Ceará discute criação de Parque Tecnológico com Lubnor e Universidades
O financiamento de laboratórios e de pesquisas conjuntas da Lubnor e Universidades levantou R$ 2,58 milhões em 2001, R$ 3,5 milhões em 2002 e R$ 3,25 milhões este ano
A parceria entre a Lubrificantes Integração e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), da Petrobras, sediada em Fortaleza, com uma rede de Universidades, lidera a captação do fundo CT-Petro no âmbito das refinarias e serve de modelo da aproximação, com resultados, entre setor produtivo e academia.
O financiamento de laboratórios e de pesquisas conjuntas da Lubnor e Universidades levantou R$ 2,58 milhões em 2001, R$ 3,5 milhões em 2002 e R$ 3,25 milhões este ano, informa o gerente geral da unidade da Petrobras, Eribaldo Cantalejo Fernandes.
A maior fatia da receita da Lubnor, 54%, é obtida com a fabricação de asfalto que está sendo ampliada com investimento de R$ 20 milhões da Petrobras em 2003-2004. O gerente não revela o faturamento da indústria, que produz também lubrificantes naftênicos.
Porém, esta aposta no futuro compartilhada pela Lubnor e Universidades ainda não gerou nenhuma empresa para lançar produtos e fazer novos negócios.
Mas um novo cenário está sendo preparado para Lubnor e os pesquisadores para transformar o conhecimento gerado em novos produtos, que começariam como empresas incubadas num parque tecnológico específico para o segmento.
Este foi o tema de encontro nesta semana do gerente geral da Lubnor, Eribaldo Fernandes, com Hélio Barros, secretário da C&T do Ceará, Fernando Baratelli Júnior, gerente de Gás e Energia do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras, e Jorge Barbosa Soares, coordenador do Laboratório de Mecânica dos Pavimentos da UFC.
A mesa reuniu ainda o coordenador da área de pesquisa e desenvolvimento da Lubnor, João Augusto Araújo Paiva, o consultor independente Lenardo de Castro e técnicos da estatal.
O governo do Ceará pleiteia área de 16 hectares no Mucuripe para transformá-la em um parque tecnológico. A área, hoje é ocupada pelo setor de tancagem da Petrobras, que será transferido para o Porto do Pecém.
'Minha esperança é transformar parte desta área num pólo de pesquisa e desenvolvimento, num parque tecnológico, um ambiente que fertilize negócios e gere riqueza', diz Hélio Barros.
Um dos primeiros produtos que poderá sair da parceria é o asfalto processado com mistura de pneus velhos.
A secretaria estadual de Infra-Estrutura designou para execução com o composto uma pista piloto na CE 040, informa Jorge Barbosa Soares.
Para uso do novo ligante do asfalto, que dá melhor qualidade à pista, o próximo desafio é a instalação de uma indústria para fazer a moagem de pneus velhos no Ceará, disse ele, que visitou empresas do setor na região Sudeste do Brasil, no Arizona e Portugal.
Hélio Barros se prontificou a fazer o contato com um empresário cearense de moagem de pneus velhos cuja indústria opera no RJ. Outro campo que pode ser explorado no mercado, fruto da parceria Universidades e Lubnor é o dos produtos lubrificantes acabados.
Como preparação para a etapa de desenvolvimento de produtos, a Lubnor e a UFC produziram a minuta de um convênio com o Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec) para incubar as empresas nascidas da parceria.
João Augusto avalia que a interação com a Secretaria da C&T vai intensificar a cooperação já existente com a Lubnor e abrir novas frentes.
Como exemplos, citou a de energias alternativas - eólica, solar e biodiesel. A Petrobras criou uma gerência de Energia e Desenvolvimento Sustentável e tem a intenção de gerar 10% da energia produzida em sua instalações de fontes renováveis, informa Fernando Baratelli, do Cempes.
Segundo Baratelli, os preços do biodiesel extraído da soja e da mamona hoje estão em patamar equivalente, tendo como referência a produção em Irecê, na Bahia, transportada para o RJ.
É que no processo de transterificação, o óleo da mamona é extraído diretamente da semente, sem necessidade de esmagamento. De acordo com a Embrapa, a produção da mamona só é viável na cultura de consórcio, informa.
A Lubnor mobiliza doutores, mestres e graduados no estudo de novos agregados, caracterização de óleos básicos e lubrificantes acabados e desenvolvimento de novos produtos voltados para aplicação local.
Como exemplos, João Augusto menciona o aditivo antioxidante baseado no Líquido da Castanha de Caju (LCC), que já tem laboratório e planta piloto na UFC e só falta partir para fábrica.
Outras pesquisas estão sendo realizadas nas áreas de meio ambiente e biotecnologia, para aproveitamento dos resíduos pesados como a borra dos tanques em combustível, nas áreas de modelagem computacional e catalisadores. (Flamínio Araripe)