13. Laboratório da UEA promete estudos de ponta com fungos da região
Inaugurado início do mês, o Laboratório de Bioorgânica concentrará suas ações no desenvolvimento de pesquisas com biomoléculas e fungos da Amazônia
Já está em pleno funcionamento, em Manaus, o Laboratório de Bioorgânica do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Estadual do Amazonas, (UEA). A inauguração, realizada no último dia 09, contou com a presença de representantes de órgãos ligados à Ciência e Tecnologia no Estado.
Localizado no 4º andar do anexo da Escola Superior de Saúde (Bairro Cachoeirinha, em frente ao Hospital Adriano Jorge), o laboratório é considerado um marco no desenvolvimento de pesquisas com biomoléculas, especialmente com os fungos da região Amazônica. De acordo com o coordenador do Programa de Pós-Graduação, Ademir Castro, a importância dos estudos com fungos, para a região e para o mundo, é inestimável. “Hoje”, diz ele, “é difícil para a ciência mensurar a quantidade de fungos existentes; os cientistas falam em milhões e 70% deles estão bem aqui, na Amazônia”.
Empolgado, Ademir lembra dos chamados fungos endofídicos, que crescem nas folhas das árvores e só são visíveis com equipamentos apropriados - uma clara indicação de que o campo a ser desbravado é, de fato, imenso.
O coordenador também explica que, na visão biotecnológica, os fungos são organismos vivos que, depois de isolados e estudados, podem vir a se tornar matérias-primas de produtos com variadas e importantes aplicações na vida do homem.
No Laboratório de Bioorgânica, alunos e professores têm isolado enzimas de fungos que podem ser aplicadas como biocosmético ou na modificação de propriedades do solo e até na identificação de novas espécies. “Outro dia uma aluna foi acompanhar uma excursão na praia do Tupé (em frente à Manaus) e realizou a coleta de uma espécie ainda não identificada pela ciência”, revela.
Segundo Ademir, alguns importantes trabalhos estão em desenvolvimento, entre eles o isolamento de substâncias de fungos - que não são enzimas, mas podem ser aplicados como inseticidas naturais -, o estudo com biomoléculas de fungos com propriedades antibióticas, ou ainda, a identificação de fungos produtores de proteínas unicelulares aplicadas na diminuição do impacto ambiental de resíduos madeireiros.
Atualmente, o laboratório é utilizado por 20 estudantes do Programa de Pós-Graduação, sendo 15 de Mestrado, quatro oriundos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e um de Doutorado, numa parceria com a Pós-Graduação de Odontologia. Todos são bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas, Fapeam.
Orçado em R$ 79 mil e tendo a montagem custeada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o espaço é equipado para realizar avaliações, crescimento e caracterização de enzimas e biomoléculas.
Quanto ao nível de segurança do laboratório, o coordenador informa que alunos e pesquisadores não trabalham com fungos que atacam o ser humano, mas ainda assim todas as normas de segurança são rigorosamente seguidas. Os testes com bactérias têm sido encaminhados a laboratórios parceiros como o da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação de Medicina Tropical e Faculdade de Medicina. (Elizabeth Cavalcante – Agência Fapeam, 16/6)