<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Jornal da Ciência &#187; Professores</title>
	<atom:link href="http://www.jornaldaciencia.org.br/educacao/professores/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.jornaldaciencia.org.br</link>
	<description>Só mais um site WordPress</description>
	<lastBuildDate>Sat, 19 Sep 2026 01:54:47 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
		<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
		<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=3.9.40</generator>
	<item>
		<title>Autonomia universitária não se confunde com privatização</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/autonomia-universitaria-nao-se-confunde-com-privatizacao/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/autonomia-universitaria-nao-se-confunde-com-privatizacao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 18:04:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino Superior]]></category>
		<category><![CDATA[Especialização]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião do Leitor]]></category>
		<category><![CDATA[Pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jornaldaciencia.org.br/?p=29414</guid>
		<description><![CDATA["Nenhum país que lidera a ciência mundial o faz com universidades fragilizadas”, afirma a Diretoria da SBPC]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;A verdadeira autonomia universitária não se constrói com menos Estado, mas com melhor Estado: financiamento estável, regras claras, capacidade de execução e integração estratégica entre ciência, educação e desenvolvimento. Nenhum país que lidera a ciência mundial o faz com universidades fragilizadas&#8221;, afirma a Diretoria da SBPC</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2024/01/WhatsApp-Image-2024-01-16-at-12.28.03.jpeg"><img class="alignright size-medium wp-image-22917 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2024/01/WhatsApp-Image-2024-01-16-at-12.28.03-300x168.jpeg" alt="WhatsApp Image 2024-01-16 at 12.28.03" width="300" height="168" /></a>O fim da lista tríplice para a escolha de reitores das universidades federais representa uma conquista importante para a democracia brasileira. Ao assegurar que a nomeação recaia sobre o candidato mais votado pela comunidade acadêmica, o país corrige distorções recentes e reafirma um princípio fundamental: <strong style="font-weight: bold !important;">a universidade não pode ser objeto de intervenção política arbitrária</strong>.</p>
<p>Mas reconhecer esse avanço não significa aceitar a narrativa que tem emergido em parte do debate público. Alguns editoriais recentes, ao mesmo tempo em que admitem a relevância da medida, procuram redefinir o sentido da autonomia universitária para associá-la a uma agenda de redução do financiamento público, flexibilização de vínculos e subordinação crescente a lógicas de mercado. É precisamente essa inflexão que precisa ser enfrentada com rigor.</p>
<p>A Constituição Federal é clara: <strong style="font-weight: bold !important;">as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial</strong>. Essa autonomia não é um privilégio corporativo, tampouco uma concessão contingente, é uma garantia institucional para que a universidade cumpra sua função pública com liberdade acadêmica, compromisso social e capacidade de planejamento de longo prazo.</p>
<p>Por isso, é correto afirmar que a autonomia não se esgota na escolha de dirigentes. Mas é incorreto, e politicamente problemático, transformar essa constatação em argumento para deslegitimar a universidade pública. A ideia de que o sistema seria “cômodo”, “ineficiente” ou produtor de “ciência pífia” não se sustenta diante dos dados e revela mais uma retórica de desqualificação do que uma análise séria.</p>
<p>O Brasil investe em pesquisa e desenvolvimento cerca de 1,2% do PIB, patamar significativamente inferior ao de países que lideram a produção científica global. Ainda assim, o país figura entre os maiores produtores de artigos científicos do mundo, com cerca de 100 mil publicações anuais, a grande maioria delas originadas na pós-graduação das universidades públicas. Não por acaso, mais de 90% da produção científica brasileira está vinculada a programas de pós-graduação, que formam mestres e doutores e sustentam a capacidade nacional de geração de conhecimento.</p>
<p>Essa realidade, aliás, não é uma exceção brasileira, mas segue um padrão observado internacionalmente. Países que hoje lideram a produção científica e a inovação estruturaram seus sistemas universitários com base em três pilares: financiamento público robusto e estável, forte articulação com o setor produtivo e autonomia institucional com responsabilidade pública.</p>
<p>Na Alemanha, universidades públicas operam com financiamento majoritariamente estatal, articuladas a institutos como a rede Fraunhofer, que conecta pesquisa aplicada e indústria sem comprometer a base científica. Nos Estados Unidos, embora exista diversificação de fontes, o sistema é fortemente sustentado por financiamento público em pesquisa, especialmente via agências federais e por universidades que combinam autonomia acadêmica com investimento contínuo em ciência básica. Na Coreia do Sul, frequentemente citada como referência em inovação, o salto tecnológico foi acompanhado por um aumento expressivo do investimento público em educação superior e P&amp;D, além de políticas industriais articuladas com universidades e institutos de pesquisa.</p>
<p>Em todos esses casos, a autonomia universitária não significou retirada do Estado, mas sim expansão da capacidade estatal de investir, coordenar e induzir o desenvolvimento científico e tecnológico. A evidência internacional é clara: não há sistemas de excelência baseados na fragilização das universidades públicas ou na substituição do financiamento estrutural por soluções de mercado.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a crítica de que a universidade estaria desconectada da inovação também não resiste às evidências. Nos últimos anos, o Brasil estruturou um dos mais relevantes modelos de cooperação entre universidades e empresas em países emergentes, com destaque para a atuação da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).</p>
<p>A Embrapii já apoiou milhares de projetos de inovação, mobilizando bilhões de reais em investimentos compartilhados entre setor público e privado. Seu modelo, baseado em unidades credenciadas em universidades e institutos de pesquisa, permite que empresas desenvolvam soluções tecnológicas em parceria com grupos acadêmicos, com agilidade, cofinanciamento e foco em resultados.</p>
<p>Essas iniciativas demonstram que a universidade brasileira não apenas produz conhecimento, mas também transfere tecnologia, forma talentos e contribui diretamente para a competitividade industrial. O desafio não é criar essa interação, ela já existe e vem se consolidando, mas ampliá-la em escala, com mais investimento e melhor articulação sistêmica.</p>
<p>O verdadeiro problema, portanto, não está na suposta “comodidade” das universidades, mas na ausência de condições institucionais estáveis para que cumpram plenamente sua missão. Autonomia sem financiamento previsível não é autonomia, é fragilidade. Autonomia sem capacidade de execução orçamentária não é liberdade, é ficção administrativa.</p>
<p>Além disso, é preciso rejeitar uma falsa oposição que tem sido reiterada: a de que ampliar a autonomia significaria necessariamente reduzir o papel do Estado. O arcabouço legal brasileiro já prevê, há décadas, instrumentos para parcerias com o setor produtivo, cooperação tecnológica e diversificação de fontes de financiamento. O desafio não é introduzir essas ferramentas, mas garantir que operem sob governança pública, com transparência e alinhamento ao interesse nacional, e não como substitutas do financiamento estruturante do Estado.</p>
<p>Outro ponto central, frequentemente ignorado nesse debate, é o papel da pesquisa básica. É dela que emergem, ao longo do tempo, as bases do avanço tecnológico, da inovação e da soberania científica. Nenhum país que hoje lidera a economia do conhecimento abriu mão de investir de forma consistente em ciência básica. Subordinar a universidade a métricas imediatistas de “produtividade” ou a demandas de curto prazo significa comprometer exatamente aquilo que sustenta o desenvolvimento no médio e longo prazo.</p>
<p>A autonomia universitária, portanto, não pode ser confundida com privatização, precarização ou desresponsabilização do Estado. Ela implica liberdade acadêmica, mas também responsabilidade pública; implica capacidade de gestão, mas também compromisso com o desenvolvimento nacional; implica abertura à cooperação, mas também proteção contra capturas que distorçam prioridades científicas e sociais.</p>
<p>O debate sobre a universidade brasileira é necessário e deve incluir temas como governança, eficiência, avaliação e impacto. Mas esse debate só será produtivo se partir de diagnósticos honestos e não de caricaturas. A universidade pública brasileira é uma das principais infraestruturas de produção de conhecimento do país. Fragilizá-la, sob o argumento de reformá-la, é comprometer o futuro.</p>
<p>A verdadeira autonomia universitária não se constrói com menos Estado, mas com melhor Estado: financiamento estável, regras claras, capacidade de execução e integração estratégica entre ciência, educação e desenvolvimento. <strong style="font-weight: bold !important;">Nenhum país que lidera a ciência mundial o faz com universidades fragilizadas</strong>. O que distingue esses sistemas não é a retirada do Estado, mas a sua capacidade de investir, coordenar e sustentar, ao longo do tempo, uma infraestrutura científica robusta e autônoma.</p>
<p><em>São Paulo, 20 de março de 2026</em></p>
<p><em>Diretoria da SBPC</em></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;"> </strong></p>
<p><strong style="font-weight: bold !important;"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Of.-041-NOTA-SBPC-AUTONOMIA-UNIVERSITÁRIA-NÃO-SE-CONFUNDE-COM-PRIVATIZAÇÃO.pdf" target="_blank">Veja a nota em PDF</a>.</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/autonomia-universitaria-nao-se-confunde-com-privatizacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Conae apontou os caminhos necessários para o Plano Nacional de Educação, defendem especialistas da SBPC</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/conae-apontou-os-caminhos-necessarios-para-o-plano-nacional-de-educacao-defendem-especialistas-da-sbpc/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/conae-apontou-os-caminhos-necessarios-para-o-plano-nacional-de-educacao-defendem-especialistas-da-sbpc/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 02 Feb 2024 18:30:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino Básico]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino Superior]]></category>
		<category><![CDATA[Especialização]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jornaldaciencia.org.br/?p=23036</guid>
		<description><![CDATA[Conferência volta para trazer a sociedade civil aos debates das políticas educacionais; SBPC participou da realização em diversas frentes e defendeu a integração entre ensino e ciência (Foto: Agência Brasil)]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Após seis anos, Conferência Nacional de Educação volta para trazer a sociedade civil aos debates das políticas educacionais; SBPC participou da realização em diversas frentes e defendeu a integração entre ensino e ciência</em></p>
<p>Realizada no decorrer da semana, em Brasília, a Conferência Nacional de Educação (Conae) contou com cinco dias de programação para debater o novo Plano Nacional de Educação (PNE), que dará as diretrizes para as políticas públicas educacionais a serem realizadas entre 2024 e 2034. Segundo especialistas ligados à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a retomada da Conae, após seis anos, reforça que não é possível falar de Educação sem a participação da sociedade.</p>
<p>“Desde 2018 não eram realizadas Conferências Nacionais de Educação, o que mostra o descaso dos governos Temer e Bolsonaro para com a Educação. A retomada dessa conferência, no atual governo, significou um grande salto em direção à democracia nas decisões sobre políticas públicas para educação. Basta lembrar que esta Conae 2024 foi antecedida por conferências municipais e estaduais de Educação”, explica o professor Eduardo Mortimer, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).</p>
<p>Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), mais de 200 entidades estiveram envolvidas nas discussões para a elaboração do novo PNE. A pasta ministerial criou um texto base com determinados eixos, frentes de ação do Governo Federal, e os estados e municípios trouxeram as suas percepções acerca desses temas.</p>
<p>“Os sete eixos podem ser assim resumidos: 1) Proposição de um Sistema Nacional de Educação (SNE), que promoverá ações integradas e intersetoriais, em regime de colaboração interfederativa; 2) A garantia ao direito de todas as pessoas à educação de qualidade social; 3) Educação, direitos humanos, inclusão e diversidade; 4) Gestão democrática e educação de qualidade; 5) Valorização dos profissionais de educação; 6) Financiamento Público da educação; e 7) Educação Comprometida com a justiça social, a proteção da biodiversidade o desenvolvimento socioambiental sustentável”, complementa Mortimer.</p>
<p>Para a socióloga Helena Singer, o diferencial da realização do novo Plano Nacional de Educação com a edição anterior é, exatamente, enxergar o papel social da educação, principalmente caracterizado no 7º eixo temático.</p>
<p>“A grande novidade é o último eixo, inexistente no PNE aprovado dez anos atrás, que vislumbra um país com justiça social, a proteção da biodiversidade e uma vida com qualidade para todos. Revela o substancial aprendizado coletivo pelo qual o País passou na última década. Este projeto de educação é muito diferente daquele que, até o momento, tem produzido um país profundamente marcado pela degradação socioambiental, desigualdade e autoritarismo. Trata-se de uma educação transformadora, que possibilita a produção técnico-científica e a inovação, mas numa perspectiva humanista, inclusiva e solidária, que preserva os recursos naturais e valoriza o patrimônio sociocultural do Brasil.”</p>
<p><strong>Construção democrática</strong></p>
<p>A SBPC participou ativamente da Conae, inclusive coordenando um dos temas em debate. É o que explicou a diretora da entidade e professora emérita da Universidade de Brasília, Fernanda Sobral:</p>
<p>“A participação da SBPC na Conae se deu de várias formas: pela minha participação na organização da Conferência, enquanto representante da entidade no Fórum Nacional de Educação (FNE) e, também, pela participação de seus delegados durante a Conferência. Houve ainda um colóquio organizado pela SBPC sobre ‘Educação e Ciência para o progresso da sociedade’, com a presença de especialistas como Renato Janine Ribeiro, Helena Singer, Carlos Benedito Martins e Eduardo Mortimer, que trouxeram questões importantes para a educação básica e superior.”</p>
<p>Presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro reforçou a importância do debate apresentado. “O nosso mote principal foi a questão do papel da Ciência na Educação, então demos foco, por exemplo, à questão de que você não tem educação se não tiver base científica. Também é importante que os professores tenham uma boa formação científica e estejam atualizados nos assuntos da ciência. Além disso, é importante que eles coloquem os alunos em contato não só com o que a ciência sabe, mas também com a metodologia científica, sabendo que a ciência é sempre um trabalho em construção e nunca está definitivamente pronta, e que não se pode ensinar as leis científicas como se fossem dogmas religiosos”, declarou.</p>
<p>Mortimer sintetizou os principais temas que foram definidos como prioridades no evento coordenado pela SBPC. “Primeiro, a questão da educação integral para crianças e jovens, que não atingiu o patamar de 25% dos estudantes matriculadas em tempo integral, como estava previsto no PNE anterior (2014-2024). Em segundo, as questões de infraestrutura das escolas, que melhoraram em relação à presença de computadores e internet, mas que continuam muito ruins quando você foca nos equipamentos tradicionais: quadra esportiva, biblioteca, laboratório de ciências e laboratório de informática. Para se ter uma ideia de quanto o Brasil está atrasado em relação a esses equipamentos, basta lembrar que apenas 9% das escolas públicas de educação básica têm laboratório de ciências.”</p>
<p>Os dois últimos pontos referem-se à gestão e aprendizagem. “Em terceiro lugar, as questões relacionadas à formação e à remuneração dos profissionais da educação e aos planos de carreira desses profissionais, que continuam a ser pontos críticos em muitos estados brasileiros. Por fim, em quarto lugar, as questões relativas à aprendizagem das crianças e adolescentes, que continuam aquém de patamares de proficiência para a grande maioria dos estudantes de educação básica.”</p>
<p>O presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, acrescentou que a relação entre Educação e Ciência é um dos pilares essenciais do desenvolvimento de uma nação. “Se por um lado a ciência nutre a educação, por outro, é uma boa educação que vai permitir com que nossos estudantes depois cresçam como profissionais, porque eles terão recebido da ciência insumos poderosos para exercer suas atividades, que proporcionarão ao País progredir mais.”</p>
<p>Especialista no estudo de tecnologias para e educação, a professora Roseli de Deus Lopes, da Universidade de São Paulo (USP), valorizou a dinâmica de construção do PNE, com destaque à gestão participativa.</p>
<p>“Eu acho que a questão mais importante é essa retomada do diálogo. Apesar de ter sido tudo muito rápido, foram realizados eventos nos municípios e nos estados. E a conferência nacional foi justamente o lugar para a gente já receber o material preparado a partir das contribuições que vieram anteriormente.”</p>
<p>Lopes detalhou que a programação da Conae foi pensada em três dias. No primeiro, houve a abertura e reuniões de coordenação. Já no segundo houve as discussões temáticas, onde a programação se dividiu em mini eventos correspondentes a cada eixo, e os especialistas debateram as questões colocadas pelos estados e municípios. No terceiro dia, houve o debate geral, com os apontamentos trazidos para a plenária e aprovados.</p>
<p>“Cada escola tem necessidades diferentes e acredito que isso foi contemplado no texto final da Conae, que é um documento com propostas para o PNE. Outra questão bastante presente é a reafirmação da democracia, o diálogo está aberto e é um compromisso público, das entidades e das autoridades que estiveram presentes, como a Presidência da República e o Ministério da Educação, além de representantes do Senado e da Câmara Federal.”</p>
<p><strong>Governo Federal enviará PNE para aprovação na Câmara</strong></p>
<p>Com o encerramento da Conae, o Governo Federal se comprometeu a utilizar integralmente as bases presentes no texto final da Conferência para a criação do projeto de lei (PL) que visa aprovar o Plano Nacional de Educação.</p>
<p>“O compromisso do MEC em respeitar o documento final da Conae na propositura do PL do novo PNE que será enviado ao Congresso Nacional, foi, indubitavelmente, a maior conquista desta Conae”, pontua a professora Adelaide Dias, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “Nossa luta agora será para garantir que o Congresso Nacional também respeite as deliberações da Conae na aprovação do novo PNE.”</p>
<p>A expectativa do Ministério da Educação é que o texto-base do novo Plano Nacional de Educação seja entregue ainda neste mês de fevereiro para aprovação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.</p>
<p>Segundo Mortimer, os próximos passos são acompanhar a aprovação do PNE, lutar por sua aplicação na prática e, principalmente, batalhar por bases educacionais mais sólidas a nível nacional.</p>
<p>“Os planos decenais de educação são importantes porque sinalizam as políticas de estado em relação à Educação. No entanto, os dois últimos planos decenais de educação não conseguiram concretizar a maioria de suas metas, o que mostra uma defasagem entre formulação e execução das políticas públicas. Isso aponta para a importância desse novo plano, ainda mais considerando que uma de suas propostas é a criação do Sistema Nacional de Educação. O SNE poderá funcionar como uma espécie de SUS da Educação, garantindo a capilaridade dos recursos financeiros para as mais diversas iniciativas que ocorrem nos municípios brasileiros”, concluiu.</p>
<p><em>Rafael Revadam – Jornal da Ciência </em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/conae-apontou-os-caminhos-necessarios-para-o-plano-nacional-de-educacao-defendem-especialistas-da-sbpc/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Reajuste das bolsas indica retomada da valorização da inteligência pelo Poder Público Federal, afirma SBPC</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/reajuste-das-bolsas-indica-retomada-da-valorizacao-da-inteligencia-pelo-poder-publico-federal-afirma-sbpc-em-nota/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/reajuste-das-bolsas-indica-retomada-da-valorizacao-da-inteligencia-pelo-poder-publico-federal-afirma-sbpc-em-nota/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 17 Feb 2023 15:21:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Especialização]]></category>
		<category><![CDATA[Legislação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>
		<category><![CDATA[Pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jornaldaciencia.org.br/?p=20285</guid>
		<description><![CDATA[Diretoria da SBPC celebra anúncio feito pelo Governo Federal nessa quinta-feira, 16, mas pondera que defasagem é mais expressiva do que os índices concedidos e aponta necessidade de ampliar disponibilidade de concessões e ainda reajustar valor das bolsas de produtividade em pesquisa]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Diretoria da SBPC celebra anúncio feito pelo Governo Federal nessa quinta-feira, 16, mas pondera que defasagem é mais expressiva do que os índices concedidos e aponta necessidade de ampliar disponibilidade de concessões e ainda reajustar valor das bolsas de produtividade em pesquisa</em></p>
<p>A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) cumprimenta o Governo Federal e, em particular, os Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Educação, bem como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelo reajuste anunciado nesta quinta-feira, 16 de fevereiro, nas bolsas do CNPq e da CAPES e também nas taxas de bancada. Depois de quase dez anos sem recomposição do seu valor, esse reajuste constitui uma notícia auspiciosa para a ciência no Brasil e indica a retomada da valorização da inteligência pelo Poder Público Federal.</p>
<p>Porém, importa salientar que, mesmo depois desse aumento, os valores ainda são insuficientes para a manutenção digna da maior parte dos estudantes, já que a defasagem é mais expressiva do que os índices concedidos. O número de bolsas também não consegue atender à demanda qualificada do sistema de pesquisas brasileiro, e uma maior disponibilidade de concessões se faz necessário.</p>
<p>Esperamos que, nos próximos meses, o Governo Federal proceda o reajuste também das Bolsas de Produtividade em Pesquisa, bem como reveja a questão das taxas de bancada, que auxiliam na participação de pesquisadores e estudantes em congressos e na aquisição de pequenos materiais de consumo.</p>
<p>Sugerimos também que haja um compromisso de aumentos anuais nos valores das bolsas, pelo menos de acordo com os índices inflacionários.</p>
<p style="text-align: center;">São Paulo, 17 de fevereiro de 2023</p>
<p style="text-align: center;"><em>Diretoria da SBPC</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/reajuste-das-bolsas-indica-retomada-da-valorizacao-da-inteligencia-pelo-poder-publico-federal-afirma-sbpc-em-nota/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Após uma década de espera, Governo Federal anuncia reajustes nas bolsas da Capes e CNPq</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/apos-uma-decada-de-espera-governo-federal-anuncia-reajustes-nas-bolsas-da-capes-e-cnpq/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/apos-uma-decada-de-espera-governo-federal-anuncia-reajustes-nas-bolsas-da-capes-e-cnpq/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 17 Feb 2023 15:20:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Legislação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>
		<category><![CDATA[Pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jornaldaciencia.org.br/?p=20292</guid>
		<description><![CDATA[Para o presidente da SBPC, reajustes demonstram que País está olhando novamente para a ciência, mas é necessário que valores acompanhem os indicadores econômicos]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Para o presidente da SBPC, reajustes demonstram que País está olhando novamente para </em><em>a ciência, mas é necessário que valores acompanhem os indicadores econômicos</em></p>
<div id="attachment_20293" style="width: 663px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2023/02/52693751528_0f4c6f3466_c.jpg"><img class="wp-image-20293 size-post img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2023/02/52693751528_0f4c6f3466_c-653x350.jpg" alt="52693751528_0f4c6f3466_c" width="653" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: MCTI</p></div>
<p>O Governo Federal anunciou os reajustes nos valores das bolsas da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), congelados há uma década. Para as bolsas de mestrado e doutorado, o aumento é de 40%. O novo montante já será aplicado no mês de março.</p>
<p>As bolsas de mestrado passarão de R$ 1.500 para R$ 2.100, e as de doutorado, de R$ 2.200 para R$ 3.100. Também haverá um aumento de 25% no valor das bolsas de pós-doutorado, que passarão de R$ 4.100 para R$ 5.200.</p>
<p>Para anunciar o reajuste das bolsas, o Governo Federal realizou um evento na tarde da última quinta-feira (16/02), que contou com as presenças do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, do ministro da Educação, Camilo Santana, dos presidentes do CNPq e da Capes, Ricardo Galvão e Mercedes Bustamante, além de representantes de demais pastas ministeriais e de entidades científicas, entre elas, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).</p>
<p>“São 10 anos de luta para chegarmos até aqui e confirmarmos o reajuste dos valores das bolsas de estudo da Capes e do CNPq. Esse aumento, que contempla, ao todo, mais de 250 mil estudantes do ensino médio à pós-graduação, é a prova inequívoca do compromisso deste governo com a formação de novos pesquisadores e pesquisadoras, com a ciência brasileira e com o futuro do País”, afirmou a ministra de CT&amp;I, Luciana Santos.</p>
<p>Em sua fala, Santos também confirmou o aumento na oferta de bolsas: ao longo deste ano, mais de 10 mil bolsas de pós-graduação serão implementadas. Outra medida é o acréscimo de R$ 150 milhões no orçamento do CNPq para o financiamento dos editais de fomento à pesquisa.</p>
<p>“A concessão de bolsas na pós-graduação é ferramenta essencial para o desenvolvimento científico e geração de inovação. Ao permitir a dedicação exclusiva às atividades de pesquisa e desenvolvimento, o benefício assegura a qualificação, a duração e a permanência do pesquisador no Brasil, evitando a evasão de talentos para o exterior, que é tão preocupante para o futuro da nossa nação”, complementou a ministra, que agradeceu às entidades científicas, incluindo, nominalmente, o presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, e a vice-presidente da entidade, Fernanda Sobral.</p>
<p>Ministro da Educação, Camilo Santana iniciou sua fala pedindo aplausos aos professores e ao corpo profissional das instituições federais, que sofreram com o desmonte científico e educacional dos últimos anos. Santana afirmou que o evento era o primeiro ato da retomada da Educação no país:</p>
<p>“Nós já estamos trabalhando e em breve o presidente vai anunciar o Programa Nacional da Alimentação Escolar, já que há seis anos não há reajuste nos preços das merendas. Também será lançado um grande programa de reconstrução das obras paralisadas e inacabadas: são mais de 4 mil obras, que vão desde creches a <em>campi</em> de universidades e institutos federais. Estamos tratando como prioridade olhar para a educação no País”, destacou.</p>
<p>O ministro também detalhou o aumento da quantidade de bolsas específicas para inclusão social. De acordo com a sua fala, os benefícios direcionados às populações indígena e quilombola passarão de 218 mil para 275 mil, um aumento de 26%. Incluindo todas as ofertas de bolsas e programas, a Capes terá um aumento orçamentário de R$ 2 bilhões.</p>
<p>“Ações eficazes para eliminar desigualdades sociais, melhorar a qualidade de vida da população brasileira, reverter as profundas mudanças ambientais, promover um desenvolvimento justo e sustentável e defender a democracia requerem conhecimento, habilidades e mudança de comportamento, recursos que só a educação pode proporcionar. Os programas do MEC (Ministério da Educação) e da Capes, que hoje são fortalecidos, representam eixos fundamentais para a promoção de uma educação relevante, inclusiva e inovadora, que fomente o pensamento crítico e a solução de problemas”, pontuou a recém-empossada presidente da Capes, Mercedes Bustamante, em comunicado divulgado após o anúncio oficial.</p>
<p><strong>Reajustes precisam estar atrelados à economia brasileira, sinaliza SBPC</strong></p>
<p>Para o presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, é importante comemorarmos o reajuste das bolsas, conquista que há uma década as entidades científicas reivindicam junto ao poder público, mas cabe, ao longo prazo, equiparar o valor das bolsas com a realidade econômica do País.</p>
<p>“A comunidade científica viu com bons olhos esse reajuste das bolsas. Mas nestes 10 anos, tivemos uma inflação muito significativa, de modo que seria preciso um reajuste maior. Entendemos que esse reajuste de 40% é uma medida emergencial. Também entendemos que a proposta do presidente do CNPq, o professor Ricardo Galvão, no sentido de fazer reajustes no futuro segundo a inflação é muito justa para garantir que não haja perda no poder de compra do bolsista, mas isso será realizado somente depois de complementada a recomposição dos valores defasados desde 2013”, detalhou.</p>
<p>Vice-presidente da entidade, Fernanda Sobral complementou o discurso de Janine Ribeiro, valorizando que não se trata apenas do reajuste, que é essencial, mas também da expansão da quantidade de bolsas, uma promessa do presidente Lula enquanto estava na campanha eleitoral e que segue em cumprimento: “Tudo isso é muito importante para a ciência e para a educação, porque está estimulando nossa competência científica, novos talentos, mas também contribuindo para a inclusão social.”</p>
<p>Nesta sexta-feira, a SBPC reiterou o posicionamento dos diretores em nota, na qual afirma que o reajuste das bolsas indica a “retomada da valorização da inteligência pelo Poder Público Federal”. Mas, ao mesmo tempo pondera que a defasagem nos valores e na quantidade das bolsas é mais expressiva do que os índices concedidos e aponta a necessidade de ampliar a disponibilidade de concessões e ainda reajustar valor das bolsas de produtividade em pesquisa. “Esperamos que, nos próximos meses, o Governo Federal proceda o reajuste também das Bolsas de Produtividade em Pesquisa, bem como reveja a questão das taxas de bancada, que auxiliam na participação de pesquisadores e estudantes em congressos e na aquisição de pequenos materiais de consumo. Sugerimos também que haja um compromisso de aumentos anuais nos valores das bolsas, pelo menos de acordo com os índices inflacionários.” (<a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/reajuste-das-bolsas-indica-retomada-da-valorizacao-da-inteligencia-pelo-poder-publico-federal-afirma-sbpc-em-nota/" target="_blank">Veja a nota na íntegra aqui)</a></p>
<p>Ao encerrar a cerimônia dos anúncios, o presidente da República afirmou que segue surpreso com o retrocesso em que o Brasil foi deixado, e que o caminho da recuperação começa por investir no conhecimento:</p>
<p>“O investimento em educação é o melhor e mais barato investimento que um Estado pode fazer. Porque esse país não quer ser a vida inteira exportador de minério ou exportador de soja e milho, esse país quer ser exportador de conhecimento, de alta tecnologia, quer ser exportador de inteligência”, concluiu Lula.</p>
<p><em>Rafael Revadam &#8211; Jornal da Ciência</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/apos-uma-decada-de-espera-governo-federal-anuncia-reajustes-nas-bolsas-da-capes-e-cnpq/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>É preciso permitir que as pessoas falem sobre suas experiências de distanciamento social na volta às aulas, diz Renato Janine Ribeiro</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/e-preciso-permitir-que-as-pessoas-falem-sobre-suas-experiencias-de-distanciamento-social-na-volta-as-aulas-diz-renato-janine-ribeiro/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/e-preciso-permitir-que-as-pessoas-falem-sobre-suas-experiencias-de-distanciamento-social-na-volta-as-aulas-diz-renato-janine-ribeiro/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2020 15:41:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino Básico]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino Superior]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jornaldaciencia.org.br/?p=11943</guid>
		<description><![CDATA[O ex-ministro da educação e professor de ética e filosofia da USP apresentou a conferência "Educação nos novos tempos" nessa quarta-feira, 15, durante a Mini Reunião Anual Virtual da SBPC]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>O ex-ministro da educação e professor de ética e filosofia da USP apresentou a conferência &#8220;Educação nos novos tempos&#8221; nessa quarta-feira, 15, durante a Mini Reunião Anual Virtual da SBPC</em></p>
<p><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2020/07/Janine-e-Sobral.png"><img class="aligncenter wp-image-11946 size-post img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2020/07/Janine-e-Sobral-653x350.png" alt="Janine e Sobral" width="653" height="350" /></a></p>
<p>Durante a palestra &#8220;Educação nos novos tempos&#8221;, o professor de Ética e Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), Renato Janine Ribeiro, ressaltou que o maior desafio imposto pela pandemia, além da aplicação do conteúdo pragmático, é a criação de espaços de diálogos para que professores, funcionários e alunos possam conversar sobre suas percepções e sentimentos. A atividade, que faz parte da Mini Reunião Anual Virtual da SBPC, foi apresentada pela vice-presidente da entidade, Fernanda Sobral.</p>
<p>Janine disse que o isolamento social interrompeu a socialização, tão importante na educação, e que a situação só não foi pior graças à internet. Por isso, é preciso permitir que as pessoas falem sobre suas experiências de distanciamento social. “Nós estamos vivendo uma pancada emocional e ao voltar às aulas, ao trabalho, eu recomendo que é preciso tratar este trauma. E os professores, chefes, dirigentes, precisam ter o mínimo de formação psicológica para saber escutar, já que todos precisam falar de sentimentos. Isso é possível, mas requer muito trabalho”, afirma. Em referência a uma observação da chanceler alemã Angela Merkel, Janine descreveu a pandemia como o maior desafio mundial desde a Segunda Guerra.</p>
<p>“Muita coisa pode ser feita de modo remoto, mas a socialização não.  E educar é de dentro para fora. E, ao tirar a criança de dentro de casa, ela descobre que além dos irmãos, têm outras crianças. Que além dos pais, têm outros adultos. E esse aspecto está sendo prejudicado”, explica Janine, que é também conselheiro da SBPC.</p>
<p>Ao falar sobre o ensino à distância, Janine abordou os abismos socioeconômicos entre os alunos do ensino privado e público, especialmente nas periferias. “No âmbito público os educadores estão esbarramos com, além da falta de preparo, falta de equipamentos, inexistência de acesso à banda larga. Muitos alunos vivem em lugares pequenos e não conseguem um espaço reservado para estudar”, lamenta.</p>
<p>Quanto à postura do Ministério da Educação diante da pandemia, Janine, que foi ministro da Educação por cerca de sete meses em 2015, durante o governo de Dilma Rousseff (PT), afirma que a Pasta “primou pela ausência absoluta”. “Os secretários estaduais e municipais tiveram que se virar. E os municipais estão fazendo voo solo. Eles estão sem capacidade de se articular, de construir estratégias conjuntas. São eles que lidam com o ensino infantil. E é lá que as crianças são mais vulneráveis”, afirma.</p>
<p>Para o professor da USP, a alfabetização das crianças no ensino básico deve ser priorizada. “Temos de priorizar a alfabetização na idade certa, como aconteceu no Ceará, com governo de Cid Gomes, em 2007, e depois foi nacionalizado em 2013, com o ministro Mercadante. A ideia é que cada município foque nisso, mas o MEC errou em não incluir os Estados como parceiros fortes”, disse.</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-E8I4hBtnI8&amp;feature=youtu.be" target="_blank">Assista aqui à conferência na íntegra</a>.</p>
<p>A Mini Reunião Anual Virtual da SBPC segue por toda a semana e maiores informações podem ser obtidas acessando este link: <a href="http://ra.sbpcnet.org.br/mini-ravirtual/" target="_blank">http://ra.sbpcnet.org.br/mini-ravirtual/</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Vivian Costa – Jornal da Ciência</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/e-preciso-permitir-que-as-pessoas-falem-sobre-suas-experiencias-de-distanciamento-social-na-volta-as-aulas-diz-renato-janine-ribeiro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sessão na Câmara alerta para os ataques às universidades e à ciência</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/sessao-na-camara-alerta-para-os-ataques-as-universidades-e-a-ciencia/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/sessao-na-camara-alerta-para-os-ataques-as-universidades-e-a-ciencia/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Oct 2019 16:55:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino Superior]]></category>
		<category><![CDATA[Especialização]]></category>
		<category><![CDATA[Legislação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jornaldaciencia.org.br/?p=10052</guid>
		<description><![CDATA[No Dia do Professor, reitores, professores e parlamentares reforçaram as manifestações a favor do ensino público e das agências CNPq, Capes e Finep]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>No Dia do Professor, reitores, professores e parlamentares reforçaram as manifestações a favor do ensino público e das agências CNPq, Capes e Finep</em></p>
<div id="attachment_10054" style="width: 663px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2019/10/img20191015134910955MED.jpg"><img class="wp-image-10054 size-post img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2019/10/img20191015134910955MED-653x350.jpg" alt="img20191015134910955MED" width="653" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Vice-Presidente da SBPC, Fernanda Sobral. (Fotos: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)</p></div>
<p>Convocada por requerimento do Deputado Bacelar (Podemos-BA), a sessão plenária desta quarta-feira (15/10) na Câmara dos Deputados foi transformada em Comissão Geral em Defesa das Universidades Públicas, Institutos Federais e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).</p>
<p>Para a socióloga Fernanda Sobral, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o evento, que reuniu reitores, professores e parlamentares, serviu como alerta de que a sociedade está mobilizada contra os ataques às universidades públicas, institutos federais e as agências (CNPq, Capes e Finep). “Estamos atentos aos ataques e aos cortes no geral”, comentou Sobral.</p>
<p>Em seu discurso de abertura, Bacelar criticou a possível fusão do CNPq e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e afirmou que o Ministério da Educação (MEC) “se pauta por temas rasos” e “polêmicas ideológicas”. “É nítido que o governo Bolsonaro não tem nenhum projeto para superar as imensas dificuldades da educação e os que haviam, formulados por técnicos de alto nível, foram destruídos”.</p>
<p>Convidada à mesa da plenária, Fernanda Sobral destacou várias inovações produzidas por pesquisadores de dentro das universidades públicas que hoje reforçam a economia e o bem estar dos brasileiros como a agricultura, a produção animal, a automação bancária, a automação do processo eleitoral e a extração de petróleo em águas profundas, um trabalho conjunto entre o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) e a Petrobras.</p>
<p>“A terapia de câncer noticiada pela Globo (em reportagem do Fantástico exibida domingo 13/10) é fruto da universidade pública. No mesmo telejornal, um cientista brasileiro de 91 anos, Sérgio Mascarenhas, mostrou uma descoberta muito importante de um aparelho para medir a pressão craniana de pessoas que sofrem com hidrocefalia”, disse Sobral. Ela também frisou a importância das ciências humanas, como fonte de conhecimento aplicado em diversas políticas públicas e apontou que as universidades federais e estaduais estão na frente dos principais rankings de ensino superior, como os internacionais Times Higher Education e Clarivate Analytics, e o nacional RUF, da Folha de São Paulo. “Entre os resultados do Enade em 2018, 492 cursos superiores tiraram a nota máxima no Enem (6%), a maior parte ofertada por instituições federais”.</p>
<p>Apesar da enorme contribuição à educação no País, as universidades sofreram cortes de 18% este ano em seu orçamento de R$ 6,4 bilhões, o equivalente a R$ 1,2 bilhão, de acordo com dados da Andifes. “Temos que fazer três tipos de escolha: as do futuro, a partir de tendências na fronteira do conhecimento; as do presente, a partir do desenvolvimento de áreas estratégicas nacionais definidas em planos; e a partir de necessidades regionais e locais”, alertou a vice-presidente da SBPC. Para ela, há ações imediatas às quais a universidade pública brasileira tem dado respostas, por exemplo, o caso do vírus zika.</p>
<p>“Além dessas, há as escolhas eternas ou permanentes, que representam a história das instituições acadêmicas, ou seja, preservar o modelo intelectual que historicamente norteou a vida acadêmica e que defende a universidade como espaço social e acadêmico sui generis”.</p>
<p>Em um discurso contundente, a vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, alertou que o Brasil está indo na contramão do mundo moderno, no qual prevalece a economia do conhecimento. Nader, que também é presidente de honra da SBPC, ressaltou a contribuição do CNPq para o desenvolvimento científico e tecnológico do País e deixou claro: “Sem ciência, a nossa economia teria desaparecido”.</p>
<p>Helena Nader disse ser a favor das universidades privadas, já que as públicas não dão conta da demanda por educação em um país de dimensões continentais, mas acha que é preciso investir em qualidade. Além disso, reiterou, a solução para grandes problemas do País saiu da universidade pública, com apoio do CNPq.</p>
<p>“E nós vamos virar as costas para o CNPq e para a Capes?” questionou. Frisando que participou, quando jovem, dos movimentos estudantis de resistência à ditadura militar (1964-1985), Nader fez questão de lembrar que quem criou as agências de financiamento da educação, ciência e tecnologia (CNPq, Capes e Finep) foram os governos militares. “Quem criou a Finep, dentro dessa visão de nação, foi o ministro Reis Velloso, ainda bem que ele faleceu, porque ele veria tudo o que ele criou sendo bombardeado” (falecido em fevereiro, o economista João Paulo dos Reis Velloso foi Ministro do Planejamento nos governos Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel, entre 1969 e 1979).</p>
<p>A sessão durou quatro horas e deu espaço para pronunciamentos de diversos profissionais ligados ao ensino superior, além de parlamentares. Ricardo Fonseca, reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), falou dos “ataques simbólicos” às universidades, às instituições, muitas vezes colocadas como “pervertidas, aos professores, muitas vezes colocados como ociosos ou marajás”. Fonseca destacou um ponto que considera urgente: o processo de escolha dos dirigentes das universidades, porque nesse governo, segundo ele, quase metade dos reitores escolhidos não encabeçavam as listas de indicação da comunidade acadêmica.</p>
<p>Representando o governo estavam Tomaz Dias Santana (MEC) e Marcelo Morales (MCTIC), que se limitaram a expor as atividades inerentes a seus departamentos. Anderson Correia, presidente da Capes, apresentou os grandes números da agência, disse que este ano vão investir R$ 4 bilhões na educação, formação de professores e pesquisas. Ele pediu apoio dos parlamentares para a aprovação de proposta de emenda do governo que resgata R$ 300 milhões que serão aplicados em projetos para o Pibid (ação da Política Nacional de Formação de Professores do Ministério da Educação),  residência pedagógica, Universidade Aberta do Brasil, Parfor (Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica), entre outros.</p>
<p><em>Janes Rocha – Jornal da Ciência</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/sessao-na-camara-alerta-para-os-ataques-as-universidades-e-a-ciencia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Unicamp realiza ato histórico em defesa da ciência, educação e autonomia universitária</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/unicamp-realiza-ato-historico-em-defesa-da-ciencia-educacao-e-autonomia-universitaria/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/unicamp-realiza-ato-historico-em-defesa-da-ciencia-educacao-e-autonomia-universitaria/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Oct 2019 15:56:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Vivian Costa]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Áreas da Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino Superior]]></category>
		<category><![CDATA[Legislação]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jornaldaciencia.org.br/?p=10057</guid>
		<description><![CDATA[A assembleia extraordinária da Universidade Estadual de Campinas reuniu nessa terça-feira cerca de 8 mil pessoas, entre docentes, estudantes, pesquisadores e funcionários da universidade, além de representantes de organizações da sociedade civil. “O momento é grave, a gente está enfrentando provavelmente o que é um dos maiores ataques à universidade pública”, declarou o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>A assembleia extraordinária da Universidade Estadual de Campinas reuniu nessa terça-feira cerca de 8 mil pessoas, entre docentes, estudantes, pesquisadores e funcionários da universidade, além de representantes de organizações da sociedade civil. “</em><em>O momento é grave, a gente está enfrentando provavelmente o que é um dos maiores ataques à universidade pública”, declarou o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel</em></p>
<p>Em uma manifestação histórica, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovou na tarde desta terça-feira (15) uma moção em defesa da ciência, educação e autonomia universitária durante a primeira assembleia extraordinária realizada em 53 anos da universidade. A moção, dirigida à sociedade brasileira, foi aprovada de forma unânime em ato realizado no Ciclo Básico da Unicamp. Segundo a vigilância da Universidade, pelo menos oito mil pessoas estiveram presentes na mobilização.</p>
<p>A realização da assembleia foi aprovada no dia 24 de setembro pelo Conselho Universitário da Unicamp (Consu), órgão máximo de deliberação da universidade. Esta é a primeira vez em mais de 50 anos que o Consu convoca uma assembleia com esse caráter. O último ato desta proporção aconteceu em 1981, durante a ditadura militar. O protesto, à época, foi em repúdio à invasão do campus universitário promovida pelo então governador do Estado, Paulo Maluf.</p>
<p>O ato contou com a participação de docentes, estudantes, pesquisadores e funcionários da universidade, além de representantes de organizações da sociedade civil, dentre elas, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).</p>
<p>O reitor da Unicamp, o físico Marcelo Knobel, abriu a assembleia chamando atenção para a gravidade do momento político do País e disse que a mobilização reuniu a comunidade universitária em defesa de uma causa comum. “Em que pesem as diferenças que certamente existem entre nós, estamos todos aqui, no coração da Unicamp, para defender um ideal comum: a universidade pública, a educação, a ciência e a tecnologia”, declarou.</p>
<p>&#8220;O momento é grave, a gente está enfrentando provavelmente o que é um dos maiores ataques à universidade pública. É o Future-se que vem para acabar com os pilares da universidade pública, é o contingenciamento de verbas para pesquisa da Capes e da CNPq. Esses cortes anunciados nas bolsas impactam e muito na pesquisa dos nossos estudantes, nas nossas pesquisas realizadas aqui na Unicamp e em todo o País&#8221;, ressaltou o reitor.</p>
<p>O presidente da (SBPC), Ildeu de Castro Moreira, enalteceu a iniciativa exemplar da Unicamp e disse que é uma ação que pode contribuir para conclamar a comunidade do País inteiro a se mobilizar e se posicionar com mais veemência diante do momento difícil vivido pela universidade pública, pelo sistema de ciência e tecnologia e pela educação como um todo. “As universidades têm um papel muito importante no debate e articulação com outros setores para superar as dificuldades que estamos enfrentando. O poder econômico valoriza apenas um setor, o dos financistas”, disse.</p>
<p>Ele alertou para o orçamento previsto para o setor em 2020, o que chamou de catastrófico para a ciência brasileira. “Tivemos o corte drástico para o CNPq, a Capes teve o orçamento reduzido à metade e a Finep viu 90% dos recursos vindos de setores econômicos congelados. Isso significa que não temos chance de competir minimamente em escala nacional. Nem chances mínimas de atender às diversas dificuldades e problemas da sociedade. É fundamental a preservação dessas agências”, afirmou.</p>
<p>Moreira ressaltou as ações da SBPC na luta contra o desmantelamento do setor e, principalmente, na proposição de saídas para esta crise. Na semana passada, por exemplo, a entidade, juntamente com outras instituições acadêmicas e científicas, enviou um <strong><a href="http://portal.sbpcnet.org.br/wp-content/uploads/2019/10/carta-CNPq-CAPES-FINEP.pdf" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=http://portal.sbpcnet.org.br/wp-content/uploads/2019/10/carta-CNPq-CAPES-FINEP.pdf&amp;source=gmail&amp;ust=1571334710958000&amp;usg=AFQjCNG0zpTnbqZYYMdRCoPvpt7L-jS5Mg">manifesto contra desmonte de agências nacionais de fomento à CT&amp;I</a></strong> para o governo. “Essas agências de fomento são fundamentais há décadas e não podem ser descontinuadas com uma decisão burra. A nossa atuação deve ser de resistência a esse desmonte que está sendo delineado em várias áreas da educação, da universidade e da ciência brasileira. Mas, além da atuação contra esse desmonte, devemos pensar também para frente, na construção de um projeto nacional mais amplo, no qual a educação e a CT&amp;I estejam inseridas como elementos centrais.”</p>
<p>Flávia Calé, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), disse que a assembleia da Unicamp é um exemplo para todas as universidades, justamente quando a autonomia é novamente atacada. “Atacam porque respondemos por 90% da produção científica. Não existe desenvolvimento e soberania sem a universidade. O jeito é ir para as ruas no País inteiro para assegurar a universidade pública”, disse.</p>
<p>O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, defendeu o mesmo espaço para assembleias na USP e Unesp, incentivando maior participação dos estudantes na organização da luta para “salvar o País do momento de obscurantismo”: “Precisamos chamar a atenção das pessoas para a importância da universidade e para como ela está sendo atacada, convocando passeatas e falando cada vez mais para o povo”.</p>
<p>Caio Yuji, presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), reiterou que a assembleia da Unicamp é um exemplo para as demais universidades brasileiras: “É importante que todas se mobilizem. É com unidade que vamos voltar para a rua defendendo a educação pública de qualidade. Não vamos perder para um governo que não acredita na educação”.</p>
<p>Oswaldo Alves, professor do Instituto de Química da Unicamp, participou da assembleia extraordinária representando a Academia Brasileira de Ciências (ABC). “Vim falar sobre os problemas no sistema de ciência e tecnologia, indicando possíveis soluções e ações da Academia para reverter algumas situações e trabalhar no sentido de preservar as conquistas ao longo de todos esses anos. Estamos apoiando esse movimento de hoje e é importante que tenhamos vários pelo País inteiro, esclarecendo a população sobre a importância da C&amp;T, de que muitos dos problemas que nos afligem têm solução através de pesquisas feitas nos laboratórios.”</p>
<p>A Moção da Unicamp à Sociedade foi lida e aprovada por unanimidade durante a assembleia extraordinária. O documento foi elaborado, em consenso, pelos representantes da Reitoria, Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp), Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), Diretório Central dos Estudantes (DCE) e da Associação de Pós-Graduandos da Unicamp (APG). “Os obstáculos que têm sido impostos às universidades públicas – seja por meio de cortes orçamentários diretos, diminuição dos recursos direcionados às agências de fomento ou pressões de natureza econômica, ideológica ou social – colocam em risco a estrutura do sistema nacional de ciência, tecnologia, inovação e ensino, deixando o país sujeito ao retrocesso e ao obscurantismo”, alerta o texto.</p>
<p>Leia na íntegra a Moção aprovada:</p>
<p><strong>MOÇÃO DA UNICAMP À SOCIEDADE</strong></p>
<p><strong>15/10/2019</strong></p>
<p>A comunidade acadêmica da Unicamp manifesta sua indignação diante dos reiterados ataques contra a educação e a ciência perpetrados no Brasil nos últimos meses, e conclama a sociedade a unir-se em defesa da universidade pública gratuita, laica, socialmente referenciada e de qualidade.</p>
<p>Neste momento preocupante da história nacional, caracterizado por uma crise econômica e política sem precedentes, é vital que as universidades públicas reafirmem seu valor e ressaltem a importância da autonomia para o cumprimento de sua missão.</p>
<p>Como se sabe, a missão primordial de universidades como a Unicamp, mantidas com recursos provenientes de impostos, consiste em formar pessoas altamente qualificadas, desenvolver pesquisas de impacto e colocar o conhecimento que produzem à disposição da sociedade por meio de atividades de extensão e assistência.</p>
<p>Ao mesmo tempo, espera-se das universidades públicas que acompanhem as transformações acadêmicas, científicas, tecnológicas, sociais e culturais do mundo contemporâneo, buscando formas de promover a diversidade e a inclusão social em suas comunidades, de ampliar a transparência de seus processos e de atender aos objetivos de desenvolvimento sustentável.</p>
<p>Nada disso é possível sem que se observe o princípio da autonomia, garantido às universidades públicas pelo artigo 207 da Constituição Federal de 1988. Atentar contra a autonomia significa impedi-las de fazer suas próprias escolhas, fundamentais para a criação e manutenção de um ambiente estimulante, desafiador, criativo, dinâmico e, sobretudo, de respeito às pessoas e à diversidade de opiniões.</p>
<p>Os obstáculos que têm sido impostos às universidades públicas – seja por meio de cortes orçamentários diretos, diminuição dos recursos direcionados às agências de fomento ou pressões de natureza econômica, ideológica ou social – colocam em risco a estrutura do sistema nacional de ciência, tecnologia, inovação e ensino, deixando o país sujeito ao retrocesso e ao obscurantismo.</p>
<p>Os argumentos nos quais se baseiam os ataques recentes, fortemente marcados pelo anti-intelectualismo e por um profundo desprezo pelo conhecimento científico, revelam uma visão equivocada da função da educação superior e da ciência. Os recursos de que as universidades públicas necessitam para realizar suas atividades-fim não podem jamais ser encarados como um custo para o Estado, mas sim como um investimento no futuro do país.</p>
<p>No Brasil, assim como em todos os países desenvolvidos, a pesquisa nas universidades é financiada majoritariamente pelo Estado, por meio de suas agências de fomento. Interromper o fluxo de recursos para essas instituições constitui um equívoco que impedirá o país de enfrentar e resolver os grandes desafios sociais e econômicos que se apresentam.</p>
<p>Da mesma forma, as críticas a áreas específicas, como as humanidades e as artes, demonstram uma ignorância absoluta do papel fundamental que a busca por conhecimento exerce no desenvolvimento do pensamento crítico e criativo, bem como na formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social, à redução das desigualdades e ao respeito à diversidade.</p>
<p>Diante de tudo isso, cabe à Unicamp unir-se às demais instituições que buscam reagir às investidas contra as universidades públicas e, por conseguinte, ao violento processo de desmonte dos sistemas nacionais de educação superior e de ciência, tecnologia e inovação.</p>
<p>A comunidade acadêmica da Unicamp reafirma, aqui, o seu compromisso com a defesa das liberdades de cátedra e de livre organização associativa e estudantil. É preciso, neste momento, zelar pelo patrimônio inestimável que as universidades públicas representam para o Brasil. Urge uma consistente mobilização para evitar que os frutos de tantos anos de investimento de toda a sociedade sejam colocados em risco por uma política que ignora tanto o passado, quanto o presente, e ainda ameaça o futuro do país. A isso, é preciso reagir!</p>
<p><em>Vivian Costa &#8211; Jornal da Ciência, com agências</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/unicamp-realiza-ato-historico-em-defesa-da-ciencia-educacao-e-autonomia-universitaria/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Instituições de ensino fluminenses terão apoio de frente parlamentar</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/instituicoes-de-ensino-fluminenses-terao-apoio-de-frente-parlamentar/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/instituicoes-de-ensino-fluminenses-terao-apoio-de-frente-parlamentar/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 15 May 2019 21:52:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Carlos SBPC]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino Superior]]></category>
		<category><![CDATA[Legislação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas de CT&I]]></category>
		<category><![CDATA[Políticas Públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedades Científicas]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Inovação]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jornaldaciencia.org.br/?p=9072</guid>
		<description><![CDATA[Deputados e reitores debateram os cortes no orçamento das universidades; Alerj pode incluir divulgação da ciência na programação de sua TV pública]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_9074" style="width: 663px" class="wp-caption alignnone"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2019/05/Foto-geral-da-reunião.-Por-Otacilio-Barbosa.jpg"><img class="size-post wp-image-9074 img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2019/05/Foto-geral-da-reunião.-Por-Otacilio-Barbosa-653x350.jpg" alt="Deputados e reitores debateram os cortes no orçamento das universidades; Alerj pode incluir divulgação da ciência na programação de sua TV pública. Foto: Otacilio Barbosa" width="653" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Deputados e reitores debateram os cortes no orçamento das universidades; Alerj pode incluir divulgação da ciência na programação de sua TV pública. Foto: Otacilio Barbosa</p></div>
<p style="color: #58595b;">A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) encaminhou ontem a proposta de criação de uma Frente Parlamentar em Defesa das Instituições de Ensino do Estado. A ideia é atrair parlamentares de vários partidos e das três esferas do legislativo – federal, estadual e câmara de vereadores -, afirmou o presidente da CCT, deputado Waldeck Carneiro (PT).</p>
<p style="color: #58595b;">A proposta de criação da frente foi feita durante audiência pública realizada terça-feira (14/5), que reuniu reitores, vice-reitores e representantes de universidades e entidades de pesquisa, ciência e inovação e foi convocada para discutir o impacto dos cortes no orçamento das universidades federais promovido pelo Ministério da Educação (MEC). Outras medidas anunciadas como resultado dos debates são o levantamento de estatísticas sobre o impacto das universidades para a economia do estado e a inserção de um programa televisivo de divulgação da ciência a ser veiculado pela TV Alerj.</p>
<p style="color: #58595b;">“O ataque do governo Bolsonaro às instituições de ensino atinge muito drasticamente o Rio de Janeiro”, constata o presidente da CCT. Carneiro afirmou que quer trazer o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para Frente Parlamentar e pedir a ele apoio para reverter os cortes do MEC.</p>
<p style="color: #58595b;">Para dimensionar o efeito da restrição orçamentária, Carneiro destacou que das quatro universidades federais sediadas no Estado, duas mantém colégios de aplicação e três têm hospitais universitários que fazem atendimento à população. Dois Institutos Federais, o tradicional Colégio Pedro II e o Cefet, de cursos técnicos, se somam ao parque educacional público federal sediado no Rio de Janeiro, que ainda abriga algumas das mais importantes instituições de pesquisa que fornecem informação para todo o país como o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs).</p>
<p style="color: #58595b;">Além do prejuízo à educação, há um impacto econômico, afirma o deputado: “Se você corta bolsas de estudo, suprime a única fonte de sobrevivência de jovens que vão deixar de comprar livros, alimentos, transporte, afetando toda uma cadeia de atividade”. Como exemplo, Carneiro cita o fechamento de uma universidade privada, a Gama Filho, que praticamente “matou” o bairro da Piedade onde ela tinha seu campus. “Há um grande volume de pessoas que circulam e consomem produtos e serviços ao redor dos campi, que movimentam a economia local, principalmente no interior do Estado”, disse.</p>
<p style="color: #58595b;">Para o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu Moreira, que participou da audiência, o encontro foi importante, em primeiro lugar, por ter reativado a CCT como espaço de discussão sobre a ciência e tecnologia no estado do Rio de Janeiro. “Foi uma reunião bastante representativa em que foi exposto o quadro preocupante das universidades federais e se debateu extensivamente a situação e as estratégias para reverter essa crise”, disse Moreira. Para ele, os debates na audiência demostraram ainda a importância das instituições de pesquisa se comunicarem melhor com a população, para divulgar seus trabalhos e a relevância dessas atividades para a economia e a sociedade.</p>
<p style="color: #58595b;">“A audiência foi extremante positiva pela presença de reitores, autoridades, dirigentes de instituições de ensino superior e fundamental e pela qualidade das propostas”, comentou a secretária regional em exercício da SBPC no Rio de Janeiro, Lígia Bahia. Ela reiterou que a importância das universidades para o Estado vai além da produção intelectual e formação de pessoal qualificado. Sobre a frente parlamentar, Lígia Bahia reiterou seu caráter interpartidário, reunindo correntes tão diferentes quanto PT, PSDB, PSB e o Novo. “É uma coalizão interpartidária que compreende que educação é uma bandeira transversal”, disse Bahia.</p>
<p style="color: #58595b;">À agencia de notícias da Alerj, o reitor da UFRRJ, Ricardo Berbara, afirmou que os bloqueios orçamentários do MEC representam dificuldades no desempenho da universidade e atinge principalmente a Região da Baixada Fluminense. “A maioria dos nossos alunos são de famílias com renda per capita inferior a dois salários mínimos, e somos uma universidade jovem, negra e feminina, setores esses que serão socialmente impactados de forma negativa”, ressaltou.</p>
<p style="color: #58595b;">Segundo a agência, participaram da audiência também os reitores da Universidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal Rural (UFRRJ), da Uni-Rio, do Instituto Federal Fluminense (IFF), da Federal do Norte Fluminense (UENF) e do Colégio Pedro II. Também estiveram presentes o vice-reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e representantes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO), da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Fundação Cecierj, entre outras entidades da pesquisa, ciência e inovação brasileiras.</p>
<p style="color: #58595b;"><em>Janes Rocha – Jornal da Ciência</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/instituicoes-de-ensino-fluminenses-terao-apoio-de-frente-parlamentar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>SBPC lamenta a morte do físico e professor da USP Ernst Hamburger</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/sbpc-lamenta-a-morte-do-fisico-e-professor-da-usp-ernst-hamburger/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/sbpc-lamenta-a-morte-do-fisico-e-professor-da-usp-ernst-hamburger/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Jul 2018 16:33:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Daniela]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jornaldaciencia.org.br/?p=7629</guid>
		<description><![CDATA[O cientista trabalhou com física nuclear e teve atuação marcante na divulgação e na educação científica no Brasil. Grande parceiro da SBPC por toda a vida, foi membro da diretoria da entidade de 1979 a 1981. Seu enterro será hoje às 16h no Cemitério do Morumbi (Foto: Revista Pesquisa Fapesp/Léo Ramos)]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7631" style="width: 663px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2018/07/hambuerger.jpg"><img class="wp-image-7631 size-post img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2018/07/hambuerger-653x350.jpg" alt="hambuerger" width="653" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Revista Pesquisa Fapesp/Léo Ramos</p></div>
<p><em>O cientista trabalhou com física nuclear e teve atuação marcante na divulgação e na educação científica no Brasil. Grande parceiro da SBPC por toda a vida, foi membro da diretoria da entidade de 1979 a 1981. Seu enterro será hoje às 16h no Cemitério do Morumbi</em></p>
<p>A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) lamenta a morte do físico e professor da Universidade de São Paulo (USP) Ernst Wolfgang Hamburger, que lutava havia três anos contra um linfoma – um tipo de câncer que atinge células do sistema imunológico. Conhecido por seus trabalhos com física nuclear, que ajudaram a entender a organização dos núcleos dos átomos, Hamburger também teve atuação marcante na SBPC e na divulgação e educação científica.</p>
<p>Em nome da SBPC, o presidente da entidade, Ildeu de Castro Moreira, expressa os sentimentos de pesar pelo falecimento do professor Hamburger, que também foi conselheiro da entidade entre 1973 e 1979 e membro da diretoria de 1979 a 1981. “Físico, professor e divulgador da ciência, com atuação intensa ao longo de muitas décadas, ele fez muito pela ciência, pela educação científica e pela divulgação da ciência no País. E foi um lutador incansável e corajoso pela democracia no Brasil. Era uma referência marcante para todos os cientistas, professores e estudantes pela sua generosidade, sensibilidade, competência e postura ética. Sentiremos muito sua falta”, afirma Moreira.</p>
<p>A diretora da SBPC, Roseli de Deus Lopes, também comentou a morte de Hamburger e o exalta dizendo que ele era, além de um ser humano excepcional, um grande profissional, cientista e mestre, e que trabalhou muito pela divulgação científica. Segundo ela, um dos destaques de sua trajetória foi seu trabalho como diretor da Estação Ciência, que ele ajudou a criar e dirigiu por quase dez anos, de 1994 a 2003. &#8220;Por causa desse trabalho, ele foi reconhecido, tanto no Brasil quanto fora. Eu tive o prazer de trabalhar com ele, inclusive dividindo a mesma sala, o que tornava a experiência um aprendizado constante&#8221;, lembra emocionada, Lopes, que é professora do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da USP.</p>
<p>Para a presidente de honra da SBPC, Helena Bonciani Nader, a morte de Hamburger representa a perda de um “pai intelectual”. Ela lembra vividamente a imensa colaboração dele para a realização da Reunião Anual da sociedade em 1977, quando o governo militar proibiu a realização do evento em Fortaleza, depois na USP, em São Paulo. A reunião, no final, aconteceu na PUC-SP, território do Vaticano. “Graças ao seu trabalho incansável, ele conseguiu mobilizar cientistas, estudantes e a sociedade civil em geral. Ele coordenou o trabalho de um grupo de pessoas para arrecadar fundos, com a venda, por exemplo, do cartaz do Galileu Galilei. Ele foi um exemplo para os jovens de luta pela democracia, pelos direitos, e foi fundamental para fazer acontecer aquela reunião&#8221;, conta a cientista. “Ele marcou a minha vida e de todos os jovens que trabalharam junto a ele”.</p>
<p>A dedicação e carinho do físico, bem como de sua esposa, Amélia Império Hamburger, com a SBPC, também merecem destaque, conforme ressalta Nader. “Ele sempre esteve presente. No sangue dele corria a SBPC”, comenta, lembrando que Hamburger nunca deixou de fazer parte da entidade. &#8220;Ele foi um grande entusiasta e sempre se dedicou à ciência e à educação no Brasil. Estamos mais pobres agora, porque precisávamos de mais brasileiros como o professor Hamburger, que sempre lutou pelas grandes causas do País&#8221;, declarou.</p>
<p><strong>Biografia</strong></p>
<p>Ernst Hamburger nasceu em 8 de junho de 1933 em Berlim, na Alemanha, e chegou ao Brasil em 1936, com três anos de idade, apenas. Cresceu entre as ruas Haddock Lobo e Groenlândia, nos Jardins, em São Paulo. Aprendeu português com os amigos na rua e estudou na Escola Estadual Presidente Roosevelt. Naturalizou-se  brasileiro em 1956.</p>
<p>Formado em Física pela USP, na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), em 1954, obteve o PhD, com especialização em física nuclear, na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, em 1959. Em 1970, tornou-se professor titular da USP, posição que ocupou até a aposentadoria compulsória, aos 70 anos de idade.</p>
<p>Também em 1970, foi preso e processado por sua colaboração com a oposição à ditadura militar. Convidado a lecionar na Inglaterra, teve o exercício da profissão coibido pelo impedimento de sair do Brasil. Optou, então, por aceitar o convite para ser professor na Universidade Federal da Bahia, em Salvador.</p>
<p>Como coordenador do curso básico de Física Geral e Experimental para as carreiras de exatas, no Instituto de Física da USP, Hamburger foi um dos artífices da renovação no método de ensino científico no País. A princípio, atuou no âmbito universitário, dando ênfase a aulas práticas de laboratório para tornar o aprendizado mais desafiador. Depois, elaborou diversos projetos destinados à formação de professores do ensino básico.</p>
<p>No território brasileiro, o físico exerceu diversas posições, tanto na academia quanto nos experimentos científicos, por várias décadas.  Além de coordenar e ser coautor de diversas obras didáticas sobre Física, publicou dezenas de livros sobre Física e energia nuclear. É reconhecido também por organizar a produção de filmes (anos 1970) e vídeos (a partir de 1985) didáticos de física, para ensino universitário, médio e fundamental. Além de supervisionar programas de TV para ensino médio de Física na década de 1990, como Colégio 2 na TV Cultura e Telecurso 2000 na TV Globo.</p>
<p>A atuação acadêmica de Hamburger ultrapassou fronteiras. Como pesquisador em Física Nuclear realizou experiências em Aceleradores Nucleares no Brasil e nos Estados Unidos, publicando dezenas de artigos em importantes revistas internacionais. Além disso, coordenou a construção de um Telescópio Eletrônico de Raios Cósmicos, de 1991 a 1998.</p>
<p><strong>Premiação </strong></p>
<p>Em reconhecimento ao seu trabalho na área científica, Hamburger acumulava diversos prêmios, tanto nacionais como internacionais. Tais como os prêmios José Reis de Divulgação Científica, concedido anualmente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); o Kalinga de Popularização da Ciência, concedido anualmente pela Unesco; o Palmes Académiques, Distinção concedida pelo governo de França. Outro destaque é o Prêmio Latino Americano de Popularização da Ciência e Tecnologia, concedido a cada dois anos pela Rede Latino-Americana de Popularização da Ciência (RedPop).</p>
<p>Mas o título de que ele mais se orgulhava era o de cidadão paulistano, concedido pela Câmara Municipal, em 2013. Para Hamburger, o Brasil ainda está longe de seu ideal, pois é preciso tornar a ciência tão popular quanto o carnaval e o futebol. “Na área de física, temos poucos professores, sobretudo nas regiões mais pobres”, disse no dia que recebeu o título de Cidadão Paulistano. Para melhorar este cenário, ele explicou que era preciso valorizar o professor, investir em incentivos, além de propor uma aula mais dinâmica para despertar o interesse do aluno pela disciplina.</p>
<p>Hamburger era um grande parceiro da SBPC e a última vez que ele esteve na entidade foi na inauguração do Centro de Memória <em>Amélia Império Hamburger</em>, em homenagem à sua esposa, em março de 2017. Acompanhado de 15 familiares, entre eles os filhos e netos, Hamburger se disse muito emocionado com a homenagem à sua companheira, falecida em 2011.</p>
<p>O casal deixa os filhos Esther, Sônia, Vera, Fernando e Cao, além de dois genros, uma nora e seis netos.</p>
<p>O velório de Ernst Hamburger será em sua casa, das 10h às 15h nesta quinta (5), e o enterro, no Cemitério do Morumbi às 16h30.</p>
<p><em>Jornal da Ciência</em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/sbpc-lamenta-a-morte-do-fisico-e-professor-da-usp-ernst-hamburger/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>SBPC lamenta a morte de Antonio Candido</title>
		<link>http://www.jornaldaciencia.org.br/sbpc-lamenta-a-morte-de-antonio-candido/</link>
		<comments>http://www.jornaldaciencia.org.br/sbpc-lamenta-a-morte-de-antonio-candido/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 12 May 2017 15:11:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Daniela]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Humanas]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias da SBPC]]></category>
		<category><![CDATA[Professores]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.jornaldaciencia.org.br/?p=5767</guid>
		<description><![CDATA[Ele foi cremado no dia 13 de maio]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ele foi cremado no dia 13 de maio</p>
<div id="attachment_5769" style="width: 663px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2017/05/Antonio-Candido-266-11-Foto-Francisco-Emolo-Jornal-da-USP.jpeg"><img class="wp-image-5769 size-post img-responsive" src="http://www.jornaldaciencia.org.br/wp-content/uploads/2017/05/Antonio-Candido-266-11-Foto-Francisco-Emolo-Jornal-da-USP-653x350.jpeg" alt="Antonio-Candido-266-11-Foto-Francisco-Emolo-Jornal da USP" width="653" height="350" /></a><p class="wp-caption-text">Nascido no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, ele foi um dos intelectuais mais respeitados do Brasil. (Foto: Francisco Emolo/Jornal da USP)</p></div>
<p>A SBPC lamenta a perda do grande brasileiro e sociólogo Antonio Candido de Mello e Souza, que faleceu na madrugada desta sexta-feira (12) aos 98 anos em São Paulo. Nascido no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, ele foi um dos intelectuais mais respeitados do Brasil. Ele era um dos sócios mais antigos da SBPC, desde 1953.  Ele foi cremado no sábado (13).</p>
<p>Intelectual de prestigio no panorama brasileiro, ele se posicionou politicamente até o fim da vida.  Para a presidente da SBPC, Helena Nader, Antonio Candido era um modelo de cidadania, ética e luta pela justiça social  neste País. Para ela, ele morreu lutando por seus ideais.</p>
<p>Além de acadêmico &#8211; professor emérito da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) &#8211; Antonio Candido era crítico literário e ensaísta. Entre suas obras mais importantes estão Introdução ao Método Crítico de Silvio Romero (1944), Formação da Literatura Brasileira (1959) e Literatura e Sociedade (1965). Ele também foi vencedor de alguns dos mais importantes prêmios literários, como o Jabuti, o Juca Pato e o Camões.</p>
<p style="color: #58595b;"><strong>Nota da família<br />
</strong><br />
No dia 12 de maio, a família de Antonio Candido distribuiu a seguinte nota a respeito de seu falecimento:</p>
<p style="color: #58595b;"><strong><em>Antonio Candido (de Mello e Souza) morreu nesta madrugada de 12 de maio às 1h40 em decorrência de complicações ocasionadas por uma obstrução gástrica.</em></strong></p>
<p><strong><em>No princípio da vida intelectual foi crítico literário ativo, tendo se tornado professor muito cedo para atuar, sucessivamente, nas cadeiras de Sociologia e Teoria Literária da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, onde formou várias gerações numa atividade pedagógica continuada.</em></strong></p>
<p><strong><em>É autor de textos seminais sobre literatura como A dialética da malandragem e De cortiço a cortiço ambos publicados em O discurso e a cidade, seu livro de ensaios mais importante.</em></strong></p>
<p><strong><em>Para Antonio Candido a arte e a literatura respondem à necessidades profundas do ser humano. E foi sobre isso que ele refletiu em O direito à literatura, outro ensaio igualmente importante, em que defende a necessidade de estender a todos, sem distinção de classe, o acesso a este bem imaterial.</em></strong></p>
<p style="color: #58595b;"><strong><em>É autor, ainda, de dois clássicos, um na área da literatura – Formação da literatura brasileira: momentos decisivos –, outro na área da Sociologia – Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação de seus meios de vida.</em></strong></p>
<p style="color: #58595b;"><strong><em> Foi um socialista democrático convicto ao longo de toda a vida tendo integrado os quadros do Partido dos Trabalhadores desde o início.</em></strong></p>
<p style="color: #58595b;"><strong><em>Era viúvo de Gilda e Mello e Souza com quem teve três filhas, oito netos e cinco bisnetos.</em></strong></p>
<p><i>Jornal da Ciência</i></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.jornaldaciencia.org.br/sbpc-lamenta-a-morte-de-antonio-candido/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
