/2026 &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/mundo/clima-e-ciencia/noticia/2026/02/17/poluicao-global-especialistas-detectam-microplasticos-em-intestino-do-unico-inseto-nativo-da-antartida.ghtml" target="_blank">Poluição global: especialistas detectam microplásticos em intestíno do único inseto nativo da Antártida</a></p>
<p>G1, 17/12/2025 &#8211; <a href="https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/12/17/microplasticos-residuos-quimicos-e-bacterias-os-riscos-da-agua-engarrafada.ghtml" target="_blank">Microplásticos, resíduos químicos e bactérias: os riscos da água engarrafada</a></p>
<p>Ipen, 17/06/2026 &#8211; <a href="https://www.gov.br/ipen/pt-br/assuntos/clipping-de-noticias/ciencia-nuclear-brasileira-combate-poluicao-por-microplasticos" target="_blank">Ciência nuclear brasileira combate poluição por microplásticos</a></p>
<p>O Globo, 13/04/2026 &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/04/13/pesquisa-no-rio-investiga-impactos-de-plasticos-e-microplasticos-e-propoe-solucoes-sustentaveis.ghtml" target="_blank">Pesquisa no Rio investiga impactos de plásticos e microplásticos e propõe soluções sustentáveis</a></p>
<p>Mongabay, 26/06/2026 &#8211; <a href="https://brasil.mongabay.com/2026/06/dos-igarapes-aos-manguezais-microplasticos-contaminam-a-amazonia/" target="_blank">Dos igarapés aos manguezais, microplásticos contaminam a Amazônia</a></p>
<p>O Globo, 06/02/2026 &#8211; <a href="https://oglobo.globo.com/mundo/clima-e-ciencia/noticia/2026/02/06/satelites-podem-identificar-microplasticos-nos-oceanos-e-mudar-o-combate-a-poluicao-marinha-entenda.ghtml" target="_blank">Satélites podem identificar microplásticos nos oceanos e mudar o combate à poluição marinha</a></p>
<p>Blog do Pędłowski, 01/07/2026 &#8211; <a href="https://blogdopedlowski.com/2026/07/01/a-violencia-lenta-dos-microplasticos-ja-alcancou-a-amazonia-azul/" target="_blank">A violência lenta dos microplásticos já alcançou a Amazônia Azul</a></p>
<p>The Conversation Brasil, 30/10/2026 &#8211; <a href="https://theconversation.com/cientistas-revelam-como-a-poluicao-por-plasticos-circula-nos-oceanos-a-medida-que-se-degrada-268550" target="_blank">Cientistas revelam como a poluição por plásticos circula nos oceanos à medida que se degrada</a></p>
<p>A Tribuna MT, 10/06/026 &#8211; <a href="https://www.atribunamt.com.br/opiniao-do-leitor/2026/07/a-heranca-toxica-da-sociedade-descartavel/" target="_blank">A herança tóxica da sociedade descartável</a></p>
<p>Unifesp, 09/12/2025 &#8211; <a href="https://portal.unifesp.br/destaques/microplasticos" target="_blank">O microplástico de cada dia…</a></p>
<p>The Conversation, 14/07/2026 &#8211; <a href="https://theconversation.com/how-much-microplastic-are-we-actually-breathing-in-heres-what-we-do-and-still-dont-know-274093" target="_blank">Quanto microplástico estamos realmente respirando? Eis o que sabemos e o que ainda não sabemos</a></p>
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		<title>EDITORIAL &#8211; SBPC 78 anos: história e o futuro que desejamos construir</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-sbpc-78-anos-historia-e-o-futuro-que-desejamos-construir/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/editorial-sbpc-78-anos-historia-e-o-futuro-que-desejamos-construir/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 19:55:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[“Neste 8 de julho, ao abrir virtualmente as portas de sua sede, apresentar as propostas da comunidade científica para o Brasil e criar um espaço público para que candidatos e candidatas manifestem seus compromissos com elas, a entidade reafirma que celebrar a ciência é também colocá-la em movimento e em debate”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, para a editoria especial do JC Notícias]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Neste 8 de julho, ao abrir virtualmente as portas de sua sede, apresentar as propostas da comunidade científica para o Brasil e criar um espaço público para que candidatos e candidatas manifestem seus compromissos com elas, a entidade reafirma que celebrar a ciência é também colocá-la em movimento e em debate”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, para a editoria especial do JC Notícias </em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-08-at-14.48.57.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-30224 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-08-at-14.48.57-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-07-08 at 14.48.57" width="300" height="300" /></a>O dia 8 de julho reúne três marcos profundamente ligados à história da ciência brasileira. Celebramos o Dia Nacional da Ciência, o Dia Nacional do Pesquisador Científico e os 78 anos de fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Não é por acaso que as três datas se encontram. Os dias nacionais foram instituídos, por leis federais, em reconhecimento à trajetória da SBPC, criada em 8 de julho de 1948, e ao papel que a entidade desempenha, desde então, na defesa da ciência, da educação, da democracia e do desenvolvimento do País.</p>
<p>Celebrar essa data é, dessa forma, reconhecer uma história coletiva. A história de gerações de pesquisadores e pesquisadoras, professores, estudantes, instituições científicas e sociedades acadêmicas que ajudaram a construir o sistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação. É também reconhecer que muitas das conquistas que hoje fazem parte da vida nacional nasceram da persistência de uma comunidade que, mesmo em períodos de escassez de recursos, instabilidade política ou ataques ao conhecimento, continuou pesquisando, formando pessoas e buscando respostas para os grandes desafios do Brasil.</p>
<p>A trajetória da própria SBPC se confunde com essa construção. Fundada em 1948, a entidade atravessou diferentes momentos da história brasileira sem abrir mão de sua vocação pública. Durante a ditadura militar, suas reuniões anuais tornaram-se espaços fundamentais de debate livre, quando tantos outros haviam sido silenciados. Na redemocratização, a comunidade científica participou ativamente das discussões que ajudaram a reconstruir as instituições do País. Mais recentemente, diante de novos ataques à democracia, à universidade e à própria ciência, a SBPC reafirmou seu lugar na defesa do conhecimento, da liberdade acadêmica e do Estado Democrático de Direito.</p>
<p>Essa história nos ensina que ciência nunca foi assunto restrito aos laboratórios. As grandes decisões nacionais passam, necessariamente, pela capacidade de um país produzir conhecimento, formar pessoas, desenvolver tecnologias e pensar criticamente o seu próprio futuro. Saúde, educação, mudanças climáticas, segurança alimentar, transição energética, inteligência artificial, soberania digital, desenvolvimento econômico, redução das desigualdades e fortalecimento da democracia são desafios que exigem ciência, políticas públicas consistentes e decisões orientadas por evidências.</p>
<p>Em um ano de eleições gerais, essa responsabilidade ganha ainda mais peso. O Brasil será chamado novamente a fazer escolhas sobre seus rumos, suas prioridades e o projeto de sociedade que deseja construir. É fundamental que a ciência esteja presente nesse debate, não como tema periférico, mas como parte estruturante de qualquer projeto de desenvolvimento soberano, sustentável e inclusivo.</p>
<p>É com esse compromisso que, neste 8 de julho, a SBPC lança em seu portal o caderno <strong><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/publicacoes/outras-publicacoes/caderno_36.pdf">Vozes da Ciência: o Brasil que queremos</a></strong>, resultado de meses de debates que reuniram pesquisadores e pesquisadoras de diferentes áreas do conhecimento para formular propostas sobre desafios centrais do País. Com propostas para educação, saúde, mudanças climáticas, inteligência artificial, desenvolvimento econômico, segurança pública e enfrentamento da desinformação, o documento reúne 117 propostas para um Brasil soberano, próspero e justo.</p>
<p>O caderno parte de uma convicção que acompanha a SBPC desde sua fundação: a comunidade científica não pode se ausentar dos grandes debates nacionais. Políticas públicas baseadas em evidências fortalecem a democracia porque ampliam a capacidade do Estado de compreender problemas, avaliar alternativas e tomar decisões orientadas pelo interesse público. Em um momento em que o debate político é frequentemente capturado pela desinformação, pela simplificação e pela polarização, oferecer conhecimento acumulado, análise crítica e propostas concretas é também uma forma de compromisso democrático.</p>
<p>Por isso, lançamos hoje também o <strong><a href="https://portal.sbpcnet.org.br/observatorio-eleicoes2026">Observatório das Eleições 2026</a></strong>, uma iniciativa que leva essas 117 propostas do caderno ao centro do debate eleitoral. O espaço permitirá acompanhar essas agendas e convidará candidatos e candidatas a manifestarem publicamente seus compromissos com as propostas apresentadas pela comunidade científica. Mais do que observar a disputa eleitoral, queremos contribuir para qualificá-la. O Brasil precisa saber quais projetos de País estão em discussão e que lugar cada candidatura atribui à ciência, à educação, à inovação, à sustentabilidade, à inclusão e à democracia.</p>
<p>Celebrar 78 anos também é revisitar a própria trajetória e torná-la acessível a mais pessoas. Por isso, a SBPC lança hoje um <strong><a href="https://vila360.com.br/tour/sbpc/">Tour Virtual</a></strong> por sua sede, no histórico edifício da USP MariAntonia, em São Paulo. Mais do que uma visita aos espaços físicos da entidade, a iniciativa oferece um novo caminho para conhecer uma história construída por muitas gerações e profundamente ligada às transformações da ciência e da sociedade brasileira. Ao abrir virtualmente suas portas, a SBPC compartilha parte dessa memória e aproxima o público da instituição que, há quase oito décadas, atua para que a ciência seja cada vez mais presente na vida nacional.</p>
<p>Esse mesmo compromisso estará presente, de 26 de julho a 1º de agosto, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, durante a <a href="https://ra.sbpcnet.org.br/78RA/">78ª Reunião Anual da SBPC</a>. O tema <strong>Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão</strong> expressa uma convicção construída ao longo de nossa história: não há soberania sem capacidade científica e tecnológica; não há desenvolvimento duradouro sem educação e conhecimento; e não há democracia plena quando os benefícios da ciência permanecem inacessíveis a parcelas da população.</p>
<p>Ao longo de uma semana, centenas de atividades reunirão pesquisadores, estudantes, educadores, gestores públicos, representantes de movimentos sociais e cidadãos em torno de questões decisivas para o presente e o futuro do País. Debateremos biodiversidade e bioeconomia, inteligência artificial e soberania digital, saúde, mudanças climáticas, desenvolvimento econômico, segurança pública, desinformação, inclusão, justiça social, diversidade e democracia. A SBPC Jovem e a ExpoT&amp;C ampliarão esse encontro com estudantes da educação básica, famílias e o público em geral, reafirmando que o acesso à ciência deve começar cedo e alcançar todos os territórios. A Reunião Anual é aberta a todos porque é desse encontro amplo e plural que a ciência também se fortalece.</p>
<p>Aos 78 anos, a SBPC olha para sua história com orgulho, mas sobretudo com responsabilidade diante do futuro. Neste 8 de julho, ao abrir virtualmente as portas de sua sede, apresentar as propostas da comunidade científica para o Brasil e criar um espaço público para que candidatos e candidatas manifestem seus compromissos com elas, a entidade reafirma que celebrar a ciência é também colocá-la em movimento e em debate.</p>
<p>Muito do que o Brasil conquistou foi possível porque houve ciência, instituições públicas, universidades, financiamento, liberdade de pensamento e pessoas dedicadas à pesquisa. E muito do que ainda precisamos conquistar dependerá das escolhas que fizermos agora.</p>
<p>Um Brasil soberano, desenvolvido, democrático e socialmente justo exige investimento contínuo em ciência e educação, valorização de seus pesquisadores e pesquisadoras e capacidade de transformar conhecimento em políticas públicas e oportunidades para todos.</p>
<p>Essa é a história que celebramos. E é também o futuro que queremos construir.</p>
<p><em>Francilene Procópio Garcia – presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) </em></p>
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<p><strong>Veja as nota do Especial da semana – Dia da Ciência</strong></p>
<p>Correio Braziliense &#8211; <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2026/07/7456861-ciencia-soberania-e-o-brasil-que-queremos.html#google_vignette">Ciência, soberania e o Brasil que queremos</a></p>
<p>JC &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/6-soraya-smaili-convida-sociedade-a-conhecer-propostas-da-ciencia-para-o-brasil/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=307714258&amp;utm_campaign=JCN_7963&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11888313-1-1" target="_blank">Soraya Smaili convida sociedade a conhecer propostas da ciência para o Brasil</a></p>
<p>JC &#8211; <a href="google.com/url?q=http://e.allin.jornaldaciencia.org.br/bendar/?atmca%3D11888313%26atmme%3D1%26atmte%3D1%26atmso%3Dck%26utm_content%3D307714260%26atmem%3DZmxhY3Jpc3RpbmFwdG9uZWxsaUBnbWFpbC5jb20%3D%26&amp;source=gmail&amp;ust=1783620868561000&amp;usg=AOvVaw3KB_FjWJtacEjOEJCJx1pd" target="_blank">No Dia Nacional da Ciência, SBPC lança 117 propostas para o Brasil</a></p>
<p>JC -<a href="google.com/url?q=http://e.allin.jornaldaciencia.org.br/bendar/?atmca%3D11888313%26atmme%3D1%26atmte%3D1%26atmso%3Dck%26utm_content%3D307714262%26atmem%3DZmxhY3Jpc3RpbmFwdG9uZWxsaUBnbWFpbC5jb20%3D%26&amp;source=gmail&amp;ust=1783620868561000&amp;usg=AOvVaw0T0EA1tBAVCj5tk3z7xMQc" target="_blank"> Podcast da SBPC destaca série &#8220;Vozes da Ciência: O Brasil que queremos&#8221;</a></p>
<p>JC &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/sbpc-lanca-tour-virtual-em-comemoracao-aos-seus-78-anos/" target="_blank">SBPC lança tour virtual em comemoração aos seus 78 anos</a></p>
<p>JC &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/10-aniversario-da-sbpc-e-dia-nacional-da-ciencia-mobilizam-secretarias-regionais/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=307714266&amp;utm_campaign=JCN_7963&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11888313-1-1" target="_blank">Aniversário da SBPC e Dia Nacional da Ciência mobilizam Secretarias Regionais</a></p>
<p>JC &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/11-dia-nacional-da-ciencia-e-do-pesquisador-cientifico-um-compromisso-com-o-futuro-do-brasil/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=307714268&amp;utm_campaign=JCN_7963&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11888313-1-1" target="_blank">Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador científico: um compromisso com o futuro do Brasil</a></p>
<p>Tempo Real &#8211; <a href="https://temporealrj.com/spbc-78-anos-uff-prefeitura-de-niteroi/" target="_blank">Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência celebra 78 anos e se prepara para reunião anual em parceria com UFF e Prefeitura de Niterói</a></p>
<p>ABC &#8211; <a href="https://www.abc.org.br/2026/07/02/loreal-promove-webinario-sobre-empoderamento-na-ciencia/" target="_blank">L’Oréal promove webinário sobre empoderamento na ciência</a></p>
<p>CGN &#8211; <a href="https://cgn.inf.br/noticia/2143616/ciencia-tambem-e-coisa-de-brasileiro-e-hoje-e-dia-de-lembrar-disso/amp" target="_blank">Ciência também é coisa de brasileiro e hoje é dia de lembrar disso</a></p>
<p>Correio do Povo &#8211; <a href="https://www.correiodopovo.com.br/opiniao/editorial/duas-datas-para-realcar-a-relevancia-da-pesquisa-cientifica-no-pais-1.1729116" target="_blank">Duas datas para realçar a relevância da pesquisa científica no País</a></p>
<p>Brasil 247 &#8211; <a href="https://www.brasil247.com/historia/ciencia-a-forca-que-transforma-nacoes-e-determina-o-futuro-dos-povos/" target="_blank">Ciência: a força que transforma nações e determina o futuro dos povos</a></p>
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		<title>EDITORIAL: Saberes indígenas, desafios brasileiros</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 18:20:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial da Semana]]></category>
		<category><![CDATA[Grandes Temas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>

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		<description><![CDATA[“Quanto maior a capacidade de dialogar com diferentes formas de produzir conhecimento, maior será também nossa capacidade de compreender problemas complexos e formular soluções para os desafios sociais, ambientais e tecnológicos do nosso país”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, para a editoria especial do JC Notícias desta sexta-feira]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Quanto maior a capacidade de dialogar com diferentes formas de produzir conhecimento, maior será também nossa capacidade de compreender problemas complexos e formular soluções para os desafios sociais, ambientais e tecnológicos do nosso país”, escreve a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, para a editoria especial do JC Notícias desta sexta-feira</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-03-at-17.27.13.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-30173 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-03-at-17.27.13-300x300.jpeg" alt="WhatsApp Image 2026-07-03 at 17.27.13" width="300" height="300" /></a>A criação da primeira Universidade Federal Indígena do Brasil (Unind), instituída pela Lei nº 15.418/2026 e sancionada pela Presidência da República no final de maio, representa um dos avanços mais expressivos da educação superior brasileira nas últimas décadas. Ela amplia o acesso dos povos indígenas à universidade e, sobretudo, reconhece institucionalmente que o Brasil produz ciência e conhecimento muito além dos limites da tradição acadêmica ocidental.</p>
<p>O Brasil reúne mais de três centenas de povos indígenas, centenas de línguas originárias e uma das maiores biodiversidades do planeta. Poucos países concentram uma riqueza tão extraordinária de saberes sobre seus territórios, ecossistemas e modos de vida. Fortalecer o diálogo entre esses saberes e a produção científica amplia as possibilidades da pesquisa, enriquece a formação acadêmica, impulsiona a inovação e qualifica as respostas da ciência brasileira aos desafios do desenvolvimento nacional.</p>
<p>É com esse olhar que o <em>JC Notícias</em> dedica esta editoria especial aos povos indígenas. Reunimos notícias, reportagens e artigos que apresentam um panorama das conquistas alcançadas nas últimas décadas e dos desafios que ainda persistem. Entre os avanços estão, além da criação da Unind, o crescimento da presença de pesquisadores indígenas nas instituições de ensino superior e as descobertas científicas que vêm reescrevendo a história da ocupação da Amazônia. Permanecem, entretanto, questões que exigem ação permanente do Estado e da sociedade: a violência contra os povos originários, o avanço do garimpo ilegal, a atuação do crime organizado sobre terras indígenas, as desigualdades no acesso à saúde e à educação e a dificuldade de reconhecer, de forma plena, os saberes tradicionais nos espaços formais de produção científica.</p>
<p>Essa agenda ocupará lugar de destaque na <strong>78ª Reunião Anual da SBPC</strong>, que será realizada de 26 de julho a 1º de agosto, em Niterói (RJ), sob o tema &#8220;Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão&#8221;. A programação da <strong>SBPC Afro, Indígena e Comunidades Tradicionais</strong> reunirá pesquisadores, lideranças e representantes de diferentes povos para discutir, com toda a sociedade, questões estratégicas para o futuro do Brasil.</p>
<p>Ao incorporar esses debates à sua programação científica, a SBPC reafirma uma convicção que acompanha sua trajetória: uma ciência mais diversa é também uma ciência mais forte. Quanto maior a capacidade de dialogar com diferentes formas de produzir conhecimento, maior será também nossa capacidade de compreender problemas complexos e formular soluções para os desafios sociais, ambientais e tecnológicos do nosso país.</p>
<p>As evidências produzidas pela arqueologia brasileira ilustram essa transformação de perspectiva. Descobertas realizadas nas últimas décadas mostram que a Amazônia foi moldada por sociedades indígenas altamente complexas, que desenvolveram sofisticadas técnicas de manejo da biodiversidade, engenharia da paisagem, agricultura e organização territorial. A terra preta amazônica, as redes de assentamentos e o manejo sustentável da floresta revelam um patrimônio intelectual construído ao longo de milhares de anos. Em um contexto de mudanças climáticas, perda acelerada da biodiversidade e insegurança alimentar, essas experiências ampliam o repertório científico disponível para enfrentar desafios que ultrapassam as fronteiras brasileiras.</p>
<p>Os avanços conquistados convivem, contudo, com uma realidade ainda marcada pela violência, pela discriminação e pela exploração. O <em>Atlas da Violência 2026</em> mostra o agravamento da violência contra os povos indígenas, especialmente contra as mulheres, enquanto o garimpo ilegal, a exploração predatória dos recursos naturais e a atuação de organizações criminosas continuam comprometendo territórios, modos de vida e direitos fundamentais. Em diversas regiões, comunidades ainda enfrentam dificuldades de acesso à saúde, à água potável, ao saneamento e à educação de qualidade. Garantir a proteção desses povos permanece um compromisso indispensável para qualquer projeto de desenvolvimento que pretenda ser sustentável, justo e democrático.</p>
<p>A educação ocupa um papel central nessa transformação. A Lei nº 11.645/2008 tornou obrigatório o ensino da história e da cultura indígena em todas as escolas brasileiras, mas sua implementação ainda está distante do potencial previsto pela legislação. Os saberes indígenas sobre biodiversidade, astronomia, agricultura, medicina tradicional, clima e manejo dos ecossistemas precisam integrar a formação de todas as crianças e jovens brasileiros. São conhecimentos produzidos por sucessivas gerações, resultado da observação sistemática da natureza, da experimentação e da transmissão cuidadosa de experiências ao longo de milênios.</p>
<p>O Brasil ainda convive com uma herança colonial que reduziu os povos indígenas a obstáculos à ocupação do território ou a instrumentos de exploração de suas riquezas. Romper definitivamente com essa lógica exige construir uma relação baseada no diálogo e no reconhecimento de que os saberes produzidos por esses povos constituem um patrimônio estratégico para o futuro da ciência, da educação e do desenvolvimento nacional.</p>
<p>Isso implica ampliar as fronteiras da universidade, fortalecer o diálogo entre diferentes sistemas de conhecimento e incorporar os saberes indígenas de forma efetiva à educação, da escola básica à pós-graduação. Assim, a extraordinária diversidade intelectual existente em nosso território deixará de ser vista como uma herança do passado para ser reconhecida como uma das maiores fortalezas do Brasil na construção de um futuro mais sustentável, democrático e socialmente justo.</p>
<p><em>Francilene Procópio Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência &#8211; SBPC</em></p>
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<p>Veja as notas do <strong>Especial da semana – Desafios e Conquistas Indígenas </strong></p>
<p>JC Notícias &#8211; <a href="https://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=https://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/4-ancestralidade-ciencia-e-direitos-ocupam-o-centro-da-programacao-da-sbpc-afro-e-indigena/&amp;btg_flag=1&amp;utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=307547163&amp;utm_campaign=JCN_7960&amp;utm_term=_02bj5.cbp.f.wbn.b.uasx.w.zu9.gdw.fmbp.r3cp.j3.yhxm.z&amp;btg_source=AHR4B6Qk76IkyHudwTXfADRhzFYmyDuky0sqyxO%3D&amp;utm_smid=11886973-1-1" target="_blank">Ancestralidade, ciência e direitos ocupam o centro da programação da SBPC Afro e Indígena</a></p>
<p>Casa Civil, 17/06/2026 &#8211; <a href="https://www.gov.br/casacivil/pt-br/assuntos/noticias/2026/maio/presidente-da-republica-sanciona-lei-que-cria-a-primeira-universidade-federal-indigena-do-brasil" target="_blank">Presidente da República sanciona lei que cria a primeira Universidade Federal Indígena do Brasil</a></p>
<p>MEC, 29/05/2026 &#8211; <a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2026/maio/governo-do-brasil-cria-universidade-federal-indigena" target="_blank">Governo do Brasil cria Universidade Federal Indígena</a></p>
<p>Agência Brasil – <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-05/lula-sanciona-lei-que-cria-universidade-federal-indigena" target="_blank">Lula sanciona lei que cria Universidade Federal Indígena</a></p>
<p>O Globo – <a href="https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/29/lula-sanciona-lei-que-cria-universidade-federal-voltada-aos-povos-indigenas.ghtml" target="_blank">Lula sanciona lei que cria universidade federal voltada aos povos indígenas</a></p>
<p>Exame, 05/06/2026 &#8211; <a href="https://exame.com/esferabrasil/saiba-como-funcionara-a-primeira-universidade-indigena-do-brasil/" target="_blank">Saiba como funcionará a primeira universidade indígena do Brasil</a></p>
<p>G1, 19/04/2026 &#8211; <a href="https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/04/19/da-floresta-a-universidade-pesquisadores-indigenas-produzem-ciencia-a-partir-da-conexao-com-saberes-tradicionais.ghtml" target="_blank">Da floresta à universidade: conheça pesquisadores indígenas que produzem ciência a partir da conexão com saberes tradicionais</a></p>
<p>Brasil de Fato, 18/12/2025 &#8211; <a href="https://www.brasildefato.com.br/2025/12/18/legado-indigena-contra-o-mito-colonial-arqueologia-confirma-amazonia-manejada-ha-milenios-grandes-cidades-integradas-a-natureza/" target="_blank">Legado indígena contra o mito colonial: arqueologia confirma Amazônia manejada há milênios e grandes cidades integradas à natureza</a></p>
<p>Dialogue Earth, 27/05/2026 &#8211; <a href="https://dialogue.earth/pt-br/justica/centro-medicina-indigena-bahserikowi-amazonia-urbana/" target="_blank">O centro de medicina indígena que resiste na Amazônia urbana</a></p>
<p>Um Só Planeta, 11/05/2026 &#8211; <a href="https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2026/05/11/apos-desocupacao-ouro-ilegal-continua-reorganizando-cidades-da-amazonia-aponta-estudo.ghtml" target="_blank">Após desocupação, ouro ilegal continua reorganizando cidades da Amazônia, aponta estudo</a></p>
<p>Nova Escola, 16/04/2026 &#8211; <a href="https://novaescola.org.br/conteudo/22659/saberes-indigenas-nas-aulas-de-ciencias" target="_blank">Estratégias para trabalhar saberes indígenas nas aulas de Ciências</a></p>
<p>Nova Escola, 22/04/2026 &#8211; <a href="https://novaescola.org.br/conteudo/22660/educacao-escolar-indigena-legislacao-e-desafios" target="_blank">Educação escolar indígena avança no papel, mas enfrenta desafios no chão da escola</a></p>
<p>Mongabay Brasil, 03/02/2026 &#8211; <a href="http://brasil.mongabay.com/2026/02/indigenas-transformam-borracha-em-renda-e-conservacao-na-amazonia/" target="_blank">Indígenas transformam borracha em renda e conservação na Amazônia</a></p>
<p>Mongabay Brasil,18/03/2026 &#8211; <a href="https://brasil.mongabay.com/2026/03/seca-e-descaso-no-norte-brasileiro-so-metade-das-aldeias-indigenas-tem-agua-boa-para-beber/" target="_blank">Seca e descaso: no Norte brasileiro, só metade das aldeias indígenas tem água boa para beber</a></p>
<p>Samauma, 16/03/2026 &#8211; <a href="https://sumauma.com/manaus-aldeada-parque-das-tribos-o-bairro-criado-por-quem-foi-expulso-da-propria-terra/" target="_blank">Manaus aldeada: Parque das Tribos, o bairro criado por quem foi expulso da própria terra</a></p>
<p>Mongabay Brasil, 26/03/2026 &#8211; <a href="https://brasil.mongabay.com/2026/03/valeria-paye-negociar-com-fundos-indigenas-exige-principio-da-confianca/" target="_blank">Valéria Paye: negociar com fundos indígenas exige “princípio da confiança”</a></p>
<p>Mongabay Brasil, 21/05/2026 &#8211; <a href="https://brasil.mongabay.com/2026/05/crime-organizado-ja-afeta-32-de-areas-indigenas-da-amazonia-diz-estudo/" target="_blank">Crime organizado já afeta 32% de áreas indígenas da Amazônia, diz estudo</a></p>
<p>Um Só Planeta, 11/05/2026 &#8211; <a href="https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2026/05/11/apos-desocupacao-ouro-ilegal-continua-reorganizando-cidades-da-amazonia-aponta-estudo.ghtml" target="_blank">Após desocupação, ouro ilegal continua reorganizando cidades da Amazônia, aponta estudo</a></p>
<p>Samauma, 25/03/2026- <a href="https://sumauma.com/presidente-lula-a-situacao-de-saude-dos-yanomami-continua-muito-grave/" target="_blank">“Presidente Lula, a situação de saúde dos Yanomami continua muito grave”</a></p>
<p>Samauma, 30/03/2026 &#8211; <a href="https://sumauma.com/devemos-continuar-falando-em-pre-historia/" target="_blank">Devemos continuar falando em “pré-história”?</a></p>
<p>Amazônia Real, 25/06/2026 &#8211; <a href="https://amazoniareal.com.br/a-crise-do-cerrado-em-revisao-9-o-papel-das-terras-indigenas/" target="_blank">A crise do Cerrado em revisão: o papel das terras indígenas</a></p>
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