A educação científica no ensino básico vai muito mal
Comentários sobre o artigo 'O ensino das ciências é politicamente correto?', de Francisco Nóbrega, professor da USP, divulgado pelo 'JC e-mail' de 5 de janeiro
Mensagem de Isabella Palmié, mestre em Ciências Biológicas, professora de Biologia:
A surpresa em constatar a desinformação de um professor de Biologia sobre os transgênicos infelizmente poderia se tornar rotina se várias escolas fossem visitadas.
Os professores, de modo geral, enfrentam extensas horas de trabalho sem se preocupar com a atualização. Raramente se encontra em escolas professores com mestrado ou doutorado. Os baixos salário, que dizem ganhar, não seria a justificativa mais adequada.
Nos últimos 12 anos, estive nas melhores instituições de pesquisa, e recentemente finalizei mestrado no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho.
Atualmente, leciono em três escolas com uma carga horária de 36h e um salário que beira os R$ 3 mil. Valor este que muito se aproxima ao salário de pesquisadores que trabalham longas horas, sábados, domingos e muitas vezes necessitam dormir em seus laboratórios para realizar belíssimos experimentos em prol da ciência.
No nosso país, a educação científica vai muito mal no que se refere a educação básica. Há uma grande preocupação no 3o grau, mas a base é absolutamente desprovida deste estímulo.
Acredito que muito se deva aos professores que muitas vezes não conseguem se especializar e se atualizar. A formação continuada que sempre procuro fazer não recebe incentivos por parte das instituições em que leciono, no entanto acredito ser fundamental.
A educação científica é algo de imensa importância em um país que possui grupos de pesquisa tão importantes como o nosso.
Os professores necessitam entender que não são donos do saber e admitir que é preciso buscar conhecimento a cada dia.
É necessário fazer uma ponte entre o conhecimento escolar e a acadêmia - temos que olhar um para o outro para construir um mundo melhor...