7. Como contribuir para fazer ciência e um Brasil melhor, artigo de Hélio Kuramoto
“É preciso que o Ibict seja uma instituição forte e esteja em sintonia com tais acontecimentos. A passividade institucional deve ser um comportamento do passado, o instituto de hoje e do futuro deve ter um papel pró-ativo”
Hélio Kuramoto é doutor em Ciências da Informação e da Comunicação e coordenador Geral de Pesquisa e Manutenção de Produtos Consolidados do Ibict. Artigo enviado pelo autor ao “JC e-mail”:
Vivemos um momento singular no que se refere à informação cientifica e tecnológica, em geral, e a ciência, em particular. Mudanças profundas estão ocorrendo no mundo, em especial, na forma de se fazer ciência. O cenário mostra o surgimento de diversas iniciativas em direção ao acesso livre ao conhecimento cientifico, à abertura dos dados brutos utilizados pelos pesquisadores em suas pesquisas cientificas e à criação de grids de computadores para armazená-los.
Tais mudanças vêm contribuindo para maior celeridade no desenvolvimento científico, maior acesso e visibilidade aos resultados das pesquisas, dos pesquisadores e das instituições de ensino e pesquisa que aderiram a essas iniciativas. Mais do que simples visibilidade, essas mudanças possibilitam a otimização, governança e transparência nos investimentos em ciência. A convergência de todas essas iniciativas globais é o e-science. O acesso livre á informação científica é a base desse novo modelo.
Em outras palavras, o Ibict deverá assumir, nesse novo contexto, papel importantíssimo a desempenhar junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e à comunidade cientifica brasileira e regional.
É preciso estar atento a essas mudanças para absorver conhecimentos e tecnologias provenientes dessas iniciativas de forma a colocar o país em sintonia e no cenário científico global. É preciso que o Ibict seja uma instituição forte e esteja em sintonia com tais acontecimentos. A passividade institucional deve ser um comportamento do passado, o instituto de hoje e do futuro deve ter um papel pró-ativo.
Assim, considerando esse novo paradigma da ciência, torna-se inevitável a necessidade de capacitação do instituto e do país para o uso e desenvolvimento de ferramentas imprescindíveis ao tratamento, organização e disseminação da informação para construir e consolidar plataforma para suportar esse novo paradigma: o e-science.
É preciso formar competência técnica e cientifica em Ciência da Informação (CI), tanto em nível interno (Ibict) quanto nacional. É bem verdade que o Ibict foi pioneiro ao instituir o programa de pós-graduação nessa área, do qual se criou massa crítica para impulsioná-la em todo o país. E, certamente, é bem mais verdade que o instituto deva catalisá-la face a esse novo paradigma.
É chegado o momento para iniciar um segundo e promissor estágio da CI. É preciso criar uma agenda de pesquisas enfocando os principais temas relacionados à informação como consequência da convergência com as tecnologias da informação e da comunicação. Essa convergência cria grande oportunidade para que países como o Brasil reformule a sua maneira de fazer ciência e propiciar maior autonomia científica.
Ou seja, o Ibict deve ter competência técnica e científica para capturar todos esses sinais de mudanças globais e, para tanto, o Instituto deve:
- Realizar prospecção tecnológica para dotar a nossa comunidade provedora de informação dos mecanismos necessários para construir e manter os estoques de informação e dar suporte ao e-science em nível nacional;
- Articular com todos os segmentos da comunidade cientifica para sensibilizá-la quanto à importância das mudanças científicas globais e criar mecanismos para alinhar a nossa maneira de fazer ciência às iniciativas globais;
- Integrar a nossa comunidade cientifica com a comunidade cientifica internacional;
- Democratizar e socializar o conhecimento científico desenvolvido no país e em outros países, em uma linguagem apropriada, para o conhecimento da sociedade brasileira em geral;
- Promover o registro, geração e disseminação de conhecimentos científicos, transformando o país de mero usuário em gerador e exportador de conhecimentos, e consequentemente a maior registro de patentes;
- Promover e estimular a formação de novos pesquisadores nesse novo contexto científico global.
A integração de todas essas ações deve ter como propósito maior compartilhamento do conhecimento científico e em conseqüência a redução das desigualdades sociais.
Verifica-se, portanto, que os desafios para o Ibict continuam se renovando dia-a-dia e esses desafios exigem que o instituto seja dirigido por pessoas esclarecidas e atualizadas com as mudanças que o mundo nos apresenta.
O Ibict tem muito a contribuir com o progresso e o desenvolvimento científico deste país. No momento, há um comitê de busca que deverá elaborar a lista tríplice que será encaminhada ao ministro Sergio Machado Rezende. Portanto, constitui responsabilidade deste comitê definir nomes capazes de enfrentar os desafios aqui apontados.
Nota do autor: Mais informações poderão ser lidas em meu blog (http://kuramoto.blog.br/), assim como maiores informações a respeito do meu trabalho poderão ser encontradas em meu curriculum vitae na plataforma Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4793276U6. Aqueles que concordarem com as idéias expostas, peço, por gentileza, que assinem a petição que se encontra na url: http://www.ipetitions.com/petition/kuramoto