Universidade contemporânea, artigo de Reginaldo Marinho
A UFPB passa integrar a elite pensante da nova sociedade brasileira
Reginaldo Marinho é pesquisador da UFPB e membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC). Artigo publicado no Portal Wscom:
As primeiras medidas propostas pelo novo reitor da UFPB, Rômulo Polari, já o afastam de qualquer vínculo de continuísmo ao conservador e longo reitorado que se encerra.
Ao anunciar a sua equipe, o reitor Polari já apresentou algumas inovações de grande impacto. Para dar mais eficiência administrativa fundiu a Pró-Reitoria de Planejamento com a de Administração.
A criação da Secretaria de Integração Universidade-Setor Produtivo sinaliza que uma das preocupações vitais de Polari é a de preencher um profundo vazio que insiste em prosperar na Universidade brasileira, o afastamento da sociedade.
A responsabilidade da Universidade diante do desenvolvimento econômico e social sempre foi mantida à distância pelos administradores acadêmicos nacionais.
Como conseqüência desse distanciamento, a produção científica brasileira não tem contribuído significativamente para o desenvolvimento econômico e social do país.
Na abertura do 8º Congresso de Jornalismo Científico, no dia 24 de outubro, em Salvador, o reitor Naomar Monteiro de Oliveira Filho da Universidade Federal da Bahia foi direto: ‘A Ciência não se encerra em si mesma. É preciso que ela promova benefícios para a sociedade’.
A Secretaria de Integração Universidade-Setor Produtivo está afinada no mesmo diapasão das vertentes mais modernas da atividade acadêmica. Para coordenar esse setor, sabiamente, o reitor escolheu o professor Luiz Renato Pontes, reconhecido como uma das cabeças mais brilhantes nesse universo que envolve o conhecimento e o setor produtivo.
A conversão de conhecimento em patentes é irrelevante em nosso país. Não se pode duvidar que a forte participação de novas tecnologias à produção das riquezas mundiais contribui para aprofundar o fosso que existe entre os países colonizadores e os periféricos.
A UFPB passa integrar a elite pensante da nova sociedade brasileira, que terá necessariamente que inverter esse cenário de marasmo que se entranhou em na Universidade brasileira.
Nos EUA 30% dos cientistas estão nas Universidades e 70% nas empresas privadas. No Brasil, os valores são invertidos, 90% dos cientistas estão nas Universidades e centros de pesquisas e 10% estão nas empresas. Isso é que faz a diferença.
As expectativas favoráveis que se associam ao novo reitorado não param por aí. Ele já fala na criação do Instituto de Desenvolvimento do Estado da Paraíba.
O reitor se antecipou a um sonho que compartilhávamos com Heitor Cabral e Ronald Queiroz, sem que nunca reuníssemos os três para concretizar esse desejo.
A criação do instituto é prioridade máxima na cabeça do reitor e poderá reunir os vários segmentos da sociedade organizada com as instituições públicas das três esferas administrativas. Na mesma linha está prevista a implantação do Fórum Permanente de Ciência e Tecnologia.
Outra ação que já merece aplauso é a formulação do Colégio de Aplicação, que traz a lembrança do Colégio Universitário, do qual fui professor de Geometria Descritiva, na efervescente década de sessenta, cuja meta principal era a excelência do ensino.
Com certeza o Colégio de Aplicação irá restaurar a qualidade do ensino pré-universitário e logo poderá se transformar em eficiente laboratório pedagógico, nesse cenário tão desolador quanto o do atual ensino brasileiro.
O anúncio da construção do Centro de Arte e Cultura poderá se transformar em um excelente instrumento de aproximação da universidade e da sociedade paraibana.
Para completar esse quadro de propostas inovadoras e progressistas só falta o reitor recuperar o Núcleo de Inovação Tecnológica - NIT, extinto inexplicavelmente. (Portal http://www.wscom.com.br, 1/11)