Recurso da Lei de Informática gera computador mais barato com tecnologia cearense
Graças aos cerca de R$ 4 milhões aplicados mediante a Lei de Informática, foram criados laboratórios de software e hardware no estado
Flamínio Araripe escreve do Ceará para o JC e-mail:
O diretor de pesquisa e desenvolvimento da Solectron, José Fernando Vaz Miranda, conta que teve uma “surpresa agradável” com os resultados de ter aplicado nos últimos dois anos cerca de R$ 4 milhões pela Lei de Informática no Ceará.
Os recursos foram destinados para a criação de um laboratório de software com o Instituto Atlântico e um laboratório de hardware com a UFC.
“A eles devemos o sucesso do PC Multiusuário, sistema computacional baseado em software livre que, segundo ele, irá auxiliar de forma significativa as ações de inclusão digital no Brasil, começando por Fortaleza” - atribuiu.
“Lembro-me bem da decisão que tomamos no fim de 2002, a de fazer uma parceria com estes dos centros de competência no Ceará. Para nós, naquele momento, foi apenas uma ação pontual, alinhada com a obrigação legal de aplicar verba de P&D no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, devido ao nosso desconhecimento das capacidades técnicas da região”, relata Miranda.
A Solectron investiu cerca de R$ 4 milhões na implementação dos dois laboratórios e na contratação de pessoal técnico. “Hoje, passados dois anos – acrescenta Miranda – posso afirmar, com toda a certeza, do prazer de ter conhecido tantos profissionais competentes, criativos e dedicados, a quem peço a licença de chamar ‘parceiros e colegas’.
“Viemos para o Ceará sem conhecimento do pessoal e da condição do Ceará para apoiar a Solectron na aplicação do dinheiro”, disse o diretor.
Segundo ele, houve uma capacitação inicial, visando a uma continuidade de aplicação desse investimento na criação do laboratório em aplicações específicas que dessem resultado no ponto de vista de conteúdo tecnológico.
Miranda informa que o dinheiro foi investido em capacitação e logo depois foi complementado com o desenvolvimento da solução do PC Multiusuário.
“O Instituto Atlântico usou a instalação inicial do Laboratório de Software que foi feito com a Solectron, e o LESC fez a aplicação do investimento na solução do hardware para o PC Multiusuário. A aplicação básica foi seguida de uma aplicação adicional na confecção da solução”, relata.
“A nossa surpresa foi positiva: essa aplicação resultou num produto que tem um apelo de mercado muito interessante, porque serve plenamente ao objetivo dos usuários que procuram uma inclusão digital de uma forma eficaz e barata”, afirma o diretor.
A Solectron é o fabricante da solução para a IBM, que toma a decisão de como vai comercializar o produto nos diversos mercados locais, regionais, para diversos tipos de aplicações – em call center, biblioteca, bolsa de valores, escolas - nos diversos estados brasileiros, assinala.
Até o final de fevereiro, segundo Miranda, serão concluídos os testes finais com os usuários da Biblioteca Menezes Pimentel. Em seguida, será feito um anúncio formal para a comercialização do produto.
O diretor de infra-estrutura da IBM Brasil, Claudio Schlesinger, informa que a expansão do uso do PC Multiusuário no Ceará vai depender de o governo do Estado fazer a licitação de distribuição de vários pontos ou outras instituições.
Segundo ele, o projeto inicial consiste no desenvolvimento e a demonstração da viabilidade do processo, sendo feito através da biblioteca o piloto real com a população.
“Essa tecnologia está disponível a partir de hoje. Havendo o interesse de outros estados ou outras instituições de obter esta tecnologia e de obter esta solução, ela é disponível” , afirmou Claudio Schlesinger.
O diretor anunciou que a solução do PC Multiusuário tem uma redução de custo de aproximadamente 60% comparada a uma solução convencional.
Claudio Schlesinger avalia que esta solução atende à necessidade de conseguir incluir não só a familiarização do sistema de computação, o computador, a Internet, mas serve para que a população consiga aprender um pouco da tecnologia básica, que pode ser a tecnologia básica de informação, da matemática, da língua portuguesa, de qualquer outra dessas coisas.
“É importante saber que esse tipo de iniciativa inclui o ensino a distância, que consegue trazer mais perto da tecnologia pessoas que não o acesso hoje a essa tecnologia”, assinala o diretor.
“Esse centro na biblioteca é um pólo que a gente consegue trazer para a população, para provar que é viável para estender para o resto do Estado e para o resto do Brasil”, acrescenta Schlesinger.