Leitores comentam artigo ‘GED pode ser substituídas por gratificação não produtivista, isonômica e paritária’, de Moises A. Resende Filho
A GED, como a GID, é uma aberração estruturada no governo passado, cujo fim maior era fazer prevalecer a ordenação da ortodoxia econômica regrada pelo Fundo Monetário Internacional
Mensagem de Raimundo Nonato O. Furtado, professor de História, do Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba:
É do conhecimento de comunidade científica mundial, notadamente a partir do século 19, que o arquétipo desenvolvido pela teoria liberal condicionou o homem comum a conviver em uma estrutura relacional demarcada pela versatilidade da lógica econômica e a exploração social de mercado.
A única alternativa encontrada pelos explorados para fazerem frente a um regime, também relacional, parcialmente justo, foi a organização de categorias associativas nos setores produtivos.
Se por um lado tivemos personificações como Adam Smith, David Ricardo e outros emblemáticos guardiões das teorias econômicas que sobremaneira demarcaram, em alguns momentos, até sagazmente o movimento que deveria dar o tom ao tabuleiro deste xadrez, por outro tivemos grandes destaques que resolveram desvendar os ‘bastidores’ da dicotomia que em nome do progresso e do futuro sempre exacerbaram as condições humanas.
Como fruto do embuste teórico, a versátil alienação veio à tona, tornou-se clara e compreensível através da pena de Karl Marx. A partir da segunda metade do século 19 o mundo passou a ter outra lógica.
Mesmo o senso comum passou a adotar uma postura que, se inicialmente manifestara-se confusa, indubitavelmente passou a ser defensiva-ofensiva, resgatando a dignidade humana solapada pelas teorias puras.
A idéia de transpor o umbral do século 20 para o 21, carregando a inominável ortodoxia do saber e do conhecimento a favor do privilégio econômico e do poder político, é no mínimo uma lamentável participação na desconstrução de um país que sequer conseguiu estabelecer uma equação que permita a sua sobrevivência autônoma frente ao agigantamento dos países de ponta, determinadores das políticas multinacionais.
A GED, como a GID, é uma aberração estruturada no governo passado, cujo fim maior era fazer prevalecer a ordenação da ortodoxia econômica regrada pelo Fundo Monetário Internacional, cujo objetivo premiava a destruição da previdência, da Universidade pública, da justiça e também dos direitos trabalhistas: a globalização era o paradigma.
Sem embargo, temos que admitir que atribuir gratificações produtivistas, mesmo para o senso comum, trata-se de um embuste grosseiro que atende a um tipo de demanda (justificáveis com planilhas estatísticas) e despreza a razão do equilíbrio e do respeito às leis trabalhista vigentes no país.
A Universidade não é uma indústria de automóveis, de televisores, celulares ou refrigeradores. Na Universidade formam-se mentalidades que precisam estar presas a estas objetividades mínimas que fazem a sociedade obter algum retorno do investimento forçado através de tantos impostos e taxas.
O salário de um profissional tem que estar constante e equilibrado quando necessário, para que a sensatez se pronuncie.
O Sindicato, representativo, tem estabelecido, mesmo desequilibradamente em alguns momentos, esta constante. As sociedades no mundo inteiro constroem suas arenas públicas.
O presidente da República sabe como estas construções são importantes e por isto as respeita. Não se trata de um mero ponto de vista sobre render-se ou não a uma pressão ou outra.
Trata-se de avaliar as construções teóricas evidenciadas no plano global, estabelecê-las com base no rigor científico adequado ao campo social estabelecido e, quando destacado a falta de representatividade num determinado espaço ou arena de debate, incluir-se para modificá-la.
Mensagem de Nagib Nassar, professor titular da UnB:
Lembro ao professor assistente Moises A. Resende Filho que esta no início de sua carreira acadêmica que ele está privilegiado por ser professor universitário graças à luta histórica desse sindicato.
Vivemos anos difíceis na década de 80, quando na auge da inflação, o salário de um professor assistente, que gastou grande parte de sua vida como mestrando e doutorando, não atingia o vencimento de um mensageiro numa empresa de grande porte, e sem luta da Andes não haveria correção alguma.
Alguns dos líderes desse sindicato foram ameaçados de demissão e outros pela prisão!
Mas não cederam, e a luta continua para garantir aos professores universitários do Brasil uma vida mais digna, e até garantir para eles uma bolsa para estudar em Minnesota e outras Universidades americanas.
Lembro ao professor assistente, que estuda atualmente em Minnesota, que o seu salário atualmente não chega a um sexto de colegas americanos. Mas na década de 70, um professor na UnB tinha salário igual ao de um professor da Berkeley ou Harvard.