Perfil de um congresso e de uma ministra, artigo de Nagib Nassar
O que mais contribuiu para o sucesso foi a parceria entre a UnB e o Ministério do Meio Ambiente, que sempre acreditou que uma fonte mais barata para alimentação dos pobres tem que ser melhorada, e quanto mais melhorada mais conseguimos acabar com a fome
Nagib Nassar é pesquisador da UnB e foi organizador do 1º Congresso Brasileiro de Melhoramento, Biotecnologia e Ecologia da Mandioca, realizado em Brasília entre os dias 11 e 15 de novembro. Artigo enviado pelo autor ao “JC e-mail”:
Foi impressionante para os participantes do congresso [1º Congresso Brasileiro de Melhoramento, Biotecnologia e Ecologia da Mandioca] essa honra de ver seus homenageados receber suas medalhas da mão da senhora ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Também foi muito bom para UnB, que foi citada várias vezes pela senhora ministra em sua fala.
O congresso alcançou grande sucesso que não imaginei. Foram 300 participantes de 28 paises (o dobro do que esperei e três vezes mais que qualquer congresso sobre a mandioca). Foram ainda 12 palestras no plenário, cobrindo áreas de melhoramento em biotecnologia e ecologia, e 102 apresentações curtas no livro do congresso.
Em sua fala, na abertura do congresso, a senhora ministra emocionou os participantes e fez com que eles não parassem de aplaudir quando enfatizou que há varias maneiras de ajudar os pobres. Ela citou como exemplo o paquistanês Younis, que foi premiado pelo Nobel esse ano. Seu trabalho tratou com bancos destinados a apoiar os pobres por pequenos empréstimos. Ele alcançou grandes e influentes resultados neste sentido.
O organizador do congresso apresentou para os congressistas o perfil de um cientista que dedicou toda sua vida a beneficiar os pobres, através do desenvolvimento de variedades resistentes à doença do mosaico, que invade suas plantas e as torna inúteis para produção.
Seu grande sucesso fez com que mais de 4 milhões de hectares (metade de toda mandioca neste planeta) fossem plantados por suas variedades. Impressiona ainda mais que a matéria genética usada por ele tenha vindo do Brasil, da Universidade de Brasília, e do programa deste organizador do evento.
O outro perfil dos homenageados é do Centro de Pesquisa da Mandioca da Índia (CTCRI), que triplicou produtividade da mandioca no país durante 25 anos. Seu trabalho foi e continua exemplar em dedicação e inovação. Graças a seu trabalho, a produtividade pulou de nove toneladas, no inicio da década de 70, para 28 toneladas em 2004.
O organizador agradeceu os institutos brasileiros que muito fizeram para o desenvolvimento da pesquisa no Brasil -- o CNPq e a Capes, inclusive com a criação de um quadro invejável de cientistas e programas de pesquisa.
O que mais contribuiu para o sucesso foi a parceria entre a UnB e o Ministério do Meio Ambiente, que sempre acreditou que uma fonte mais barata para alimentação dos pobres tem que ser melhorada, e quanto mais melhorada mais conseguimos acabar com a fome.
Foi criada ainda a Sociedade Internacional de Melhoramento, Biotecnologia e Ecologia. Os participantes resolveram que o próximo congresso será em Brasília, em novembro de 2008.
Eles resolveram criar um jornal online para publicar trabalhos dos membros da sociedade e adotaram o jornal criado em 2001 para essa finalidade (http://www.geneconserve.pro.br).
A próxima reunião em 2008 servirá como uma oportunidade para projetar novos resultados e elaborar novos projetos.
A partir das palestras e curtas comunicações será publicado o Proceedings (anuário) e distribuído em breve.
Na África e Ásia as notícias do congresso foram bem recebidas por aqueles que não puderam vir e enviaram mensagens de apreço. Mais uma vez muito obrigado pelo apoio de todos os que colaboraram.