A tuberculose alcançou dimensões alarmantes na África, segundo um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS). O estudo foi divulgado ontem, véspera do dia mundial de luta contra a doença
Como em outras partes do mundo, a tuberculose se espalhou com mais velocidade na África devido à infecção combinada com o vírus da Aids, o HIV.
O número de casos de tuberculose tem aumentado cerca de 4% ao ano na África. Porém, no restante do mundo o ritmo de progressão da doença vem sendo reduzido. O Brasil ainda figura na lista dos países mais afetados pela tuberculose e está entre as 22 nações com maior número de casos, com 92.472 registros.
Doença mata quase dois milhões por ano
A OMS estima que em 2003, data das estatísticas mais recentes, aconteceram 8,8 milhões de novos casos de tuberculose no mundo. Na África, foram registrados 2,3 milhões de casos novos.
A maioria das vítimas da tuberculose, uma doença curável que se espalha através do contato com secreções de pacientes, vive nos países em desenvolvimento. De acordo com a OMS, 1,7 milhão de pessoas morreram da doença em 2003.
’A taxa de infecção triplicou em alguns países africanos desde 1990 e se tornou fora de controle. Precisamos enfrentar o fato de que há um imenso trabalho a fazer para deter a disseminação da tuberculose na África, o continente mais afetado pela Aids’, disse o diretor-geral da OMS, Lee Jong-wook.
Aproximadamente um terço das mortes na África ocorre em lugares onde a Aids é prevalente e os serviços de saúde são mais precários.
Hoje, a tuberculose é a principal causa de morte de pessoas contaminadas pelo HIV. Os países mais afetados são Nigéria, Etiópia, África do Sul e Quênia.
Índia e China, os dois países mais populosos do mundo, também estão entre as preocupações da OMS. A Índia registrou 1,8 milhão de novos casos e a China, 1,3 milhão.
Porém, segundo a OMS, a tuberculose tem se disseminado cada vez mais devagar nesses países. O mesmo ocorre em Indonésia e Filipinas.
Os Médicos Sem Fronteira lançaram uma campanha pelo desenvolvimento de um teste de detecção mais simples e rápido, que possa ser usado nos países pobres. (O Globo, 24/3)