Pesquisador lamenta saída de Clayton Campanhola da Embrapa
Um belo sonho se desmanchou...
Mensagem de Nagib Nassar, professor titular de Genética da UnB (http://www.geneconserve.pro.br):
Um belo sonho se desmanchou... O sonho de ter a pesquisa agropecuária voltada ao interesse da nação e da massa popular... O sonho acabou com a demissão, nesta sexta-feira, de Clayton Campanhola, presidente da Embrapa.
Muitas são as obras de Clayton a frente da Embrapa, durante os dois anos de sua administração.
Certamente as mais destacadas são: a reorganização de centros de pesquisas, a firmeza contra o uso dos transgênicos, sem a experimentação suficiente sob as condições do Brasil, e a aproximação com os países pobres da África, apresentando-lhes a experiência brasileira e ganhando o seu amplo mercado para os produtos do nosso país.
Foi Clayton quem, pela primeira vez, introduziu na Embrapa um novo conceito de administração dos centros de pesquisa. Por essa modalidade foi descartado o antigo perfil de chefes dos centros que normalmente eram nomeados pela pressão política. Foram realizados concursos públicos conduzidos por uma empresa neutra e profissional.
A sua atitude firme, honesta e científica da necessidade de experimentar, sob as condições do Brasil e em longo prazo, os transgênicos produzidos pelas multinacionais, rendeu-lhe a admiração de muitos patriotas, mas provocou inimizade das gigantes multinacionais e dos políticos influentes.
Enquanto outros criaram centros avançados da Embrapa em Washington e Paris, Clayton criou centros em Angola e Moçambique. Dizem sobre esses centros, instalados luxuosamente em grandes capitais, que são... radares! Como se não houvesse a internet, nem meios de comunicação neste mundo!
Esses centros avançados situados em luxuosas capitais não servem pra nada a não ser para passeios e turismo de sortudos funcionários, e quem paga por isso, claro, somos nós!
Já os centros, no leste e oeste da África, servem para transferir tecnologia brasileira e aproximar o nosso produto aquelas partes pobres do continente.
Adeus nosso sonho bonito... A semente que o plantou dormirá um pouco, mas não morrerá.