Pesquisador da UnB recebe carta de instituto internacional com elogio a produto desenvolvido por ele
A mandioca corresponde hoje a 70% das calorias consumidas pelos nigerianos e o país é o maior produtor mundial do alimento.
Da área plantada, dois milhões de hectares nasceram dos híbridos do produto criados pelo pesquisador do Depto. de Genética do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB) Nagib Nassar.
Ele acaba de receber uma carta de reconhecimento do Instituto Internacional de Agricultura Tropical (Iita) – um consórcio das nações ricas criado em 1967 para desenvolver a produção sustentável de alimentos nos trópicos.
Quando iniciou seu trabalho, o pesquisador entrou em contato com o Iita em busca de apoio. Nassar identificou espécies resistentes a bactérias, propagou-as para criar uma coleção viva e, finalmente, cruzou as plantas silvestres com a mandioca comum.
Assim, obteve um aumento de resistência e de valor nutritivo (de 1,5% para 4% de proteínas). Ainda em 1986, ele enviou as sementes resultantes para o Iita, responsável pela maior parte dos cultivos novos da Nigéria, que levaram o país à posição de maior produtor mundial.
Reconhecimento – ‘Os produtos de pesquisa do Iita, entre eles a semente híbrida de mandioca, ajudam hoje a alimentar milhões de africanos, particularmente a população pobre rural e urbana’, afirma o diretor de Pesquisa para o Desenvolvimento do Iita, Rodomiro Ortiz, na carta enviada ao pesquisador. Para Nassar, o reconhecimento é a materialização de um sonho: ajudar a combater o problema da fome na África subsaariana.
Nassar era professor na Universidade do Cairo, no Egito, onde nasceu, quando descobriu, pela literatura da área, que as espécies brasileiras selvagens de mandioca apresentavam maior resistência às bactérias e ao mosaico africano, doenças que atacam as plantações do país.
Quando foi convidado para vir ao Brasil, em 1974, por ocasião de um convênio entre os dois países, logo visualizou a oportunidade de pesquisar o alimento no país.
A carta do instituto elogia o fato de Nassar ter obtido uma espécie híbrida mais resistente e protéica e também por ter produzido variedades que se propagam pela semente verdadeira – técnica chamada apomixia – e não por estacas, como é feito de costume.
O documento também agradece pelo fato de o pesquisador ter compartilhado sua descoberta, publicando-a em muitos jornais, e repassando-a para estudantes e professores. (Luciana Seabra, da Agência UnB, 27/8)