17. Projeto leva Física de Partículas ao Ensino Médio
Cartazes vão para todas as 24.131 escolas do país
O conhecimento sobre a estrutura da matéria que aprendemos no ensino médio reflete a física que chegou até os anos 30 do século XX. Apesar de sua importância para todo o avanço tecnológico que alcançamos, as partículas elementares descobertas nas décadas seguintes, que pertencem a um mundo muitíssimo menor que o da nanotecnologia, raramente são ensinada nas escolas.
Levar a todas as 24.131 escolas públicas e particulares brasileiras de ensino médio os principais conceitos estabelecidos no século XX sobre a estrutura da matéria é o objetivo do projeto "Estrutura Elementar da Matéria: Um Cartaz em Cada Escola", que o Centro Regional de Análise de São Paulo (Sprace) lançou nesta quinta-feira, em SP, na sede do Instituto de Física Teórica da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
Cada escola receberá, na próxima semana, duas cópias do cartaz com o conhecimento produzido no século XX sobre a estrutura da matéria, sua relação com as forças da natureza, como as eletromagnética e gravitacional, e a escala de grandeza dessas partículas.
“Há uma defasagem de 70 a 100 anos entre essas descobertas da Física e o que os alunos aprendem no Ensino Médio. Houve uma evolução muito grande no século 20 que levou a uma visão muito mais minuciosa do que seria a estrutura da matéria”, explica Sérgio Novaes, coordenador do projeto e professor do IFT.
As escolas também receberão 25 mil folhetos explicativos com informações necessárias aos professores para que possam responder às questões levantadas pelos alunos.
O cartaz também será distribuído a todos os institutos de física das instituições federais de educação superior e a diversos órgãos ligados a educação, ciência e tecnologia, e divulgação científica.
“Com o apoio dos Correios, os cartazes chegarão até mesmo, por exemplo, às escolas da Reserva Indígena Poyanawa (AC), ao arquipélago de Fernando de Noronha (PE), Escola Estadual Joaquim Nabuco, no Oiapoque (AP), e Escola Estadual Mal. Soares de Andréa, Chuí (RS)”, ressaltou o coordenador.
Além do professor Novaes, estiveram presentes ao evento Gil da Costa Marques, coordenador da Coordenadoria de de Tecnologia da Informação do IF-USP, Eduardo Gregores, pró-reitor de pós-graduação da Universidade Federal do ABC (UFABC), Rogerio Rosenfeld, vice-diretor do IFT-Unesp, Sandra Padula, docente do IFT e integrante da equipe de implantação e acompanhamento do projeto.
Despertar a curiosidade científica nos jovens estudantes é uma das funções do projeto, segundo Novaes. Paralelamente à distribuição dos cartazes, o Centro elaborou um site (http://www.sprace.org.br/eem/) com informações e explicações das partículas elementares.
“Para aguçar os jovens, os cartazes trazem palavras e conceitos que eles não compreenderão de imediato. Queremos, assim, que eles perguntem a seus professores e pesquisem o tema”, disse.
Para responder a essas dúvidas, o site disponibiliza um fórum de discussão, moderado por profissionais da área, permitindo aos estudantes e professores secundários trocar idéias a respeito do material contido no cartaz e no site.
Uma outra ferramenta que o projeto disponibiliza às escolas é o sistema de videoconferência EVO (Enabling Virtual Organizations), que permite a realização de palestras. O projeto tem apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq ) e da UFABC.
Exemplos internacionais - Iniciativa semelhante à do Sprace foi realizada nos Estados Unidos, na França e no Canadá.
Nos EUA, o Contemporary Physics Education Project (CPEP) distribuiu, nos últimos dez anos, mais de 200 mil cópias do cartaz descrevendo as partículas elementares e suas interações; na França, em 2005 (Ano Mundial da Física), 20 mil cópias de um cartaz sobre o conhecimento da estrutura íntima da matéria foram distribuídas a 3.600 escolas de ensino médio; no Canadá, seis mil cartazes sobre o tema, em inglês e francês, também chegaram às escolas de ensino médio.
Com o intuito de tentar induzir projeto semelhante em outros países de língua portuguesa, o cartaz do Sprace foi enviado ao Ministério da Educação de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. (Assessoria de Comunicação da Unesp)