Nova visão aplicada aos recursos genéticos da mandioca, texto de Nagib Nassar
Com a nova técnica, esperamos chegar a novos tipos, que, de outra forma, levariam milhões e milhões dos anos para serem alcançados
Nagib Nassar, professor titular de Genética da Universidade de Brasília e editor do jornal cientifico http://www.geneconserve.pro.br Artigo escrito para o 'JC e-mail':
Dentro de seu novo Dossiê sobre 'Biodiversidade e sua conservação', o jornal online 'Scidev.Net' dirigido pela 'Nature' e 'Science' publicou há pouco um artigo escrito pelo dr. Mark Malloch Brown, diretor Geral de Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP).
Na minha opinião, o dr. Malloch abordou alguns aspectos ecológicos da conservação pela sustentabilidade, mas outros aspetos foram esquecidos, provavelmente por serem considerados métodos novos e extremamente inovadores.
Trata-se de nossa visão aplicada aos recursos genéticos da mandioca, e sua conservação manejada e dirigida para sustentabilidade.
Varias espécies silvestres dessa cultura foram extintos em seus habitats naturais no Centro Oeste e no Nordeste Brasileiro mas são conservadas numa coleção viva na UnB.
Isto não é novidade, mas nossa inovação foi hibridizá-las com a mandioca comun para futuro aproveitamento de seus genes úteis. como alta proteina, com tolerância a seca e a resistência às pragas e doenças.
Como os híbridos produzidos normalmente ficam estéreis, nós tratados deles usando técnicas específicas restaurando suas fertilidades.
No momento, híbridos já foram produzidos e suas fertilidades restauradas. Prosseguiremos agora para a segunda fase: introduzir os híbridos em seus habitats naturais de onde eles foram extraídos: Corumbá de Goiás, Alto Paraíso, Cristalina e Alvorada do Norte.
Esperamos, assim, acelerar o processo evolutivo das espécies silvestres em ritmo extremamente rápido, e conseguir, em poucas décadas, novos tipos, os quais, se não fosse nossa técnica, necessitariam milhões e milhões dos anos para alcançar o que está sendo feito através da nossa técnica!!
Quem sabe, poderemos conseguir na mandioca algo semelhante ao que aconteceu com o milho e do trigo; novos tipos comestíveis bem diferentes de seus ancestrais.
Para mais informações, consultem o site http://www.geneconserve.pro.br
Nota da redação: o texto completo (em inglês) do artigo de Mark Malloch Brown está no site http://www.scidev.net. Este comentário do prof. Nagib Nassar também deverá ser publicado na mesma revista eletrônica.