Professor da Universidade Federal do Acre comenta sobre desemprego de doutores no país
Acontece que ninguém, ou a grande maioria, não quer sair do "bem desenvolvido sul" do país
Leia mensagem de Rogerio Sartori, professor da Universidade Federal do Acre:
‘Fico cada vez mais perplexo com as reclamações sobre a falta de empregos de doutores neste país... Não porque não haja empregos para doutores, mas porque eles simplesmente não sabem procurar empregos!
Tomem meu caso como exemplo: sou paranense, me graduei em química pela Universidade Estadual de Maringá, fiz mestrado e doutorado em físico-química pela USP de São Carlos, e hoje sou professor efetivo de uma universidade federal.
Só tem um porém, achei essa vaga aqui em Rio Branco, capital do Acre, um lugar isolado pelos brasileiros, muitos desses doutores nem sabem localizar esse estado no mapa brasileiro.
Acontece que ninguém, ou a grande maioria, não quer sair do "bem desenvolvido sul" do país (sul no contexto de "qualquer lugar abaixo do Acre").
No concurso público que realizei para ingressar na Universidade Federal do Acre, havia apenas quatro candidatos para as duas vagas requeridas. Os demais eram mestres, sendo eu o único doutor concorrente.
Ainda este ano ocorrerão novas contratações de professores efetivos nesta instituição. São ao todo, 91 vagas para professores, 30 delas direcionadas ao novo campus da cidade de Cruzeiro do Sul.
Então, me desculpem vocês, doutores desempregados, mas a despeito da especialização que seus títulos lhes concederam, vocês não aprenderam a procurar emprego. Saiam de baixo da "asa da galinha do sul", façam um esforço merecedor de seu grau de doutor e parem de esmolar vagas aí "em baixo".’