Só Deus sabe qual será o tamanho da catástrofe!, artigo de Nagib Nassar
Com apenas um toque de caneta a CTNBio liberou mais do que lhe foi requisitado e antecipou pedidos que sequer foram feitos!
Nagib Nassar é professor titular de Genética da UnB (http://www.geneconserve.pro.br). Artigo enviado pelo autor ao “JC e-mail”:
A CTNBio (Comissão Técnica de Biosseguranca) aprovou o pedido de importação de milho argentino feito pela Avipe, Associação Avícola de Pernambuco.
Em seu parecer, a comissão também autorizou a importação do milho resistente a herbicida NK603, que não constava do pedido original!
O mesmo parecer (técnico) ainda aprovou futuras solicitações da mesma natureza, que envolvem transformações moleculares semelhantes, sem a necessidade de nova avaliação por parte da CTNBio. Isto é, com apenas um toque de caneta a CTNBio liberou mais do que lhe foi requisitado e antecipou pedidos que sequer foram feitos!
Para que isso? Será que a comissão foi instalada para isso? Será essa a sua missão? Ou seja, aprovar cultivos transgênicos sem fazer experimentos no solo brasileiro e sob condições brasileiras, como determina a constituição?
Qual é o objetivo da criação dessa comissão, como definida pela legislação brasileira? Quem se beneficia dessas decisões?
A ‘Folha de SP’ constatou que alguns mercados importadores da carne brasileira, particularmente a comunidade européia, pode rejeitar o frango alimentado com milho transgênico vindo da Argentina, mas, continua a reportagem da Folha, para resolver esse entrave, algumas empresas devem utilizar o milho nacional (não transgênico), na produção do frango para importação, e o importado da Argentina (transgênico) para o frango que será destinado ao consumo interno.
Sobre saúde de cidadãos brasileiros, nem se fala!
Tudo isso nos leva a perguntar mais uma vez, qual é o principal beneficiário da decisão dessa comissão, que dizem ser técnica?
Qual a experimentação técnica e o exame necessário que foi feito por essa comissão para segurança humana? A constituição brasileira e a lógica cientifica exigem que experimentos sejam feitos no solo brasileiro e sob condições brasileiras, inclusive alimentando animais e avaliando os resultados. Nada disso foi feito!
Todas as evidências levam a crer que a importação do milho argentino não é mais do que uma tentativa de se contaminar a produção local e criar um novo fato consumado para entrada de transgênicos, exatamente como aconteceu com a soja.
Se a mencionada decisão da CTNBio for executada, isto significa que o Brasil aprovou automaticamente a entrada do famoso milho 863, que ocasionou anormalidade em órgãos internos de ratos.
Essa variedade é permitida para o plantio na Argentina e nada impede que seus grãos sejam incluídos nas importações brasileiras. Chegando ao Brasil, será muito fácil contaminar o milho nacional, que é uma planta alogama com alta taxa de polinização cruzada, repetindo o mesmo fenômeno que aconteceu no México.
Não só isso, mas essa variedade entrará na cadeia alimentícia e alcançará facilmente o povo brasileiro. Só Deus sabe qual será o tamanho da catástrofe.