O pesquisador da UFRJ Franklin Rumjanek fala sobre o recém-lançado “Estúdio CH”. No programa da CBN, sempre nas segundas pela manhã, ele discute temas ligados à ciência, junto com o jornalista e radialista Sidney Rezende
Cientista do Nosso Estado, Franklin David Rumjanek tomou gosto definitivamente pelas ondas do rádio. À frente do projeto "Estúdio CH", podcast (arquivos digitais de aúdio disponibilizados na internet) que estreou em 15 de janeiro, hospedado no site da Ciência Hoje, desde a última segunda-feira, dia 31 de março, o pesquisador da UFRJ e o jornalista Sidney Rezende fazem uma dobradinha no recém-lançado "Ciência e saúde".
No boletim, que vai ao ar todas as segundas-feiras, em sets de 5 minutos, após o "Repórter CBN" das 11h, sociologia, ciência, antropologia, tecnologia e inovação são as estrelas. Mas Rumjanek afirma que "não há limites" para os temas. Na estréia na rádio o assunto foi raça.
"Queria discutir se ainda é válida esta antiga noção", disse Rumjanek, por telefone. O pesquisador, que assina a direção científica da atração da CBN, foi selecionado no ano passado pela Faperj por meio do edital Difusão e Popularização da Ciência, que financia o projeto "Estúdio CH", em parceria com o Instituto Ciência Hoje.
Professor do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, Rumjanek é especialista nas áreas de bioquímica, biologia molecular, genética e desenvolve projetos sobre regulação gênica em Schistosoma mansoni e mapeamento de mutações em câncer de mama e de pulmão.
Leia entrevista com Rumjanek:
- O senhor ganhou apoio do edital Difusão e Popularização da Ciência. Qual o objetivo de seu projeto "Estúdio CH"?
Sabemos que a sociedade está muito interessada em ciência, principalmente, sobre os temas mais polêmicos. Senti que o momento era propício e como o edital permitiu, aproveitei a oportunidade. O podcast fica hospedado durante 15 dias no site da Ciência Hoje. Já gravamos cinco programas.
- Como surgiram a idéia do programa no site e no rádio?
Acho que o áudio ainda é pouco explorado e nem por isso menos informativo. Ademais a produção de um programa de áudio, usando computadores para a recepção é bem mais barata do que vídeo. Como temos muitos assuntos para discutir e também muitos cientistas trabalhando em diversas áreas do conhecimento, o "Estúdio CH" preenche um espaço interessante. Já o programa de rádio foi uma iniciativa da nossa assessoria de comunicação. Ela procurou a CBN, gravamos uns pilotos e eles gostaram do formato.
- As últimas descobertas genéticas e previsões sobre o futuro do clima no planeta impulsionaram a criação dessas atrações?
Não só esses temas, mas muitos outros que estão constantemente na mídia. O progresso da ciência é muito rápido e, às vezes, a sociedade não consegue acompanhar esse ritmo. A idéia foi, então, suprir a informação com uma linguagem simples e informal, além de permitir a participação do ouvinte, no caso do podcast, também por meio de correspondência via e-mail.
- Que assuntos serão privilegiados?
Em princípio, qualquer assunto, desde que interessante, será contemplado. Como sugestões temos violência, herança de comportamento, aquecimento global, alimentos transgênicos, antropologia, células-tronco, lingüística, raças, biodireito e assim por diante. Não há limites.
- Como são organizadas as pautas do podcast?
Meu papel é de direção científica. Desse modo, proponho sugestões para a equipe e debatemos sua adequação ao momento. Depois é só buscar especialistas na área e agendamos, então, a gravação.
- Quais os próximos temas na internet e no rádio?
Teremos apresentações já gravadas sobre cosmologia e neuroética. Em seguida, será a vez da antropologia e a questão das raças. Já na rádio, na próxima segunda-feira, poderemos debater câncer ou homeopatia, que de científica, não tem nada. Funciona como pajelança.
- Como está sendo a repercussão junto ao público do "Estúdio CH"?
Já tivemos algum retorno. A maioria gostou, o que nos incentiva bastante. Outros acharam as gravações um pouco longas demais. No momento, a maioria das gravações dura cerca de 20 minutos. Mas se o tema é de fato interessante, não acho que deva haver um limite de tempo. (Roni Filgueiras) (Boletim da Faperj, nº 182)