Reunião Regional da SBPC em Palmas: Programa Acelera Amazônia é importante, mas não é suficiente
As soluções mais profundas, amplas e abrangentes virão do esforço e da mobilização das comunidades universitárias e científicas da própria Amazônia e dos estados que a integram, destaca o presidente da SBPC
José Monserrat Filho escreve de Palmas para o “JC e-mail”:
A mesa sobre “Ciência na Amazônia para o Brasil: Acelera Amazônia”, realizada nesta terça-feira à tarde como parte da I Reunião Regional da SBPC, no campus da Universidade Federal do Tocantins (UFT), abordou os principais aspectos da necessidade de doutores na região amazônica para o desenvolvimento científico e tecnológico da região.
Participaram o pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da UFT, Márcio da Silveira, e o presidente da SBPC, Ennio Candotti. Não pôde comparecer o representante da Capes, José F. Lima.
Segundo Márcio da Silveira, a região amazônica tem só 3 mil doutores fazendo pesquisa. Este é um número irrisório diante da extensão, da riqueza, da importância e do caráter estratégico da região, integrada por nove estados brasileiros e ocupando 60% do território nacional.
O pró-reitor frisou que o Programa Acelera Amazônia busca triplicar o número de doutores até 2010. Essa meta será atingida com a criação de novos cursos de pós-graduação, especialmente de doutorado, e com a formação e a fixação de mestres e doutores em todos os estados do Norte do país.
Ele também enfatizou a necessidade de maior “interação e mobilidade entre grupos de pesquisas consolidados e grupos emergentes de instituições diferentes”. A parceria com Universidades do Sudeste é visa como interação indispensável.
A seu ver, o Brasil precisa conquistar a “soberania científica” para a região, o que é de interesse vital não só para os habitantes da Amazônia, mas também de todo o país.
O Acelera Amazônia surgiu das discussões do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), em 2004, que identificaram os grandes desequilíbrios regionais.
Márcio da Silveira lembrou que o projeto, aprovado e implementado pela Capes, conta hoje com apoio do Ministério de C&T, da Finep e de outras instituições.
O objetivo do Acelera Amazônia é fazer com que o número de programas de pós-graduação passe dos 68 de hoje para 204 até 2010. Para tanto, há o orçamento de R$ 400 milhões.
Isso implica necessariamente identificar áreas estratégicas, tarefa que seria melhor realizada se fosse criada a Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins, um anseio que começa a se ganhar apoio cada vez maior da comunidade universitária e científica tocantinense, como ficou patente nesta I Reunião Regional da SBPC em Palmas.
Ennio Candotti reconheceu a grande importância do Acelera Amazônia, mas fez questão de salientar que ele ainda não responde as imensas demandas e necessidades da região.
A preocupação fundamental, a seu ver, deve ser a formação de doutores e especialistas na própria região.
Ele concorda com a idéia de importar pesquisadores de outros estados e entende que estes pesquisadores podem, sem dúvida, prestar inestimáveis serviços ao desenvolvimento da Amazônia. Ainda assim, ressalta, o essencial é o esforço local, mobilizando as populações locais em toda a sua potencialidade.
Candotti argumentou demoradamente em defesa de sua tese: “Tudo deve ser pensado a partir da própria Amazônia”. O que precisa ser entendido como esforço geral na região como um todo, e esforço e mobilização particular em cada estado.
A seu ver, as soluções mais profundas, amplas e abrangentes virão do esforço e da intensa mobilização das comunidades universitárias e científicas da própria Amazônia e dos estados que a integram.
Aqui, o presidente da SBPC reiterou: uma das conquistas que os estudantes, professores e pesquisadores tocantinenses devem se propor sem mais demora é a criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado, que poderá representar um passo da maior relevância para se promoverem novos avanços no desenvolvimento da C&T no Tocantins.