À procura de parâmetros e critérios para o desenvolvimento acadêmico, artigo de Nagib Nassar
Com números absolutos dá para entender que foram grandes as mudanças ocorridas na Universidade, mas com o uso de índices pode revelar resultados menos significantes e pouco expressivos
Nagib Nassar é professor titular de Genética da UnB. Artigo publicado no “JC e-mail”:
Refiro-me ao artigo do reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, publicado na Folha de SP, na semana passada, sobre os investimentos na Universidade.
Medir com precisão o desenvolvimento e crescimento da Universidade é um dos estudos que recebe interesse de especialistas na área de gestão de conhecimentos.
Investir nesta área traz rendimentos, mas há problema de como medi-lo. O tamanho do recurso financeiro utilizado não expressa necessariamente o grau de desenvolvimento desejado.
Os números apresentados pelo reitor José Tadeu Jorge sobre investimentos na Unicamp devem ser traduzidos aos índices usados nesta área para entender quais foram os crescimentos alcançados.
No entanto, para se entender a quanto os investimentos correspondem nacionalmente e internacionalmente, os mesmos devem ser traduzidos por índices. Os números absolutos entre si expressam muito pouco.
Por exemplo, o número de professores em toda a Universidade não é parâmetro válido, mas sim o número de professores em relação aos alunos, ou seja, se um para oito, um para dezesseis e assim por diante.
Desta forma fica fácil comparar uma Universidade em relação a outras, no Brasil ou no exterior, em termos de qualidade de transferência de conhecimentos, de vivência e de interação alunos versus professores.
A mesma coisa se aplica à produção cientifica dos docentes em revistas renomadas, referenciadas com reconhecido corpo editorial. É importante saber qual é o índice de produção científica por professor na Universidade.
Isto é o que deve ser informado. Por exemplo: se são duas, quatro, oito ou mais publicações por ano por cada docente.
O mais significante, ainda, é verificar como ficou a curva de publicação nos últimos anos. Sabemos que a Unicamp foi líder nesta área nos anos passados. Será que a sua liderança continua mantida?
Julgando-se pelo índice de publicações, ele aumentou ou diminuiu? Isto só é possível ser conhecido através da projeção da curva de publicações durante um certo período.
Devem-se também aplicar índices, e não números absolutos, quanto aos gastos anuais com relação ao ensino.
O importante é informar quanto foi gasto com cada aluno e não sobre todos os alunos, pois se o número de alunos aumentou de um ano para outro, isto significa que cada aluno recebeu o mesmo investimento dos anos passados.
Portanto, nada aumentou. Os gastos podem ser grandes, mas o número dos alunos beneficiados pode ser ainda muito maior. Os números por si só pouco explicam e pouco informam.
Precisa-se, além disso, em termos acadêmicos e de transferência de conhecimentos, saber como ficou a estrutura da pirâmide dos docentes nos departamentos.
Ou seja, se a Universidade possui um professor titular para cada quatro professores assistentes, se um para oito ou mais.
Isto é imprescindível conhecer, pois mostra quantos foram os cérebros distintos mantidos. São esses professores titulares que fazem o pensamento, a fama da Universidade e que criam novas escolas e idéias.
Com números absolutos dá para entender que foram grandes as mudanças ocorridas na Universidade, mas com os usos de índices mencionados acima, eles podem revelar resultados menos significantes e pouco expressivos.