Pesquisadores fazem recomendações para melhorar a produção da mandioca no país
Como fruto do Congresso Internacional de Melhoramento, Biotecnologia e Ecologia da Mandioca, realizado de 11 a 15 de novembro em Brasília, foi constituída uma comissão para elaborar recomendações de como melhorar a produção da mandioca no Brasil
Leia abaixo as recomendações propostas à ministra Marina Silva, por Nagib Nassar, professor da UnB, e Paulo Kajeyama, diretor geral da biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente:
“Recomendações para melhorar a produção da mandioca no Brasil
1. A mandioca é a cultura alimentícia mais barata e a mais disponível para as camadas mais pobres da população brasileira. Ela é a cultura mais adaptada às condições adversas de solo e clima e a de maior eficiência na transformação da energia solar em amido e matéria seca. Essas condições desafiam-nos a seguir estratégias possíveis que conduzam-na à expansão de sua produção.
2. O aproveitamento da biodiversidade brasileira da mandioca vem demonstrando cada vez mais seu potencial de melhoramento. O aproveitamento de espécies resistentes às doenças no passado contribuiu significantemente para salvar da fome de nações inteiras, como aconteceu na Tanzânia na década de 1930 e na Nigéria, mais recente, nas décadas 1980 e 1990. É importante lembrar que são de espécies silvestres e híbridos brasileiros desenvolvidos na Universidade de Brasília que originaram as variedades plantadas hoje em mais de quatro milhões de hectares da Nigéria e que possibilitou inclusive o seu plantio em regiões nunca aptas para essa ou outras culturas.
3. A alta produtividade da mandioca na Índia que é 28 toneladas por hectare - comparada à média nacional de 14 toneladas por hectare é um indicativo de que o Brasil ainda têm grandes desafios a vencer para essa cultura, tão importante para a alimentação de parcela significativa da população brasileira.
4. Mecanismos de incentivo de crédito rural adequado e assistência técnica para ampla parcela dos pequenos agricultores e o fortalecimento do associativis-mo em todas as regiões do país que cultivam a cultura precisam ser amplificados. É preciso ainda criar quadro de pesquisadores especializados na cultura por meio de maior investimento do CNPq e da Capes. Há necessidade de se incluir, com destaque, o melhoramento da cultura nos cursos de pós-graduação nas universidades brasileiras e destinando os recursos necessários para cumprir essa finalidade.
5. Por outro lado, é necessário que as coleções vivas de espécies silvestres da mandioca e os programas de pesquisa que contam com o aproveitamento de seus genes sejam fortalecidos e apoiados, como exemplo de centros de estudo da mandioca existentes em universidades brasileiras como da UnB e Esalq/ USP, bem como em órgãos de pesquisa como o IAC/Campinas e a Embrapa/ Acre e Cruz das Almas/BA. Mecanismos de financiamento de órgãos de fomento poderão ser viabilizados para esse objetivo. Acreditamos que as empresas dessa importante cadeia produtiva, também serão potenciais colaboradoras das pesquisas caso tenham suas compensações fiscais.
6. O Projeto de Lei nº 4.679/2001 que tramita no Congresso Nacional “Que dispõe sobre a obrigatoriedade de adição de farinha de mandioca refinada, de farinha de raspa de mandioca ou de fécula de mandioca à farinha de trigo” poderá ser um instrumento muito importante para o incentivo dessa cultura. O referido PL deve receber todos os apoios possíveis das Instituições e Órgãos Governamentais, com o objetivo de viabilizá-lo. Além de atender os interesses da maioria da população brasileira, a adição da mandioca ao trigo reduzirá a importação deste e beneficiará de forma significativa a nossa Balança Comercial.
7. O plano de adicionar mandioca à farinha de trigo traz à tona, também, uma meta que é o fornecimento ao país de uma variedade mais rica em proteína para compensar o baixo teor protéico na mistura da farinha de trigo com a mandioca. Assim surge a importância de aproveitamento do híbrido desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Brasília, denominado de ICB 300, que possui o dobro de conteúdo protéico, além de elevada produtividade.
8. Por fim, permanece o maior desafio que é a integração de todos os segmentos envolvidos, dos setores público, privado e sociedade numa entidade que se preocupa sobre o melhoramento da mandioca no Brasil com objetivo principal de acabar com o fome no pais.”