Para educadores, disciplinas desconectadas do cotidiano, docentes desmotivados e reprovações são algumas das causas
Para Rubem Alves, reverter o quadro de alunos desestimulados passa por mudanças "da cabeça e do coração do professor"
Disciplinas desconectadas do cotidiano dos jovens, escolas sem a participação dos alunos nas decisões do dia-a-dia, professores desestimulados e avaliações que terminam em reprovação, desmotivando o estudante após sucessivos fracassos.
Esses são alguns fatores apontados por educadores e psicólogos ouvidos pela “Folha de SP” para tentar mapear os motivos de a escola ter se tornado chata.
"A escola não tem nada a ver com a vida dos jovens da periferia, por exemplo. Eles acabam não tendo prazer em aprender", diz o educador Rubem Alves, colunista da “Folha de SP”.
Ele ressalta que a escola é chata porque não faz sentido para a vida do jovem. Alves diz acreditar que reverter esse quadro passa por mudanças "da cabeça e do coração do professor".
"A aprendizagem pode ser feita de maneira diferente. Torná-la mais atraente é, inclusive, um bem para o próprio professor", completa.
Para a pesquisadora Benigna Villas Boas, professora de pós-graduação em educação da UnB, o jovem se desinteressa pela escola quando percebe que é excluído das decisões.
"Por que a escola tem de funcionar como funciona há décadas? Por que não dar ao aluno a oportunidade de progredir conforme seu aprendizado? A escola pode mudar e não existe lei que impeça isso. Resta saber se os professores estão preparados", afirma Villas Boas.
De acordo com a pesquisadora, uma nova forma de avaliação dos estudantes, que valorize aprendizagem e não simplesmente a nota obtida na prova, é um dos pontos que podem ajudar.
Para Maria Antônia Goulart, coordenadora do programa Bairro Escola do município de Nova Iguaçu, RJ, o agravante é que, muitas vezes, os professores colocam a culpa pelo fracasso no aluno ou na família. (Folha de SP, 7/1)