Sua vida tem muito a ensinar aos jovens brasileiros por sua longa caminhada como médico, cientista e grande político nordestino
Nagib Nassar é professor titular de Genética da UnB. Artigo escrito para o ‘JC e-mail’:
Tive a honra e o prazer de conhecer Josué de Castro. Li sua obra nos anos 60, quando era um jovem professor da Universidade do Cairo, no Egito.
Isso aconteceu graças a um programa egípcio, que traduziu mil livros para o árabe. Livros que muito influenciaram o mundo e fizeram o nosso pensamento.
Vindo para o Brasil em 1974, através de um acordo cientifico bilateral entre Egito e Brasil, promovido pelo Itamarati, segui as idéias do meu ídolo brasileiro, projetadas em seu livro ‘Geografia da Fome’.
O meu trabalho de melhoramento genético da mandioca, que resultou em aumentar, até o dobro, o conteúdo protéico dessa cultura, é um reflexo de suas idéias de enriquecer o valor nutritivo da mandioca.
Também os meus híbridos da mandioca, que são cultivados agora em dois milhões hectares na Nigéria, é mais um produto que reflete as suas idéias (veja o informe do CNPq de 22/9/04 no site http://www.CNPq.br).
Os jornais pernambucanos reverenciaram a memória de Josué de Castro, em setembro passado, e enfatizaram esses fatos.
Como aprendi em seu livro, a vida de Josué tem muito a ensinar aos jovens brasileiros por sua longa caminhada como médico, cientista e grande político nordestino.
Ficou conhecido pela eminente obra que escreveu sobre a fome e pelas funções que ocupou como presidente do FAO das Nações Unidas. Ele teve sempre paixão para ensinar tanto no Brasil quanto no Exterior.
Seu pensamento continua servindo de exemplo para educar atuais jovens brasileiros, do mesmo modo como inspirou um jovem egípcio na década de 60. Dedicou-se sempre à fome e como acabá-la, tanto nas salas de aula, como nos seus momentos sagrados de escrever.
Seu livro ‘Geografia da Fome’, já traduzido em 25 idiomas, o identificou como um dos mais eminentes cientistas e influentes escritores do século 20.
Exilado em 1964, escolheu a Franca para residir e voltou lecionar geografia humana na Universidade de Paris até a sua morte em 1973.
O mais importante ensinamento de sua vida foi sua persistente busca pela criação de uma teoria explicativa para o subdesenvolvimento e o grande empenho em fazer uma bela história de vida em seu país.