Cientistas da Uenf comemoram liberação de pesquisas com células-tronco
Seguindo tendência de todo o Brasil, a porção da comunidade científica da Uenf ligada a pesquisas na área de biotecnologia comemora a aprovação das pesquisas com células-tronco originárias de embriões humanos
‘Do ponto de vista dos benefícios, não há o que questionar’, aponta o pesquisador Gonçalo Apolinário de Souza Filho, coordenador do Núcleo de Análise Genômica da Uenf.
A questão ética foi toda cercada, e a comunidade científica convenceu a Câmara dos Deputados de forma majoritária’, completa o professor Messias Gonzaga Pereira, chefe do Laboratório de Melhoramento Genético Vegetal da Universidade.
Células-tronco embrionárias têm a potencialidade de originar os diferentes tecidos e órgãos do corpo humano e são apontadas como a vertente mais promissora da medicina para a cura de doenças como diabetes, certos tipos de câncer e para a remediação de males causados por acidentes, como as lesões na medula que causam paralisia.
A liberação das pesquisas que têm em vista todos estes benefícios vinha sendo contida por restrições de ordem ética ligadas à manipulação e ao descarte de embriões humanos.
Por 366 votos a favor e 59 contra, com três abstenções, a Câmara aprovou a permissão para experiências com células-tronco de embriões congelados há pelo menos três anos.
O professor Reginaldo Fontes, do Setor de Reprodução Animal do Laboratório de Melhoramento Genético Animal da Uenf, diz que como pesquisador considera a aprovação da lei um avanço considerável.
‘Ela abre um caminho muito grande para pesquisas básicas e aplicadas, que poderão levar a formas de terapia celular. Ainda teremos que esperar algum tempo até que essas novas tecnologias funcionem, mas já é um avanço muito grande’.
Ele observa que, até hoje, era incerto o destino dos embriões excedentes de tratamentos de fertilização in vitro. Agora, já é possível pensar na formação de um banco de embriões resultantes desses excedentes para pesquisas e terapias celulares.
Gonçalo Apolinário lembra que, segundo os cientistas mais ligados ao tema, existem hoje cerca de três mil embriões congelados no Brasil.
‘Todas as questões éticas já foram levadas a termo. As crianças que iriam nascer já nasceram, e estes embriões, que permaneceram congelados, um dia seriam descartados. Sendo assim, por que não utilizá-los para salvar vidas?’, diz o pesquisador.
Ele acrescenta que o Brasil vem tendo grandes avanços nesta área e que o impasse em torno do uso das células-tronco embrionárias vinha atravancando as pesquisas.
‘Essa é a área mais quente da ciência hoje, e o Brasil agora finalmente vai poder deslanchar’.
‘Fiquei extremamente satisfeita, porque estava torcendo muito por isso’, afirma Marília Amorim Berbert de Molina, do Laboratório de Biotecnologia (LBT).
‘Diretamente na minha atividade não haverá impacto, mas como pesquisadora e cidadã vejo como um grande passo.’
Para Marília, essa discussão só se arrastou por três anos porque os brasileiros não estavam culturalmente preparados para esta decisão. (Assessoria de comunicação da Uenf)