China reafirma intenção de colocar astronauta em órbita em 2003
Uma nave tripulada pseria enviada ao espaço ainda este ano, apesar do acidente com o ônibus norte-americano Columbia
O presidente da China Aerospace Science and Technology (Castc), Zhang Qingwei, disse hoje ao jornal 'China Daily' que tecnicamente não existe ligação direta entre o programa espacial chinês e as missões norte-americanas.
'A China iniciou o seu programa espacial há muito tempo, e não irá afastar-se do plano inicial', disse.
As declarações de Zhang são a primeira confirmação oficial de que a China planeja tornar-se, em 2003, o terceiro país do mundo a colocar o homem em órbita.
Embora não forneça uma data para o lançamento, Zhang disse ao jornal que os resultados dos lançamentos de foguetes não-tripulados desde 1999, sobretudo o da cápsula Shenzhou 4, deram impulso para o projeto de lançamento de uma nave tripulada.
Apesar do programa chinês ser alvo de críticas ocidentais desde os anos 70, o presidente chinês, Jiang Zemin, sempre defendeu que 'é um direito legítimo da China ter o seu próprio programa espacial'.
A China, que se viu obrigada a abandonar os projetos no início dos anos 80, voltou a injetar dinheiro no programa espacial a partir de 92, ainda que com resultados pouco satisfatórios.
Dois foguetes chineses explodiram pouco depois do lançamento entre 95 e 96, e meses depois a nave Longa Marcha _avaliada em US$ 210 milhões_ foi colocado em uma órbita incorreta.
Os êxitos obtidos com a nave Shenzhou - que transportou um cão, um coelho e um manequim - elevaram o nacionalismo chinês, tal como aconteceu nos EUA nos meses anteriores ao lançamento do programa Apolo.
Críticos chineses afirmam, no entanto, que um país em vias de desenvolvimento como a China deveria dedicar o dinheiro a reformar o sistema social e a melhorar programas de saúde, e não a um programa espacial cujos resultados práticos são poucos.
As ambições chineses contrastam com a situação dos programas espaciais dos demais países, inclusive os EUA, que têm sido obrigados a reduzir os projetos por falta de verbas.
A agência espacial chinesa já manifestou interesse em participar da Estação Espacial Internacional (ISS). As vantagens da cooperação são indiscutíveis, pois os programas espaciais nacionais são um luxo ao alcance de apenas alguns países. (Folha de SP, 15/2)