2. Reunião Regional da SBPC em Oriximiná: Entender a Amazônia a partir de suas cidades
É comum debater a Amazônia a partir de sua natureza, difícil é compreender essa região ao analisar a complexidade de suas cidades, sobretudo as ribeirinhas
Esse foi o eixo da conferência realizada pelo professor José Aldemir de Oliveira, pesquisador coordenador do Núcleo de Estudo e Pesquisa das Cidades Amazônicas Brasileiras da Universidade Federal do Amazonas – Nepecab/UFAM) e atual Secretário de C&T do Amazonas, durante o segundo dia da Reunião Regional da SBPC em Oriximiná.
José Aldermir focou sua análise sobre as cidades amazônicas formadas à beira dos rios e o processo de transformações sociais que permitiu a muitas delas deixarem de ser ribeirinhas e passarem a serem cidades de pequeno, médio ou de grande porte.
Para ele, os rios amazônicos têm grande importância para o mundo científico, mas as pessoas e os aglomerados sociais que se formam às margens desses rios merecem uma atenção maior por parte dos cientistas.
Ele falou sobre como a colonização das cidades da região foi mudando ao longo da história, mostrando através de imagens a feição dessas cidades vistas ao chegar até elas pelos rios.
“Os portos são o grande elo de ligação das cidades amazônicas brasileiras com o resto do mundo e ao chegar nos portos dessas cidades, entre os séculos XVIII e XIX, o que se avistava primeiro eram as torres das igrejas, hoje, na passagem do século XX para o XXI, o que se vê de longe ao atracar nesses portos são as antenas de telefonia, rádio e televisão, o que nos mostra que as cidades da região também vivem esse processo mundial de colonização das telecomunicações.
Aspectos urbanos
José Aldemir abordou três aspectos que caracterizam as cidades amazônicas. O primeiro deles é que existe um acelerado processo de concentração populacional ao longo dos rios amazônicos, o que faz da Amazônia uma “floresta urbanizada”.
Outra questão é que a partir de alguns desses aglomerados, apesar de terem sido elevados à categoria de cidades, não exercem plenamente suas funções citadinas pela ausência de instituições públicas, saneamento básico, serviços de saúde, rede bancária etc.
Mas o aspecto mais frisado pelo pesquisador é a necessidade de um olhar científico e crítico que possibilite rediscutir o papel dessas cidades amazônicas para o país, seja no plano político, social, econômico, cultural etc. “Há uma necessidade de inventar uma lógica e de reconhecer as possibilidades de urbanidades vividas nas cidades amazônicas”, destacou. (Allan Tomaz Cardoso)